Mostrar mensagens com a etiqueta viagens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta viagens. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O vírus histórico

Toby as a victim of the historical virus could not look at the town without seeing it historically, so to speak - layer after layer of history laid up in slices, embodied in its architecture.

Lawrence Durrell, Monsieur, or the Prince of Darkness, pg 49

É assim que eu me sinto nos lugares onde César andou.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Tenerife

A última viagem do ano foi uma há muito adiada. As Canárias têm a reputação manchada como destino de turismo de massas, Albufeiras tamanho gigante, plantações de hoteis que são uma das piores invenções dos espanhóis. Mesmo assim, desta vez enchi-me de coragem e aterrei em Tenerife.

Obviamente há esses monstros, desde os mais conhecidos como a Playa de las Americas até outros aparentemente mais remotos:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

Mesmo assim é possível encontrar uma cidadezinha mais discreta com a sua praia artificial

(Alcalá, Novembro 2015)

e até ficar num aparthotel cheio de estilo:

(Alcalá, Novembro 2015)

debruçado sobre a praça onde à segunda-feira se faz o mercado local.

Ainda há pequenas praias civilizadíssimas de areia negra:

(Alcalá, Novembro 2015)

ou piscinas naturais que ao fim de semana são frequentadas também pelos locais, ou tinerfeños:

(Garachico, Novembro 2015)

Uma excursão a fazer, contudo, é a que nos leva a ver baleias:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

e golfinhos:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

e estas falésias conhecidas como Los Gigantes:

(Alcantillado de Los Gigantes, Novembro 2015)

Inspirados por estas, mas deixando a costa, podemos embrenhar-nos por montes escarpados:

(Santiago del Teide, Novembro 2015)

(Santiago del Teide, Novembro 2015)

É preciso alguma coragem para negociar curvas seguidas em cotovelo em estradas em que só a berma nos salva quando cruzamos um autocarro, e podemos chegar ao destino e não conseguir lugar para estacionar quando nos apetecia uma bebida reconfortante.

(Mazca, Novembro 2015)

Mais fácil, afinal, é a visita ao Teide, o vulcão que domina a ilha, com quase quatro mil metros de altura:

(Teide, Novembro 2015)

(Teide, Novembro 2015)

apesar de no teleférico não aceitarem grávidas, cardíacos ou cães ☹

(Teide, Novembro 2015)

Procurem-se então terrenos mais amigos, mais urbanos:

(La Orotava, Novembro 2015)

onde pontifica o dragoeiro milenar

(Icod de los Vinos, Novembro 2015)

e há túneis com vista

(Icod de los Vinos, Novembro 2015)

igrejas antigas

(La Orotava, Novembro 2015)

(La Orotava, Novembro 2015)

e mesmo recintos arqueológicos
(Güimar, Novembro 2015)

com pirâmides construídas pelos guanches, os habitantes pré-hispânicos:

(Güimar, Novembro 2015)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Tosca em Pompeios

Até este Verão desconhecia a existência de um festival de música em Pompeios, e ainda que não fosse Orange, Taormina ou Verona, entusiasmou-me a ideia de assistir a uma ópera num teatro romano antigo.

Esteve uma noite fantástica, mas o espectáculo não foi extraordinário, e a famosa acústica romana decepcionou-me: talvez porque o teatro já tem muitos restauros em betão, ou porque os meus ouvidos estão habituados à tecnologia dos nossos dias, o som da orquestra não chegava limpo.

Entre os cantores, cujos nomes só foram apresentados no início da récita, havia um já meu conhecido, o tenor Giancarlo Monsalve, que cantou o Don Carlo no S. Carlos há uns anos. Felizmente desta vez não estava constipado, mas ainda assim não foi um Cavaradossi estelar.
A Tosca foi interpretada por Maria Carfora, melhor cantora que actriz, e Scarpia por Carlo Guelfi, que também já cantou em Lisboa, e de que gostei bastante, tanto vocal como cenicamente.

Aqui deixo um bocadinho para amostra.

Memórias de Nápoles

Enquanto chove recordo alguns momentos das férias napolitanas:

a siesta do operário da construção civil

(Procida, Setembro 2015)

O smog sobre a baía

(Vesuvio, Setembro 2015)

A costiera sorrentina à qual se acede por túneis e estradas feíssimas, que ao fim-de-semana engarrafam totalmente.


As casas impossíveis de uma encantadora aldeia em socalcos hoje totalmente comercializada

(Positano, Setembro 2015)

O fogo de artifício todas as noites

(Napoli, Setembro 2015)

O parque arqueológico submerso de Baia, cuja visita falhou por "falta de visibilidade"

(Bacoli, Setembro 2015)

O pequeno, quase desconhecido Museo dei Campi Flegrei

(Miseno, Setembro 2015)

de onde se avista esta praia, onde infelizmente não aceitam cães

(Miseno, Setembro 2015)

A Tosca no Teatro Grande de Pompeios

(Pompei, Setembro 2015)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Villa San Michele (As Ilhas Flegreias - Parte II)

Na minha visita anterior a Capri fugi das multidões alugando um barco e dando a volta à ilha.

Desta vez apanhei o autocarro para Anacapri e fui revisitar a Villa San Michele. Para quem não sabe: o primeiro volume da velha Colecção Dois Mundos da editora Livros do Brasil chama-se O Livro de San Michele e foi escrito pelo médico sueco Axel Munthe que viveu entre 1857 e 1949. Formou-se muito jovem e foi trabalhar em Paris, onde se tornou médico da moda entre a comunidade expatriada mas também médico dos pobres e desventurados. Apaixonado por Itália, pela luz, pelas coisas belas e pelos animais, construiu em Anacapri uma casa onde passou muito tempo, embora tivesse acabado por morrer na Suécia. Li e reli O Livro de San Michele e a Villa é para mim uma espécie de santuário.




Adoro esta alameda:


que vai ter a um miradouro donde esta esfinge contempla a paisagem:


A esfinge tem uma história misteriosa que Munthe não desvenda. O panorama que ela contempla é este:


Na Villa há uma sala para concertos a que eu gostaria de assistir:


e um simpático restaurante afastado da confusão:



(Anacapri, Setembro 2015)

Para quem quiser saber mais sobre o Dr. Munthe e a Villa San Michele, aqui fica este link.

domingo, 27 de setembro de 2015

As ilhas Flegreias - Parte I

A baía de Nápoles é "fechada" por três ilhas habitadas de dimensões razoáveis: Capri, Ischia e Procida. Procida é a mais pequena e a menos conhecida, o que não quer dizer desconhecida - tem servido de cenário para filmes - e as suas casinhas de tons pastel vêem-se melhor depois de trepar pelas ruas estreitas em direcção ao núcleo antigo (Terra Murata) e ao sinistro antigo cárcere.



(Procida, Setembro 2015)

Ischia é a maior das três. O tempo limitado apenas permitiu um passeio a pé pelas ruas bordejadas de árvores e lojas desde o Porto de Ischia até perto do Castelo Aragonês, construção que vem de muito antes da casa de Aragão se ter apropriado da ilha, uma das muitas invasões e conquistas sofridas ao longo da sua história. O regresso foi pelas praias de areia escura, algumas públicas, outras concessionadas aos hoteis, estas em geral aumentadas por força de plataformas de cimento e equipadas com espreguiçadeiras e chapéus de sol. Valerá, penso eu, uma visita mais demorada.


(Ischia, Setembro 2015)

Capri, finalmente, a mais famosa, cobiçada por Augusto, tornada notória por Tibério e mais recentemente pelas celebridades do espectáculo do século XX, é aquela onde todos os dias desembarcam hordas de turistas. Muitos vêm em excursões organizadas, e no porto de Nápoles estava atracado o Allure of the Seas, julgo que nesta data o maior navio de cruzeiros do mundo, transportando bem mais de cinco mil passageiros.
Quanto aos viajantes independentes, perdem logo a vaidade de o serem, diante dos táxis todos ocupados e das filas de pelo menos meia-hora para autocarros e funicular completamente lotados. Chegados à piazzetta, cansados e suados, perdem-se nas ruelas atulhadas de lojas caras e vazias, porque não é o turismo de massas que pode ali consumir, preferindo as pizzerias e geladarias e o falso artesanato ou as garrafinhas de limoncello.


(Capri, Setembro 2015)

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Arte antiga em Nápoles

Eu que adoro passear nos centros históricos das cidades, em Nápoles só me apeteceu sair dali o mais depressa possível. É feio, sujo e escuro. Mas tem o Museo Archeologico Nazionale (MANN), imperdível para quem quer ver ao vivo as estátuas, os frescos, os mosaicos, os objectos de uso comum retirados das escavações das cidades antigas circumvesuvianas, ainda que frequentemente haja muitas peças fora, a fazer uma ou outra exposição temporária: nesta altura, quase a deixar o ROM em Toronto, Pompei in the shadow of the volcano.

Estive no MANN há muitos anos, e só me lembro de que a sala onde se encontrava o retrato de César estava fechada. Protestei e expliquei que viera de Portugal especialmente para ver esse retrato, e consegui que me deixassem entrar. Desta vez não houve problema, vi-o e fotografei-o à vontade.


Há muito mais para ver, claro. O Hércules Farnese é extraordinário, aparentemente a descansar sobre os trabalhos completados mas, na realidade, em tensão, com a mão direita escondida atrás das costas a segurar os pomos de ouro das Hespérides, pronto a avançar a qualquer momento.


Este fresco não é particularmente bonito mas conta uma história: a da rixa que teve lugar em 59 dC junto do anfiteatro de Pompeios* entre pompeianos e visitantes de Nuceria a pretexto de uns jogos de gladiadores. Já havia hooligans naquela época!


Quanto a este famosíssimo retrato de uma jovem com um estilete e tabuinhas para escrever, é apenas (talvez) o mais bonito exemplo de uma atitude standard em retratos daquela época.



(Napoli, Setembro 2015)

Os Romanos, que não tinham obviamente fotografias das obras-primas originais para se deleitarem, copiavam-nas mil vezes para as terem por perto, em casa ou em espaços públicos. O próprio César, que era coleccionador de coisas belas, expunha-as em pórticos ou templos para que pudessem ser apreciadas pela população em geral.


*A tradução correcta do nome da cidade é Pompeios e não Pompeia, como me fez notar a Xantipa.