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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Para a minha Avó

Para a minha Avó, que partiu com o Ano Velho, uma canção de Charles Aznavour, que também nos deixou no mesmo ano:

e outra da maravilhosa Montserrat Caballé, que também se foi:

domingo, 14 de maio de 2017

A13 de Maio

Milagre de Fátima: Portugal ganhou finalmente o festival da Eurovisão. Podem canonizar também a irmã Lúcia.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Chopin por Avdeeva na Fundação Gulbenkian

A propósito do concerto com Yulianna Avdeeva e a Orquestra da Fundação Gulbenkian a que assisti em Janeiro passado, reparei como é diferente a concepção da função de solista e orquestra em Chopin e Beethoven, bem evidenciada nos dois concertos para piano que prefiro entre os de ambos os compositores.
No concerto nº 4 de Beethoven, há um diálogo evidente entre o piano e a orquestra. No segundo andamento, então, dir-se-ia que aos queixumes do piano a orquestra responde tentando arrancá-lo à melancolia. No terceiro andamento verifica-se que conseguiu, a conversa entre ambos é alegre e triunfante.
No concerto nº 2 de Chopin, é o piano que fala, e a orquestra apenas apoia, acentua ou emoldura. Podia-se quase passar sem ela, e o segundo andamento transformava-se facilmente em mais um nocturno.

Aqui fica o Chopin de Avdeeva há dois anos, em Nantes:



O programa de sala do concerto da Gulbenkian está aqui. A Antena2 informou repetidamente mal, trocando Berlioz por Dvorak e a 2ª de Brahms pela 3ª.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A Fuga de Cameron

Isto não é o que parece (ou talvez seja).
Quando David Cameron se demitiu em Julho passado, na sequência do referendo que aprovou o Brexit, trauteou quatro notas e fechou a porta com um "Right!", cena filmada e transmitida inúmeras vezes.

Vários músicos se divertiram a compor peças baseadas nesse do-dooo-do-do, e um deles foi a venezuelana Gabriela Montero, que se saiu com esta pérola barroca (via Samizdata):


Há composições para todos os gostos, do clássico ao rock. Ide ver no YouTube, ide.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Um ano de segundas-feiras

Finalmente completei este projecto: durante um ano, entre solstício de Inverno e solstício de Inverno, a caminho do trabalho, aproximadamente à mesma hora de segunda-feira (sete e meia da manhã), parei no mesmo sítio para fotografar o sol a nascer sobre o mar.
As fotos foram feitas com o telemóvel, sem filtros ou alterações excepto, em alguns casos, o acerto da linha do horizonte, já que tenho tendência para fazer escorregar as coisas para um dos lados...

Anyway... Acabei de juntar as fotos em sequência cronológica, pôr-lhes a marca de água (que tanto desespera a Catarina) e juntar-lhes o adagio da Gran Partita de Mozart, e aí está.
Para quem fizer contas e achar que faltam segundas-feiras, lembro que durante as férias o projecto sofreu inevitáveis interrupções.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Ascensão e morte de David Bowie

David Bowie foi um dos ídolos da minha juventude. Primeiro pela imagem: loiro, esguio, andrógino, exótico, decadente. Depois pelas canções, mistura de riffs de rock pesado com teclados dissonantes, saxofone jazzy e na voz as melodias pop envolvendo poemas. Sempre me fascinou o outro lado, negro, insano, dionisíaco, que nunca toquei por na realidade o saber muito menos belo do que o seu espectáculo. Bowie esteve à beira de se perder na cocaína, salvou-se e mudou.

Era o homem das mudanças, desde Ziggy Stardust a Aladdin Sane, à trilogia de Berlim, mas sempre com uma angústia subjacente; no entanto tinha imenso humor e foi, acredito, feliz. Também fez teatro e cinema: vi The Man who fell to Earth num cinema que já não existe e adorei Mr. Christmas Mr. Lawrence.

Tive na parede do meu quarto um enorme poster a preto e branco, com ele vestido de calças largas de pregas e suspensórios.

Em meados dos anos 80, perdi o interesse, talvez com a morte definitiva do Major Tom. Fui vê-lo mais tarde a Alvalade no seu primeiro concerto em Portugal, que não me entusiasmou. Contudo, ainda consigo ouvi-lo com algum prazer.

Não sei se e que parte da sua música ou dos seus poemas será recordada pela posteridade. Mas no dia da sua morte, três dias depois de completar 69 anos e publicar o seu último álbum, celebro-o como um dos grandes performers da sua época.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Tosca em Pompeios

Até este Verão desconhecia a existência de um festival de música em Pompeios, e ainda que não fosse Orange, Taormina ou Verona, entusiasmou-me a ideia de assistir a uma ópera num teatro romano antigo.

Esteve uma noite fantástica, mas o espectáculo não foi extraordinário, e a famosa acústica romana decepcionou-me: talvez porque o teatro já tem muitos restauros em betão, ou porque os meus ouvidos estão habituados à tecnologia dos nossos dias, o som da orquestra não chegava limpo.

Entre os cantores, cujos nomes só foram apresentados no início da récita, havia um já meu conhecido, o tenor Giancarlo Monsalve, que cantou o Don Carlo no S. Carlos há uns anos. Felizmente desta vez não estava constipado, mas ainda assim não foi um Cavaradossi estelar.
A Tosca foi interpretada por Maria Carfora, melhor cantora que actriz, e Scarpia por Carlo Guelfi, que também já cantou em Lisboa, e de que gostei bastante, tanto vocal como cenicamente.

Aqui deixo um bocadinho para amostra.

Memórias de Nápoles

Enquanto chove recordo alguns momentos das férias napolitanas:

a siesta do operário da construção civil

(Procida, Setembro 2015)

O smog sobre a baía

(Vesuvio, Setembro 2015)

A costiera sorrentina à qual se acede por túneis e estradas feíssimas, que ao fim-de-semana engarrafam totalmente.


As casas impossíveis de uma encantadora aldeia em socalcos hoje totalmente comercializada

(Positano, Setembro 2015)

O fogo de artifício todas as noites

(Napoli, Setembro 2015)

O parque arqueológico submerso de Baia, cuja visita falhou por "falta de visibilidade"

(Bacoli, Setembro 2015)

O pequeno, quase desconhecido Museo dei Campi Flegrei

(Miseno, Setembro 2015)

de onde se avista esta praia, onde infelizmente não aceitam cães

(Miseno, Setembro 2015)

A Tosca no Teatro Grande de Pompeios

(Pompei, Setembro 2015)

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Ave Caesar

Parabéns por mais um aniversário.

(Firenze, Setembro 2004)

Este é um retrato menos conhecido, encontrado na Galleria degli Uffizi, que visitei depois de esperar na fila durante horas, quando ainda não sabia que se podiam comprar bilhetes com antecedência.

Também não sabia (obrigada, Twitter!) que Schumann tinha composto uma abertura dedicada a César. Aqui fica:

terça-feira, 19 de maio de 2015

Natural Dvořák

Já há muito tempo que isto não me acontecia, mas na Antena2 têm estado a passar uma gravação do Quinteto com piano nº2 em lá maior de Dvořák, e eu tenho andado a tentar lembrar-me de qual é a canção de Nat King Cole que começa como o 2º andamento "Dumka" (a partir do minuto 14:17)

É esta:

Chama-se Nature Boy, e até houve uma batalha legal sobre um suposto plágio do compositor Eden Abhez - que perdeu. Apesar de Dvořák não ter sido tido nem achado nesse litígio, desta vez posso dizer com certeza que não fui a primeira a notar a semelhança.

sábado, 28 de março de 2015

Na Philharmonie

Finalmente cumpri o desejo de assistir a um concerto na grande sala da Philharmonie em Berlim e testar a famosa acústica. Gostei imenso: é clara e ao mesmo tempo aconchegante, macia. Fiquei na sexta fila, onde o som chega em estereofonia, o que talvez nem seja a intenção dos compositores mas é como eu gosto de ouvir a música.

A orquestra da Philharmonie estava ausente em digressão, mas fiquei a conhecer a Akademisches Orchester Berlin, o seu maestro Peter Aderholt, e a solista, uma jovem violinista de origem coreana e australiana chamada Suyeon Kang, em três belíssimas obras: a Abertura do Don Giovanni de Mozart, o Concerto para Violino de Sibelius (que ouvi há pouco, em Fevereiro, na Fundação Gulbenkian, por Frank Peter Zimmerman) e a Terceira Sinfonia de Beethoven.

Foi uma tarde fantástica. Um ou dois desacertos àparte, a orquestra tocou maravilhosamente, com grande equilíbrio, sem afogar nunca a solista, atenta ao maestro, empenhada e expressiva. Kang, depois de, à chegada ao palco, tropeçar no vestido demasiado comprido, não tropeçou em mais nada, e deu-nos um Concerto muito bonito, coerente e virtuoso.

(Berlin, Março 2015)

A Eroica resultou muito bem e muito curiosamente, cada uma das pessoas do meu grupo foi seduzida por um andamento diferente. O meu preferido foi o segundo, que achei riquíssimo e onde encontrei (mais uma das minhas descobertas que provavelmente não são novidade para mais ninguém) tocado repetidamente nos primeiros minutos pelos violinos, e já perto do fim pelos tímpanos, o tema inicial da Quinta Sinfonia.
Aqui o deixo à apreciação, embora com outros intérpretes:


Finalmente um reparo para o público, que me fez sentir em casa, tanto pelos ataques de tosse como pelos aplausos entre andamentos: tornou-se moda, é?

sexta-feira, 27 de março de 2015

La Bohème na Deutsche Oper em Berlim

Berlim tem três teatros de ópera; nestes dias de férias a opção foi para La Bohème na Deutsche Oper, que é um teatro moderno, simpático e com preços acessíveis, de tal forma que fiquei excelentemente sentada numa das primeiras filas da plateia, de onde apenas não tinha vista para o fosso da orquestra para além da careca do maestro Donald Runnicles.

Foi uma boa opção, diga-se já: a encenação do já falecido Götz Friedrich, clássica mas muito viva, com uma boa direcção de actores, cenários e figurinos "de época", à excepção dos quadros do pintor Marcello, que eram modernos, feios e fracos, orquestra muito competente apesar de de quando em quando abafar os cantores.

Destes gostei muito: o único nome que conhecia era o da soprano Carmen Giannattasio, que cantou a Mimì com voz potente, cheia, muito correcta em toda a tessitura. É pequenina mas tem uma figura agradável e esteve muito bem em palco. Tanto o tenor coreano Yosep Kang, que fez um excelente Rodolfo, como todos os companheiros de boémia, o jovem barítono Davide Luciano no pintor Marcello, os baixo-barítonos Noel Bouley no compositor Schaunard e Marko Mimica no filósofo Colline, compuseram muito bem os seus personagens, tanto vocal como cenicamente. A Musetta foi a soprano Martina Welschenbach e a única que me deixou com vontade de mais alguma coisa, mas pode ser apenas porque, sendo a personagem uma mulher forte e independente, mereceria maior protagonismo... correndo o risco de se sobrepor à Mimì.

Não sendo esta, na minha opinião, a mais interessante ópera de Puccini, entendo que seja a mais popular: é curta, tem um bom equilíbrio de comédia e tragédia, os personagens são simpáticos, a música é bonita e usa leitmotive de uma forma facilmente reconhecível.

(Berlin, Março 2015)

sábado, 7 de março de 2015

Adriana Calcanhotto em Faro

Fui na quinta-feira ao Teatro das Figuras numa das minhas raras incursões no mundo da música popular, para ouver a brasileira Adriana Calcanhotto, cuja voz acompanhou a minha visita à Bahia num já longínquo Outubro em que me instalei bem no centro de Salvador, à beira do Largo do Pelourinho, num hotel manhoso chamado Quilombo do Pelô, que julgo já não existir; por baixo da minha janela havia um bar donde até altas horas chegavam as canções de Calcanhotto.

Mas quando nos habituamos a um certo tipo de música, tudo o resto é realmente "barulho", embora felizmente a amplificação estivesse bem controlada. A voz, anos depois, não é tão clara, o violão solo faz desejar o resto da banda, a receita para as composições é muito igual. Quase nem se notou a diferença quando cantou Back to Black*, de Amy Winehouse. No entanto a casa estava cheia, o público apaludiu de pé e até cantou em coro, com notável afinação.


* Continuo a achar que conheço aquilo de outro lado.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Maria Stuarda no Liceu

Esta visita a Barcelona, que estava planeada havia meses, teve de ser encurtada e reduzida ao mínimo. O mínimo incluiu, contudo, uma ida ao Liceu ver a última récita da ópera Maria Stuarda, na qual brilhava Joyce DiDonato.

Não gostei da encenação de Patrice Caurier e Moshe Leiser (uma co-produção de vários teatros europeus), que não trazia nenhum dado novo à interpretação teatral e cujos cenários e figurinos tanto situavam a acção em meados do século XX como simultaneamente a remetiam para o período histórico correcto. Assim, as rainhas tinham vestidos com corpetes e anquinhas mas os restantes personagens não as acompanhavam; a prisão fazia lembrar as dos filmes americanos e até havia uma câmara de execução com janelas para os observadores, mas em vez de cadeira eléctrica tivemos um cepo e um machado... Adiante.

A esta distância já não me lembro de pormenores, mas sei que todo o elenco cantou muito bem. Elisabetta foi interpretada pela mezzosoprano Silvia Tro Santafé, Roberto pelo tenor Javier Camarena, Talbot pelo baixo Michele Pertusi e Cecil pelo barítono Vito Priante. Maria, claro, é entregue à diva, e hoje em dia a Joyce conquistou esse estatuto, que na minha opinião, já se sabe, corresponde à sua qualidade. Se todas as vozes eram muito agradáveis, a dela destacava-se pela firmeza, pela técnica e pela emoção.

A orquestra, dirigida por Maurizio Benini, esteve muito bem. Sem reparos quanto ao coro. Os lugares que tive foram bastante longe do palco, centrais mas altos: o som chega mas não envolve, que o teatro é grande, embora a acústica seja muito boa.

(Barcelona, Janeiro 2015)


Desta vez não esperei para falar com a Joyce.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A thousand and one dreams

I dream of you who are not here
I dream of you and bring you near
I dream of you and you are well
I dream I’m still under your spell

I dream I’m waiting for your call
I dream that you don’t call at all
I dream that you have gone away
I dream I have so much to say

I dream that I still run to you
I dream that you still want me to
I dream the sweetness of your smile
I dream that it was all worthwhile

My dream tonight was of goodbye
I was with you and saw you die
I never dreamed of this before
I fear I’ll dream of you no more


Não sei porquê, inspirado por esta versão para dois pianos da Scheherazade de Rimsky-Korsakov, por Artur Pizarro e Vita Panomariovaite, ouvida na Antena2.
A propósito, é impressão minha ou raramente se ouve Artur Pizarro na Antena2?

domingo, 21 de setembro de 2014

Salonen na Gulbenkian

Desde que, há uns anos, vi no MUDE esta instalação, fiquei com alguma simpatia pelo maestro Esa-Pekka Salonen, e por isso comprei bilhetes para o concerto de sexta-feira passada na Gulbenkian.
Sobre o qual, em poucas palavras:
1. Gostei muito de ver o maestro reger a Segunda sinfonia de Beethoven como quem dança;
2. Independentemente do seu mérito, talvez a melhor maneira de se conseguir levar uma peça erudita contemporânea a uma quantidade significativa de público seja ensanduichá-la no meio de peças tão populares como as sinfonias de Beethoven;
3. Os grandes compositores criaram as suas obras em vários andamentos para permitirem ao público tossir entre eles;
4. Dirigir a Sétima no fim do programa, quando já se está cansado, não é fácil: já se pula mais do que se dança;
5. Ouvir cair a batuta na Segunda, ou uma fífia dos sopros na Sétima, não é o fim do mundo, mas desconcentra;
6. É difícil distinguir, quando dos aplausos, se o que emocionou o pessoal foi a excelência da interpretação ou a da obra por si mesma;
7. A Sétima, que amo e cuja audição repito, foi anteontem uma experiência matemática: assombroso ver como Beethoven soma, subtrai e multiplica e obtem sempre resultados diferentes mas perfeitos.

Fica aqui uma entrevista com o maestro sobre esta sua integral:

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Berlim tem a Waldbühne...

... e Albufeira tem a marina. Os ensaios começam pela hora do almoço e os eventos vão até à meia-noite, com licença camarária para os decibéis que quiserem.


Mas porque não vou eu de férias em Agosto?

domingo, 29 de junho de 2014

Lyon Parte IV: ópera

É também na Presqu'Île que se localizam os dois grandes teatros de Lyon: o Théatre des Célestins


e a Opéra Nouvel, assim chamada porque foi o arquitecto Jean Nouvel que alterou e aumentou na década de 90 do século passado o antigo edifício neoclássico. Na minha opinião, o resultado não é brilhante: se o exterior ainda escapa, embora com cara de estação de caminho de ferro,


a sala, toda em negro, é mesmo feia.


Ouvi comentar que do ponto de vista acústico está mal proporcionada: isso não sei, porque fiquei num dos lados, praticamente sobre o fosso da orquestra, e aí já se sabe: sujeitamo-nos a alguma distorção mas o som chega sempre.

Lembrando-me que o Parsifal do Met fora criado em Lyon, pareceu-me que era capaz de valer a pena assistir a uma produção própria de Simon Boccanegra, uma das obras tardias de Verdi que praticamente não conhecia, à excepção de uma ou duas árias. Não me arrependi.

Já agora, um comentário: ir à ópera em teatros diferentes é muito engraçado: há públicos mais e menos formais, os bares têm atmosferas diferentes; em quase todos se tornou normal ir para a rua no intervalo, não para respirar ar fresco mas para fumar. A entrada na Opéra Nouvel faz-se por um pórtico (eles chamam-lhe peristilo) no qual existe um bar com mesas e lugares sentados e onde se fazem espectáculos de outros géneros musicais; naquela tarde havia um pequeno agrupamento de jazz a tocar; o pessoal da ópera passava e, na maioria dos casos, não ligava ou encolhia-se discretamente. Para quem gosta de jazz, no entanto, aqui fica a ligação para o site do Etienne Vincent Quartet.


E a récita? Boa, pois. A orquestra tocou muito bem, dirigida por um jovem maestro, Daniele Rustioni, empolgante e empolgado, muito seguro da sua interpretação e que era um gosto observar. A encenação de David Bösch, moderna e negra, usando cenários muito despidos e complementada por pequenos videos que de certo modo ajudavam a entender as mudanças temporais e políticas que nesta ópera são um bocadinho abruptas, em parte por Verdi ter sentido necessidade de cortar e colar o trabalho inicial, em parte também por culpa do encenador e do figurinista que nos levaram não se sabe bem para quando - anos 40? 50? agora mesmo?

O certo é que Verdi, que escreveu uma primeira versão nos anos 50 do século XIX, a década que viu estrear La traviata, Rigoletto ou Il trovatore, a reviu e expandiu e re-estreou vinte anos mais tarde, o que a torna uma das suas últimas obras, e isso nota-se na música, que sendo lindíssima é menos imediata e mais... moderna, talvez.

Dos cantores, o único nome que me era familiar era o da soprano Ermonela Jaho (Amelia): a sua voz é muito mais potente do que se esperaria do seu corpo franzino, cristalina e com agudos fáceis. O tenor Pavel Černoch (Gabriele Adorno) tem uma voz muito bonita, de timbre escuro e, sendo bastante jovem, parece-me ter margem para progressão. O barítono Andrzej Dobber (Simon) também tem uma voz bonita, doce e potente, mas é fisicamente pesado e não conseguiu, no prólogo, convencer como o jovem corsário Boccanegra. O figurinista achou que o ajudava pondo-lhe uma peruca horrorosa.
Também gostei do baixo Riccardo Zanellato que incarnou Jacopo Fiesco, aka Grimaldi, o adversário de Boccanegra, talvez o papel mais confuso de toda a ópera. O barítono Ashley Holland no manipulador e eventualmente traidor Paolo Albiani, merece atenção, embora por vezes não se conseguisse ouvir sobre a orquestra.

(Lyon, Junho 2014)


Antes do espectáculo fomos informados da luta que os trabalhadores temporários (intermittents) estão a travar contra uma nova legislação que diminui a protecção no desemprego. Se fosse em Itália, provavelmente não teria havido récita...

segunda-feira, 23 de junho de 2014

La Traviata de Paris: aviso

Aviso à navegação: o canal Mezzo vai transmitir a Traviata de que falei (não a récita a que assisti mas a seguinte, de terça-feira 17) depois de amanhã, quarta-feira 25 de Junho, julgo que às 19h30 hora de Lisboa.