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terça-feira, 7 de maio de 2019

Insanidade

Portugal é um país esquizofrénico, em que coexiste uma mentalidade de esquerda comunista com práticas de capitalismo selvagem.

domingo, 21 de outubro de 2018

Reformas antecipadas Parte II

Continua a charada das reformas antecipadas.

O ministro Vieira da Silva veio dizer que afinal não há reformas antecipadas para ninguém a não ser que se tenha 40 anos de descontos aos 60 anos, o que deixa de fora praticamente todos os licenciados e prejudica milhares e milhares de pessoas que poderiam reformar-se mesmo com as duras penalizações presentes, e o restante governo confunde ainda mais a situação.
Ninguém percebe o que é o período de transição nem se os funcionários públicos estão ou não abrangidos por esta patifaria.

Nas vésperas da votação do Orçamento de Estado, quando os parceiros da geringonça podiam fazer-se valer, o Bloco de Esquerda emite uns protestos mansos e o PCP praticamente nem se ouve; quanto ao PSD, Rui Rio quer aparecer como o guardião do rigor, mais papista do que o papa, como se ele ou alguém acreditasse que este Orçamento é generoso.

É possível que a seguir o ministro/ o governo venha a recuar na intenção de restringir as reformas antecipadas tout court e toda a gente suspire de alívio, sem se dar conta que a troco desse recuo está a validar a injustiça inicial que é considerar que 40 anos de descontos valem mais para quem tem 60 anos do que para quem tem 61, 62 ou é mais velho ainda.

Aguardemos os próximos episódios.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

As reformas antecipadas

NOTÍCIA FALSA?
FATOR DE SUSTENTABILIDADE ELIMINADO PARA PESSOAS COM 63 ANOS DE IDADE E 40 DE DESCONTOS

Vai uma confusão a respeito das reformas antecipadas. Na sexta-feira saiu em vários jornais a notícia de que a partir de Janeiro de 2019 as pessoas com 63 anos de idade e 40 de descontos verão eliminado o factor de sustentabilidade do cálculo do valor da sua pensão de reforma. Mas afinal não é bem assim: nessa mesma tarde Mariana Mortágua disse na televisão, e o Negócios de sábado trazia a notícia corrigida, que as pessoas com 63 anos de idade e que aos 60 anos de idade tinham 40 anos de descontos é que verão o factor de sustentabilidade eliminado. Uma pequena nuance que faz toda a diferença!

A mesma notícia dizia que as pessoas que, a partir de Outubro de 2019, tiverem 60 anos de idade e 40 de descontos poderão reformar-se antecipadamente sem o factor de sustentabilidade. Finalmente a coisa começa a ficar mais clara!
Ou não. Na verdade, esta notícia não é mais que um pedaço de fumaça para começar o ano de campanha eleitoral. As pessoas que aos 60 anos tiverem 40 anos de descontos terão começado a descontar aos 20 e serão um universo bastante reduzido. Não se aplicará certamente a licenciados, pois há quarenta anos raros eram aqueles que terminavam uma licenciatura antes dos vinte anos de idade. E os outros, podem ter começado a trabalhar aos 20, mas descontos, descontos, hmmmm....

Em todo o caso, esta medida vai gerar enormes injustiças. Basta entender que a partir de Outubro de 2019 uma pessoa com 60 anos e 40 de descontos verá o fator de sustentabilidade eliminado do cálculo da sua reforma mas quem tiver 63 anos e 42 de descontos não verá esse factor eliminado porque não tinha 40 anos de descontos quando fez 60 anos. Ou seja, quem é mais velho e descontou mais sai prejudicado.

Mas isto não fica por aqui: é outra vez o Negócios que hoje, quarta-feira, cita o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, e afirma que a partir de Outubro de 2019 só as pessoas que tiverem 40 anos de descontos aos 60 anos de idade poderão reformar-se antecipadamente!

Está tudo louco?

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Faits-divers

Enquanto nas televisões se discute futebol e as redes sociais se agitam a favor ou contra o artigo em que uma ex-namorada denuncia o ex-namorado, o preço da gasolina bate recordes históricos (1.649 €/l na Galp da Via do Infante, que uso como referência) apesar de o petróleo ainda andar por metade do valor atingido em 2008, e ninguém protesta: nem os taxistas, nem as transportadoras, nem as gasolineiras. A Senhora de Fátima continua a proteger a geringonça.

sábado, 11 de março de 2017

O direito à saúde

Voltei hoje a ler (no Facebook, mas podia ser em qualquer jornal ou blogue, tão interiorizado está este conceito) que "toda a gente tem o direito à saúde". Supõe-se até que está consagrado na Constituição portuguesa, mas é mentira.
No artigo 64 a Constituição não fala em "direito à saúde" mas em "direito à protecção da saúde".

"Toda a gente" não tem direito à saúde. Ser saudável ou não está na natureza dos genes, nos hábitos de vida e na geografia. Pelo menos. E porque felizmente negamos às bactérias o "direito à vida", ou seja, a comer, reproduzir-se e dar uns passeios turísticos.

Pode-se ter, isso sim, direito "à protecção da saúde", quer dizer, a tratamentos médicos, e isso pode ser um direito universal (para um determinado "universo", por exemplo, para os nacionais ou para os residentes) ou não (só para funcionários públicos, ou só para quem subscreve um seguro), gratuito (no momento em que é utilizado, porque tem custos e portanto alguém nalgum momento os paga, provavelmente via impostos ou prémio de seguro) ou não (taxas "moderadoras", devolução posterior do valor pago), ilimitado (sem tectos de custos) ou não.

Assim sendo, pela sua variabilidade torna-se evidente que o direito a tratamentos médicos não é um "direito " fundamental mas sim uma conquista cujas existência, expressão e manutenção dependem de circunstâncias tão díspares e tão frágeis como a situação económica e a diferenciação cultural de uma sociedade.

Por isso mesmo nem sequer pode se pode exigir o "direito fundamental" que seria desejável "toda a gente" ter, que seria saber com o que conta e não ver mudar as regras, sobretudo para pior, a meio do jogo.

sábado, 4 de março de 2017

Populista, eu?

Escreve José Manuel Fernandes no Observador:

Cas Mudde e Cristóbal Rovira Kaltwasser, num pequeno livro que acaba de sair em Portugal, “Populismo – Uma Brevíssima Introdução” (Gradiva), escrevem: “Definimos populismo como uma ideologia de baixa densidade que considera que a sociedade está, em última instância, dividida em dois campos homogéneos e antagónicos – “o povo puro” versus “a elite corrupta” – e que defende que a política deveria ser uma expressão da volonté générale (vontade geral) do povo”

Ora a verdade é que cada vez mais, ao ler e ao ouvir as notícias, sinto que há dois mundos diferentes e paralelos, um em que vivemos nós, mortais comuns afogados em preocupações comuns (a prestação da casa, o IMI, o trânsito, as listas de espera nos hospitais e o despontar dos seguros de saúde, os fins-de-semana, as férias, o trabalho, o burnout e o desemprego, as reformas antecipadas, a educação dos filhos), e outro em que vivem as pessoas de dinheiro e de poder, cujos interesses passam pelos movimentos de muitos milhões de euros. Só.

Se ao menos não houvesse contactos nem interferências entre estes dois mundos, poderíamos no nosso seguir as nossas vidinhas e ignorar o outro, ou encará-lo como um filme no cinema; poderíamos tentar melhorar as nossas situações com regras escolhidas por nós e que para nós fizessem sentido. Infelizmente parece que, para continuarem a movimentar os seus milhões, essas outras pessoas precisam de nos infernizar, subjugar e manter em estado de ignorância e precariedade.

Quando era mais novinha, acreditava que a minha vida iria mudar no sentido de maior liberdade, maior conhecimento e reconhecimento profissional, mais dinheiro, mais amigos, melhores viagens, mais tranquilidade, em resumo, maior amplidão de recursos e horizontes. Hoje sinto-me como um rio apertado entre paredes de betão. Quando chove, o caudal aumenta e consigo espreitar para além destas margens artificiais, mas cada vez mais, entre barragens e comportas, sou obrigada a manter-me num curso que não escolhi até chegar, inevitavelmente, ao mar.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Forretice

Ouvido na praia, este fim-de-semana:

"O cúmulo da forretice é mandar pôr meias-solas nas havaianas."

Imagem © havaianas

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Doçura ou travessura

Notícia do Público:

Açúcar no café? Saúde quer reduzir quantidade dos pacotes para metade
Alexandra Campos
14/01/2016 - 07:16

Esta é a primeira proposta de um lote de medidas idealizadas pela Direcção-Geral da Saúde para reduzir o consumo de açúcar em Portugal. Embalagens individuais vão passar de oito para quatro gramas de açúcar.
(...) e tornar obrigatório que estes pacotes apenas sejam disponibilizados aos clientes se o pedirem expressamente.
(...)


Ora que medida tão inteligente. Só serve para tornar os pacotes de açúcar mais caros para os comerciantes (o dobro do papel para a mesma quantidade de açúcar). As pessoas que usavam um pacote simplesmente pedirão dois, duh.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Refugiados e migrantes

Sobre a actual "crise migratória " talvez fosse bom que se dissesse meia dúzia de coisas que não tenho ouvido se não raramente em todo este festival mediático:

1. As dezenas de milhar de pessoas que vão chegando às nossas costas e às nossas fronteiras são apenas a vanguarda: há muitas mais desesperadas em países destroçados ou arruinados.

2. Todas estas pessoas vêm na esperança de uma vida melhor: quer sejam refugiados de guerra quer não, procuram paz, estabilidade e, na maioria dos casos, imagino, emprego. Não querem certamente ser "acolhidas" em acampamentos nem viver de rações.

3. Há quem sugira o contrário: que querem viver de subsídios. É provavelmente uma redução do que acredito seja a verdade: que queiram os benefícios e direitos que sabem ou sonham existir na Europa.

4. A chanceler Merkel quer fazer a distinção entre as pessoas que têm o direito de ser recebidas e as que não têm. Essa distinção tem a ver com a proveniência ou não de países em guerra. Mas isso relaciona-se com a história e os fantasmas da Europa e não com as necessidades dessas pessoas.

5. Enquanto não chegarem ao seu destino, serão como disse Cameron, uma praga. Com falta de higiene e deixando atrás lixo que outros apanharão.

6. O presidente húngaro afirmou que este não é um problema europeu mas sim alemão. O certo é que estas pessoas querem ir para a Alemanha que, ouviram certamente dizer, é a maior economia da Europa, e da qual esperam melhores condições para viverem; não são gado para ser dividido em quotas e levado para a Eslováquia ou para Portugal independentemente da sua vontade.

7. Portugal, um pequeno país de dez milhões de pessoas, conseguiu integrar cerca de meio milhão de "retornados" quando fez a descolonização. Isso faz-nos esperar que a Europa consiga integrar uns milhões de sírios e africanos. No entanto, os valores culturais destes estão muito mais longe dos europeus do que os dos nossos "retornados" estavam. E não devemos esquecer quão longo foi o processo. Pergunto-me se a Alemanha já integrou a sua metade oriental.

8. Fala-se do contributo que estas pessoas e as suas crianças darão à força de trabalho europeia e à sua demografia envelhecida. Como se entre os nossos principais problemas não estivessem a carência de emprego para os que já cá viviam e a deslocação da produção para o Extremo Oriente.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Vapores de gasolina

Não me passa despercebido que apesar de o preço do barril de petróleo Brent andar desde o princípio do mês a roçar os cinquenta dólares (U$ 49.66 hoje), o preço do litro de gasolina 95 parece ter alguma coisa a segurá-lo lá em cima: na Galp da Via do Infante mantém-se resolutamente nos 1.530 €.
Bem sei que o valor do euro está baixo (1.11510 dólares), mas na realidade está a subir discretamente...

sábado, 4 de julho de 2015

Salvar a Grécia: verdade ou consequência

Às vezes pergunto-me se estou a pensar de modo errado e quem apoia o Syriza e o governo grego tem razão ao dizer que são os outros países europeus que se estão a portar mal e a empurrar a Grécia para o abismo, mas a verdade é que já pedi dinheiro emprestado e já emprestei dinheiro e continuo a pensar que é preciso pagar as dívidas ou nunca mais ter a lata de pedir ao mesmo credor.

Entretanto houve um cidadão britânico que se lembrou de que a dívida grega poderia ser pagável se cada europeu contribuísse pessoalmente com a quantia que pudesse disponibilizar. O apelo foi feito no Twitter e noticiado pela revista Time. Chama-se a isto crowdfunding e parece-me que os apoiantes do Syriza não fariam mais do que a sua obrigação se contribuíssem concretamente para a causa em que teoricamente acreditam. Chama-se a isso pôr o dinheiro onde põem a boca - e, presumo, o coração.

À minha sugestão no Facebook não tive qualquer reacção. Eu sei que não tenho lá quinhentos "amigos", mas zero reacções? Está tudo mas é de coração na boca à espera do resultado do referendo de amanhã, e numa boca cheia com o coração nem entra dinheiro nem sai palavra 😉

sábado, 9 de maio de 2015

Da falta de vergonha

Helder Santinhos, porta-voz do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil:

"Os pilotos demonstraram que mesmo numa situação bastante adversa como esta, em que tínhamos praticamente o país inteiro unido contra os pilotos, desde as forças da esquerda à direita, às centrais sindicais, conseguimos infligir um dano de 30 milhões na companhia e isso não deve ser desvalorizado pelo governo."

Quem diz isto sem corar, não acha que pode haver uma boa razão para ter o país inteiro contra si?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A subir, a subir!

Irrita-me ouvir os jornalistas das várias televisões continuarem a falar dos problemas angolanos e russos ligados à baixa do preço do petróleo quando já há pelo menos duas semanas que este não pára de subir.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A pergunta de milhares de milhões de euros

Notícia do Observador:

ELEIÇÕES NA GRÉCIA
Primeira guerra entre Tsipras e a Europa: a Rússia
27/1/2015, 12:37
A crise na Ucrânia é a primeira pedra no sapato das relações entre Governo Grego e a Europa, com Tsipras a afastar-se dos avisos à Rússia. Presidente do Eurogrupo vai a Atenas na sexta-feira.
(...)
No seu primeiro dia em plenas funções, Alexis Tsipras já abriu um foco de tensão na União Europeia, condenando o comunicado desta terça-feira, assinado pelo presidente do Conselho Europeu e pelos líderes europeus, que responsabiliza a Rússia pelos últimos atos do conflito na Ucrânia (...)
(...)
Na segunda-feira, após a sua posse, Tsipras já tinha recebido o embaixador russo – o primeiro em Atenas a ser recebido pelo novo primeiro-ministro.


Ora bem: esta deve ser a resposta à pergunta, Quem é que os gregos pensam que vai pagar isto tudo?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Portas


Um apontamento só de uma breve ida ao Funchal no princípio de Outubro. Encontrei, como noutras cidades portuguesas, uma mistura de progresso e degradação. Há prédios em ruínas e novos cafés com esplanadas apetitosas; lojas com ar decrépito vendem coisas a preços extravagantes; miúdos com excelente aspecto passam vestidos com uniformes de colégio; as obras do aterro pós-inundações já parecem perto do fim...
De um jantar na zona velha, outrora mal afamada e agora transformada numa concentração de restaurantes para turistas, não guardarei memória, mas sim das portas pintadas, de que já me tinham falado:




(Funchal, Outubro 2014)

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Proporções

Hoje enchi o depósito do carro com gasolina e dei por mim a pensar que por aquele valor podia ter comprado um barril de petróleo e ainda me sobrava dinheiro.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Expliquem-me por favor

... porque continua o litro de gasolina 95 a custar na Galp da Via do Infante 1.629€ quando o barril de petróleo está a baixar de preço há meses e hoje não passa dos 100.82U$ (Brent) e 93.12U$ (WTI).

Já agora, expliquem-me também porque está o preço do barril do mar do Norte (Brent) a descer em vésperas de referendo na Escócia para decidir se se separa ou não do resto do Reino Unido.

E, se for possível, expliquem-me esta queda de preços com o Médio Oriente em alvoroço, o Iraque em guerra e outra guerra às portas da Europa. Não seria altura de os mercados andarem frenéticos?

sexta-feira, 7 de março de 2014

Uma espécie de educação

Mais uma adolescente de 15 anos respondeu hoje, na minha consulta, quando lhe perguntaram pelos seus planos profissionais futuros, que quer ser modelo. A explicação é a habitual:

- Porque para ser médica é preciso estudar muito. Ou para economista.

São estes os tais filhos que ainda vão andar a pagar as dívidas contraídas pelo sr. Sousa. Vale a pena preocuparem-se.