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quinta-feira, 4 de março de 2021

Nascer numa ilha

O José Ramos e Ramos perguntou-me "Como é nascer numa ilha?"
E eu respondo:

Nascer numa ilha é diferente
É ter nas veias para sempre o mar
O mar que nos liberta
que nos prende
nos assusta e nos fascina
que é móvel e mais fixo do que a estrela polar

Nascer numa ilha é ter respeito
pelo que nos sustenta
A terra, a floresta,
a água doce escassa
o tempo que passa alheio e indolente

Quem nasce numa ilha deixa abertas
as portas da casa e do coração
Não conta o dinheiro
E sem saber se lho merece ou não
entrega-se a quem ama por inteiro.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Tenerife

A última viagem do ano foi uma há muito adiada. As Canárias têm a reputação manchada como destino de turismo de massas, Albufeiras tamanho gigante, plantações de hoteis que são uma das piores invenções dos espanhóis. Mesmo assim, desta vez enchi-me de coragem e aterrei em Tenerife.

Obviamente há esses monstros, desde os mais conhecidos como a Playa de las Americas até outros aparentemente mais remotos:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

Mesmo assim é possível encontrar uma cidadezinha mais discreta com a sua praia artificial

(Alcalá, Novembro 2015)

e até ficar num aparthotel cheio de estilo:

(Alcalá, Novembro 2015)

debruçado sobre a praça onde à segunda-feira se faz o mercado local.

Ainda há pequenas praias civilizadíssimas de areia negra:

(Alcalá, Novembro 2015)

ou piscinas naturais que ao fim de semana são frequentadas também pelos locais, ou tinerfeños:

(Garachico, Novembro 2015)

Uma excursão a fazer, contudo, é a que nos leva a ver baleias:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

e golfinhos:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

e estas falésias conhecidas como Los Gigantes:

(Alcantillado de Los Gigantes, Novembro 2015)

Inspirados por estas, mas deixando a costa, podemos embrenhar-nos por montes escarpados:

(Santiago del Teide, Novembro 2015)

(Santiago del Teide, Novembro 2015)

É preciso alguma coragem para negociar curvas seguidas em cotovelo em estradas em que só a berma nos salva quando cruzamos um autocarro, e podemos chegar ao destino e não conseguir lugar para estacionar quando nos apetecia uma bebida reconfortante.

(Mazca, Novembro 2015)

Mais fácil, afinal, é a visita ao Teide, o vulcão que domina a ilha, com quase quatro mil metros de altura:

(Teide, Novembro 2015)

(Teide, Novembro 2015)

apesar de no teleférico não aceitarem grávidas, cardíacos ou cães ☹

(Teide, Novembro 2015)

Procurem-se então terrenos mais amigos, mais urbanos:

(La Orotava, Novembro 2015)

onde pontifica o dragoeiro milenar

(Icod de los Vinos, Novembro 2015)

e há túneis com vista

(Icod de los Vinos, Novembro 2015)

igrejas antigas

(La Orotava, Novembro 2015)

(La Orotava, Novembro 2015)

e mesmo recintos arqueológicos
(Güimar, Novembro 2015)

com pirâmides construídas pelos guanches, os habitantes pré-hispânicos:

(Güimar, Novembro 2015)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Memórias de Nápoles

Enquanto chove recordo alguns momentos das férias napolitanas:

a siesta do operário da construção civil

(Procida, Setembro 2015)

O smog sobre a baía

(Vesuvio, Setembro 2015)

A costiera sorrentina à qual se acede por túneis e estradas feíssimas, que ao fim-de-semana engarrafam totalmente.


As casas impossíveis de uma encantadora aldeia em socalcos hoje totalmente comercializada

(Positano, Setembro 2015)

O fogo de artifício todas as noites

(Napoli, Setembro 2015)

O parque arqueológico submerso de Baia, cuja visita falhou por "falta de visibilidade"

(Bacoli, Setembro 2015)

O pequeno, quase desconhecido Museo dei Campi Flegrei

(Miseno, Setembro 2015)

de onde se avista esta praia, onde infelizmente não aceitam cães

(Miseno, Setembro 2015)

A Tosca no Teatro Grande de Pompeios

(Pompei, Setembro 2015)

domingo, 17 de agosto de 2014

Há um outro Algarve...

... na Costa Vicentina.

(Ponta da Atalaia, Agosto 2014)


Tem até vestígios de ocupação islâmica:

(Ribat da Arrifana, Agosto 2014)


As praias são atlânticas. Ah pois.

(Praia da Amoreira, Agosto 2014)

domingo, 27 de julho de 2014

O tamanho do mundo

A violência contra os mais vulneráveis não tem fim, pelo contrário, parece adquirir a cada dia mais crueldade. Na segunda década do século XXI, quando a informação chega aos confins do mundo, a tortura, a violação, a mutilação e a morte continuam a ser afirmações de poder de energúmenos ignorantes.

As notícias que de vez em quando explodem são a espuma que sobrenada práticas continuadas. Os países onde essas práticas parecem ser normais vão desaparecendo do mapa do meu desejo. Provavelmente nunca visitarei o Iraque nem o Irão, nem qualquer país do Médio Oriente; parecem-me vedadas a África quase toda e uma boa parte da Ásia. Até pedaços de céu são inseguros.

Dei por mim a pensar, ainda bem que fui a tal país, porque agora não iria lá, ainda bem que fui a este e àquele, porque agora estão fora do meu horizonte.

O mundo, para mim, está a ficar muito pequeno.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Eles andem

Os carros com as máquinas de fotografar para a street-view da Google.

(Faro, Julho 2014)

Não sei porquê, ainda só os vi de "cara" tapada.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Bourges

Quando Vercingetorix levou os gauleses a incendiar as suas cidades para evitar que os romanos se pudessem aprovisionar, os bituriges intercederam pela sua capital, Avaricum, a mais bonita cidade de quase toda a Gália*, por ser, segundo eles, fácil de defender pela natureza do local, rodeado por quase todos os lados por um rio e por pântanos e com um único acesso, e esse muito estreito.* Vercingétorix acabou por ceder aos seus pedidos e à compaixão geral* e César, após vinte e cinco dias de um cerco em condições duríssimas, sob um mau tempo constante, tomou a cidade.

Avaricum chama-se hoje Bourges. Os pântanos e o rio ainda lá estão:



e a cidade, se não a mais bonita, é sem dúvida uma graça


Eu julgava ter de ir à Alsácia para ver em França barrotes de madeira nas fachadas das casa, mas afinal nesta viagem não faltaram: aqui são originais do fim do século XV/princípio do XVI.

Mas há mais: a catedral de St. Étienne, do século XII (foto composta)


e o palácio de Jacques Coeur, um grande comerciante, conselheiro e argentier (uma espécie de director do banco central) do rei Charles VII até cair em desgraça.


A propósito, este rei devia ter sido cognominado o ingrato: deixou condenar Jacques Coeur por inveja da sua riqueza, e foi também ele que deixou condenar Joana d'Arc, cujas vitórias militares o levaram ao trono.

Finalmente, uma surpresa ao fim da tarde, no jardim de um simpático restaurante chamado Au Nez du Vin que, oh estranheza! não tem um website:


(Bourges, Junho 2014)



* C.I.Caesar, Commentarii de Bello Gallico, VII, 15

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Sanabria

Quando me disseram que ali ao lado, passando a fronteira, ficava o lago de Sanabria, fiquei de antenas no ar. O Mário tinha falado dele como um lugar maravilhoso, não pude deixar de visitar.
É um lago pequeno (o maior lago natural da península ibérica), de origem glaciar, tão azul, transparente e tépido que me fez decidir nunca mais na minha vida viajar sem um fato de banho na mala.

(Lago de Sanabria, Setembro 2013)

A uma dúzia de quilómetros fica Puebla de Sanabria, que é assim: de um lado do rio fica o centro histórico, do outro os bairros mais modernos.

(Puebla de Sanabria, Setembro 2013)

O centro histórico tem um castelo, duas igrejinhas, um ayuntamiento, restaurantes com esplanadas e flores nas janelas.

(Puebla de Sanabria, Setembro 2013)

E uma rua chamada Rua, que tal?

(Puebla de Sanabria, Setembro 2013)

E, no entanto, o Douro...

Continua lindo, o Douro vinhateiro.



Aqui abaixo, disseram-me, foi rodado parcialmente o filme A Gaiola Dourada, que ainda não vi:

(Douro, Setembro 2013)