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domingo, 10 de janeiro de 2010

Cidades Romanas em rede

Notícia do Observatório do Algarve:

Ruínas de Milreu são património a valorizar
Faro convidada para Rede das Cidades Romanas do Atlântico
10-01-2010 7:58:00
Faro é uma das cidades que poderá integrar a Rede de Cidades Romanas do Atlântico a constituír no próximo dia 21, em Madrid, Espanha, e que abarcará parceiros de vários países.
A Rede de Cidades Romanas do Atlântico da qual os municípios portugueses de Coimbra e Lisboa são fundadores permitirá começar a dar a conhecer o mundo romano a partir de uma perspectiva muito inovadora (...)
A criação de uma imagem corporativa para promoção turística conjunta a partir da perspectiva da sua identidade romana, a colaboração e o intercâmbio de acções entre os gestores do património romano das cidades, o fomento da investigação histórica entre as cidades participantes e a realização de conferências, exposições, congressos e cursos são algumas das acções previstas.
(...)


Parece-me um projecto interessante.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Para o viajante cinéfilo

Passeando pela blogosfera, dei de caras com este link no blog O Homem que sabia demasiado para uma espécie de guia turístico especial que sugere visitas aos lugares onde foram filmados os nossos filmes preferidos.

Chama-se The Worldwide Guide to Movie Locations e parece interessante.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Às voltas no quarto

Há gajos muito malucos. Já não bastava o hotel de gelo, agora em França existe* um hotel para quem gosta de viver como um hamster.
Com roda para exercício e tudo.


* via Telegraph

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Voar de pé

Notícia do Telegraph:

Ryanair to make passengers stand
Ryanair is considering proposals to make some of its customers stand during flights.
By Ben Leach
Published: 7:00AM BST 06 Jul 2009

The low-cost airline would charge passengers less on "bar stools" with seat belts around their waists.
Michael O'Leary, the chief executive, has already held talks with US plane manufacturer Boeing about designing an aircraft with standing room.
(...)
It is not the first time Ryanair has come up with a controversial proposal for cutting costs.
(...)


Pergunto-me qual o objectivo deste género de notícias. Atirar verdes para colher maduras, como se diz na minha terra, ou seja, sondar o pessoal para saber se alinhamos nestas parvoíces?
Ou isto é mesmo para levar a sério?
As viagens de avião, em companhias low-cost ou nas outras, já não são suficientemente desconfortáveis, os aeroportos já não são uma seca, os rituais de segurança já não são fonte de ansiedade e humilhação que chegue? Ainda nos propõem pagar para fazer xixi, pagar por sermos gordos ou altos, e voar de pé?

Tenham dó! Quando eu era criança viajar era divertido. Agora, até chegar ao destino é tudo uma tortura.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A eles! A eles!

Notícia d'El País:

La inseguridad en las rutas marítimas
Un crucero italiano repele a tiros un ataque de piratas somalíes
Guardias de seguridad impiden el asalto con armas y mangueras - Un buque español escolta al barco, que navega con 1.500 ocupantes
MIGUEL MORA - Roma - 27/04/2009
Tras el abordaje de cargueros, yates, petroleros y pesqueros, los piratas que siembran el pánico en las aguas del Índico y el Cuerno de África dieron el sábado un salto cualitativo al intentar abordar un crucero italiano en el que viajan 1.527 personas, 991 de ellas pasajeros y 536 tripulantes. El asalto sucedió a las 21.35, hora española, 170 millas al norte de las islas Seychelles y a 600 millas de las costas de Somalia. Seis hombres armados con fusiles Kaláshnikov acostaron su lancha zodiac al crucero de lujo italiano Melody, una embarcación de la empresa MSC, y trataron de subir a cubierta mientras disparaban contra el barco.
El capitán del Melody, Ciro Pinto,(...) ordenó repeler el ataque, hizo rolar el barco (dar vueltas en redondo) y mandó apagar las luces.
(...) El capitán repartió pistolas entre los guardias de seguridad. "Comenzamos a disparar, vieron que estábamos disparando, incluso les rociamos con mangueras, entonces lo dejaron y se fueron"(...)

Se os navios militares na área não chegam para as encomendas (horas después del ataque al Melody, grupos de piratas lanzaron una gran ofensiva en el Golfo de Adén. Los atacantes lograron tomar el control de cuatro barcos), talvez seja tempo de os civis andarem armados.

Por muitas razões de queixa que os Somalis tenham dos países ocidentais (que lhes lançam lixo no mar, que lhes roubam a pesca...) o que ali se está a passar não é aceitável, até porque não há sequer reclamações políticas (caso em que se trataria de terrorismo, o que também não é aceitável) mas apenas monetárias.

Vamos lá acabar com isso. E dar uma medalha ao capitão Pinto.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Construindo o Allgarve

Disseram: vamos construir um hotel de cinco estrelas e cinquenta moradias.
Disseram: o hotel vai ser explorado pela Crowne Plaza.

Pensei: um cinco estrelas nesta encosta... moradias espalhadas pelos jardins... Pode ser um projecto interessante.

O hotel foi crescendo. As casas do outro lado da rua ficaram sem vista para o mar. As cinquenta moradias transformara-se aí numas duzentas, que já não são moradias mas um prédio enorme. Não há espaço nem para plantar um manjerico.

É assim a construção no Algarve:


(Cerro da Piedade, Albufeira, Outubro 2008)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Os "agostinhos" Parte II

O João Quaresma teve a gentileza de responder ao meu post com outro, e eu vou continuar aqui a conversa.

Ele acha que para quem passa o ano rodeado de betão, saberia bem chegar a uma costa que estivesse preservada e eu discordo: saberia bem a ele, a mim e outras pessoas como nós, mas eu ainda não me esqueci de, há muitos anos, ter descoberto uma espécie de parque de campismo espontâneo sobre a praia de Carcavelos onde os campistas tinham arrumado as suas tendas e caravanas em ruas a que tinham dado nomes e tudo!
O povo gosta de viver em tribo. É natural, não tem mal nenhum, mas isso hoje traduz-se no transporte do peso urbano habitual para onde quer que se instale o dito povo. Ou seja: se vive todo o ano no Cacém, ou na Amadora, em Agosto vai para Armação de Pêra ou para Quarteira. De pombal para pombal, é igual.

Os portugueses que passam férias em Espanha, no Brasil, Caraíbas e Cabo Verde não vão lá pelas paisagens preservadas: vão porque os outros vão, ficam nos mesmos resorts, bebem as mesmas bebidas e pagam barato. Porquê? Porque nesses países o trabalho é barato - e em relação à Espanha, cujos salários são europeus, fica aqui ao lado, poupa-se o avião, e lá os preços também estão esmagados pelo excesso de oferta - veja-se o que se passa em Maiorca ou nas Canárias.


Playa del Inglés, Gran Canaria, foto hotels4u

A propósito de preços o João está um bocadinho desactualizado (aliás muito do que ele diz, não sendo hoje correcto, já o foi): comprar uma semana de férias no Algarve é tão barato em Lisboa como em Londres, basta fazê-lo pela Internet, que não descrimina a origem do comprador.

Outro aspecto em que também está desactualizado é quando diz que muito frequentemente o português é mal-vindo e tratado como turista de 2ª ou 3ª, e precisamente porque está certo quando diz que quem dá mais dinheiro são os portugueses. Em grande parte dos casos isto é verdade: longe vão os tempos em que os turistas ingleses traziam dinheiro, e os hoteis e restaurantes desabafam que hoje nem uma água bebem às refeições, enquanto os portugueses comem e bebem sem contar os cêntimos. Dito isto, é sempre melhor, no Algarve como no Estoril, "auditar" a conta antes de a pagar...

E subscrevo integralmente a conclusão do João, que transcrevo com a devida vénia: Não se pense que eu não gosto do Algarve ou dos algarvios: gosto e muito. E por isso tenho imensa pena pelo muito que tem sido estragado. Se tivesse havido bom senso e bom gosto, seria a Califórnia da Europa, com 1/10 dos turistas e o dobro do rendimento.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Os "agostinhos"

Caem no Algarve no mês de Agosto; na realidade julgam que o Algarve só existe no mês de Agosto. Enchem supermercados e restaurantes e protestam contra as multidões; nos dias em que chove engarrafam a EN125 a caminho dos centros comerciais, e nos dias de sol estendem-se na areia e só saem da praia com queimaduras do segundo grau. Acham a água fria mas dizem aos amigos que ficaram em casa que está óptima. Ferem as pernas ao saltar para as piscinas e as mãos a fazer arranjos caseiros; queimam-se nos churrascos e engasgam-se com as espinhas do peixe fresco. Acham os hoteis caros e os apartamentos bolorentos. Estranham os letreiros e as ementas em inglês porque não entendem que no resto do ano quem mantém a engrenagem são os turistas estrangeiros.

Não sabem como era a praia da Rocha quando havia a rocha e a Fortaleza vigiava a entrada do Arade, nem como era o centro de Albufeira ou o mercado do peixe; não se lembram das fábricas de conservas nem das carroças que faziam o caminho até às praias. A electricidade e a água já não faltam dia sim, dia sim, e não perdem o dia inteiro à espera de um telefonema para Lisboa. Vêm à procura de sol e encontram-no. Não lhes interessa nada que para eles se tenham construído toneladas de betão e descaracterizado uma província, porque nem lhes passa pela cabeça como era ou podia ser de outra maneira.

E a culpa não é deles: é dos espanhóis que, não tendo Albufeira nem a Meia-Praia nem Tavira, plantaram Torremolinos e Benidorm onde não havia nada, e convenceram o resto do mundo de que assim é que se fazia turismo.

Lixaram-nos bem lixados.


(madrugada em Albufeira, Agosto 2008)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Alma de viajante

Numa conversa este fim de semana fizeram-me notar que muita gente viaja porque os outros viajam, e não por ter alma de viajante.

Faz todo o sentido. O turismo de massas é uma indústria voraz, que serve uma série de sub-empreitadas, desde a construção civil às petrolíferas e aos governos que, sem melhores ideias para o desenvolvimento, apostam em atrair visitantes com a mesma fórmula: sol, mar, gajas boas e saladas de frutas.

(Até o
Uzbequistão tem mar! Quanto a gajas boas, suspeito que depende da fominha)

Rebanhos de turistas passam por aeroportos cuja ineficiência é disfarçada por regras anti-terrorismo, acomodam-se em lugares cada vez mais exíguos de aviões cada vez maiores e são transportados para all-inclusive resorts com quinhentos quartos, três restaurantes, duas piscinas, court de ténis, cabeleireiro e ar condicionado, dos quais não saem durante duas semanas.
Pergunte-se a alguém regressado dumas férias destas se gostou, e dissertará sobre a qualidade dos buffets (superior ou inferior aos do resort do ano anterior) e da animação à beira da piscina, e dirá certamente que o tempo estava fantástico.
Não se perceberá é se esteve na República Dominicana ou na Tailândia.

Nem interessa nada. Esta gente viaja porque os outros viajam, faz filhos porque os outros fazem, troca de carro porque os outros trocam. Por isso exigem os mesmos pequenos-almoços e os mesmos canais de televisão onde quer que estejam.

E sempre a preços de saldo.


ClubHotel Riu Guaraná, a abrir em Agosto de 2008
na pequena praia de Olhos d'Água, Albufeira.
Foto RIU

domingo, 30 de dezembro de 2007

Onde está o Sr. Sousa?

Notícia do Público:

Devido à instabilidade naquele país
Governo aconselha portugueses a evitarem viajar para o Quénia

30.12.2007 - 09h16 Lusa
A Secretaria de Estado das Comunidades aconselhou os portugueses que pretendam deslocar-se ao Quénia nos próximos dias a não o fazer como medida de precaução devido à situação de instabilidade que se vive no país.

Os turistas portugueses que neste momento se encontram no Quénia devem contactar, em caso de necessidade, o gabinete de emergência do Ministério dos Negócios Estrangeiros através do telefone 707 202 000.


Segundo o blog
Claro, afinal, o PM não foi de férias. O Sol, no entanto, diz que se encontra em mini-férias.

Whatever. A propósito, terá o Sr. Sousa declarado às Finanças o presente no valor de 4000 € que recebeu dos membros do seu desgoverno?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

A tentação do Ipiranga

Notícia do Euronews:

Sérvia
27/12 09:53 CET

Belgrado ameaça renunciar à UE se for reconhecida a independência do Kosovo

O parlamento sérvio aprovou por esmagadora maioria uma resolução que poderá conduzir Belgrado a renunciar à integração europeia se os ocidentais reconhecerem a independência do Kosovo (...)
O processo acelerou depois dos albaneses do Kosovo, apoiados por Washington e pelos principais países europeus, indicaram que proclamarão no início do próximo ano a independência (...)


Gostava que alguém me explicasse como planeia o Kosovo gozar a sua independência. Gostava de perceber de que vivem estes novos estados, quando parece tão difícil manter a independência mesmo de estados velhos, nesta era de economia global, de mercados emergentes e fuga de investimento para Oriente

Diga-me alguém, se souber, que espécie de independência será a do futuro estado palestiniano, no qual os países cristãos acabam de injectar sete mil milhões de euros (ou talvez dólares), do Kosovo, da Tchechnia, do País Basco, ou da Madeira.

O turismo parece ser hoje considerado a panaceia universal. Esquecem-se de que os turistas têm falta de dinheiro e gastam o mínimo possível, e que mesmo descendo em hordas numa região qualquer só comem sanduíches e pizzas e compram "artesanato" feito na China se não custar mais de três euros.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Tarados da animação


Empresa pode ligar Faro a Viena já no próximo Verão
Low cost promove "amor a bordo"

09-10-2007 15:54:00
A SkyEurope, que pode vir a voar a partir de Faro, quer transportar 50 mil passageiros durante o primeiro ano de operação em Portugal. Empresa tem pacote inovador, chamado “speed dating”.
(...)
"Temos 25 mulheres descomprometidas e 25 homens descomprometidos a bordo do avião e, de dois em dois minutos*, os passageiros trocam de parceiros, de modo a que toda a gente fale com toda a gente", explicou o director comercial da SkyEurope
(...)
A bordo dos aviões da SkyEurope, os passageiros podem ainda assistir a um desfile de moda, fazer provas de vinhos, ou saborear um café expresso.
(...)

Isto faz-me lembrar** aqueles hoteis e navios de cruzeiro com tudo incluído e animação a toda a hora.
Yuk!

* dois minutos?
** no mínimo!

domingo, 23 de setembro de 2007

Marketing para uso interno


“Algarve é uma referência para outros países”
23-09-2007 8:37:00

O Algarve é visto por outros países, que pretendem apostar no sector do turismo, como "um exemplo a seguir", diz o presidente da AEHTA.
“O Algarve (...) é identificado em todo o mundo como um destino de qualidade”, refere Elidérico Viegas ao Observatório do Algarve.

Confesso que ficaria mais feliz se fossem "outros países" a dizê-lo.

Infelizmente parece claro, ao simplesmente olhar para os turistas que se encontram nas praias e nos centros destruídos de Quarteira, Albufeira ou Armação de Pêra, que o Algarve não é um destino de qualidade. Lagos vai pelo mesmo caminho de massificação, e os projectos para o sotavento não são de molde a tranquilizar ninguém.

O Algarve pode ser relativamente seguro - não costumam, de facto, rebentar bombas como nos países islâmicos - mas os turistas já sofrem roubos com alguma frequência e não recebem, em regra, resposta satisfatória, e nisso já o Algarve se assemelha à Itália ou à Espanha.

No entanto, nem só de segurança vive o turismo, e ainda não entrou na cabeça dos "responsáveis" que construir mais hotéis não é a solução se não se puder oferecer mais nada fora deles. Hoje em dia o povo salta de resort em resort e compara buffets e piscinas, e é-lhe indiferente estar no Algarve, na Tunísia ou na República Dominicana. O Algarve, aliás, sofre em comparação porque a água do mar é mais fria.

Os turistas mais criteriosos, contudo, pedem mais: pedem pirâmides, templos, palácios, história, paisagem. O Algarve, que tem Milreu, que tem Estoi, que tem a igreja de S. Lourenço, que tem Silves, que tem Monchique, que tem a barragem de Santa Clara, apenas vende areais e cerveja.

domingo, 15 de julho de 2007

Allgarve

Notícia do Observatório do Algarve:

Algarve deve atrair turistas classe alta e não de massas
15-07-2007 11:57:00
Os turistas que interessa atrair para o Algarve são de classe alta, para permitir mais rentabilidade, e não turismo de massas, defendeu o ministro Manuel Pinho em Faro, no lançamento do Allgarve.
(...) "Portugal é um país de reduzida dimensão e que está longe dos grandes centros da Europa", disse o ministro, explicando que "são turistas mais exigentes que trazem mais dinheiro para o país, e que permitem mais rentabilidade aos hotéis".
(...)
Manuel Pinho está empenhado em passar uma imagem do Algarve para o exterior que vá além do mar e sol. "Mar, sol golfe, cultura, congressos. É essa imagem transversal que se pretende passar", disse(...).
(...)
O ministro revelou-se satisfeito com o conjunto de eventos culturais que o Algarve está a oferecer esta época e mostrou-se surpreendido por o espectáculo de ópera "Carmina Burana" já estar ter esgotado.
"Durante três dias os bilhetes estão esgotados, o que é surpreendente. No início do Verão as pessoas vêm para a praia e durante três dias esgotam um espectáculo exigente como é este", notou Manuel Pinho.
O ministro da Economia deu garantias de que o objectivo da campanha promocional 'Allgarve' era "estender de ano para ano a época em que se realiza este evento para reduzir a sazonalidade".
Convicto de que a Economia tem de ser olhada de forma transversal, Manuel Pinho disse que "a cultura é uma forma de atrair portugueses e estrangeiros para o Algarve e para outras zonas do país".

Parece-vos bem? Também a mim. Porém, sendo Portugal "um país de reduzida dimensão e que está longe dos grandes centros da Europa" e tendo o Algarve uma imagem fraquíssima, atraindo hoje em dia quase só ingleses de classe baixa em busca de sol e cerveja a preços reduzidos, reverter esta situação não será fácil a não ser que nos empenhemos numa real mudança de estratégia que implique cuidado com o património, controle do crescimento urbano, criação e manutenção de eventos culturais, e muitos milhões de euros para marketing lá fora.
Isto não é compatível com aquilo que se vê: que o Centro Cultural de Belém deixou de ter capacidade para manter a Festa da Música, que o Teatro Municipal de Faro tem um auditório pindérico e desconfortável, que nos terrenos verdes de Vilamoura se semeiam gruas, que se transformou a Praia de Rocha naquilo que hoje é, sem rocha sequer, com uma Fortaleza sem sentido porque deixou de estar sobranceira à foz do rio, que os centros históricos estão reduzidos à mínima expressão e cercados por prédios de quinze andares semi-vazios.

Mas há mais: a mesma notícia, no
Sol, acrescenta uns dados:

Manuel Pinho
Turismo em Portugal vive «o melhor momento de sempre»
(...) Para sublinhar essa aposta na qualidade, ministro da Economia e secretário de Estado do Turismo apresentaram um filme sobre oito grandes investimentos turísticos, sete deles de cinco estrelas, cuja conclusão está prevista para os próximos dois anos.
Estes projectos estão em fase de implementação, totalizando 1.400 milhões de euros com a capacidade para gerar cerca de 6 mil postos de trabalho.
Os empreendimentos permitirão ao Algarve duplicar a sua oferta de cinco estrelas até 2010, dando cobertura a uma das grandes apostas de oferta turística na região, que é o golfe, que tem actualmente 34 campos a serem explorados, cinco em construção e 39 projectos para novos campos.

Ficamos esclarecidos. Afinal o caminho é o mesmo: o do betão, e o sinistro da Economia não fazia mais do que repetir lugares-comuns.
Há um ditado portugês que diz que "água mole em pedra dura tanto dá até que fura". Mas há coisas mais duras que a pedra: as cabeças que tomam decisões neste país.
Arre!