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sábado, 21 de julho de 2018

Fake news

Se o presidente Trump não tiver mais nenhuma qualidade, teve pelo menos a de alertar para aquilo que chamou fake news. Começo a achar insuportáveis as notícias e/ou fotos que dizem reportar alimentos ou medicamentos fatais, cientistas geniais menorizados ou mercados de escravos na Líbia, que mesmo repetidamente desmascaradas continuam a correr as redes sociais - ou, para ser mais precisa, Facebook.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A vida breve

One might not care if a particle of light completes its history in a finite time.

Stephen Hawking, My Brief History, New York, 2013, pg 98


Na realidade, nunca me tinha posto essa questão, mas fiquei a pensar no assunto: os fotões morrem ou não?
Encontrei esta possível resposta. Acho-a tão bonita como a foto a cores de qualquer galáxia.

segunda-feira, 2 de março de 2015

O pecado de Juncker: resultado da votação

Percebe-se como este blogue é pequenino quando só se recebe dez votos numa votação deste género.
O resultado final da votação deu a vitória à opção 3 (este Verão quer fazer férias na Grécia), com a opção 4 (outra) em segundo lugar e apenas um voto para a opção 1 (estava bêbado).

Uma análise das respostas seria interessante:
este voto vai no sentido lúdico ou revela suspeita de corrupção?
os votos exprimem a opinião sobre os políticos em geral ou sobre apenas este em particular?
os votos exprimem algum desejo dos próprios votantes?
etc.

Cheira-me que há teses de mestrado a partir de coisas pouco mais sérias do que esta ;-)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O paradoxo de Fredkin

Via Lifehacker:

The more equally attractive two alternatives seem, the harder it can be to choose between them -- no matter that, to the same degree, the choice can only matter less."

Edward Fredkin*, citado em Marvin Minsky, The Society of Mind, NY, 1988, pg 52

Dito de outra maneira, quando parece mais difícil escolher entre duas alternativas é quando elas não são significativamente diferentes e não vale a pena perder muito tempo nessa escolha.

Já ganhei o dia.


* Fredkin é um cientista americano que se destacou por propor que o universo se compõe, basicamente, de informação e alterações na informação. Parece simples mas experimente-se procurá-lo no Google e ler o que escreveu. Pois.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Por um punhado de bambu

Quem me mandou a mim ler hoje o DN online e seguir esta notícia até ao fim?
Depois de defrontar a extraordinária capacidade de uma panda produzir voluntariamente alterações hormonais, e a confusão de uma panda com falta de apetite se vender por mais pão, fruta e bambu, fiquei ainda mais alarmada por poderem apresentar sintomas de gravidez no período pró-gestacional e mantê-los.

Já tinha ouvido falar de falsas gravidezes de cadelinhas, por exemplo, mas involuntárias. As pandas chinesas pareciam ter levado a coisa a um extremo de sofisticação.

Tive de ir à fonte, obviamente, e aí a história é mais normal: são alterações hormonais (um aumento da progesterona) que modificam o comportamento das pandas, e não o contrário, ainda que elas possam tentar prolongar um comportamento que lhes traz vantagem.

Vá você

Desta vez o pessoal não se deixou intimidar pelo nome de mais um vulcão islandês e transformou um assustador Bárðarbunga numa coisa muito mais familiar: Bardabunga.
Não sei de quem foi a ideia, mas faz lembrar o sr. Berlusconi, não faz?

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dronespotting

Não é só a chanceler Merkel que se diverte a ver passar os drones. Um dia destes dei com um a sobrevoar-me.

(Praia do Lourenço, Abril 2014)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Um planeta como o nosso

Notícia do Diário de Notícias:

Daqui a 5 mil milhões de anos
Luz do Sol vai deixar de chegar à Terra
por Lusa, texto publicado por Sofia Fonseca 23 abril 2013
(...)
Em declarações aos jornalistas em Madrid, onde hoje faz uma palestra sobre energia escura, o astrónomo norte-americano, atualmente instalado na Austrália, disse que o universo vai continuar a expandir-se e os objetos que o compõem irão afastar-se tanto mais depressa quanto mais afastados estiverem entre si.
(...)
"Se a constante de Einstein estiver certa, a aceleração do universo não só continuará, como aumentará no futuro, pelo que em algum momento a luz do sol deixará de chegar à Terra", admitiu Schmidt.
O Nobel tem aliás uma estimativa de quando isso acontecerá: "Ao sol restam-lhe 5.000 milhões de anos de vida".


e mais outra:

Físico britânico
Universo não precisa de Deus para existir, diz Hawking
por Ana Chio, editado por Patrícia Viegas 23 abril 2013
(...)
No fim da palestra, o cientista, que sofre de esclerose lateral amiotrófica, acrescentou que a investigação e exploração do Universo é fundamental porque, segundo ele, a humanidade não sobrevive mais de mil anos num planeta que está cada vez mais frágil.


Apesar de estas "notícias" não trazerem nada de novo, levaram a uma conversa interessante sobre a investigação espacial. Perguntava o A. o que se espera encontrar: um planeta igual à Terra para onde possamos emigrar? Acha ele que somos dificilmente adaptáveis a outras condições de gravidade, de atmosfera, de calor e humidade. E de alimentação. Precisamos pois de um planeta em que a vida, baseada no carbono, tenha evoluído como a da Terra. Qual a probabilidade de o encontrarmos a uma distância razoável? Qual a probabilidade de o encontrarmos de todo? Completo com árvores de fruto, cereais e, já agora, vaquinhas a pastar? E como transferimos para lá cinco mil milhões de pessoas?

É capaz de ser mais produtivo cuidarmos do nosso planeta ou, dentro dos limites da nossa adaptabilidade, adaptarmo-nos ao que estamos a transformar.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A luta continua

Notícia do Público:

Cientistas portugueses obrigam células cancerosas a suicidarem-se
Teresa Firmino   27/11/2012 - 07:44
O controlo de uma única reacção química numa proteína teve como consequência a morte de células que, por definição, são imortais. Patente para esta inovação foi pedida para a Europa.
(...)


Em resumo, um dos problemas com as células cancerosas está na falta de contenção do seu processo de divisão/multiplicação. A estabilidade deste processo é regulada por uma proteína, a CLASP2, que sofre uma modificação mediada por outra proteína, a Plk1.
Se se actuar sobre esta última, pode-se impedir a modificação da primeira e desestabilizar o processo de divisão celular, impedindo-o.

(...) 
“Quando impedimos que esta modificação acontecesse, as células não conseguiam estabilizar o interface e não conseguiam (...) dividir-se”, explica Hélder Maiato. “Acabavam por morrer, sem conseguirem dividir-se.”
(...)

Ou seja: interrompe-se o crescimento do tumor por não haver aumento do número de células, sendo que as que não conseguem dividir-se acabam por morrer.

Esta parece-me ser a notícia mais importante do dia. O resumo do artigo original está no Journal of Cell Biology.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Localizável

Notícia do Diário de Notícias:

Politécnico da Guarda
Professor cria sistema de localização de pessoas e bens
por Lusa Hoje
Um investigador do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) desenvolveu um sistema de localização de baixo custo, que pode ser aplicado em pessoas, bens e animais, informou o responsável pelo projeto.
"É um sistema de localização para pessoas ou bens, que utiliza o sistema global de posicionamento através de satélite, mais conhecido por GPS", explicou Luís Figueiredo, docente do politécnico da Guarda e coordenador do projeto Magic Traking.
O responsável adiantou que a aplicação pode ser "muito útil" em situações de desaparecimento de idosos, tendo sido criada a pensar "em pessoas que sofrem de Alzheimer, que facilmente perdem o sentido de orientação, deixam de conhecer os locais onde estão e se perdem".
(...)


Muito útil, portanto. É inegável. Deve poder usar-se também em vez da pulseira electrónica dos presos. E dos microchips de cães e gatos. Pode pôr-se também nas crianças pequenas, e nas maiorzinhas, com medo de raptos. Já agora, pode ir ficando ao longo da vida, dá jeito em caso de acidente, ou assim. Sempre localizáveis, sempre seguros.

Muito útil, mas eu quero sair daqui antes que me ponham um.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Speedy neutrinos

Notícia do Expresso:

Descoberta: partículas mais rápidas que a luz?
É uma descoberta que a confirmar-se abrirá novas perspetivas científicas. Físicos franceses anunciaram ter medido partículas elementares da matéria a uma velocidade superior à da luz.
9:50 Sexta feira, 23 de setembro de 2011
Os neutrinos, partículas elementares da matéria, foram medidos a uma velocidade que ultrapassa ligeiramente a velocidade da luz, considerada até agora como um "limite intransponível", anunciaram hoje físicos de um centro de investigação francês.
(...)
As medições efetuadas (...) concluíram que um feixe de neutrinos percorreu os 730 quilómetros que separam as instalações do Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), em Genebra, do laboratório subterrâneo de Gran Sasso, no centro de Itália, a 300,006 quilómetros por segundo (...)
"Tendo em conta o enorme impacto que tal resultado poderá ter na Física, são necessárias medições independentes para que o efeito observado possa ser refutado ou então formalmente estabelecido", sublinha o CNRS.(...)


É assim que a ciência funciona: submetendo-se a confirmação por outros investigadores. Mas se estes resultados se confirmarem, teremos muitos apreciadores de ficção científica - da boa, a de Isaac Asimov e Arthur C. Clarke - a acenarem com ar satisfeito, Nós bem dizíamos, e a sonhar com viagens espaciais ainda durante a sua vida.


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O sexo das lulas

Outra notícia do Expresso:

Estudo: o que não sabia sobre o sexo das lulas
Ao que tudo indica, no que diz respeito ao sexo entre lulas, o género não importa. Um estudo norte-americano sugere que os machos da espécie octopoteuthis deletron não conseguem distinguir as fêmeas dos outros machos.
Ana C. Oliveira (www.expresso.pt), com The Guardian
19:08 Quarta feira, 21 de setembro de 2011

(...)

Que alívio. É que eu, olhando para eles, também não os distingo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Crenças

(...) quae volumus, et credimus libenter et, quae sentimus ipsi, reliquos sentire speramus

acreditamos mais facilmente naquilo que desejamos, e esperamos que os restantes sintam o que nós sentimos


C. I. Caesar, De bello Civili, II, 27

Hoc ubi uno auctore ad plures permanaverat, atque alius alii tradiderat, plures auctores eius rei videbantur.

Esta [opinião] quando um autor a passava a muitos, e cada um destes [a] transmitia a outros, parecia ter vários autores.


id, II, 29

A minha amiga S., como tanta gente sem formação científica, acredita em coisas como o poder da mente, a malignidade das micro-ondas e a eficácia da homeopatia e da imposição das mãos (que agora tem um nome mais interessante, reiki).

Outro dia fi-la ler um artigo na Revista da Ordem dos Médicos (número ainda não online), que explicava o que vêem os médicos de errado nas medicinas alternativas: a falta de base racional, a falta de controle de qualidade dos medicamentos, a ausência de validação das terapêuticas por ensaios controlados e repetíveis, e a subtracção de doentes a tratamentos médicos eficazes.

Ela leu e, devolvendo-me a revista, apenas comentou:

Muito bem, mas eu tenho outros dados.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Espanta mosquitos

Notícia do Jornal de Negócios:

A t-shirt que repele insectos
16 Agosto 2011 | 00:01
João Carlos Malta - joaomalta@negocios.pt

(...)
Imagine que a t-shirt que veste não é só uma t-shirt, é também um repelente, que deixa os mosquitos a meio metro de distância. A ideia da têxtil NG Wear já está no mercado.
(...)


É, segundo o JN, o resultado de uma parceria de investigadores portugueses: o Citeve, a NG Wear e o Instituto de Higiene e Medicina Tropical. E eu quero, quero muito, apesar de o design ser medíocre, os slogans duvidosos e cinquenta centímetros uma distância demasiado curta para o meu gosto.

sábado, 6 de agosto de 2011

Anedotas

O Expresso hoje traz um monte de anedotas. Acho eu. Vejamos:

O governo cortou quase 10% dos salários dos administradores da Caixa Geral de Depósitos e poupa 6400 euros por mês (não dá nem para contratar outro administrador);

A Standard and Poor's cortou o rating dos Estados Unidos da América para AA+ (que corte radical, hem!)

Um sueco tentou fazer fusão nuclear na cozinha de casa (até o jornalista goza com esta)

Não percebo porque não fiquei mais bem-disposta.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O cérebro de Darcy

Notícia de The Globe and Mail:

That’s Dr. Darcy to you: The medical insights of Colin Firth
STAFF
From Monday's Globe and Mail
Published Sunday, Jun. 05, 2011 10:11PM EDT
Last updated Sunday, Jun. 05, 2011 10:25PM EDT

Colin Firth can now add brain researcher to his long list of credits.
The Oscar-winning actor was listed as co-author of a study in which researchers predicted they can estimate an individual’s political leanings with 72-per-cent accuracy by examining a subject’s brain structure.
(...)


Lembrei-me dos frenologistas do século XIX, com as suas teorias de que a personalidade de um indivíduo estava determinada pelo volume de certas áreas do seu cérebro.
Sempre houve pensadores a achar que a matéria determina o espírito, em oposição aos que opinam que o espírito tem existência independente. Hoje não procuramos bossas no crânio porque temos acesso às técnicas de imagiologia.

Engraçado que o estudo da actividade elétrica do cérebro não nos tenha dado informações extraordinárias.

Noutra perspectiva, é também engraçado pensar que traços da personalidade humana procuramos relacionar com a anatomia cerebral e assim, talvez, desresponsabilizar-nos por eles: no século XIX a mente criminosa, no século XX a sexualidade, no século XXI as tendências políticas?

Para quem estiver interessado, o artigo referido no jornal está aqui.

sábado, 7 de maio de 2011

À rasca ou talvez não

A descoberta, há alguns anos, que a natureza é assimétrica, foi para mim singularmente libertadora.
A assimetria não só nos livra da dicotomia branco / preto como nos leva, para além das óbvias gradações de cinzento, à cultura da cor.
Daí ao pensamento out of the box vai um passo que é fundamental que seja dado para se fugir aos moldes e às modas.

Vem isto a propósito da situação portuguesa, da crise, do memorando de entendimento e da insustentabilidade da segurança social.

Desde há algum tempo que todos os economistas e aprendizes afinam pelo mesmo diapasão (sim, mudei de metáfora, e daí?) e repetem em coro que a crise é estrutural, que as soluções, mesmo drásticas, não solucionam, e que as reformas têm de acabar porque a natalidade é baixíssima e o desemprego das gerações mais novas significa menos dinheiro para pagar as aposentações dos mais velhos.

Isto é assim porque as reformas assentam, dizem-nos, num esquema em pirâmide ou de Ponzi, em que quem chega depois paga com juros o investimento de quem chegou primeiro. Os esquemas de Ponzi desmoronam-se como é evidente quando a base da pirâmide é insuficientemente larga.

No entanto, não há razão para que as aposentações continuem a seguir esse esquema, e é essencial que não o sigam de modo restrito: o dinheiro em jogo tem de ser aplicado e rentabilizado antes de ser usado para pagar as reformas dos mais velhos.

Além disso, quando os mais velhos de agora morrerem, hão-de sobrar as gerações mais novas, que são menos gente e, pelo menos por essa razão, por um lado mais fáceis de empregar e por outro mais baratas de reformar.

Como consequência, é possível que se enrasquem apenas uma ou duas gerações, incluindo a minha e a geração rasca. Quem está agora reformado talvez se safe ainda com os meus descontos, e a geração à rasca com a dos filhos, os agora bebés que, se os deixarem, terão formação digna, profissão condigna e emprego gratificante, já que os trabalhos menos diferenciados poderão ser desempenhados, cada vez mais, por máquinas.

Estou assim hoje: armada em Jules Verne. Descongelem-me no próximo século e digam-me se acertei - se houver dinheiro para me congelar, naturalmente.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Prisão de Stanford

A selvajaria humana, já o tenho dito, está para além da minha compreensão. E no entanto, segundo uma experiência realizada por psicólogos americanos faz agora quarenta anos, está ao alcance de qualquer pessoa normal quando em circunstâncias (in)apropriadas.

Foi na Universidade de Stanford, California, que um laboratório de psicologia resolveu levar a cabo a experiência: colocar numa falsa prisão 9 rapazes normais guardados por outros 9 rapazes normais, todos voluntários pagos recrutados por anúncio.

Em breve tanto os "guardas" como os "prisioneiros" adoptaram comportamentos típicos e extremos, e até os observadores se deixaram arrastar para posições inesperadas.

O resultado foi tão perturbador que o programa, que devia durar duas semanas, terminou em seis dias.

A história está contada aqui, onde cheguei através do blog do Rui Monteiro, Onde Mudar... Psicologia.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Paranóia

Notícia do Público:

Arábia Saudita deteve grifo israelita por espionagem
06.01.2011 - 12:48 Por Helena Geraldes
(...)
O grifo (Gyps fulvus) foi encontrado há uns dias em território saudita (...) O animal tinha uma anilha e um transmissor GPS com o nome da Universidade de Telavive, o que motivou rumores de que fazia parte de uma estratégia sionista.(...)
As autoridades israelitas dizem-se surpreendidas e rejeitam essas acusações, manifestando preocupação com o destino do animal. “O dispositivo não faz mais do que receber e armazenar dados básicos sobre as trajectórias do animal, sobre a altitude e velocidade que alcança”, explicou um ornitólogo da Autoridade israelita dos Parques e Natureza (...)


Parece elementar que um grifo espião não trouxesse um transmissor identificado. Mas o medo altera a percepção das coisas, se calhar o ódio também, e duvido que no Médio Oriente se distinga sequer o medo do ódio.

Coitado do passarinho.