Mostrar mensagens com a etiqueta obituario. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta obituario. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Para a minha Avó

Para a minha Avó, que partiu com o Ano Velho, uma canção de Charles Aznavour, que também nos deixou no mesmo ano:

e outra da maravilhosa Montserrat Caballé, que também se foi:

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

E vão dois

Depois de David Bowie também se foi o actor Alan Rickman, com a mesma idade e a mesma causa de morte. Semana nefasta esta.


Os jornais ligam Rickman ao filme Die Hard e aos da série Harry Potter. O primeiro já vi há tanto tempo que não me lembro do vilão, mas sei perfeitamente que a primeira vez que notei a existência de Rickman foi em Sense and Sensibility, e achei-o bastante sexy embora um bocado zombie... Fazia o admirador da personagem de Kate Winslet, que mal dava por ele.
Lembro-me também dele como chefe do partido nacionalista irlandês em Michael Collins e como o adúltero professor em Love Actually.

Imagem de We ♥ it

Em nenhum dos casos era o protagonista, mas ainda assim era uma presença. No IMDb encontrei uma citação sua que o define como actor:

I approach every part I'm asked to do and decide to do from exactly the same angle: who is this person, what does he want, how does he attempt to get it, and what happens to him when he doesn't get it, or if he does?

Parece-me bem.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Ascensão e morte de David Bowie

David Bowie foi um dos ídolos da minha juventude. Primeiro pela imagem: loiro, esguio, andrógino, exótico, decadente. Depois pelas canções, mistura de riffs de rock pesado com teclados dissonantes, saxofone jazzy e na voz as melodias pop envolvendo poemas. Sempre me fascinou o outro lado, negro, insano, dionisíaco, que nunca toquei por na realidade o saber muito menos belo do que o seu espectáculo. Bowie esteve à beira de se perder na cocaína, salvou-se e mudou.

Era o homem das mudanças, desde Ziggy Stardust a Aladdin Sane, à trilogia de Berlim, mas sempre com uma angústia subjacente; no entanto tinha imenso humor e foi, acredito, feliz. Também fez teatro e cinema: vi The Man who fell to Earth num cinema que já não existe e adorei Mr. Christmas Mr. Lawrence.

Tive na parede do meu quarto um enorme poster a preto e branco, com ele vestido de calças largas de pregas e suspensórios.

Em meados dos anos 80, perdi o interesse, talvez com a morte definitiva do Major Tom. Fui vê-lo mais tarde a Alvalade no seu primeiro concerto em Portugal, que não me entusiasmou. Contudo, ainda consigo ouvi-lo com algum prazer.

Não sei se e que parte da sua música ou dos seus poemas será recordada pela posteridade. Mas no dia da sua morte, três dias depois de completar 69 anos e publicar o seu último álbum, celebro-o como um dos grandes performers da sua época.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Omar Sharif

Morreu um dos grandes actores românticos do século XX, intérprete em dois gloriosos épicos dos anos sessenta, Doctor Zhivago (que revi recentemente e de que gostei ainda mais do que da primeira vez) e Lawrence of Arabia com o também já falecido Peter O'Toole. Noutro registo, lembro-o ainda interpretando um oficial alemão em busca de um assassino em plena loucura nazi em The Night of the Generals.

Foto Wikipedia


Deixo aqui um bocadinho de uma entrevista relativamente recente, em que falta falar de uma outra paixão sua, o bridge.

A declaração ao minuto 2:42 é tanto mais impressionante quanto há pouco tempo foi revelado que Omar Sharif sofria da doença de Alzheimer.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Adeus Mr. Spock

Soube através do Facebook que o actor Leonard Nimoy morreu hoje, sexta-feira 27 de Fevereiro.

Nimoy foi o Mr. Spock da série de televisão Star Trek, de que gostei imenso. Não se tratava apenas de efeitos especiais, nem de andar aos tiros contra civilizações estranhas. Havia ideias, às vezes muito bem apresentadas.

Havia frases que ficaram gravadas (Beam us up, Scotty).

Havia, claro, uma equipa de "solistas" muito simpática, desde o capitão Kirk ao médico, ao engenheiro escocês e ao extraordinário vulcano cujas orelhas se tornaram paradigmáticas.

E a nave espacial Enterprise, sempre pronta a redefinir os limites do Universo, e a ir aonde nenhum homem tinha ido antes.
Não é lindo, este conceito?

Imagem Wikipedia

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Claudio Abbado

Imagem DN

Há poucos dias ouvi, julgo que na rádio, que a Orquestra Mozart, fundada pelo maestro Claudio Abbado, estava com graves dificuldades financeiras e ia suspender a sua actividade. Não me dei conta então de que a doença do fundador era um factor nessa situação.
Hoje ouvi a notícia da morte do maestro Abbado e fiquei triste. Li a tristeza nos comentários dos blogues. Perguntei-me como terão ficado os músicos daquela orquestra e de outras que ele criou e/ou dirigiu.

Volto a ver as gravações em video que permitem apreciar a elegância dos gestos. Descubro outras em que partilha o seu entendimento da música. Recordo a sua força e a sua fragilidade.

Já nunca o verei dirigir ao vivo.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Morreu Eusébio

Admito que não gosto tanto de Eusébio como os benfiquistas. Naturalmente, não aprecio a sua atitude para com o clube que o descobriu, e tenho pela sua recusa* em marcar golos contra o Benfica, quando jogou num clube adversário, um sentimento ambivalente. A seu respeito, contavam-se diversas anedotas: que não jogava com a cabeça mas de cabeça, ou que os seus mariscos preferidos eram os tremoços.

Por outro lado, se nunca o vi jogar em campo vi-o com certeza na televisão e faço de boa vontade coro com aqueles que o declaram um dos verdadeiramente grandes jogadores de futebol da sua época; alguns dos seus golos e algumas das suas jogadas, visíveis no Youtube como este resumo do que terá sido o grande jogo da sua carreira, contra a Coreia do Norte no campeonato Mundial de 1966, são nada menos que espectaculares.

Imagem da FPF

Lembro-me, isso sim, que no estrangeiro era muitas vezes o primeiro (o único!) nome de que as pessoas se lembravam quando eu dizia que vinha de Portugal. Confesso que isso não me dava orgulho nenhum; o certo é que ainda hoje são futebolistas os portugueses mais conhecidos por esse mundo fora.



*via O país do Burro

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Morreu um Homem

Soube pela SIC que Nelson Mandela morreu hoje. Tenho por ele um respeito e uma admiração enormes. Para mim, ele é o padrão pelo qual se medem os prémios Nobel da Paz.

Acabei de ouvir Barack Obama referir-se-lhe como uma pessoa profundamente boa e guiada pelo amor, não pelo ódio e é assim que o vejo. Os grandes conflitos só podem resolver-se por via de pessoas assim.

Obrigada, Madiba.



Imagem South Africa The Good News via Wikimedia Commons

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Lou Reed

De Lou Reed, que morreu no domingo passado, recordo essencialmente duas canções. Nesta versão ao vivo de Walk on the wild Side, Reed resmunga propositadamente parte da letra para não se (quem?) lhe perceber a crueza. Era 1982...


Quanto a Perfect Day, que começava serenamente, acabava com uma angústia que desmentia o título.

Recordo também que jantou na mesa ao lado da minha depois do concerto que deu no campo Pequeno, em Lisboa, em 2008. Eu, porém, vinha da concorrência - o concerto de Leonard Cohen.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Take five

Hoje é dia de obituário: morreu Oscar Niemeyer, o arquitecto de Brasília, que em Portugal deixou o Casino Park Hotel do Funchal. E morreu Dave Brubeck, o pianista de jazz cuja peça Take Five me acompanhou muitas vezes na rádio, no caminho para o hospital, quando vivi em Miami.

Aqui fica ela, em homenagem a dois grandes que foram agora descansar.

domingo, 4 de novembro de 2012

Se fue FOM

Tinha de acontecer um dia, não é? Fernando Ortiz-Monasterio foi um dos grandes cirurgiões plásticos com quem tive o privilégio de trabalhar. Estagiei com ele na Cidade do México, atraída pelos trabalhos que dele conhecera em congressos, sobretudo na remodelação dos ossos da face e crânio e na cirurgia da fenda labial, na qual obtinha resultados superiores a quaisquer outros: Eccelente!, dizia, contemplando-os com satisfação merecida.

(Mexico DF, Setembro 1992)

Elegante, desportista (jogava ténis e fazia vela), feio, sorridente, educado, dizia-se descendente de espanhóis e jaguares e apreciador de mulheres bonitas. Jantei em sua casa, eu e toda a equipa, que incluía vários estrangeiros, vindos tanto de Cuba como de Espanha.
Era importante para ele criar escola. Punha-nos generosamente à disposição a gigantesca colecção de diapositivos para que os copiássemos e usássemos, e para meu desgosto assisti a apresentações cujos autores se esqueceram de lhe dar o devido crédito.
Não que isso o diminuísse. Era um senhor. Morreu no passado dia 31 de Outubro, aos 89 anos.

Para quem quiser recordar o seu trabalho, aqui fica um link, com o aviso de que tem imagens possivelmente chocantes para quem não está habituado a ver estas malformações.

Gracias, maestro, y hasta siempre.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sylvia Kristel

Há actores que se celebrizaram com um filme e, por muitos ou poucos que tenham feito depois, ficarão sempre identificados com um determinado personagem. Assim foi com Sylvia Kristel, a holandesa que protagonizou um dos grandes sucessos eróticos e o primeiro que vi no cinema, ainda sem a idade permitida, Emmanuelle.

Não me lembro já de quase nada (uma cena no avião, outra avistada através das cortinas de um bungalow tailandês), mas não tenho dúvidas de que na altura me impressionou fortemente.

Kristel morreu esta madrugada, aos sessenta anos.

Foto IMDb

sábado, 29 de setembro de 2012

Impressões da Alemanha Parte VIII

A Helenatinha falado das Stolpersteine ou pedras no caminho, literalmente pedras de tropeço, as placas de latão que diante das casas recordam as pessoas (principalmente judias, mas não só; ciganas, homossexuais, negras, etc.) que nelas viviam e foram deportadas pelos nazis. Vi-as em Berlim e também em Hamburgo. Toca-me esta maneira de recordar e expiar aquele crime que não se quer repetir nunca mais.



Na St.Johanniskirche, em Hamburgo, encontrei também esta placa:


1933/45 não está assim tão longe, as crianças e adolescentes daquela altura são os reformados de hoje: é uma culpa colectiva recente com que ainda deve ser complicado viver.

(Fotos: Hamburg, Setembro 2012)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Daqueles que perdemos

Voices

Voices, loved and idealized,
of those who have died, or of those
lost for us like the dead.

Sometimes they speak to us in dreams;
sometimes deep in thought the mind hears them.

And with their sound for a moment return
sounds from our life's first poetry -
like music at night, distant, fading away.

C. P. Cavafy, Collected Poems, Princeton, New Jersey, 1992

Adeus

Ao N., que partiu esta madrugada.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Uma conta

Este fim-de-semana foi uma razia nas celebridades: morreram Cesária Évora, Vaclav Havel e Kim Jong-Il.
Curiosamente dois deles estavam na área das artes e dois na política, uma conta de 2+2=3...

Confesso que para mim uma morna é muito semelhante a outra morna e Cesária Évora, quando a vi em palco, já não estaria na sua melhor forma. Ainda assim, aquela música pode ser um acompanhamento simpático para um copo na praia ao pôr-do-sol. E porque não lendo alguma obra de Havel, o que nunca fiz durante a vida dele?

Quanto a Kim, apesar de a sua morte ter sido anunciada com emoção, acredito que só lhe sentirá a falta quem acompanhava o blogue, de que já aqui falei, Kim Jong-Il looking at things. Embora o autor tenha centenas de fotos em arquivo e ponha a hipótese de continuar a publicá-las, não será a mesma coisa.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sócrates morreu

Peço desculpa: não foi esse. Deviam saber que nunca o trato com essa familiaridade. Quanto ao filósofo, claro, já morreu há dois mil e tal anos, pelo que não é notícia.
Quem morreu foi o antigo jogador de futebol brasileiro, de quem me lembro mais pela figura, de cabelo comprido e barba, e pela licenciatura em Medicina - suponho que nunca exerceu - do que pelo toque de calcanhar que segundo parece era a sua imagem de marca.
Nas fotos recentes estava bastante envelhecido: sol, tabaco e álcool não são realmente bons companheiros para a saúde, mas espero que tenha sido feliz.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Morreu Steve Jobs

Morreu Steve Jobs, fundador da Apple. Deu-nos brinquedos giros, úteis no mundo actual (ou foram eles que criaram a sua própria utilidade?), fáceis de usar e com o preço exacto para se equilibrarem no limite do sonho.
Deu-nos também inspiração para nos tentarmos libertar das vidinhas e arriscar seguir os nossos próprios sonhos.
Fora isso, tinha uma figura atraente e uma reputação de rebeldia e criatividade, mas parece que não era flor que se cheirasse.

Como não trabalhei no jardim dele, apenas aprecio as maçãs, posso dizer: obrigada, Steve Jobs, repouse em paz.

Imagem de MacGazette

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Freud, Lucian Freud

Este mês tem sido uma razia de celebridades. Algumas tocaram-me mais, por uma razão ou por outra, mesmo que não as conhecesse pessoalmente. Anteontem foi a vez do pintor Lucian Freud, um dos colossos da arte da segunda metade do século XX.

Imagem daqui

O Expresso confundiu-lhe um bocadinho a genealogia, mas a verdade é que os retratos de Freud se oferecem à análise e são reveladores não só dos retratados mas se calhar, principalmente, do retratista. São, em muitos casos, cruas e perturbadoras, e talvez também tenha sido por isso - além de serem irrefutavelmente muito boa pintura - que resistiram ao longo de décadas em que o realismo figurativo esteve tão fora de moda.