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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Doçura ou travessura

Notícia do Público:

Açúcar no café? Saúde quer reduzir quantidade dos pacotes para metade
Alexandra Campos
14/01/2016 - 07:16

Esta é a primeira proposta de um lote de medidas idealizadas pela Direcção-Geral da Saúde para reduzir o consumo de açúcar em Portugal. Embalagens individuais vão passar de oito para quatro gramas de açúcar.
(...) e tornar obrigatório que estes pacotes apenas sejam disponibilizados aos clientes se o pedirem expressamente.
(...)


Ora que medida tão inteligente. Só serve para tornar os pacotes de açúcar mais caros para os comerciantes (o dobro do papel para a mesma quantidade de açúcar). As pessoas que usavam um pacote simplesmente pedirão dois, duh.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Praga de Primavera

A minha horta já está plantada para a nova estação: para as saladas, alfaces


rúcula


e tomateiros


Para o caldo-verde, couve


Do ano passado para este transitaram os morangueiros


A pitangueira tem algumas flores, embora eu duvide que já dê fruto este época


Não faltam as aromáticas, algumas das quais vou tentar controlar mantendo-as em vasos: coentros


manjericão


já que o tomilho teve de ser podado para não ir além dos limites designados


Já estou a imaginar umas tisanas com a camomila


e a verbena


e até plantei amores-perfeitos, entendidos como flores comestíveis


Problemas, para já, estou a ter com o feijoeiro-verde, que os caracóis elegeram como petisco: fiz-lhe uma defesa tipo Alésia, com sal e veneno específico

(Albufeira, Abril 2015)

mas após as primeiras mortes os bandidos passaram palavra e agora a única solução tem sido uma espécie de preservativo nocturno feito de um saco de plástico invertido sobre a planta. A ver vamos se a pobre sobrevive ao cerco.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Queimada galega

Ontem tive amigos cá em casa a pretexto de uma queimada galega.
É um rito com ares de antigo mas que parece ser afinal bastante recente e no entanto ganhou foros de tradição na Galiza; nele se invocam os elementos (terra, ar, água e fogo) para afastar o mal e os bruxedos e propiciar a amizade.
A receita que usámos ontem continha aguardente, açúcar, limões cortados em gomos e grãos de café, tudo colocado num recipiente próprio de barro e mexido com uma concha igualmente de barro. O fogo é ateado a uma pequena porção contida nesta concha e nesta transplantado ao recipiente. O ideal é fazer isto ao ar livre e sem vento, mas as noites ainda estão frias e éramos todos adultos e cuidadosos, pelo que trouxemos a parafernália para dentro.


Vai-se mexendo sempre com a concha, criando cascatas de chamas e recitando este esconxuro:

Mouchos, curuxas, sapos e bruxas.
Demos, trasgos e diaños, espíritos das neboadas veigas.
Corvos, píntegas e meigas:
feitizos das menciñeiras.
Podres cañotas furadas, fogar dos vermes e alimañas.
Lume das Santas Compañas,
mal de ollo, negros meigallos, cheiro dos mortos, tronos e raios.
Ouveo do can, pregón da morte; fociño do sátiro e pé do coello.
Pecadora lingua da mala muller casada cun home vello.
Averno de Satán e Belcebú, lume dos cadáveres ardentes,
corpos mutilados dos indecentes,
peidos dos infernais cus,
muxido da mar embravecida.
Barriga inútil da muller solteira,
falar dos gatos que andan á xaneira,
guedella porca da cabra mal parida.
Con este fol levantarei as chamas deste lume que asemella ao do Inferno,
e fuxirán as bruxas da cabalo das súas vasoiras,
índose bañar na praia das areas gordas.
Oíde, oíde! os ruxidos que dan as que non poden deixar de queimarse na augardente
quedando así purificadas.
E cando esta beberaxe baixe polas nosas gorxas,
quedaremos libres dos males da nosa alma e de todo embruxamento.
Forzas do ar, terra, mar e lume,
a vós fago esta chamada:
se é verdade que tendes máis poder que a humana xente,
eiquí e agora, facede que os espíritos dos amigos que están fóra,
participen con nós desta queimada.


Quando a chama se apagar, tendo consumido a maior parte do álcool, deita-se a bebida em tijelinhas de barro e vai-se bebendo e conversando noite adiante. Sabe a limão, caramelo e chocolate, e tem a grande vantagem de se poder conduzir a seguir a um deleitoso serão!

(Albufeira, Março 2015)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A propósito de Arte Nova

aqui comentei como me surpreendeu o bairro Art Déco de Miami, quando o esperava semelhante às grandes avenidas de Lisboa.
Lembrei-me disso agora ao ler este post no blogue O Livro de Areia. A Arte Nova finlandesa tem pouco a ver com a que vi em Nancy, considerada a capital francesa desse estilo:




Particularmente conhecido é o Café Excelsior:


O museu da Escola de Nancy e a colecção Daum no museu de Belas-Artes, que não cheguei a visitar, devem ser uma perdição para quem gosta de peças deste estilo.

Nancy não é, contudo, apenas (!) Arte Nova. Sem me debruçar muito sobre a arquitectura medieval, de que também tem uns espécimes, a praça Stanislas, do século XVIII, é extraordinária:



(Nancy, Novembro 2014)


Ali bem pertinho fica a Rue des Maréchaux, que não comunga desta monumentalidade, mas é conhecida como a rue gourmande vá-se lá saber porquê ;-)

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A derrota

Durante anos resisti à pressão para comprar uma batedeira elétrica, achando que, se não pudesse facilmente bater natas nem claras em castelo, não faria bolos e evitaria mais esse atentado à minha forma física e mental.

Finalmente cedi. A batedeira já cá canta, a primeira obra (um pão-de-ló de Alfeizerão) também:

(Albufeira, Setembro 2014)

Só me resta arrumar o monstro numa prateleira bem alta e difícil de alcançar.

domingo, 22 de junho de 2014

Côtes de Beaune, o vinho que cura

A Borgonha é conhecida pelos seus vinhos, e entre eles pelo que é possivelmente o menos interessante, o Beaujolais.
Mesmo este tem diversas variedades, mas há muitos outros. Nós, portugueses, gostamos de elogiar os nossos vinhos como se os franceses não tivessem mais de dois mil anos de experiência com os deles.

As encostas de Beaune produzem tintos e brancos; uma porção desses terrenos vitícolas pertence aos hospitais de Beaune e estes são em parte financiados pelas receitas da venda dos seus vinhos.
Outra fonte de receita é o turismo, através das visitas ao Hôtel-Dieu, o hospital medieval fundado e construído para abrigar e tratar os pobres - no fim da guerra dos cem anos, eles não faltavam na região - e que se manteve em funcionamento até quase ao fim do século XX.

Os telhados multicoloridos são típicos na região:

Na enfermaria principal as camas alinham-se em direcção à capela:


Nesta, o altar apresenta um trabalho riquíssimo:

E o acervo contém numerosas obras de arte, incluindo pinturas e tapeçarias.

(Beaune, Junho 2014)

domingo, 25 de maio de 2014

Barcelona no mercado

Não, não estou a falar do mercado da dívida nem de empresas de rating, mas sim do mercado de La Boquería, a meio da Rambla:


cheio de turistas a apreciarem os produtos muito bem expostos:


Lembro-me que foi dos primeiros mercados deste estilo que visitei, há anos.
Até tem bacalhau, para quem julgar que Portugal é que sabe:

(Barcelona, Março 2014)

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Barcelona em catalão

Barcelona está, na minha opinião, encantadora, e pareceu-me mais catalá do que me lembrava. Ou seja, as pessoas falam e escrevem em catalão (a não ser connosco, turistas, com quem delicadamente interagem em castelhano).

Entretive-me a decifrar os escritos no Barri Gótic (clique na foto para aumentar):


e do simpático restaurante onde comi as melhores patatas bravas destas férias:

(Barcelona, Março 2014)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Marmotas

Porque raio deram a um peixe o mesmo nome de um mamífero, se não para desestabilizar?

(Faro, Maio 2014)


Ainda não puseram os peixes a prever o tempo, vá lá.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Os primeiros

Estes são os primeiros morangos colhidos na minha horta esta temporada.

(Albufeira, Maio 2014)


Há lá mais a amadurecer :-)

segunda-feira, 3 de março de 2014

Uma espécie de lei de Murphy

Quando pensamos que já lavámos a loiça toda e arrumamos o esfregão, há sempre uma última peça esquecida algures atrás de nós.

domingo, 10 de novembro de 2013

Passeando em Veneza

Como diz Nemorino: Quanto è bella, quanto è cara, più la vedo e più mi piace...

Desde os lugares mais turísticos


aos menos conhecidos


do Canal Grande


aos telhados


do sol da tarde


à noite


de San Giorgio


a La Salute


e ao Lido ao domingo de manhã


onde na Gelateria Maleti se comem umas guloseimas que, só por elas, valem a viagem de vaporetto,

(Venezia, Outubro 2013)

Veneza continua mágica.

Aqui deixo o Nemorino do tenor Shi Yijie:

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Verão na horta

A minha horta continua a dar-me grandes alegrias.


Gostava de saber se este insecto é amigo ou praga.

(Albufeira, Agosto 2013)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Figurante / Extra

In English after the break

Foi através do blogue Fanáticos da Ópera que soube que uma produtora cinematográfica precisava de figurantes para um sábado à tarde e dava em troca a possibilidade de assistir alguns dias depois às filmagens em que participaria Jonas Kaufmann. Apesar de toda a gente me dizer que seria uma seca, resolvi inscrever-me.

Foi realmente uma experiência única. Nem devo aparecer de forma reconhecível em qualquer fotograma, já que a minha missão foi simplesmente ajudar a compor a sala do S. Carlos de maneira a parecer cheia. A maior parte do tempo fiquei num camarote, com uma excelente vista geral sobre o que se passava no palco (onde estava a produção) e no auditório. E a maior parte do tempo não se passava nada: suponho que nos bastidores se organizava os planos.



Mesmo na terça-feira, em que se filmou a cena do duelo entre Kaufmann e John Malkovich (veja-se aqui a apresentação da konzeptopera em que se baseia o filme, The Giacomo Variations), entre os diversos takes até Malkovich sofria de tédio - e de uma grande dor de cabeça.

Em todo o caso, aumentei a minha cultura, diversifiquei o meu currículo ;-) e passei umas horas no S. Carlos, onda não pensava voltar tão cedo. No sábado foi servido jantar, uma espécie de ração de combate:



Felizmente na Pastelaria Bénard, bem pertinho, pode-se contar com um bom pastel de nata.

O melhor de ambas as sessões foi ouvir a Orchester Wiener Akademie, sob a direcção do maestro Martin Haselböck, tocar Mozart.



Quanto a Kaufmann, cantou maravilhosamente mas para os microfones, ou seja, ouvia-se pouco na sala. Em contrapartida, estava um regalo para os olhos, de rabo de cavalo, calças e botas de montar e camisa branca semiaberta. Nessa noite as fotos estavam proibidas, mas como resistir à tentação?

(Lisboa, Agosto 2013)