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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Memórias de Nápoles

Enquanto chove recordo alguns momentos das férias napolitanas:

a siesta do operário da construção civil

(Procida, Setembro 2015)

O smog sobre a baía

(Vesuvio, Setembro 2015)

A costiera sorrentina à qual se acede por túneis e estradas feíssimas, que ao fim-de-semana engarrafam totalmente.


As casas impossíveis de uma encantadora aldeia em socalcos hoje totalmente comercializada

(Positano, Setembro 2015)

O fogo de artifício todas as noites

(Napoli, Setembro 2015)

O parque arqueológico submerso de Baia, cuja visita falhou por "falta de visibilidade"

(Bacoli, Setembro 2015)

O pequeno, quase desconhecido Museo dei Campi Flegrei

(Miseno, Setembro 2015)

de onde se avista esta praia, onde infelizmente não aceitam cães

(Miseno, Setembro 2015)

A Tosca no Teatro Grande de Pompeios

(Pompei, Setembro 2015)

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Arte antiga em Nápoles

Eu que adoro passear nos centros históricos das cidades, em Nápoles só me apeteceu sair dali o mais depressa possível. É feio, sujo e escuro. Mas tem o Museo Archeologico Nazionale (MANN), imperdível para quem quer ver ao vivo as estátuas, os frescos, os mosaicos, os objectos de uso comum retirados das escavações das cidades antigas circumvesuvianas, ainda que frequentemente haja muitas peças fora, a fazer uma ou outra exposição temporária: nesta altura, quase a deixar o ROM em Toronto, Pompei in the shadow of the volcano.

Estive no MANN há muitos anos, e só me lembro de que a sala onde se encontrava o retrato de César estava fechada. Protestei e expliquei que viera de Portugal especialmente para ver esse retrato, e consegui que me deixassem entrar. Desta vez não houve problema, vi-o e fotografei-o à vontade.


Há muito mais para ver, claro. O Hércules Farnese é extraordinário, aparentemente a descansar sobre os trabalhos completados mas, na realidade, em tensão, com a mão direita escondida atrás das costas a segurar os pomos de ouro das Hespérides, pronto a avançar a qualquer momento.


Este fresco não é particularmente bonito mas conta uma história: a da rixa que teve lugar em 59 dC junto do anfiteatro de Pompeios* entre pompeianos e visitantes de Nuceria a pretexto de uns jogos de gladiadores. Já havia hooligans naquela época!


Quanto a este famosíssimo retrato de uma jovem com um estilete e tabuinhas para escrever, é apenas (talvez) o mais bonito exemplo de uma atitude standard em retratos daquela época.



(Napoli, Setembro 2015)

Os Romanos, que não tinham obviamente fotografias das obras-primas originais para se deleitarem, copiavam-nas mil vezes para as terem por perto, em casa ou em espaços públicos. O próprio César, que era coleccionador de coisas belas, expunha-as em pórticos ou templos para que pudessem ser apreciadas pela população em geral.


*A tradução correcta do nome da cidade é Pompeios e não Pompeia, como me fez notar a Xantipa.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Ave Caesar

Parabéns por mais um aniversário.

(Firenze, Setembro 2004)

Este é um retrato menos conhecido, encontrado na Galleria degli Uffizi, que visitei depois de esperar na fila durante horas, quando ainda não sabia que se podiam comprar bilhetes com antecedência.

Também não sabia (obrigada, Twitter!) que Schumann tinha composto uma abertura dedicada a César. Aqui fica:

terça-feira, 31 de março de 2015

Berlim revisitada

Fui à procura de alguns dos meus lugares favoritos em Berlim: a loja de cultura Dussmann e o seu jardim vertical


o Brandenburger Tor, símbolo da reunificação alemã


os oito pátios Arte Nova interligados, conhecidos como Hackesche Höfe, que já tinha mencionado aqui



a cobertura do centro Sony onde tem lugar o festival de cinema Berlinale


(a propósito, a Potsdamer Platz já não está em obras!)

a Gemäldegallerie onde, entre obras-primas de Rubens, de Rembrandt, de Vermeer, de Botticelli, encontrei este gordo extraordinário de um para mim até agora desconhecido Charles Mellin, nascido em Nancy no fim do século XVI mas romano de carreira

(Berlin, Março 2015)

Não é de uma modernidade surpreendente?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Ainda a propósito de Arte Nova

Foi finalmente este ano que entrei no Temple de la Sagrada Familia em Barcelona, e fiquei encantada:

(Barcelona, Janeiro 2015)

Comprei bilhetes online e fui relativamente cedo, fugindo assim às filas.
Dizem que deve ficar pronto em 2026. Espero que sim, vai valer a pena.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A propósito de Arte Nova

aqui comentei como me surpreendeu o bairro Art Déco de Miami, quando o esperava semelhante às grandes avenidas de Lisboa.
Lembrei-me disso agora ao ler este post no blogue O Livro de Areia. A Arte Nova finlandesa tem pouco a ver com a que vi em Nancy, considerada a capital francesa desse estilo:




Particularmente conhecido é o Café Excelsior:


O museu da Escola de Nancy e a colecção Daum no museu de Belas-Artes, que não cheguei a visitar, devem ser uma perdição para quem gosta de peças deste estilo.

Nancy não é, contudo, apenas (!) Arte Nova. Sem me debruçar muito sobre a arquitectura medieval, de que também tem uns espécimes, a praça Stanislas, do século XVIII, é extraordinária:



(Nancy, Novembro 2014)


Ali bem pertinho fica a Rue des Maréchaux, que não comunga desta monumentalidade, mas é conhecida como a rue gourmande vá-se lá saber porquê ;-)

sábado, 3 de janeiro de 2015

Os belgas

Não sei se os belgas existem - eles também não* - mas só uma gente especial construiria uma igreja torta para não alterar o curso de uma ribeira:


e lhe cortaria mais tarde um canto para criar mais passeio para os peões:

(Bruxelles, Novembro 2014)

Por outro lado, se isto não é arte na Bélgica, sê-lo-ia certamente em Nova Iorque:

(Antwerpen, Novembro 2014)

Já este parque de estacionamento, se não fosse flamengo, só poderia ser holandês (o que, queiram eles ou não, é parecido):

(Gent, Novembro 2014)


*Mas César sabia, e dizia deles que eram os mais valentes dos povos que habitavam a Gália, porque viviam mais longe da civilização e estavam continuamente em guerra com os Germanos. Como o tempo pode mudar a geografia!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Ainda Antuérpia

Antuérpia é uma cidade rica. Percebe-se ao sair do comboio na estação central

ao caminhar por avenidas desafogadas mas não desumanas

passando pelas casas das guildas na Grote Markt

ao chegar à Groenplaatz e avistar a Catedral de Nossa Senhora (Onze-Lieve-Vrouwekathedraal)

(Antwerpen, Novembro 2014)


até finalmente se desembocar na margem do rio Scheld. Tudo isto com uma luz e uma serenidade que me fizeram desejar ficar pelo menos dois dias em vez de poucas horas. Falta-me ainda muito para ver: o Museu de Belas-Artes, o porto que é um dos maiores da Europa, as construções Arte Nova, as lojas de diamantes e, last but not least, o túmulo de Rubens.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Rubens em Antuérpia

Voltei a Antuérpia especialmente para visitar a casa de Rubens, pintor que acabou por marcar muito esta viagem.

(Antwerpen, Novembro 2014)

Em Bruxelas, as Bozar focavam-se em Rubens, apresentando-o assim: Rubens was the Quentin Tarantino of his era. The Flemish master painter created scenes that exuded lust and were marked by violence, as well as compassion and elegance. These themes inspired the artists after Rubens for many centuries to come.

Na realidade, a violência e a luxúria de Rubens nunca passam os limites da elegância (não há pingo de sangue nas cenas de caça às feras)

(Bruxelles, Novembro 2014)

o que lhe assegurou a presença em salões e igrejas e uma fortuna pessoal assinalável.

(Antwerpen, Novembro 2014)

O seu atelier produziu mais de cinco centenas de obras; o que espanta já não é que na Catedral de Antuérpia haja quatro

(Antwerpen, Novembro 2014)

e na Catedral de St Baaf em Gent haja outra

(Gent, Novembro 2014)

mas que o nosso Museu Nacional de Arte Antiga não tenha uma sequer.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O Altar de Gand

Gand, ou Gent em flamengo, fica ainda mais perto de Bruxelas, e tem canais ainda mais bonitos do que Bruges.

Tem um castelo, uma densidade impressionante de igrejas e edifícios góticos

(Gent, Novembro 2014)

e a Catedral de St Baaf, onde se encontra, em sala especial e guardado à vista, o retábulo conhecido como Altar de Gent ou Cordeiro Místico dos irmãos Hubert e Jan van Eyck, que também figura no filme The Monuments Men.

Imagem de Pol Mayer/ Paul M.R. Maeyaert para Wikimedia commons

Retábulos não faltaram nesta viagem

(Metz, Novembro 2014)

(Antwerp, Novembro 2014)

(Strasbourg, Novembro 2014)

mas o Cordeiro Místico é enorme em vários sentidos (tem quase quatro metros de altura!). Está a ser restaurado painel a painel, pelo que não estão todos expostos, e infelizmente não se pode fotografá-lo, mas neste site pode-se admirá-lo e analisá-lo à vontade.