Mostrar mensagens com a etiqueta viagens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta viagens. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Longe da multidão


Se o que se deseja para umas férias é o afastamento, ir a Nápoles pode parecer estranho: haverá na Europa maior barafunda, maior confusão de trânsito, mais magotes de turistas a desembarcar de cruzeiros, mais lixo nas ruas?

Talvez não. O certo é ter levado três horas - três - do hotel a Anacapri, outras tantas (ao fim de semana!) a Positano. E não ter escapado às notícias sobre as vagas de refugiados e "migrantes" em demanda da Europa central.

Et pourtant...

Do varanda do quarto do hotel, na colina de Posillipo, a vista era esta


e era tão bela, tão serena, tão longe da multidão, tão a pedir fotos e mais fotos e horas esquecidas a admirá-la, que era mesmo o que se pedia a deus.




(Napoli, Setembro 2015)

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Ave Caesar

Parabéns por mais um aniversário.

(Firenze, Setembro 2004)

Este é um retrato menos conhecido, encontrado na Galleria degli Uffizi, que visitei depois de esperar na fila durante horas, quando ainda não sabia que se podiam comprar bilhetes com antecedência.

Também não sabia (obrigada, Twitter!) que Schumann tinha composto uma abertura dedicada a César. Aqui fica:

sábado, 4 de abril de 2015

Na cúpula do Reichstag*

No único dia de chuva que apanhei em Berlim fui visitar a cúpula do Parlamento alemão. É preciso marcar com antecedência, o que pode ser feito facilmente online; a visita é gratuita, dura cerca de meia-hora e há áudio-guia em português: um luxo. Enquanto se sobe a rampa em espiral


vamos sendo informados sobre o Parlamento e sobre os edifícios que dali se avistam:


Ao chegar ao topo descobre-se a enorme abertura central que explica o frio sentido durante a subida:


É o momento de olhar com superioridade legítima ;-) a sala onde os deputados federais decidem o futuro da Europa!

(Berlin, Março 2015)

* O Reichstag é o edifício, o Bundestag a instituição.

terça-feira, 31 de março de 2015

Berlim revisitada

Fui à procura de alguns dos meus lugares favoritos em Berlim: a loja de cultura Dussmann e o seu jardim vertical


o Brandenburger Tor, símbolo da reunificação alemã


os oito pátios Arte Nova interligados, conhecidos como Hackesche Höfe, que já tinha mencionado aqui



a cobertura do centro Sony onde tem lugar o festival de cinema Berlinale


(a propósito, a Potsdamer Platz já não está em obras!)

a Gemäldegallerie onde, entre obras-primas de Rubens, de Rembrandt, de Vermeer, de Botticelli, encontrei este gordo extraordinário de um para mim até agora desconhecido Charles Mellin, nascido em Nancy no fim do século XVI mas romano de carreira

(Berlin, Março 2015)

Não é de uma modernidade surpreendente?

domingo, 29 de março de 2015

A História de Berlim

Escondido num centro comercial na Ku'Damm fica uma espécie de museu chamado The Story of Berlin, que conta a evolução da cidade desde as origens medievais até à reunificação de 1989.

É uma proposta ambiciosa realizada com relativamente poucos recursos, e cujo ponto alto é a visita guiada a um bunker anti-atómico subterrâneo, construído nos anos 70 do século XX, em plena Guerra Fria, (mal) pensado para abrigar até três mil e seiscentas pessoas (as primeiras que conseguissem chegar, de qualquer sexo e idade) durante duas semanas, após a eventual queda de uma bomba atómica perto da cidade.

Desde a entrada, uma sala nua em que era suposto as pessoas despirem-se completamente e tomarem duche para se descontaminarem (inevitáveis as lembranças de outros duches colectivos),


antes de vestirem fatos de treino que não mais seriam lavados nem despidos, até aos beliches básicos de metal e rede que ocupariam quase todo o espaço disponível, sobrepostos quatro a quatro (esqueci-me de perguntar como subiam e desciam os inquilinos de cima) na quase escuridão


às duas cozinhas tamanho caseiro e aos alimentos enlatados


às quatro casas de banho colectivas e aos dois rolos de papel higiénico atribuídos a cada pessoa, aos dezasseis supervisores encarregados de preservar a ordem e cuidar da manutenção, ao posto médico rudimentar onde eventuais médicos presentes entre os refugiados tentariam tratar diarreias, feridas, desidratações e o mais que aparecesse

(Berlin, Março 2015)

ao que aconteceria quando os filtros deixassem de funcionar e fosse necessário sair pela mesma sala por onde tinham entrado (e onde entretanto teriam ficado empilhadas as roupas contaminadas de três mil e seiscentas pessoas?) só posso ficar ainda mais feliz por nunca ter sido preciso usá-lo e desejar ainda mais ardentemente que nunca seja preciso.

sábado, 28 de março de 2015

Na Philharmonie

Finalmente cumpri o desejo de assistir a um concerto na grande sala da Philharmonie em Berlim e testar a famosa acústica. Gostei imenso: é clara e ao mesmo tempo aconchegante, macia. Fiquei na sexta fila, onde o som chega em estereofonia, o que talvez nem seja a intenção dos compositores mas é como eu gosto de ouvir a música.

A orquestra da Philharmonie estava ausente em digressão, mas fiquei a conhecer a Akademisches Orchester Berlin, o seu maestro Peter Aderholt, e a solista, uma jovem violinista de origem coreana e australiana chamada Suyeon Kang, em três belíssimas obras: a Abertura do Don Giovanni de Mozart, o Concerto para Violino de Sibelius (que ouvi há pouco, em Fevereiro, na Fundação Gulbenkian, por Frank Peter Zimmerman) e a Terceira Sinfonia de Beethoven.

Foi uma tarde fantástica. Um ou dois desacertos àparte, a orquestra tocou maravilhosamente, com grande equilíbrio, sem afogar nunca a solista, atenta ao maestro, empenhada e expressiva. Kang, depois de, à chegada ao palco, tropeçar no vestido demasiado comprido, não tropeçou em mais nada, e deu-nos um Concerto muito bonito, coerente e virtuoso.

(Berlin, Março 2015)

A Eroica resultou muito bem e muito curiosamente, cada uma das pessoas do meu grupo foi seduzida por um andamento diferente. O meu preferido foi o segundo, que achei riquíssimo e onde encontrei (mais uma das minhas descobertas que provavelmente não são novidade para mais ninguém) tocado repetidamente nos primeiros minutos pelos violinos, e já perto do fim pelos tímpanos, o tema inicial da Quinta Sinfonia.
Aqui o deixo à apreciação, embora com outros intérpretes:


Finalmente um reparo para o público, que me fez sentir em casa, tanto pelos ataques de tosse como pelos aplausos entre andamentos: tornou-se moda, é?

sexta-feira, 27 de março de 2015

La Bohème na Deutsche Oper em Berlim

Berlim tem três teatros de ópera; nestes dias de férias a opção foi para La Bohème na Deutsche Oper, que é um teatro moderno, simpático e com preços acessíveis, de tal forma que fiquei excelentemente sentada numa das primeiras filas da plateia, de onde apenas não tinha vista para o fosso da orquestra para além da careca do maestro Donald Runnicles.

Foi uma boa opção, diga-se já: a encenação do já falecido Götz Friedrich, clássica mas muito viva, com uma boa direcção de actores, cenários e figurinos "de época", à excepção dos quadros do pintor Marcello, que eram modernos, feios e fracos, orquestra muito competente apesar de de quando em quando abafar os cantores.

Destes gostei muito: o único nome que conhecia era o da soprano Carmen Giannattasio, que cantou a Mimì com voz potente, cheia, muito correcta em toda a tessitura. É pequenina mas tem uma figura agradável e esteve muito bem em palco. Tanto o tenor coreano Yosep Kang, que fez um excelente Rodolfo, como todos os companheiros de boémia, o jovem barítono Davide Luciano no pintor Marcello, os baixo-barítonos Noel Bouley no compositor Schaunard e Marko Mimica no filósofo Colline, compuseram muito bem os seus personagens, tanto vocal como cenicamente. A Musetta foi a soprano Martina Welschenbach e a única que me deixou com vontade de mais alguma coisa, mas pode ser apenas porque, sendo a personagem uma mulher forte e independente, mereceria maior protagonismo... correndo o risco de se sobrepor à Mimì.

Não sendo esta, na minha opinião, a mais interessante ópera de Puccini, entendo que seja a mais popular: é curta, tem um bom equilíbrio de comédia e tragédia, os personagens são simpáticos, a música é bonita e usa leitmotive de uma forma facilmente reconhecível.

(Berlin, Março 2015)

sábado, 7 de março de 2015

Adriana Calcanhotto em Faro

Fui na quinta-feira ao Teatro das Figuras numa das minhas raras incursões no mundo da música popular, para ouver a brasileira Adriana Calcanhotto, cuja voz acompanhou a minha visita à Bahia num já longínquo Outubro em que me instalei bem no centro de Salvador, à beira do Largo do Pelourinho, num hotel manhoso chamado Quilombo do Pelô, que julgo já não existir; por baixo da minha janela havia um bar donde até altas horas chegavam as canções de Calcanhotto.

Mas quando nos habituamos a um certo tipo de música, tudo o resto é realmente "barulho", embora felizmente a amplificação estivesse bem controlada. A voz, anos depois, não é tão clara, o violão solo faz desejar o resto da banda, a receita para as composições é muito igual. Quase nem se notou a diferença quando cantou Back to Black*, de Amy Winehouse. No entanto a casa estava cheia, o público apaludiu de pé e até cantou em coro, com notável afinação.


* Continuo a achar que conheço aquilo de outro lado.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Maria Stuarda no Liceu

Esta visita a Barcelona, que estava planeada havia meses, teve de ser encurtada e reduzida ao mínimo. O mínimo incluiu, contudo, uma ida ao Liceu ver a última récita da ópera Maria Stuarda, na qual brilhava Joyce DiDonato.

Não gostei da encenação de Patrice Caurier e Moshe Leiser (uma co-produção de vários teatros europeus), que não trazia nenhum dado novo à interpretação teatral e cujos cenários e figurinos tanto situavam a acção em meados do século XX como simultaneamente a remetiam para o período histórico correcto. Assim, as rainhas tinham vestidos com corpetes e anquinhas mas os restantes personagens não as acompanhavam; a prisão fazia lembrar as dos filmes americanos e até havia uma câmara de execução com janelas para os observadores, mas em vez de cadeira eléctrica tivemos um cepo e um machado... Adiante.

A esta distância já não me lembro de pormenores, mas sei que todo o elenco cantou muito bem. Elisabetta foi interpretada pela mezzosoprano Silvia Tro Santafé, Roberto pelo tenor Javier Camarena, Talbot pelo baixo Michele Pertusi e Cecil pelo barítono Vito Priante. Maria, claro, é entregue à diva, e hoje em dia a Joyce conquistou esse estatuto, que na minha opinião, já se sabe, corresponde à sua qualidade. Se todas as vozes eram muito agradáveis, a dela destacava-se pela firmeza, pela técnica e pela emoção.

A orquestra, dirigida por Maurizio Benini, esteve muito bem. Sem reparos quanto ao coro. Os lugares que tive foram bastante longe do palco, centrais mas altos: o som chega mas não envolve, que o teatro é grande, embora a acústica seja muito boa.

(Barcelona, Janeiro 2015)


Desta vez não esperei para falar com a Joyce.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Ainda a propósito de Arte Nova

Foi finalmente este ano que entrei no Temple de la Sagrada Familia em Barcelona, e fiquei encantada:

(Barcelona, Janeiro 2015)

Comprei bilhetes online e fui relativamente cedo, fugindo assim às filas.
Dizem que deve ficar pronto em 2026. Espero que sim, vai valer a pena.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A propósito de Arte Nova

aqui comentei como me surpreendeu o bairro Art Déco de Miami, quando o esperava semelhante às grandes avenidas de Lisboa.
Lembrei-me disso agora ao ler este post no blogue O Livro de Areia. A Arte Nova finlandesa tem pouco a ver com a que vi em Nancy, considerada a capital francesa desse estilo:




Particularmente conhecido é o Café Excelsior:


O museu da Escola de Nancy e a colecção Daum no museu de Belas-Artes, que não cheguei a visitar, devem ser uma perdição para quem gosta de peças deste estilo.

Nancy não é, contudo, apenas (!) Arte Nova. Sem me debruçar muito sobre a arquitectura medieval, de que também tem uns espécimes, a praça Stanislas, do século XVIII, é extraordinária:



(Nancy, Novembro 2014)


Ali bem pertinho fica a Rue des Maréchaux, que não comunga desta monumentalidade, mas é conhecida como a rue gourmande vá-se lá saber porquê ;-)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Memórias da Grande Guerra


O ano passado marcou o centenário do início da Primeira Guerra Mundial, conhecida como a Grande Guerra até ao advento da Segunda.
O meu passeio de Novembro levou-me à região de Verdun e às memórias dessa guerra. Ali se estende este cemitério onde jazem quinze mil militares franceses:



aos pés do Ossuário erguido para albergar mais cento e trinta mil combatentes não identificados, tanto franceses como alemães:


(Douaumont, Novembro 2014)

Quinze mil, cento e trinta mil... Alguns dos muitos milhões de rapazes e homens que se alistaram a partir do Verão de 1914, cheios de ilusões e vontade de vencer. Em Reims, diante da catedral envolta em nevoeiro, encontrei uma exposição fotográfica extraordinária chamada Merci! 100 photos pour un Centenaire.




Com estas fotos de seres humanos que deram as suas vidas na maior carnificina da história, o curador da exposição, Jean Claude Narcy, pretende evitar que morram uma segunda vez pelo esquecimento.

A reconciliação oficial entre a França e a Alemanha teve lugar na Catedral de Reims (considerada cidade mártir da Grande Guerra)


Será sido isso que inspirou este anjo, uma das figuras do portal norte da fachada principal, a sorrir assim?

(Reims, Novembro 2014)

sábado, 3 de janeiro de 2015

Os belgas

Não sei se os belgas existem - eles também não* - mas só uma gente especial construiria uma igreja torta para não alterar o curso de uma ribeira:


e lhe cortaria mais tarde um canto para criar mais passeio para os peões:

(Bruxelles, Novembro 2014)

Por outro lado, se isto não é arte na Bélgica, sê-lo-ia certamente em Nova Iorque:

(Antwerpen, Novembro 2014)

Já este parque de estacionamento, se não fosse flamengo, só poderia ser holandês (o que, queiram eles ou não, é parecido):

(Gent, Novembro 2014)


*Mas César sabia, e dizia deles que eram os mais valentes dos povos que habitavam a Gália, porque viviam mais longe da civilização e estavam continuamente em guerra com os Germanos. Como o tempo pode mudar a geografia!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Ainda Antuérpia

Antuérpia é uma cidade rica. Percebe-se ao sair do comboio na estação central

ao caminhar por avenidas desafogadas mas não desumanas

passando pelas casas das guildas na Grote Markt

ao chegar à Groenplaatz e avistar a Catedral de Nossa Senhora (Onze-Lieve-Vrouwekathedraal)

(Antwerpen, Novembro 2014)


até finalmente se desembocar na margem do rio Scheld. Tudo isto com uma luz e uma serenidade que me fizeram desejar ficar pelo menos dois dias em vez de poucas horas. Falta-me ainda muito para ver: o Museu de Belas-Artes, o porto que é um dos maiores da Europa, as construções Arte Nova, as lojas de diamantes e, last but not least, o túmulo de Rubens.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Rubens em Antuérpia

Voltei a Antuérpia especialmente para visitar a casa de Rubens, pintor que acabou por marcar muito esta viagem.

(Antwerpen, Novembro 2014)

Em Bruxelas, as Bozar focavam-se em Rubens, apresentando-o assim: Rubens was the Quentin Tarantino of his era. The Flemish master painter created scenes that exuded lust and were marked by violence, as well as compassion and elegance. These themes inspired the artists after Rubens for many centuries to come.

Na realidade, a violência e a luxúria de Rubens nunca passam os limites da elegância (não há pingo de sangue nas cenas de caça às feras)

(Bruxelles, Novembro 2014)

o que lhe assegurou a presença em salões e igrejas e uma fortuna pessoal assinalável.

(Antwerpen, Novembro 2014)

O seu atelier produziu mais de cinco centenas de obras; o que espanta já não é que na Catedral de Antuérpia haja quatro

(Antwerpen, Novembro 2014)

e na Catedral de St Baaf em Gent haja outra

(Gent, Novembro 2014)

mas que o nosso Museu Nacional de Arte Antiga não tenha uma sequer.