Mostrar mensagens com a etiqueta religião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta religião. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Manifesto ateu

Se eu acreditasse num deus único, seria o príncipe do mal, um que tivesse criado um mundo imperfeito, aí tivesse largado criaturas com sensibilidade e raciocínio, e estivesse agora refastelado a assistir ao espectáculo do seu sofrimento.

Nesse mundo mal acabado haveria tempestades e terramotos, vulcões, inundações e secas. Plantas e sobretudo animais teriam como principal objectivo a própria sobrevivência e para tal desenvolveriam competências como a crueldade e a indiferença. No limite, maltratar o outro evoluiria de necessidade a prazer.

Para alguns, como último refinamento, criaria os conceitos de bondade e de justiça para que, na ausência destas à sua volta, sentissem ainda maior a miséria.

Nesse contexto, a melhor hipótese de felicidade seria, provavelmente, manter o mais baixo perfil possível.

A esse deus eu votaria o maior ódio e desprezo. Felizmente para a minha sanidade mental, não acredito nele. Shit happens, é tudo.

sábado, 17 de novembro de 2018

Sede de acreditar

It is pitiable. He has a thirst for belief. Almost anything might do to satisfy it.

Lawrence Durrell, idem, pg 63

domingo, 14 de maio de 2017

A13 de Maio

Milagre de Fátima: Portugal ganhou finalmente o festival da Eurovisão. Podem canonizar também a irmã Lúcia.

sábado, 26 de março de 2016

A escolha de deus

Nós amamos a beleza. Somos capazes de nos deter a contemplar a Natureza em todas as suas facetas: forte, tranquila, ampla, íntima... Fascina-nos indomada, e apraz-nos transformada por nós à nossa medida.
Criamos beleza e regozijamo-nos com a beleza criada. Há milhares de anos pintamos, esculpimos, compomos, construímos obras de arte. Os nossos abrigos deixaram há muito de ser simples cavernas e rodeamo-nos de arte e conforto.
Procuramos o conhecimento e a sabedoria. Elaboramos um modelo do mundo que está muito além do imediato.
Procuramos ser melhores. Longe da perfeição, longe mesmo da bondade, esforçamo-nos por percorrer o caminho. Queremos tratar melhor as crianças, os animais, os mais frágeis.

Eles gostam de explodir bombas e matar pessoas. Venha deus e escolha.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Omissão

Os jornalistas portugueses prosseguem a narrativa angustiante da guerra entre os partidos de esquerda e de direita.
Omitem a outra guerra que está a ter lugar entre a Opus Dei e a Maçonaria, e que é transversal à anterior.

sábado, 1 de agosto de 2015

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Papa não é Charlie

O Papa Francisco acha que matar em nome da religião é uma aberração mas que não se pode troçar* da fé das outras pessoas.
Este "mas" é perfeitamente assassino. É um "mas" que indica eles estavam a pedi-las.

E diz também que se alguém insultar a mãe dele
deve estar preparado para levar um soco.

O Papa está, no mínimo, a deixar-se enredar nos raciocínios dos fanáticos, ele que parece um bocadinho menos fanático. Nas leis contemporâneas existem referências ao que devia ser uma questão de bom-senso, que é a força proporcional da resposta. Se responder a uma ofensa verbal com um soco pode ser normal**, como diz o Papa, responder a uma ofensa escrita com um assassínio em massa também será? Antigamente, pelo menos, havia duelos, que eram uma espécie de reparação formal e frontal. Hoje há processos em tribunal. Entrar por um jornal dentro e matar a redacção, por muita troça que esta tenha feito da religião - ou do partido político, ou do clube de futebol - não é certamente uma resposta proporcional. Nem sequer uma resposta, vamos lá.

* prendere in giro foi a expressão utilizada.

** Já agora, onde foi parar a oferta cristã da outra face?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Charlie, nós e eles

Diz o sheik Munir que o choca o ataque terrorista ao Charlie Hebdo porque o Islão é uma religião pacífica. Não é verdade: o Islão ortodoxo, fundamentalista, é tão pouco pacífico como foi o cristianismo durante séculos, ou o judaísmo na sua origem. Felizmente uma grande parte da Humanidade percebe, ou simplesmente sente, que acima dos preceitos mesquinhos apregoados pelos pregadores, das abstenções e das proibições, acima de tudo isso está o desejo de viver em paz, cada um consigo mesmo e com os vizinhos.
Outra parte da Humanidade, no entanto, tem prazer em causar sofrimento, e são esses sociopatas que, em nome de deuses ou de causas, de direitos ou deveres, matam, mutilam, violam, humilham, sequestram e torturam. Há-os de todas as cores e de todas as ideologias; desde o 11 de Setembro de 2001 os mais visíveis têm sido muçulmanos.

O ataque ao Charlie Hebdo é o mais recente ataque terrorista islâmico: recente e mediático, acontece depois de tantos outros mas chama a atenção para o que nos inquieta: "eles" estão no meio de nós. Não se trata de uns selvagens decapitadores na Argélia, nem do ISIL no Iraque, dos Boko Haram escravizadores de raparigas na Nigéria ou dos talibãs assassinos de adolescentes no Paquistão. "Eles" já chegaram cá, e podem de um momento para outro entrar aos tiros em qualquer sítio onde estejamos.

Não interessa que o assassino de Oslo não fosse muçulmano, nem que até há pouco tempo fossem cristãos os que armadilhavam carros de polícias no país basco ou na Irlanda do Norte: o inimigo agora usa turbante e barba aos caracóis. Presa fácil para os grupos que até há pouco agrediam homossexuais ou negros. E corremos o risco de não nos indignarmos quando houver agressões a muçulmanos. Et pourtant: os alemães, que ao contrário do que se diz têm bem vivo o seu passado (nie wieder!), desfilam visivelmente nas ruas pela aceitação e pela integração, lembrando a todos o perigo dos pogroms.

Talvez o mais importante seja o que eu espero e desejo: que os muçulmanos que vivem connosco pacificamente se manifestem também contra o terrorismo, que mostrem e digam e insistam que são "nós" e não "eles".

sábado, 3 de janeiro de 2015

Os belgas

Não sei se os belgas existem - eles também não* - mas só uma gente especial construiria uma igreja torta para não alterar o curso de uma ribeira:


e lhe cortaria mais tarde um canto para criar mais passeio para os peões:

(Bruxelles, Novembro 2014)

Por outro lado, se isto não é arte na Bélgica, sê-lo-ia certamente em Nova Iorque:

(Antwerpen, Novembro 2014)

Já este parque de estacionamento, se não fosse flamengo, só poderia ser holandês (o que, queiram eles ou não, é parecido):

(Gent, Novembro 2014)


*Mas César sabia, e dizia deles que eram os mais valentes dos povos que habitavam a Gália, porque viviam mais longe da civilização e estavam continuamente em guerra com os Germanos. Como o tempo pode mudar a geografia!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Lyon Parte II Fourvière

A colina de Fourvière é a localização original da cidade de Lugdunum, onde em 43 aC foi fundada uma colónia romana pelo governador Lucius Munatius Plancus. As ruínas de dois teatros e alguns edifícios públicos, muito restaurados, não são muito bonitas mas são utilizadas para festivais e visitadas por excursões de crianças em semi-férias.


Muito mais recente é a basílica de Notre-Dame, construída em finais do século XIX, suponho que vagamente inspirada na basílica de S. Francisco em Assis, com duas igrejas sobrepostas, ricamente decoradas.


A basílica é sobranceira à cidade velha


e dela tem-se uma panorâmica fantástica da cidade.

(Lyon, Junho 2014)

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Cirurgia dos Puros

O texto elucida, embora eu nunca tivesse ouvido esta designação e nunca tivesse lá chegado sozinha. Para mim, cirurgia dos puros só poderia ser operar membros de uma seita religiosa como os cátaros. Ou então cortar as extremidades dos charutos...

(Faro, Abril 2014)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A propósito de Mandela

Leio no blogue 31 da Armada:


O Papa Francisco é o novo Obama.


E penso: é capaz de ser.
Oxalá não seja.
Somos nós que idealizamos estas pessoas.
Parece que precisamos do que idealizamos serem estas pessoas.
Acho que precisamos de Mandelas.
E de Gandhis.

sábado, 13 de julho de 2013

Cinco dias, dois portos

Dois portos com entradas semelhantes: dum lado o farol, do outro uma estátua.
Em Lindau, o leão da Baviera observa quem entra e sai desde o fim do século XIX.

(Lindau, Junho 2013)

Em Constança, cem anos mais tarde, Peter Lenk criou uma homenagem irónica ao concílio que ali reuniu no século XV para acabar com diversos cismas religiosos: a cortesã Imperia roda lentamente sobre si própria enquanto equilibra nas mãos o imperador e o papa, nus e coroados.

(Konstanz, Junho 2013)

Cinco dias, cinco países: Alemanha

Lindau, no Bodensee, ainda mostrava sinais das inundações das semanas anteriores:

(Lindau, Junho 2013)

Mas que simpática cidade, em que as igrejas católica e evangélica se erguem lado a lado:

A Rathaus, entre as pinturas, tem um relógio mecânico e um relógio solar:

Uma praça com casas harmoniosamente diferentes:

Nas redondezas, pomares e pomares de maçãs:

Este é também o país em que os pardalitos vêm comer à mão:

(Wasserburg, Junho 2013)

e os cães são tratados como deve ser.

Cinco dias, cinco países: Suíça

A organização suíça não é isenta de erros, mas acaba por funcionar e as malas, não chegando a Zurique no primeiro dia, por culpa do atraso de um voo interno em Portugal, foram recuperadas em Lugano no segundo.

(Lugano, Junho 2013)

Em Lucerna, junto da Kapelbrücke, lá estava um mercadinho de sábado:

(Luzern, Junho 2013)

Jesus disse: "Venham a mim as criancinhas". Esta é a versão de um padre suíço:

(Luzern, Junho 2013)

Adoro estas casinhas tortas. Devem ter sido óptimas no tempo em que o pessoal jogava ao berlinde.

(St. Gallen, Junho 2013)

quinta-feira, 21 de março de 2013

Papa a papa, Francisco

Enquanto estive fora praticamente não soube notícias; assim que cheguei fui assaltada por jornais e telejornais, primeiro com o folclore em torno da eleição do Papa e depois com a ameaça de confisco das poupanças dos cipriotas. Perante isso pareceu-me menos interessante partilhar a visita ao museu arqueológico de Bolzano ou os pormenores dos tabliers dos Ferraris e Maseratis expostos em Modena. Por outro lado, já tanto foi dito que pouco acrescenta a minha opinião sobre o que está a mudar (ou não) o nosso mundo.

Por exemplo, o Papa Francisco: ainda mal foi eleito e já se sabe que é jesuíta de formação, que foi o principal adversário de Ratzinger na eleição de 2005, que se apresenta como uma pessoa simples e cordial, de gostos modernos e eclécticos (tango, futebol, ópera), que escolheu o caminho da não ostentação (o anel de prata dourada, o autocarro), tem a palavra fácil mas em relação aos temas do costume, é conservador, ou seja, não vai haver abertura para o casamento dos padres ou dos homossexuais, a ordenação de mulheres, a contracepção, o aborto ou o divórcio.

Aliás, todos sabemos que o poder de um homem para mudar coisas é limitado, que a vontade de um homem para mudar coisas é a dele e não a nossa, e que quem sobe na hierarquia é conforme a essa hierarquia.

Foto do Vaticano

O que não sabemos é, por exemplo, o que vai acontecer à Opus Dei porque, das duas uma: ou Bento XVI renunciou por vontade própria, tendo antes deixado a eleição bem preparada e a obra, sem o parecer, continua a mandar (afinal de contas, não foi um dos últimos actos do Papa cessante nomear o novo presidente do Banco do Vaticano?), ou foi corrido, a obra afastada e uma facção que nas últimas décadas tem tido menos preponderância tomou agora o poder.

Verá quem cá estiver.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O céu na Gulbenkian

Se bem me lembro, o autor do Apocalipse descreve assim a bem-aventurança celeste: há um trono no qual o Senhor está sentado; em volta há quatro figuras (um touro, um leão, uma águia e um homem) que se supõe corresponderem aos quatro evangelistas, e em redor, a perder de vista, os eleitos que cantam em coro, Santo, santo, santo é o Senhor nosso deus*. Uma seca por toda a eternidade.

Aquilo foi escrito há muito tempo, o Senhor é capaz de se ter tornado mais exigente e é possível que o cântico tenha sido substituído por qualquer coisa como o Messias de Händel, peça que nunca me tinha interessado particularmente mas me levou na sexta-feira passada (ai! como o tempo corre) à Fundação Gulbenkian.

É possível que a Fundação tenha avisado da substituição da soprano Miah Persson por Rosemary Joshua e eu não tenha recebido o aviso; é certo que teria ido na mesma, embora preparada para não a ouvir. No início não gostei nada da voz de Joshua, que achei um bocado esganiçada mas, à medida que foi aquecendo, foi soando melhor. Melhorou igualmente o tenor Robin Tritschler, com uma voz bonita embora pequena.
Já o barítono Johannes Weisser tem uma voz potente, para além do timbre agradável, enquanto a da mezzo Mary Phillips me pareceu um tanto baça e desigual. O coro esteve excelente, a orquestra tocou muito bem mas talvez tenha faltado ao maestro J. David Jackson um toque de brilhantismo, que a música de Händel pediria, na ausência de árias espectaculares e de acção no palco, para não se tornar monótona.

Na verdade, concordo em vários pontos com a apreciação do Fanático_Um, que assistiu ao espectáculo na noite anterior.

Uma nota positiva para os instrumentistas solistas: o trompetista, que suponho ter sido Stephen Mason, e Michael Leopold que andou atarefadíssimo com o arquialaúde, a tiorba e a viola barroca.

A sala, que estava cheia no princípio, esvaziou-se de um terço ao intervalo e, na segunda parte, as tosses aumentaram significativamente. Em todo o caso, espero que no céu o Senhor já tenha mudado outra vez o cântico oficial.


* Afinal não é bem assim, mas é muito parecido.

domingo, 23 de setembro de 2012

Impressões da Alemanha Parte IV

Restauradas, reconstruídas, certas ou em dúvida de autenticidade, mais ou menos interessantes, não têm conta as casas de celebridades que se podem visitar.

a de Thomas Mann em Lübeck, que só vi por fora;

a de Händel em Halle, muito aldrabada;

a de Liszt em Weimar, pobrezinha, mas os pianos eram mesmo dele;

a de Goethe em Weimar, abastada mas com algum mau gosto, com peças autênticas, incluindo a biblioteca:

(Weimar, Setembro 2012)

a de Schiller em Weimar, na qual pouco mais que os armários é genuíno;

a de Bach em Eisenach, talvez a mais interessante como museu, mas provavelmente a casa errada. Tem o único objecto caseiro que se sabe ter pertencido a Bach, este copo de vidro:

(Eisenach, Setembro 2012)

a de Lutero em Eisenach, onde o maior destaque é dado à vida num vicariato.

Divertido mesmo foi fazer um piquenique junto da porta de serviço da outra casa de Goethe em Weimar (a casa no parque, Goethes Gartenhaus), fechada nesse dia, enquanto os passantes nos olhavam espantados.

(Weimar, Setembro 2012)