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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Tenerife

A última viagem do ano foi uma há muito adiada. As Canárias têm a reputação manchada como destino de turismo de massas, Albufeiras tamanho gigante, plantações de hoteis que são uma das piores invenções dos espanhóis. Mesmo assim, desta vez enchi-me de coragem e aterrei em Tenerife.

Obviamente há esses monstros, desde os mais conhecidos como a Playa de las Americas até outros aparentemente mais remotos:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

Mesmo assim é possível encontrar uma cidadezinha mais discreta com a sua praia artificial

(Alcalá, Novembro 2015)

e até ficar num aparthotel cheio de estilo:

(Alcalá, Novembro 2015)

debruçado sobre a praça onde à segunda-feira se faz o mercado local.

Ainda há pequenas praias civilizadíssimas de areia negra:

(Alcalá, Novembro 2015)

ou piscinas naturais que ao fim de semana são frequentadas também pelos locais, ou tinerfeños:

(Garachico, Novembro 2015)

Uma excursão a fazer, contudo, é a que nos leva a ver baleias:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

e golfinhos:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

e estas falésias conhecidas como Los Gigantes:

(Alcantillado de Los Gigantes, Novembro 2015)

Inspirados por estas, mas deixando a costa, podemos embrenhar-nos por montes escarpados:

(Santiago del Teide, Novembro 2015)

(Santiago del Teide, Novembro 2015)

É preciso alguma coragem para negociar curvas seguidas em cotovelo em estradas em que só a berma nos salva quando cruzamos um autocarro, e podemos chegar ao destino e não conseguir lugar para estacionar quando nos apetecia uma bebida reconfortante.

(Mazca, Novembro 2015)

Mais fácil, afinal, é a visita ao Teide, o vulcão que domina a ilha, com quase quatro mil metros de altura:

(Teide, Novembro 2015)

(Teide, Novembro 2015)

apesar de no teleférico não aceitarem grávidas, cardíacos ou cães ☹

(Teide, Novembro 2015)

Procurem-se então terrenos mais amigos, mais urbanos:

(La Orotava, Novembro 2015)

onde pontifica o dragoeiro milenar

(Icod de los Vinos, Novembro 2015)

e há túneis com vista

(Icod de los Vinos, Novembro 2015)

igrejas antigas

(La Orotava, Novembro 2015)

(La Orotava, Novembro 2015)

e mesmo recintos arqueológicos
(Güimar, Novembro 2015)

com pirâmides construídas pelos guanches, os habitantes pré-hispânicos:

(Güimar, Novembro 2015)

domingo, 27 de setembro de 2015

As ilhas Flegreias - Parte I

A baía de Nápoles é "fechada" por três ilhas habitadas de dimensões razoáveis: Capri, Ischia e Procida. Procida é a mais pequena e a menos conhecida, o que não quer dizer desconhecida - tem servido de cenário para filmes - e as suas casinhas de tons pastel vêem-se melhor depois de trepar pelas ruas estreitas em direcção ao núcleo antigo (Terra Murata) e ao sinistro antigo cárcere.



(Procida, Setembro 2015)

Ischia é a maior das três. O tempo limitado apenas permitiu um passeio a pé pelas ruas bordejadas de árvores e lojas desde o Porto de Ischia até perto do Castelo Aragonês, construção que vem de muito antes da casa de Aragão se ter apropriado da ilha, uma das muitas invasões e conquistas sofridas ao longo da sua história. O regresso foi pelas praias de areia escura, algumas públicas, outras concessionadas aos hoteis, estas em geral aumentadas por força de plataformas de cimento e equipadas com espreguiçadeiras e chapéus de sol. Valerá, penso eu, uma visita mais demorada.


(Ischia, Setembro 2015)

Capri, finalmente, a mais famosa, cobiçada por Augusto, tornada notória por Tibério e mais recentemente pelas celebridades do espectáculo do século XX, é aquela onde todos os dias desembarcam hordas de turistas. Muitos vêm em excursões organizadas, e no porto de Nápoles estava atracado o Allure of the Seas, julgo que nesta data o maior navio de cruzeiros do mundo, transportando bem mais de cinco mil passageiros.
Quanto aos viajantes independentes, perdem logo a vaidade de o serem, diante dos táxis todos ocupados e das filas de pelo menos meia-hora para autocarros e funicular completamente lotados. Chegados à piazzetta, cansados e suados, perdem-se nas ruelas atulhadas de lojas caras e vazias, porque não é o turismo de massas que pode ali consumir, preferindo as pizzerias e geladarias e o falso artesanato ou as garrafinhas de limoncello.


(Capri, Setembro 2015)

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Agosto

Há os que vêm passar férias no Algarve e os que vêm passar férias nas estradas do Algarve.

domingo, 25 de maio de 2014

Barcelona no mercado

Não, não estou a falar do mercado da dívida nem de empresas de rating, mas sim do mercado de La Boquería, a meio da Rambla:


cheio de turistas a apreciarem os produtos muito bem expostos:


Lembro-me que foi dos primeiros mercados deste estilo que visitei, há anos.
Até tem bacalhau, para quem julgar que Portugal é que sabe:

(Barcelona, Março 2014)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Nas montanhas

Quando pensamos em fronteiras políticas artificiais, referimo-nos aos países africanos ou então às pretensões autonómicas dos bascos, catalães ou irlandeses. Às vezes nós, portugueses, falamos de Olivença, sem levar o caso muito a sério, mas dificilmente temos noção de que há outras regiões no centro do continente que vivem ainda anexadas por direito de guerra ao país errado.

Uma dessas regiões fica no Alto Adige ou, como preferem os habitantes, no Südtirol: pertence à Itália mas tem muito mais em comum com a Áustria ou a Suíça, a começar pela língua: se é certo que nos mapas as povoações se chamam Glorenza ou Malles Venosta, quando lá chegamos deparamo-nos com Glurns e Mals am Vinschgau.

(Valle Venosta/Vinschgau, Março 2013)

O ponto mais alto ;-) desta curta visita ao Tirol do Sul foi a subida em tele-ski até às pistas de Plantapatsch, a 2150 metros de altitude:

(Plantapatsch, Março 2013)

Como não pratico ski, não continuei a subida até Watles, a 2555 metros, mas assisti à evacuação por helicóptero de um desportista magoado...

(Plantapatsch-Hütte, Março 2013)

Em baixo, no vale, sem neve, fazem-se caminhadas a pé pelo campo. As cidadezinhas estão meio desertas: visita-se a igreja com o cemitério em redor, cheio de campas de famílias com nomes alemães.

(Burgusio/Burgeis, Março 2013)

Não sei de que vive aquela gente. A época alta de turismo é, ao contrário do que se pode imaginar, o Verão. Mas o que me pergunto é o que fazem as populações na época baixa. Suspeito que lá, como cá, a solução passe por subsídios.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Competitividade

Notícia do Público:

Fábricas do México, Finlândia e Hungria afectadas
Nokia despede 4000 trabalhadores para produzir na Ásia
08.02.2012 - 10:28 Por Lusa
A Nokia, o maior fabricante mundial de telefones móveis, anunciou hoje a intenção de deslocar para a Ásia a montagem dos smartphones (telefones inteligentes) ainda este ano, despedindo 4000 trabalhadores nas fábricas do México, Finlândia e Hungria.
Com esta medida, de acordo com a agência EFE, o gigante finlandês pretende aumentar a sua competitividade (...)

Continuem que vão bem. Quando todas as empresas que puderem passarem a produção para a Ásia, desempregando assim os trabalhadores europeus, quando os europeus não tiverem dinheiro nem para comprar produtos feitos na Ásia, vai vir charters de asiáticos visitar os palácios e as igrejas (e os bonitos túneis e auto-estradas) europeus, tirar fotografias e perguntar, como nós fazemos agora diante das pirâmides de Chichen Itza ou nas cavernas de Altamira, quem seriam e como viveriam os povos extintos que construíram tão extraordinário património.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Elefante em Salzburgo

A trabalheira que me dá escolher hotéis quando viajo está para além do imaginável. E nem sempre vale a pena repetir um hotel onde estive bem antes, porque pode bem acontecer ter-se degradado entretanto, ou simplesmente a filosofia ter mudado. Por isso, se de quando em quando penso em falar dos hotéis do meu contentamento, acabo por desistir.

Hoje refiro aquele em que fiquei em Salzburgo por uma razão particular, e não apenas por ser muito simpático e confortável, estar em plena Altstadt e perto de tudo, ser dog-friendly e ter um restaurante onde se come bem. É que o Hotel Elefant tem uma relação especial com Portugal.

Para além dos diversos elefantes, maiores e menores, espalhados pelas zonas públicas do hotel há, na sala do restaurante, pendurado do tecto, um longo friso de madeira esculpida que conta a história do bicho: trata-se de Salomão, o protagonista do livro A Viagem do Elefante de Saramago e foi naquela sala e olhando para aquele friso que o escritor se inspirou para contar a história.

Eu não tinha ideia, fù puro caso, mas muito engraçado.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Medidas? Quais medidas?

Notícia do Expresso:

Hotéis e restaurantes ameaçam tomar medidas se IVA aumentar para 23%
Os empresários da restauração e hotelaria "vão tomar medidas se o Governo aumentar o IVA no setor para a taxa máxima de 23%, revelou o presidente da associação AHRESP.
17:12 Quinta feira, 22 de setembro de 2011
(...)

Li o texto até ao fim e fiquei sem saber que medidas vão tomar. Não os estou a ver fazer greve, recusar alimentar os clientes, servir em pratos sujos, transformarem-se todos em self-services para poupar nos empregados. Só se for recusar passar recibos, mas isso não só não é legal como não é fácil.
Acordem, senhores da AHRESP: estão fritos, como toda a gente.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Lucca

Certas povoações, de tão bonitas, entregaram-se completamente ao turismo e perderam outros interesses. Quando arrancam os autocarros, as lojas de lembranças e artesanato fecham, os cafés também e, como já não há residentes, as ruas ficam desertas.
Há disso em Portugal como em Itália. Eu gosto das cidades com vida própria, à qual os turistas se acrescentam sem parecerem ser a razão da existência. Parafraseando Pompeu o Grande: as qualidades não estão nos lugares e nas casas, mas nos homens*.

Lucca é um exemplo, que visitei finalmente e pela primeira vez. Conhecia-a sobretudo por nela ter tido lugar, na primavera de 56 a.C, uma famosa reunião entre os homens mais poderosos da época, na qual César, Pompeu e Crasso negociaram apoios e definiram tarefas para os cinco anos seguintes. Da antiguidade clássica não sobra porém muito na Lucca de hoje: a forma e o nome da Piazza dell'Anfiteatro e algumas ruínas na cave da Chiesa di SS. Giovanni e Riparata.



Da cidade medieval há muito mais: as muralhas, a Torre Guinigi com o seu jardim a dezenas de metros de altura (antes que me perguntem: não, não subi), o labirinto das ruas pedonais onde andei de carro perdida e, por outro lado, possivelmente uma das igrejas mais feias de Itália, que no entanto possui um belíssimo quadro de Filippino Lippi.

E muito mais: o Duomo, o Teatro del Giglio, e a partir de ontem, se tudo tiver corrido bem, a casa natal restaurada de Puccini.

(Lucca, Setembro 2011)


*Appianus, As Guerras Civis, II,5.37

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Virgem

(Albufeira, Agosto 2011)

Este é o novo posto de informação turística à chegada àquela a que chamam a capital do turismo do Algarve, e que foi inaugurado em Maio passado pelo presidente da Câmara, como parte da obra de requalificação da entrada da cidade.
Tem estado sempre assim, fechado, mesmo durante o mês de Agosto.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A viagem do elefante

Notícia do Observatório do Algarve:

Saramago: Autarquias de "A Viagem do Elefante" apostadas em fazer uma rota turística
07-07-2011 9:58:00
As autarquias das paragens por onde andou Salomão, o elefante do livro de José Saramago, estão apostadas em fazer do percurso do paquiderme uma rota turística. O primeiro passo será dado hoje pela câmara de Figueira de Castelo Rodrigo.
(...) Lisboa, Fundão, Pinhel, Belmonte, Sabugal e Constância – “já mostraram interesse” em aderir à rota idealizada por aquela autarquia.

Este género de iniciativas parece-me muito interessante, tanto do ponto de vista turístico quanto cultural, e espero que vá por diante. Mas já o ano passado o mesmo jornal online noticiou a criação de uma Rede de Cidades Romanas do Atlântico, da qual nunca mais ouvi falar.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Para começar bem o ano Parte II

Sabe-se que um hotel é verdadeiramente amigo dos animais quando até um gato sem dono lá encontra um bom local para dormir.

(Albufeira, Janeiro 2011)

domingo, 17 de outubro de 2010

Roubalheira à inglesa

Há cerca de um mês um dos maiores operadores turísticos mundiais informou telefonicamente os hoteleiros de Portugal, Espanha e Turquia que iria reter uma percentagem dos pagamentos que se tinha obrigado contratualmente a fazer e que correspondiam a serviços já prestados.

Trocando por miúdos: no inverno passado este operador contratou com os hoteleiros pagar-lhes x por cliente que lhes trouxesse. Os clientes vieram, passaram férias, foram, e na altura de pagar o operador disse, Ah não, agora só vos pago x menos y, porque tive prejuízos quando da erupção do vulcão.

Eu pasmo com estas coisas. Tanto quanto sei, para cortar no salário que me paga o desgoverno deste país tem de ser autorizado pelo parlamento que teoricamente representa os meus interesses. E uma empresa qualquer, ainda por cima estrangeira (não, não se trata de xenofobia), pode decidir cortar nos pagamentos que me deve quando e como lhe apetece? E não acontece nada? Os hoteleiros, ou as suas associações representativas, não fazem uma escandaleira? Não põem os clientes todos na rua? Não sequestram os aviões desse operador? O desgoverno não se intromete? Não há queixas em Bruxelas?

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ceci n'est pas un hotel

É arriscado reservar quarto num hotelzinho simpático onde se gostou de estar meia dúzia de anos antes.
Se há hoteleiros (e eu conheço alguns) que se esforçam por melhorar as suas instalações e os serviços que prestam aos clientes, outros há que se deixam ir no embalo de que a localização lhes garante clientela sem esforço da sua parte.

Alcatifas manchadas, estofos puídos, canos ferrugentos, espelhos partidos não podem de modo nenhum ser compensados pela instalação de televisores de LCDs ou secadores de cabelo. Recepcionistas simpáticos não suprem a ausência de livro de reclamações. Ar condicionado não consegue vencer o cheiro a tabaco entranhado. Para nem falar da falta de detectores de incêndio nos quartos de um prédio antigo. Ainda assim, segundo me disseram, procuram uma reclassificação de quatro estrelas!

Mudaram-me na manhã seguinte para outro quarto menos catastrófico, mas alugaram imediatamente o 404 a um otário americano, que se calhar julga que a velha Europa é mesmo assim.

(Hotel Tonic Paris Louvre, Paris, Agosto 2010)

Booking a room in a quaint little hotel you enjoyed half a dozen years earlier is a risk. If some hotel owners (and I know a couple) strive to improve their facilities and service, there are others who are lulled by the notion that location will always bring them customers even without an effort of their part.

Stained carpeting, badly worn upholstery, rusty pipes, broken mirrors cannot be balanced by the provision of LCD television sets or hairdriers. Nice receptionists do not make up for the absence of a complaints book. Air conditioning cannot beat the stench of tobacco smoke. Not to mention the lack of fire detectors in the rooms of an old building. Yet, I was told, they have requested a four-star grading!

In the morning I was moved to another, less catastrophic room, but 404 was immediately rented to an American sucker* who probably believes this is what old Europe is about.

(Hotel Tonic Paris Louvre, Paris, Agosto 2010)



*For the record, I don't think all Americans are suckers. This guy was an American and a sucker, that's all.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Praias em Paris

Notícia do Telegraph:

Home > Travel > Picture galleries
Paris-Plages: artificial beaches on the bank of the River Seine
Temporary artificial beaches have opened along the river Seine in the centre of Paris. The scheme started a single beach in 2002 and has now expanded to three separate beaches

Uma ideia fantástica: areia, chapéus-de-sol e espreguiçadeiras nos cais do Sena. Infelizmente não me parece muito recomendável (nem é permitido) juntar uns mergulhos no rio... Mas as fotos são uma graça, mesmo para quem, como nós, vive todo o ano perto do mar.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Voar ou não voar

Notícia do Corriere della Sera:

Secondo una ricerca i vulcani islandesi sono in un ciclo che potrebbe durare decenni
Volare ai tempi della nube
Motori protetti e radar ottici

Nuovi blocchi nel Nord Europa, le compagnie si attrezzano per far fronte all'emergenza continua
(...) il problema ceneri vulcaniche comincia per fortuna ad essere considerato seriamente. Alla fine di aprile i rappresentanti dei costruttori aeronautici Airbus, Boeing, Bombardier, Dassault, Embraer, dei fabbricanti di motori General Electric, Rolls Royce, Pratt & Whitney e Safran, delle autorità aeree americane ed europee e delle compagnie si sono riuniti definendo le prime soglie di rischio (...)
Si tratta, ovviamente, di soglie provvisorie in attesa che le ricerche ora avviate un po’ dovunque stabiliscano come intervenire sui motori per renderli invulnerabili alla minaccia.(...)
Giovanni Caprara
17 maggio 2010


Não sei o que é necessário fazer para tornar os motores invulneráveis à cinza vulcânica (filtros de partículas não chegam?) mas por favor despachem-se. Além de o turismo estar pelas ruas da amargura - eu própria acho que nos próximos tempos só viajarei para lugares de onde possa voltar de comboio - tenho um doente holandês para repatriar e não consigo que voe, o que além de inconveniente me parece aberrante.

terça-feira, 23 de março de 2010

Viajar por procuração

Gosta de viajar e não pode? Não tem tempo nem dinheiro?
Mande o seu ursinho de peluche em seu lugar: sai mais barato e também traz fotografias.

(Há gente que se lembra de cada coisa)

quinta-feira, 11 de março de 2010

As chuvas de Fevereiro

Por cá houve escândalo porque Alberto João Jardim quis manter as inundações na Madeira sem aparato mediático para não prejudicar o turismo, mas a verdade é que pouco antes tinha passado despercebida situação semelhante (menos as vítimas humanas) nas Canárias, talvez pela mesma razão.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A Madeira e as flores

Notícia do Diário de Notícias:

"Há mortos a enterrar e já se fala em festas"
Hoje
Familiares de vítimas da catástrofe que se abateu sobre a Madeira não perdoam a Alberto João Jardim o facto de este já estar preocupado em assegurar o calendário festivo da ilha - a realização da Festa da Flor já foi garantida pelo governante - quando os cadáveres ainda nem foram sepultados.
(...)
[A Festa da Flor] irá realizar-se nas datas previstas; ou seja; de 15 a 18 de Abril. Jardim fez mesmo um apelo aos turistas para continuarem a ir à Madeira porque esta é a melhor forma de ajudar a região a recuperar da tragédia.
(...)


Há quem esteja indignado, e é natural, mas a o homem tem razão: é do turismo que a ilha vive, e não se programam estas coisas em cima da hora: turistas e operadores têm de saber que daqui a dois meses, quando já só os despojados e as famílias dos mortos se lembrarem da catástrofe, terão as férias asseguradas.

Se não, vão para outro lado qualquer, não duvidem, e quem perde é a Madeira.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Hoje sinto-me catastrófica

As teorias de conspiração revelam o medo que quem se sente mal informado tem de estar a ser manipulado. Muitas vezes sinto-me assim mesmo, e só o medo (maior?) de ser paranóica, uma entidade clínica muito real, me defende de acreditar em estratégias maléficas do Clube Bilderberg, da Opus Dei, da Maçonaria e outros Illuminati.

Neste momento, depois de ler os títulos de jornais portugueses e estrangeiros, pergunto-me: a quem aproveita a estupidificação dos povos? Será que os donos do dinheiro e do poder pensam conseguir manter o seu nível de vida obrigando o resto da população a passar por uma catástrofe económica e social acompanhada pela desinformação total?

Isto é só um desabafo. Mas parece-me aceitável depois de ler que Sarah Palin vai ser comentadora num canal de televisão que segundo ela tanto valoriza a notícia imparcial e equilibrada, depois de ler que o Banco de Portugal prevê a retoma em Portugal a par de mais umas dezenas de milhar de desempregados e depois de ouvir já não sei em que canal de televisão o sinistro das Finanças dizer que vai controlar o défice, quando devia ser evidente que não há retoma para ninguém e que o desgoverno não tem dinheiro para mandar cantar um cego nem margem de manobra, depois de ler em quase todos os jornais que um terramoto de grau 7 escaqueirou o Haiti, um país desgraçado cheio de pretos sidosos e com um regime político deplorável, aonde vários países se preparam para entrar em força com humanitárias ajudas, desde os Estados Unidos e o Canadá à Venezuela, Venezuela esta que vai ela própria racionar energia! enquanto ali ao lado, na metade oriental da ilha, esse paraíso do turismo de massas no inverno que é a República Dominicana terá saído incólume, apesar de o sismo ter sido sentido em Cuba, outro país de pretos desgraçados com um regime político deplorável.

(Honra seja feita a El País, que terá sido o único a fugir ao molde e mencionar que a República Dominicana também terá sofrido alguma coisinha)

E mais: também li que este frio que enregela a Europa (e se calhar não só) pode ser uma pausa naquele aquecimento global desenfreado que nos vai levar ao cataclismo se continuarmos a viver como temos vivido. Isto só não me faz rir porque escondido no Telegraph vem este artigo sobre a economia do Japão e o ilusionismo em que nos mantemos, e quando a bolha estourar quem não quis ver verá, e nunca mais vamos realmente viver como temos vivido.

Medina Carreira, profeta da desgraça? You ain't seen nothing yet. O que me chateia, realmente, é que eu vejo mas não há sítio para onde fugir. Vou-me foder tanto quanto os outros, e é provavelmente a primeira vez que escrevo um palavrão assim neste blog.