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sábado, 21 de julho de 2018

Fake news

Se o presidente Trump não tiver mais nenhuma qualidade, teve pelo menos a de alertar para aquilo que chamou fake news. Começo a achar insuportáveis as notícias e/ou fotos que dizem reportar alimentos ou medicamentos fatais, cientistas geniais menorizados ou mercados de escravos na Líbia, que mesmo repetidamente desmascaradas continuam a correr as redes sociais - ou, para ser mais precisa, Facebook.

sábado, 8 de julho de 2017

Da boa?

Ouvido à porta da consulta externa:
_ Então adeusinho. Saúde, da boa, vá!

(Não sabia que se podia desejar "saúde, da má"...)

sábado, 11 de março de 2017

O direito à saúde

Voltei hoje a ler (no Facebook, mas podia ser em qualquer jornal ou blogue, tão interiorizado está este conceito) que "toda a gente tem o direito à saúde". Supõe-se até que está consagrado na Constituição portuguesa, mas é mentira.
No artigo 64 a Constituição não fala em "direito à saúde" mas em "direito à protecção da saúde".

"Toda a gente" não tem direito à saúde. Ser saudável ou não está na natureza dos genes, nos hábitos de vida e na geografia. Pelo menos. E porque felizmente negamos às bactérias o "direito à vida", ou seja, a comer, reproduzir-se e dar uns passeios turísticos.

Pode-se ter, isso sim, direito "à protecção da saúde", quer dizer, a tratamentos médicos, e isso pode ser um direito universal (para um determinado "universo", por exemplo, para os nacionais ou para os residentes) ou não (só para funcionários públicos, ou só para quem subscreve um seguro), gratuito (no momento em que é utilizado, porque tem custos e portanto alguém nalgum momento os paga, provavelmente via impostos ou prémio de seguro) ou não (taxas "moderadoras", devolução posterior do valor pago), ilimitado (sem tectos de custos) ou não.

Assim sendo, pela sua variabilidade torna-se evidente que o direito a tratamentos médicos não é um "direito " fundamental mas sim uma conquista cujas existência, expressão e manutenção dependem de circunstâncias tão díspares e tão frágeis como a situação económica e a diferenciação cultural de uma sociedade.

Por isso mesmo nem sequer pode se pode exigir o "direito fundamental" que seria desejável "toda a gente" ter, que seria saber com o que conta e não ver mudar as regras, sobretudo para pior, a meio do jogo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Cirurgia

Tenho para mim há muito tempo que só há duas pessoas realmente interessadas numa qualquer cirurgia: o doente e o cirurgião.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Doçura ou travessura

Notícia do Público:

Açúcar no café? Saúde quer reduzir quantidade dos pacotes para metade
Alexandra Campos
14/01/2016 - 07:16

Esta é a primeira proposta de um lote de medidas idealizadas pela Direcção-Geral da Saúde para reduzir o consumo de açúcar em Portugal. Embalagens individuais vão passar de oito para quatro gramas de açúcar.
(...) e tornar obrigatório que estes pacotes apenas sejam disponibilizados aos clientes se o pedirem expressamente.
(...)


Ora que medida tão inteligente. Só serve para tornar os pacotes de açúcar mais caros para os comerciantes (o dobro do papel para a mesma quantidade de açúcar). As pessoas que usavam um pacote simplesmente pedirão dois, duh.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O Sporting é um grande amor

Passo por uma enfermaria e de repente tenho mesmo de entrar:

(Faro, Fevereiro 2015)

Estou a pensar neste rapaz enquanto o Sporting joga contra o Wolfsburg.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A gaiola do Ébola

Desde sexta-feira há uma nova área de triagem na Urgência do hospital de Faro: este bonito contentor com uma divisória interior de vidro. Por uma porta, do lado embelezado com dois vasinhos de plantas, hão-de entrar as possíveis vítimas da doença de Ébola. Pela outra, se couberem, os profissionais de saúde vestidos de astronautas.




(Faro, Outubro 2014)

Tudo bem. Só não entendi ainda como é ventilada aquela coisa, e imagino que os doentes terão de lá ficar algum tempo, pelo menos à espera dos resultados de análises, não?

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Indicador de PMS

Num hospital, este sinalizador junta-se a um objecto que vai a esterilizar e muda de cor para indicar que o processo correu como deve ser.

(Faro, Setembro 2014)

De repente ocorreu-me que seria útil que nós, mulheres, o pudéssemos pôr na lapela para anunciar aos homens que, em certos dias, só se devem aproximar com muito jeitinho...

domingo, 22 de junho de 2014

Côtes de Beaune, o vinho que cura

A Borgonha é conhecida pelos seus vinhos, e entre eles pelo que é possivelmente o menos interessante, o Beaujolais.
Mesmo este tem diversas variedades, mas há muitos outros. Nós, portugueses, gostamos de elogiar os nossos vinhos como se os franceses não tivessem mais de dois mil anos de experiência com os deles.

As encostas de Beaune produzem tintos e brancos; uma porção desses terrenos vitícolas pertence aos hospitais de Beaune e estes são em parte financiados pelas receitas da venda dos seus vinhos.
Outra fonte de receita é o turismo, através das visitas ao Hôtel-Dieu, o hospital medieval fundado e construído para abrigar e tratar os pobres - no fim da guerra dos cem anos, eles não faltavam na região - e que se manteve em funcionamento até quase ao fim do século XX.

Os telhados multicoloridos são típicos na região:

Na enfermaria principal as camas alinham-se em direcção à capela:


Nesta, o altar apresenta um trabalho riquíssimo:

E o acervo contém numerosas obras de arte, incluindo pinturas e tapeçarias.

(Beaune, Junho 2014)

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Cirurgia dos Puros

O texto elucida, embora eu nunca tivesse ouvido esta designação e nunca tivesse lá chegado sozinha. Para mim, cirurgia dos puros só poderia ser operar membros de uma seita religiosa como os cátaros. Ou então cortar as extremidades dos charutos...

(Faro, Abril 2014)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Segurança no trabalho

Não faltam extintores neste serviço de Urgência.

(Faro, Janeiro 2014)

Em Fevereiro, a situação ainda não mudou, mas uma coisa me alegra: ter havido uma fiscalização.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Postais de Toronto X

O paraíso de uns é o inferno de outros... ou a outras horas. Nos dias sem electricidade em casa, a solução foi fugir: para os museus, para o teatro, e para o centro comercial Eaton Center, construído no final dos anos setenta e entretanto degradado e renovado, considerado a maior atracção turística de Toronto; na extremidade sul os gansos voadores constituem uma escultura do artista Michael Snow.

No dia a seguir ao Natal (Boxing Day) o Eaton Center enche com o frenesim dos saldos. É melhor ir lá depois, os saldos continuam com muito mais calma.


A foto abaixo, embora pareça, não é de nenhum centro comercial mas sim do hospital pediátrico de Toronto (Sick Kids).

(Toronto, Dezembro 2013)

domingo, 14 de abril de 2013

Poupanças na saúde

Já começaram, ou para que servirão estas máscaras cirúrgicas duplas? Para cirurgiões siameses?

(Faro, Abril 2013)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A luta continua

Notícia do Público:

Cientistas portugueses obrigam células cancerosas a suicidarem-se
Teresa Firmino   27/11/2012 - 07:44
O controlo de uma única reacção química numa proteína teve como consequência a morte de células que, por definição, são imortais. Patente para esta inovação foi pedida para a Europa.
(...)


Em resumo, um dos problemas com as células cancerosas está na falta de contenção do seu processo de divisão/multiplicação. A estabilidade deste processo é regulada por uma proteína, a CLASP2, que sofre uma modificação mediada por outra proteína, a Plk1.
Se se actuar sobre esta última, pode-se impedir a modificação da primeira e desestabilizar o processo de divisão celular, impedindo-o.

(...) 
“Quando impedimos que esta modificação acontecesse, as células não conseguiam estabilizar o interface e não conseguiam (...) dividir-se”, explica Hélder Maiato. “Acabavam por morrer, sem conseguirem dividir-se.”
(...)

Ou seja: interrompe-se o crescimento do tumor por não haver aumento do número de células, sendo que as que não conseguem dividir-se acabam por morrer.

Esta parece-me ser a notícia mais importante do dia. O resumo do artigo original está no Journal of Cell Biology.

domingo, 4 de novembro de 2012

Se fue FOM

Tinha de acontecer um dia, não é? Fernando Ortiz-Monasterio foi um dos grandes cirurgiões plásticos com quem tive o privilégio de trabalhar. Estagiei com ele na Cidade do México, atraída pelos trabalhos que dele conhecera em congressos, sobretudo na remodelação dos ossos da face e crânio e na cirurgia da fenda labial, na qual obtinha resultados superiores a quaisquer outros: Eccelente!, dizia, contemplando-os com satisfação merecida.

(Mexico DF, Setembro 1992)

Elegante, desportista (jogava ténis e fazia vela), feio, sorridente, educado, dizia-se descendente de espanhóis e jaguares e apreciador de mulheres bonitas. Jantei em sua casa, eu e toda a equipa, que incluía vários estrangeiros, vindos tanto de Cuba como de Espanha.
Era importante para ele criar escola. Punha-nos generosamente à disposição a gigantesca colecção de diapositivos para que os copiássemos e usássemos, e para meu desgosto assisti a apresentações cujos autores se esqueceram de lhe dar o devido crédito.
Não que isso o diminuísse. Era um senhor. Morreu no passado dia 31 de Outubro, aos 89 anos.

Para quem quiser recordar o seu trabalho, aqui fica um link, com o aviso de que tem imagens possivelmente chocantes para quem não está habituado a ver estas malformações.

Gracias, maestro, y hasta siempre.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Retirado

Notícia de The Portugal News:

Anti-fat cream withdrawn from market
by TPN/ Lusa, in General · 25-10-2012 09:52:00

Portugal’s medical sector regulator Infarmed has ordered the full withdrawal of ‘Creme gel Drenante Anticell,’ produced by Bottega Verde, with immediate effect as from Tuesday.
The regulator found that the cream “presents deceiving allegations in relation to its efficiency, especially regarding the treatment of resistant cellulite.” Infarmed added that all stocks held by stores should be immediately withdrawn.


Acho lindamente, e espero que o Infarmed mande retirar do mercado todos os pseudo-medicamentos que proclamam remover a celulite, as rugas, os quilos e os anos sem esforço, dieta ou cirurgia. Vai ter uma trabalheira.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Impressões da Alemanha Parte VII

Há cerca de um ano notei a nova cara dos vidrões lisboetas, mas os recipientes de lixo berlinenses estão muito intelectuais:

(Berlin, Setembro 2012)

Que tal estes molhos de cebolas? Custam 6 euros, mas são quase irresistíveis:

(Weimar, Setembro 2012)

As cebolas vendiam-se numa mercearia normal, mas há mercadinhos de rua por todo o lado. Foi no entanto a primeira vez que vi uma rua ser vedada ao trânsito e ao estacionamento automóvel, com pré-aviso, para se fazer um mercadinho desses:

(Hamburg, Setembro 2012)

Outra coisa que nunca tinha visto, um desfibrilhador em plena rua:

(Koblenz, Setembro 2012)

Mas único, único, na minha experiência, foi este chuveiro (música acrescentada por mim):

(Hotel am Rothembaum, Hamburg, Setembro 2012)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Elogio da preguiça

Sempre soube que sou preguiçosa. Mais do que dinheiro, aprecio o tempo, e por isso provavelmente nunca serei rica, ao contrário dos meus colegas que trabalham até altas horas da noite - quando as pessoas dizem que os médicos ganham muito, esquecem-se de que para isso se fartam de trabalhar em dois ou três sítios, incluindo as urgências hospitalares.

A preguiça é na realidade uma organização idiossincrática de prioridades, e se num determinado momento é mais importante ler um artigo de jornal do que varrer a cozinha, isso será condenável?

Por outro lado, manter a imobilidade perante a evolução de um problema pode ser a melhor maneira de o encarar. Sir Harold Gillies, considerado o pai da cirurgia plástica, costumava dizer*: Do not do today what you can honourably put off until tomorrow, ou seja, deixa a situação definir-se antes de intervires. Um conselho que já me tem sido muito útil.

Ora eu tenho andado com preguiça para tratar do jardim, e sobretudo para podar e arrancar ervas que não convidei a instalar-se por aqui.


Estas têm crescido imenso, ocupando por exemplo uma boa parte do canteiro das violetas. Mas agora floriram e eu estou toda contente por não as ter arrancado, porque são mesmo lindas.

(Albufeira, Junho 2012)




* citado por D. Ralph Millard in Principalization of Plastic Surgery, Boston/Toronto, 1986, pg. 17, 402