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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Demografia

No tal país profundo, julgo que as únicas crianças que encontrei eram espanholas. Já no Porto havia bandos de canalha miúda a celebrar o início das aulas não estando nas aulas. Na rua de Santa Catarina praxava-se caloiros.

(Porto, Setembro 2013)

No entanto este novo sinal de trânsito, que vi pela primeira vez, pareceu-me muito significativo.

(Portelo, Setembro 2013)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Coisas

Há coisas que quando se começa parecem fáceis, quando se vai a meio parecem intermináveis, e quando se termina parece mentira.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Depressão

Mais que apagada e vil*, esta tristeza
É uma manta mansa, larga, densa,
Que cobre o que se diz e o que se pensa
E extingue sem remorso a chama acesa

Da esperança. Estende devagar
Os dedos de silêncio em cada canto,
Esmorece a raiva, o sonho e o pranto
E parece que come o próprio ar.

Transforma as cores todas em cinzento,
Fecha à chave as portas e janelas
Num quase imperceptível movimento.

Põe selos, puxa fitas, ata os nós:
Ficam fora todas as coisas belas
E dentro, embrutecidos, estamos nós.




* como dizia Luiz de Camões, in Os Lusíadas, Canto X, 145


Nota: Ninguém se aflija, por favor: este é um poema político, não pessoal.

sábado, 13 de julho de 2013

Cães na Alemanha

À entrada do restaurante do hotel em Wasserburg:


No ferry entre Lindau e Bregenz:


Na ponte de Lindau:

(Bodensee, Junho 2013)

Cinco dias, três museus

Paul Klee (para quem o Mário me tinha chamado a atenção) e Fausto Melotti no Museo d'Arte de Lugano:


Eu já visitei os melhores museus de arte do mundo, por isso hoje em dia o que não é extraordinário pode ser uma decepção; no entanto, os pequenos museus temáticos como o Zeppelin Museum em Friedrichshafen, são frequentemente interessantes:


Ou até mesmo uma exposição de brinquedos antigos, como esta no pequeno Museum im Malhaus de Wasserburg:


Cinco dias, cinco países: Suíça

A organização suíça não é isenta de erros, mas acaba por funcionar e as malas, não chegando a Zurique no primeiro dia, por culpa do atraso de um voo interno em Portugal, foram recuperadas em Lugano no segundo.

(Lugano, Junho 2013)

Em Lucerna, junto da Kapelbrücke, lá estava um mercadinho de sábado:

(Luzern, Junho 2013)

Jesus disse: "Venham a mim as criancinhas". Esta é a versão de um padre suíço:

(Luzern, Junho 2013)

Adoro estas casinhas tortas. Devem ter sido óptimas no tempo em que o pessoal jogava ao berlinde.

(St. Gallen, Junho 2013)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Let's twist again

Quem não conhece o Algarve poderia imaginar que este pessoal já de certa idade estava ontem com um ataque de revivalismo musical, mas não era o caso: estava à apanha da conquilha, que é assim mesmo, com os pés na areia na maré vazia.


(Praia Grande, Maio 2013)

Para quem não sabe do que estou a falar, ou sofre do tal revivalismo musical, aqui fica a dança e a voz de Chubby Checker:

quinta-feira, 14 de março de 2013

Ar dos Alpes

Passeando pelas ruas de Glurns, Burgeis ou Schlinig, vai-se gozando a atmosfera tranquila com os simpáticos chalets alpinos.


Curioso é o cheiro de que vamos tomando consciência. Se o visitante não tiver ligações à terra, for dos que julgam que o leite nasce nos pacotes do supermercado, não o identifica mas, se tiver, constata que só pode ser estrume de vaca. Ah pois é. Em 2013, enquanto a União Europeia pontifica sobre higiene e segurança alimentar, a ASAE inspecciona e os cães portugueses são expulsos dos restaurantes, as vacas tirolesas passam o inverno no piso térreo das casinhas dos respectivos humanos, sem, ao que me dei conta, grande qualidade de vida, muito menos de higiene.

Aos donos, isso não parece nada de mais.

(Burgusio/Burgeis, Março 2013)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Facturas para Passos Coelho

Notícia do Correio da Manhã:

Fisco: E-mail viral com número de contribuinte do primeiro-ministro
Milhares de faturas em nome de Passos

São milhares as faturas que já deram entrada no sistema e-fatura com o nome e o número de contribuinte do primeiro-ministro.(...)
Vários serviços do Fisco contactados pelo CM já estão ao corrente desta forma de protesto e, para já, consideram que os efeitos desta ação podem fazer com que Passos Coelho seja objeto de uma fiscalização das Finanças.(...)


Acho este protesto engraçadíssimo. Por um lado, é inegável que cumpre o que o desgoverno diz querer: as facturas são pedidas e passadas, os impostos entram nos cofres do Estado. Por outro, os cidadãos não se sentem bufos do sistema nem se sentem (ainda mais) perseguidos, factura a factura, a cada movimento do seu dia.

Há uma página no Facebook relacionada com isto, onde se encontram os NIFs a utilizar. É só escolher. E depois, julgo eu, arquivar os papelinhos na reciclagem.

sábado, 12 de janeiro de 2013

O cão, a criança e um blogger que morde

Não pensava escrever sobre a história do cão cruzado de pitbull que matou uma criança com quem convivia habitualmente, e cujo abate friamente encarado pelo dono e pela veterinária municipal desencadeou uma onda de protestos e uma petição pública. Parece-me que deve haver atitudes diferentes perante um cão que é habitualmente agressivo e um que não o é. Mas não conheço este cão e a história parece mal contada.
Eu tive um cão indubitavelmente manso que por três vezes na vida, sem razão aparente, mordeu ou tentou morder pessoas. Como era um yorkie (não o Jr), não aconteceu nada de grave, mas demonstrou-me que os motivos e as situações que podem levar os cães a morder não são sempre evidentes para os humanos.

Em toda esta polémica o que também me chocou foi o texto de Daniel Oliveira sobre o assunto. Argumentando a favor do abate por motivos de segurança (Um animal doméstico, se se revelar perigoso para os humanos, não pode conviver com eles), o que me parece legítimo, resvala para a demagogia (as crianças não podem correr risco de vida, sejam lá qual forem os motivos) e conclui:

Resumo assim: a vida do humano mais asqueroso vale mais do que a vida do animal doméstico de que mais gostamos. Sempre.

Um resumo tonto, já que ninguém estava a discutir o valor relativo da vida de humanos e de animais. Ninguém estava a pesar as vidas do pequeno Dinis e do cão Zico, até porque matar o Zico não traz o Dinis de volta. O único a fazer essas comparações foi o próprio Daniel Oliveira, e para chegar a uma conclusão insustentável: numa escolha entre, por exemplo, o assassino de Oslo e o Zico, não me parece evidente que o humano asqueroso ganhasse.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Bem grelhados

Ouvi há bocado na RTP a apresentação de uma nova grelha que aposta na informação, na ficção e no humor. Achei-a tão indigente como a anterior. Não vi qualquer referência a teatro, ópera, concertos, cinema. A própria RTP diz que são os mesmos nomes a outras horas.

Se é para isto, podem privatizar, entregar aos mwangolés ou a quem quiserem.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Masoquismo ou fé?

A sério, a sério, o que leva um homem condenado a pagar três milhões de euros por mês à ex-mulher a ter vontade de voltar a casar, mesmo que não fosse com uma rapariga cinquenta anos mais nova e com este currículo?

A verdade é que fidanzata em italiano quer dizer namorada, e não mais do que isso. Tradutori tradittori, é o que é.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Da contrafacção

Notícia da RTP:

Agentes da PSP cercaram esta manhã todo o perímetro da feira do Relógio, em Lisboa
Ines Gomes de Oliveira, Rui Cardoso e Pedro Pessoa
16 Dez, 2012, 20:45 / atualizado em 16 Dez, 2012, 20:45
3 toneladas de material contrafeito foram apreendidos.


Percebo que a contrafacção seja ilegal, e obviamente concordo. Por outro lado, pergunto-me o que há de tão errado nela. Parece-me evidente que os produtos de marca genuínos e as suas cópias se dirigem a dois mercados diferentes que praticamente não se tocam. Quem tem dinheiro para comprar uma carteira Louis Vuitton legítima não compra a cópia, e quem compra a cópia nunca compraria o original porque não tem dinheiro para isso.
A não ser no dia em que eventualmente venha a tê-lo, e nessa altura compra mesmo, porque a cópia só lhe aguçou o apetite.

Ou seja: a indústria das cópias dá trabalho a muita gente, movimenta dinheiro, satisfaz uma procura, é na realidade, como dizem, uma economia paralela, e não tira pedaço à indústria de originais.

O único lesado é o Estado porquanto, sendo ilegal, o mercado das cópias foge aos impostos.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A vida dos Romanos em Sevilha

Sevilha tem património histórico para todos os gostos. Desta vez já comecei a farejar o que resta da antiguidade romana, com uma visita ao Palácio da Condessa de Lebrija, onde se encontram muitos dos mosaicos encontrados nas escavações da vizinha cidade de Italica.


(Sevilha, Outubro 2012)

A própria Italica e o museu arqueológico esperam ainda outra visita, assim como o antiquarium no subsolo da Encarnación, uma praça onde nascem hoje em dia uns cogumelos muito peculiares.


(Sevilha, Outubro 2012)

Na Plaza de S. Francisco, logo atrás da catedral, visitei uma simpática exposição temporária (só lá fica até ao fim de Outubro e segue para Mérida) intitulada Romanorum Vita. É uma apresentação sumária, apelativa e bastante correcta da vida quotidiana dos romanos, que está mais desenvolvida no respectivo site.

A guia, contudo, não deixou de fazer uma daquelas afirmações que resultam sempre bem junto de um público ignorante: tendo informado que os romanos usavam latrinas colectivas, o que é verdade, e que nelas havia canalizações para escoar os resíduos e as águas de lavagem, o que também está certo, contou que ali se encontrava um balde com uma esponja amarrada a um pau e cuja utilidade seria... "Pensem no pior e acertam. Isso mesmo, servia para as pessoas se limparem, porque não havia papel higiénico."





Houvesse ou não papel, é curioso como ninguém pôs em dúvida que os romanos achassem normal limpar o rabiosque à mesma esponja do vizinho. Assim vai a credulidade humana, que não reconhece um piaçaba quando o tem diante dos olhos.

(Ephesus, Setembro 2004)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Em dia de Orçamento de Estado...

... a resposta dos algarvios:

(Patã, Setembro* 2012)


* ele há mouras encantadas com grande poder de previsão...

sábado, 29 de setembro de 2012

Impressões da Alemanha Parte VIII

A Helenatinha falado das Stolpersteine ou pedras no caminho, literalmente pedras de tropeço, as placas de latão que diante das casas recordam as pessoas (principalmente judias, mas não só; ciganas, homossexuais, negras, etc.) que nelas viviam e foram deportadas pelos nazis. Vi-as em Berlim e também em Hamburgo. Toca-me esta maneira de recordar e expiar aquele crime que não se quer repetir nunca mais.



Na St.Johanniskirche, em Hamburgo, encontrei também esta placa:


1933/45 não está assim tão longe, as crianças e adolescentes daquela altura são os reformados de hoje: é uma culpa colectiva recente com que ainda deve ser complicado viver.

(Fotos: Hamburg, Setembro 2012)