Herculaneum, circa 40 BCE. At the villa Pisonis the Epicurean School of Philodemus of Gadara is an informal gathering place for those who enjoy discussing philosophy, literature, general politics, the nature of things and how to live better.
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terça-feira, 7 de maio de 2019
Insanidade
Portugal é um país esquizofrénico, em que coexiste uma mentalidade de esquerda comunista com práticas de capitalismo selvagem.
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Manifesto ateu
Se eu acreditasse num deus único, seria o príncipe do mal, um que tivesse criado um mundo imperfeito, aí tivesse largado criaturas com sensibilidade e raciocínio, e estivesse agora refastelado a assistir ao espectáculo do seu sofrimento.
Nesse mundo mal acabado haveria tempestades e terramotos, vulcões, inundações e secas. Plantas e sobretudo animais teriam como principal objectivo a própria sobrevivência e para tal desenvolveriam competências como a crueldade e a indiferença. No limite, maltratar o outro evoluiria de necessidade a prazer.
Para alguns, como último refinamento, criaria os conceitos de bondade e de justiça para que, na ausência destas à sua volta, sentissem ainda maior a miséria.
Nesse contexto, a melhor hipótese de felicidade seria, provavelmente, manter o mais baixo perfil possível.
A esse deus eu votaria o maior ódio e desprezo. Felizmente para a minha sanidade mental, não acredito nele. Shit happens, é tudo.
Nesse mundo mal acabado haveria tempestades e terramotos, vulcões, inundações e secas. Plantas e sobretudo animais teriam como principal objectivo a própria sobrevivência e para tal desenvolveriam competências como a crueldade e a indiferença. No limite, maltratar o outro evoluiria de necessidade a prazer.
Para alguns, como último refinamento, criaria os conceitos de bondade e de justiça para que, na ausência destas à sua volta, sentissem ainda maior a miséria.
Nesse contexto, a melhor hipótese de felicidade seria, provavelmente, manter o mais baixo perfil possível.
A esse deus eu votaria o maior ódio e desprezo. Felizmente para a minha sanidade mental, não acredito nele. Shit happens, é tudo.
sábado, 17 de novembro de 2018
Sede de acreditar
It is pitiable. He has a thirst for belief. Almost anything might do to satisfy it.
Lawrence Durrell, idem, pg 63
domingo, 21 de outubro de 2018
Reformas antecipadas Parte II
Continua a charada das reformas antecipadas.
O ministro Vieira da Silva veio dizer que afinal não há reformas antecipadas para ninguém a não ser que se tenha 40 anos de descontos aos 60 anos, o que deixa de fora praticamente todos os licenciados e prejudica milhares e milhares de pessoas que poderiam reformar-se mesmo com as duras penalizações presentes, e o restante governo confunde ainda mais a situação.
Ninguém percebe o que é o período de transição nem se os funcionários públicos estão ou não abrangidos por esta patifaria.
Nas vésperas da votação do Orçamento de Estado, quando os parceiros da geringonça podiam fazer-se valer, o Bloco de Esquerda emite uns protestos mansos e o PCP praticamente nem se ouve; quanto ao PSD, Rui Rio quer aparecer como o guardião do rigor, mais papista do que o papa, como se ele ou alguém acreditasse que este Orçamento é generoso.
É possível que a seguir o ministro/ o governo venha a recuar na intenção de restringir as reformas antecipadas tout court e toda a gente suspire de alívio, sem se dar conta que a troco desse recuo está a validar a injustiça inicial que é considerar que 40 anos de descontos valem mais para quem tem 60 anos do que para quem tem 61, 62 ou é mais velho ainda.
Aguardemos os próximos episódios.
O ministro Vieira da Silva veio dizer que afinal não há reformas antecipadas para ninguém a não ser que se tenha 40 anos de descontos aos 60 anos, o que deixa de fora praticamente todos os licenciados e prejudica milhares e milhares de pessoas que poderiam reformar-se mesmo com as duras penalizações presentes, e o restante governo confunde ainda mais a situação.
Ninguém percebe o que é o período de transição nem se os funcionários públicos estão ou não abrangidos por esta patifaria.
Nas vésperas da votação do Orçamento de Estado, quando os parceiros da geringonça podiam fazer-se valer, o Bloco de Esquerda emite uns protestos mansos e o PCP praticamente nem se ouve; quanto ao PSD, Rui Rio quer aparecer como o guardião do rigor, mais papista do que o papa, como se ele ou alguém acreditasse que este Orçamento é generoso.
É possível que a seguir o ministro/ o governo venha a recuar na intenção de restringir as reformas antecipadas tout court e toda a gente suspire de alívio, sem se dar conta que a troco desse recuo está a validar a injustiça inicial que é considerar que 40 anos de descontos valem mais para quem tem 60 anos do que para quem tem 61, 62 ou é mais velho ainda.
Aguardemos os próximos episódios.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
As reformas antecipadas
NOTÍCIA FALSA?
FATOR DE SUSTENTABILIDADE ELIMINADO PARA PESSOAS COM 63 ANOS DE IDADE E 40 DE DESCONTOS
FATOR DE SUSTENTABILIDADE ELIMINADO PARA PESSOAS COM 63 ANOS DE IDADE E 40 DE DESCONTOS
Vai uma confusão a respeito das reformas antecipadas. Na sexta-feira saiu em vários jornais a notícia de que a partir de Janeiro de 2019 as pessoas com 63 anos de idade e 40 de descontos verão eliminado o factor de sustentabilidade do cálculo do valor da sua pensão de reforma. Mas afinal não é bem assim: nessa mesma tarde Mariana Mortágua disse na televisão, e o Negócios de sábado trazia a notícia corrigida, que as pessoas com 63 anos de idade e que aos 60 anos de idade tinham 40 anos de descontos é que verão o factor de sustentabilidade eliminado. Uma pequena nuance que faz toda a diferença!
A mesma notícia dizia que as pessoas que, a partir de Outubro de 2019, tiverem 60 anos de idade e 40 de descontos poderão reformar-se antecipadamente sem o factor de sustentabilidade. Finalmente a coisa começa a ficar mais clara!
Ou não. Na verdade, esta notícia não é mais que um pedaço de fumaça para começar o ano de campanha eleitoral. As pessoas que aos 60 anos tiverem 40 anos de descontos terão começado a descontar aos 20 e serão um universo bastante reduzido. Não se aplicará certamente a licenciados, pois há quarenta anos raros eram aqueles que terminavam uma licenciatura antes dos vinte anos de idade. E os outros, podem ter começado a trabalhar aos 20, mas descontos, descontos, hmmmm....
Em todo o caso, esta medida vai gerar enormes injustiças. Basta entender que a partir de Outubro de 2019 uma pessoa com 60 anos e 40 de descontos verá o fator de sustentabilidade eliminado do cálculo da sua reforma mas quem tiver 63 anos e 42 de descontos não verá esse factor eliminado porque não tinha 40 anos de descontos quando fez 60 anos. Ou seja, quem é mais velho e descontou mais sai prejudicado.
Mas isto não fica por aqui: é outra vez o Negócios que hoje, quarta-feira, cita o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, e afirma que a partir de Outubro de 2019 só as pessoas que tiverem 40 anos de descontos aos 60 anos de idade poderão reformar-se antecipadamente!
Está tudo louco?
A mesma notícia dizia que as pessoas que, a partir de Outubro de 2019, tiverem 60 anos de idade e 40 de descontos poderão reformar-se antecipadamente sem o factor de sustentabilidade. Finalmente a coisa começa a ficar mais clara!
Ou não. Na verdade, esta notícia não é mais que um pedaço de fumaça para começar o ano de campanha eleitoral. As pessoas que aos 60 anos tiverem 40 anos de descontos terão começado a descontar aos 20 e serão um universo bastante reduzido. Não se aplicará certamente a licenciados, pois há quarenta anos raros eram aqueles que terminavam uma licenciatura antes dos vinte anos de idade. E os outros, podem ter começado a trabalhar aos 20, mas descontos, descontos, hmmmm....
Em todo o caso, esta medida vai gerar enormes injustiças. Basta entender que a partir de Outubro de 2019 uma pessoa com 60 anos e 40 de descontos verá o fator de sustentabilidade eliminado do cálculo da sua reforma mas quem tiver 63 anos e 42 de descontos não verá esse factor eliminado porque não tinha 40 anos de descontos quando fez 60 anos. Ou seja, quem é mais velho e descontou mais sai prejudicado.
Mas isto não fica por aqui: é outra vez o Negócios que hoje, quarta-feira, cita o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, e afirma que a partir de Outubro de 2019 só as pessoas que tiverem 40 anos de descontos aos 60 anos de idade poderão reformar-se antecipadamente!
Está tudo louco?
sábado, 6 de outubro de 2018
O mundo como um jogo
O mundo tem mudado muito, e eu não creio que tenha sido para pior. O jogo é que é muito complexo, e umas vezes estamos a ganhar, outras a perder.
Isabela Figueiredo, no Facebook
terça-feira, 7 de agosto de 2018
A direcção do voto
"Politics is not about left or right. It's about up and down. The few screwing the many"
Molly Irvins, citada por Kathleen Turner
sábado, 21 de julho de 2018
Fake news
Se o presidente Trump não tiver mais nenhuma qualidade, teve pelo menos a de alertar para aquilo que chamou fake news. Começo a achar insuportáveis as notícias e/ou fotos que dizem reportar alimentos ou medicamentos fatais, cientistas geniais menorizados ou mercados de escravos na Líbia, que mesmo repetidamente desmascaradas continuam a correr as redes sociais - ou, para ser mais precisa, Facebook.
sábado, 16 de junho de 2018
Da nova censura Parte I
Les réseaux sociaux ne sont pas des espaces de liberté, mais des espaces de censure où l’on voit apparaître des molécules idéologiques centripètes auxquelles s’agrègent progressivement tous les gens qui pensent de la même manière.
Raphaël Enthoven, Le point nº 2388, 7/06/2018, pg26
Raphaël Enthoven, Le point nº 2388, 7/06/2018, pg26
segunda-feira, 14 de maio de 2018
Faits-divers
Enquanto nas televisões se discute futebol e as redes sociais se agitam a favor ou contra o artigo em que uma ex-namorada denuncia o ex-namorado, o preço da gasolina bate recordes históricos (1.649 €/l na Galp da Via do Infante, que uso como referência) apesar de o petróleo ainda andar por metade do valor atingido em 2008, e ninguém protesta: nem os taxistas, nem as transportadoras, nem as gasolineiras. A Senhora de Fátima continua a proteger a geringonça.
sexta-feira, 20 de abril de 2018
sábado, 11 de março de 2017
O direito à saúde
Voltei hoje a ler (no Facebook, mas podia ser em qualquer jornal ou blogue, tão interiorizado está este conceito) que "toda a gente tem o direito à saúde". Supõe-se até que está consagrado na Constituição portuguesa, mas é mentira.
No artigo 64 a Constituição não fala em "direito à saúde" mas em "direito à protecção da saúde".
"Toda a gente" não tem direito à saúde. Ser saudável ou não está na natureza dos genes, nos hábitos de vida e na geografia. Pelo menos. E porque felizmente negamos às bactérias o "direito à vida", ou seja, a comer, reproduzir-se e dar uns passeios turísticos.
Pode-se ter, isso sim, direito "à protecção da saúde", quer dizer, a tratamentos médicos, e isso pode ser um direito universal (para um determinado "universo", por exemplo, para os nacionais ou para os residentes) ou não (só para funcionários públicos, ou só para quem subscreve um seguro), gratuito (no momento em que é utilizado, porque tem custos e portanto alguém nalgum momento os paga, provavelmente via impostos ou prémio de seguro) ou não (taxas "moderadoras", devolução posterior do valor pago), ilimitado (sem tectos de custos) ou não.
Assim sendo, pela sua variabilidade torna-se evidente que o direito a tratamentos médicos não é um "direito " fundamental mas sim uma conquista cujas existência, expressão e manutenção dependem de circunstâncias tão díspares e tão frágeis como a situação económica e a diferenciação cultural de uma sociedade.
Por isso mesmo nem sequer pode se pode exigir o "direito fundamental" que seria desejável "toda a gente" ter, que seria saber com o que conta e não ver mudar as regras, sobretudo para pior, a meio do jogo.
No artigo 64 a Constituição não fala em "direito à saúde" mas em "direito à protecção da saúde".
"Toda a gente" não tem direito à saúde. Ser saudável ou não está na natureza dos genes, nos hábitos de vida e na geografia. Pelo menos. E porque felizmente negamos às bactérias o "direito à vida", ou seja, a comer, reproduzir-se e dar uns passeios turísticos.
Pode-se ter, isso sim, direito "à protecção da saúde", quer dizer, a tratamentos médicos, e isso pode ser um direito universal (para um determinado "universo", por exemplo, para os nacionais ou para os residentes) ou não (só para funcionários públicos, ou só para quem subscreve um seguro), gratuito (no momento em que é utilizado, porque tem custos e portanto alguém nalgum momento os paga, provavelmente via impostos ou prémio de seguro) ou não (taxas "moderadoras", devolução posterior do valor pago), ilimitado (sem tectos de custos) ou não.
Assim sendo, pela sua variabilidade torna-se evidente que o direito a tratamentos médicos não é um "direito " fundamental mas sim uma conquista cujas existência, expressão e manutenção dependem de circunstâncias tão díspares e tão frágeis como a situação económica e a diferenciação cultural de uma sociedade.
Por isso mesmo nem sequer pode se pode exigir o "direito fundamental" que seria desejável "toda a gente" ter, que seria saber com o que conta e não ver mudar as regras, sobretudo para pior, a meio do jogo.
sábado, 4 de março de 2017
Populista, eu?
Escreve José Manuel Fernandes no Observador:
Cas Mudde e Cristóbal Rovira Kaltwasser, num pequeno livro que acaba de sair em Portugal, “Populismo – Uma Brevíssima Introdução” (Gradiva), escrevem: “Definimos populismo como uma ideologia de baixa densidade que considera que a sociedade está, em última instância, dividida em dois campos homogéneos e antagónicos – “o povo puro” versus “a elite corrupta” – e que defende que a política deveria ser uma expressão da volonté générale (vontade geral) do povo”
Ora a verdade é que cada vez mais, ao ler e ao ouvir as notícias, sinto que há dois mundos diferentes e paralelos, um em que vivemos nós, mortais comuns afogados em preocupações comuns (a prestação da casa, o IMI, o trânsito, as listas de espera nos hospitais e o despontar dos seguros de saúde, os fins-de-semana, as férias, o trabalho, o burnout e o desemprego, as reformas antecipadas, a educação dos filhos), e outro em que vivem as pessoas de dinheiro e de poder, cujos interesses passam pelos movimentos de muitos milhões de euros. Só.
Se ao menos não houvesse contactos nem interferências entre estes dois mundos, poderíamos no nosso seguir as nossas vidinhas e ignorar o outro, ou encará-lo como um filme no cinema; poderíamos tentar melhorar as nossas situações com regras escolhidas por nós e que para nós fizessem sentido. Infelizmente parece que, para continuarem a movimentar os seus milhões, essas outras pessoas precisam de nos infernizar, subjugar e manter em estado de ignorância e precariedade.
Quando era mais novinha, acreditava que a minha vida iria mudar no sentido de maior liberdade, maior conhecimento e reconhecimento profissional, mais dinheiro, mais amigos, melhores viagens, mais tranquilidade, em resumo, maior amplidão de recursos e horizontes. Hoje sinto-me como um rio apertado entre paredes de betão. Quando chove, o caudal aumenta e consigo espreitar para além destas margens artificiais, mas cada vez mais, entre barragens e comportas, sou obrigada a manter-me num curso que não escolhi até chegar, inevitavelmente, ao mar.
Cas Mudde e Cristóbal Rovira Kaltwasser, num pequeno livro que acaba de sair em Portugal, “Populismo – Uma Brevíssima Introdução” (Gradiva), escrevem: “Definimos populismo como uma ideologia de baixa densidade que considera que a sociedade está, em última instância, dividida em dois campos homogéneos e antagónicos – “o povo puro” versus “a elite corrupta” – e que defende que a política deveria ser uma expressão da volonté générale (vontade geral) do povo”
Ora a verdade é que cada vez mais, ao ler e ao ouvir as notícias, sinto que há dois mundos diferentes e paralelos, um em que vivemos nós, mortais comuns afogados em preocupações comuns (a prestação da casa, o IMI, o trânsito, as listas de espera nos hospitais e o despontar dos seguros de saúde, os fins-de-semana, as férias, o trabalho, o burnout e o desemprego, as reformas antecipadas, a educação dos filhos), e outro em que vivem as pessoas de dinheiro e de poder, cujos interesses passam pelos movimentos de muitos milhões de euros. Só.
Se ao menos não houvesse contactos nem interferências entre estes dois mundos, poderíamos no nosso seguir as nossas vidinhas e ignorar o outro, ou encará-lo como um filme no cinema; poderíamos tentar melhorar as nossas situações com regras escolhidas por nós e que para nós fizessem sentido. Infelizmente parece que, para continuarem a movimentar os seus milhões, essas outras pessoas precisam de nos infernizar, subjugar e manter em estado de ignorância e precariedade.
Quando era mais novinha, acreditava que a minha vida iria mudar no sentido de maior liberdade, maior conhecimento e reconhecimento profissional, mais dinheiro, mais amigos, melhores viagens, mais tranquilidade, em resumo, maior amplidão de recursos e horizontes. Hoje sinto-me como um rio apertado entre paredes de betão. Quando chove, o caudal aumenta e consigo espreitar para além destas margens artificiais, mas cada vez mais, entre barragens e comportas, sou obrigada a manter-me num curso que não escolhi até chegar, inevitavelmente, ao mar.
sábado, 4 de fevereiro de 2017
domingo, 29 de janeiro de 2017
Trump e a tortura
Notícia do Observador:
Presidente Trump
Donald Trump: “A tortura funciona. Devemos combater o fogo [Estado Islâmico] com o fogo”
26/1/2017, 10:48
(...) “Falei com oficiais dos serviços secretos e perguntei-lhes: ‘Funciona? A tortura funciona?’ E eles responderam-me: ‘Sim, absolutamente!’ (...)"(...)
A notícia original da ABC News aqui.
O problema é que Trump fez a pergunta errada. O que devia ter perguntado não era se a tortura funciona, mas se podia obter resultados sem recorrer à tortura, que é o que importa a quem se preocupa com a segurança mas não quer abandonar os valores civilizacionais que o separam da barbárie.
Presidente Trump
Donald Trump: “A tortura funciona. Devemos combater o fogo [Estado Islâmico] com o fogo”
26/1/2017, 10:48
(...) “Falei com oficiais dos serviços secretos e perguntei-lhes: ‘Funciona? A tortura funciona?’ E eles responderam-me: ‘Sim, absolutamente!’ (...)"(...)
A notícia original da ABC News aqui.
O problema é que Trump fez a pergunta errada. O que devia ter perguntado não era se a tortura funciona, mas se podia obter resultados sem recorrer à tortura, que é o que importa a quem se preocupa com a segurança mas não quer abandonar os valores civilizacionais que o separam da barbárie.
Ciganos
Cada vez que há um doente cigano internado e o clã inteiro invade o terreno do hospital lembro-me das razões por que não gosto de ciganos: essencialmente porque não se lavam, porque não recolhem o lixo que fazem, porque vivem à margem mas aproveitam os nossos impostos, porque descuidam os cavalos e os cães, porque não estudam e não deixam as raparigas estudar.
Não respondeu a todas as minhas perguntas, confirmou praticamente todas as minhas ideias, mas pôs-me outras questões. Levou-me a perceber melhor que temos, "nós", os gadjos, responsabilidades na discriminação mas que "eles", os ciganos ou roma, também põem barreiras à integração: afinal, há medo de parte a parte, e cada parte se defende como sabe, uma excluindo, a outra manipulando.
Talvez haja, e espero que haja, desde que alguns de "nós" tomaram consciência dos problemas deste relacionamento e que já alguns d'"eles" os encaram também, maneira de os solucionar, mas vai ser preciso tempo, esforço e motivação.
Se gosto mais dos ciganos depois de ler este estudo? Não sei. Gostava que, para começar, apanhassem o lixo em vez de o deixarem para os funcionários do hospital.
(Faro, Janeiro 2017)
Mas hoje perguntei-me: que raio de sociedade é a nossa, especificamente a nossa, portuguesa, que não consegue convencer estas pessoas a integrar-se na nossa cultura, acrescentando-lhe as eventuais mais-valias da sua própria tradição? E apercebi-me de que conheço muito mal a realidade cigana actual no nosso país, pelo que decidi ir à procura e encontrei online este Estudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas, que li e recomendo a quem tiver a mesma curiosidade que eu.Não respondeu a todas as minhas perguntas, confirmou praticamente todas as minhas ideias, mas pôs-me outras questões. Levou-me a perceber melhor que temos, "nós", os gadjos, responsabilidades na discriminação mas que "eles", os ciganos ou roma, também põem barreiras à integração: afinal, há medo de parte a parte, e cada parte se defende como sabe, uma excluindo, a outra manipulando.
Talvez haja, e espero que haja, desde que alguns de "nós" tomaram consciência dos problemas deste relacionamento e que já alguns d'"eles" os encaram também, maneira de os solucionar, mas vai ser preciso tempo, esforço e motivação.
Se gosto mais dos ciganos depois de ler este estudo? Não sei. Gostava que, para começar, apanhassem o lixo em vez de o deixarem para os funcionários do hospital.
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terça-feira, 20 de setembro de 2016
Explosões
Tenho de admitir que quando li as primeiras notícias sobre a explosão em Nova Iorque (Explosão "intencional" (...) Governador fala em "ato de terrorismo" mas sem ligações a grupos internacionais), pensei que pudesse ser alguém a querer ver-se livre de um smartphone Samsung Note 7 ☺
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Forretice
Ouvido na praia, este fim-de-semana:
"O cúmulo da forretice é mandar pôr meias-solas nas havaianas."
Imagem © havaianas
sábado, 26 de março de 2016
A escolha de deus
Nós amamos a beleza. Somos capazes de nos deter a contemplar a Natureza em todas as suas facetas: forte, tranquila, ampla, íntima... Fascina-nos indomada, e apraz-nos transformada por nós à nossa medida.
Criamos beleza e regozijamo-nos com a beleza criada. Há milhares de anos pintamos, esculpimos, compomos, construímos obras de arte. Os nossos abrigos deixaram há muito de ser simples cavernas e rodeamo-nos de arte e conforto.
Procuramos o conhecimento e a sabedoria. Elaboramos um modelo do mundo que está muito além do imediato.
Procuramos ser melhores. Longe da perfeição, longe mesmo da bondade, esforçamo-nos por percorrer o caminho. Queremos tratar melhor as crianças, os animais, os mais frágeis.
Eles gostam de explodir bombas e matar pessoas. Venha deus e escolha.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Memórias de Nápoles
Enquanto chove recordo alguns momentos das férias napolitanas:
a siesta do operário da construção civil
O smog sobre a baía
A costiera sorrentina à qual se acede por túneis e estradas feíssimas, que ao fim-de-semana engarrafam totalmente.
As casas impossíveis de uma encantadora aldeia em socalcos hoje totalmente comercializada
O fogo de artifício todas as noites
O parque arqueológico submerso de Baia, cuja visita falhou por "falta de visibilidade"
O pequeno, quase desconhecido Museo dei Campi Flegrei
de onde se avista esta praia, onde infelizmente não aceitam cães
A Tosca no Teatro Grande de Pompeios
a siesta do operário da construção civil
(Procida, Setembro 2015)
O smog sobre a baía
(Vesuvio, Setembro 2015)
A costiera sorrentina à qual se acede por túneis e estradas feíssimas, que ao fim-de-semana engarrafam totalmente.
As casas impossíveis de uma encantadora aldeia em socalcos hoje totalmente comercializada
(Positano, Setembro 2015)
O fogo de artifício todas as noites
(Napoli, Setembro 2015)
O parque arqueológico submerso de Baia, cuja visita falhou por "falta de visibilidade"
(Bacoli, Setembro 2015)
O pequeno, quase desconhecido Museo dei Campi Flegrei
(Miseno, Setembro 2015)
de onde se avista esta praia, onde infelizmente não aceitam cães
(Miseno, Setembro 2015)
A Tosca no Teatro Grande de Pompeios
(Pompei, Setembro 2015)
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