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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Manifesto ateu

Se eu acreditasse num deus único, seria o príncipe do mal, um que tivesse criado um mundo imperfeito, aí tivesse largado criaturas com sensibilidade e raciocínio, e estivesse agora refastelado a assistir ao espectáculo do seu sofrimento.

Nesse mundo mal acabado haveria tempestades e terramotos, vulcões, inundações e secas. Plantas e sobretudo animais teriam como principal objectivo a própria sobrevivência e para tal desenvolveriam competências como a crueldade e a indiferença. No limite, maltratar o outro evoluiria de necessidade a prazer.

Para alguns, como último refinamento, criaria os conceitos de bondade e de justiça para que, na ausência destas à sua volta, sentissem ainda maior a miséria.

Nesse contexto, a melhor hipótese de felicidade seria, provavelmente, manter o mais baixo perfil possível.

A esse deus eu votaria o maior ódio e desprezo. Felizmente para a minha sanidade mental, não acredito nele. Shit happens, é tudo.

sábado, 21 de julho de 2018

Fake news

Se o presidente Trump não tiver mais nenhuma qualidade, teve pelo menos a de alertar para aquilo que chamou fake news. Começo a achar insuportáveis as notícias e/ou fotos que dizem reportar alimentos ou medicamentos fatais, cientistas geniais menorizados ou mercados de escravos na Líbia, que mesmo repetidamente desmascaradas continuam a correr as redes sociais - ou, para ser mais precisa, Facebook.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Trump e a tortura

Notícia do Observador:

Presidente Trump
Donald Trump: “A tortura funciona. Devemos combater o fogo [Estado Islâmico] com o fogo”
26/1/2017, 10:48
(...) “Falei com oficiais dos serviços secretos e perguntei-lhes: ‘Funciona? A tortura funciona?’ E eles responderam-me: ‘Sim, absolutamente!’ (...)"(...)

A notícia original da ABC News aqui.

O problema é que Trump fez a pergunta errada. O que devia ter perguntado não era se a tortura funciona, mas se podia obter resultados sem recorrer à tortura, que é o que importa a quem se preocupa com a segurança mas não quer abandonar os valores civilizacionais que o separam da barbárie.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

sábado, 26 de março de 2016

A escolha de deus

Nós amamos a beleza. Somos capazes de nos deter a contemplar a Natureza em todas as suas facetas: forte, tranquila, ampla, íntima... Fascina-nos indomada, e apraz-nos transformada por nós à nossa medida.
Criamos beleza e regozijamo-nos com a beleza criada. Há milhares de anos pintamos, esculpimos, compomos, construímos obras de arte. Os nossos abrigos deixaram há muito de ser simples cavernas e rodeamo-nos de arte e conforto.
Procuramos o conhecimento e a sabedoria. Elaboramos um modelo do mundo que está muito além do imediato.
Procuramos ser melhores. Longe da perfeição, longe mesmo da bondade, esforçamo-nos por percorrer o caminho. Queremos tratar melhor as crianças, os animais, os mais frágeis.

Eles gostam de explodir bombas e matar pessoas. Venha deus e escolha.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Al-Zika

Há duas pragas que, na minha opinião, deviam ser exterminadas sem mais discussão: os terroristas (muçulmanos ou outros) e os mosquitos. Não têm qualquer mais-valia evolutiva e só nos atormentam.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Gerando monstros

Porque é tão difícil encontrar à noite na televisão um programa de ficção que não tenha que ver com assassínios violentos?
Ontem encontrei num dos canais Fox uma cena em que um homem era torturado até à morte à vista de quem acedia a um determinado site, e quanto mais visitas esse site tivesse mais aumentava automaticamente a intensidade da tortura.
Claro que passei adiante, mas ficou a pergunta: que cérebro anormal é capaz de inventar semelhante selvajaria, ainda que para um filme de televisão?

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Refugiados e migrantes

Sobre a actual "crise migratória " talvez fosse bom que se dissesse meia dúzia de coisas que não tenho ouvido se não raramente em todo este festival mediático:

1. As dezenas de milhar de pessoas que vão chegando às nossas costas e às nossas fronteiras são apenas a vanguarda: há muitas mais desesperadas em países destroçados ou arruinados.

2. Todas estas pessoas vêm na esperança de uma vida melhor: quer sejam refugiados de guerra quer não, procuram paz, estabilidade e, na maioria dos casos, imagino, emprego. Não querem certamente ser "acolhidas" em acampamentos nem viver de rações.

3. Há quem sugira o contrário: que querem viver de subsídios. É provavelmente uma redução do que acredito seja a verdade: que queiram os benefícios e direitos que sabem ou sonham existir na Europa.

4. A chanceler Merkel quer fazer a distinção entre as pessoas que têm o direito de ser recebidas e as que não têm. Essa distinção tem a ver com a proveniência ou não de países em guerra. Mas isso relaciona-se com a história e os fantasmas da Europa e não com as necessidades dessas pessoas.

5. Enquanto não chegarem ao seu destino, serão como disse Cameron, uma praga. Com falta de higiene e deixando atrás lixo que outros apanharão.

6. O presidente húngaro afirmou que este não é um problema europeu mas sim alemão. O certo é que estas pessoas querem ir para a Alemanha que, ouviram certamente dizer, é a maior economia da Europa, e da qual esperam melhores condições para viverem; não são gado para ser dividido em quotas e levado para a Eslováquia ou para Portugal independentemente da sua vontade.

7. Portugal, um pequeno país de dez milhões de pessoas, conseguiu integrar cerca de meio milhão de "retornados" quando fez a descolonização. Isso faz-nos esperar que a Europa consiga integrar uns milhões de sírios e africanos. No entanto, os valores culturais destes estão muito mais longe dos europeus do que os dos nossos "retornados" estavam. E não devemos esquecer quão longo foi o processo. Pergunto-me se a Alemanha já integrou a sua metade oriental.

8. Fala-se do contributo que estas pessoas e as suas crianças darão à força de trabalho europeia e à sua demografia envelhecida. Como se entre os nossos principais problemas não estivessem a carência de emprego para os que já cá viviam e a deslocação da produção para o Extremo Oriente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Intervalo

Um intervalo na reportagem italiana para protestar contra estas lagartas com ar fofinho e amoroso


que numa noite de voracidade transformaram um vaso de jarros neste desastre:

(Albufeira, Setembro 2015)

Arte antiga em Nápoles

Eu que adoro passear nos centros históricos das cidades, em Nápoles só me apeteceu sair dali o mais depressa possível. É feio, sujo e escuro. Mas tem o Museo Archeologico Nazionale (MANN), imperdível para quem quer ver ao vivo as estátuas, os frescos, os mosaicos, os objectos de uso comum retirados das escavações das cidades antigas circumvesuvianas, ainda que frequentemente haja muitas peças fora, a fazer uma ou outra exposição temporária: nesta altura, quase a deixar o ROM em Toronto, Pompei in the shadow of the volcano.

Estive no MANN há muitos anos, e só me lembro de que a sala onde se encontrava o retrato de César estava fechada. Protestei e expliquei que viera de Portugal especialmente para ver esse retrato, e consegui que me deixassem entrar. Desta vez não houve problema, vi-o e fotografei-o à vontade.


Há muito mais para ver, claro. O Hércules Farnese é extraordinário, aparentemente a descansar sobre os trabalhos completados mas, na realidade, em tensão, com a mão direita escondida atrás das costas a segurar os pomos de ouro das Hespérides, pronto a avançar a qualquer momento.


Este fresco não é particularmente bonito mas conta uma história: a da rixa que teve lugar em 59 dC junto do anfiteatro de Pompeios* entre pompeianos e visitantes de Nuceria a pretexto de uns jogos de gladiadores. Já havia hooligans naquela época!


Quanto a este famosíssimo retrato de uma jovem com um estilete e tabuinhas para escrever, é apenas (talvez) o mais bonito exemplo de uma atitude standard em retratos daquela época.



(Napoli, Setembro 2015)

Os Romanos, que não tinham obviamente fotografias das obras-primas originais para se deleitarem, copiavam-nas mil vezes para as terem por perto, em casa ou em espaços públicos. O próprio César, que era coleccionador de coisas belas, expunha-as em pórticos ou templos para que pudessem ser apreciadas pela população em geral.


*A tradução correcta do nome da cidade é Pompeios e não Pompeia, como me fez notar a Xantipa.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

As mensagens de Jesus

Em verdade vos digo, estas histórias das bocas nas entrevistas e das mensagens de Jorge Jesus aos jogadores do seu antigo clube só me fazem pensar num personagem de Astérix et la Zizanie:


A guerra psicológica ao mais alto nível, pois então!

sábado, 1 de agosto de 2015

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O Muro de Berlim

Fui à procura do Muro com que os comunistas dividiram Berlim debaixo do olhar inerte dos restantes "Aliados".
Os berlinenses guardam da sua extensão uma memória discreta no empedrado das ruas e, em certos lugares, memoriais mais visíveis: um deles fica na Bernauer Strasse, que é um local especial porque as casas mesmas faziam parte da barreira, de maneira que nos primeiros tempos depois de Agosto de 1961 as pessoas fugiam pelas janelas, até que estas foram emparedadas e, finalmente, os residentes foram forçados a abandonar as suas casas.
Estas fotos de um folheto do Gedenkstätte Berliner Mauer, tiradas por Alex Waidmann, são muito claras:


A rua onde os bombeiros tentam apanhar os fugitivos fazia parte da cidade ocidental, enquanto os prédios ficavam na porção oriental.

Hoje restam ali 220 metros de muro e fortificações originais


a Janela da Memória preserva a identidade de cada um dos que morreram ao tentar a fuga


e o trajecto está marcado ao longo de quase quilómetro e meio


Dias depois encontrei, quase à porta do meu hotel junto do rio Spree, mais este bocadinho de muro


(Berlin, Março 2015

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Explosão em Sesimbra

Notícia do Observador:
MARGEM SUL
Explosão violenta, apesar de
“controlada”, numa pedreira
em Sesimbra

1/4/2015, 23:14
A explosão foi enorme, conta quem a sentiu. O presidente da Câmara de
Sesimbra diz que foi uma queima de cordão detonante que correu mal.


Curioso, curioso, é o presidente da Câmara de Sesimbra chamar-se Augusto... Pólvora ☺

domingo, 29 de março de 2015

A História de Berlim

Escondido num centro comercial na Ku'Damm fica uma espécie de museu chamado The Story of Berlin, que conta a evolução da cidade desde as origens medievais até à reunificação de 1989.

É uma proposta ambiciosa realizada com relativamente poucos recursos, e cujo ponto alto é a visita guiada a um bunker anti-atómico subterrâneo, construído nos anos 70 do século XX, em plena Guerra Fria, (mal) pensado para abrigar até três mil e seiscentas pessoas (as primeiras que conseguissem chegar, de qualquer sexo e idade) durante duas semanas, após a eventual queda de uma bomba atómica perto da cidade.

Desde a entrada, uma sala nua em que era suposto as pessoas despirem-se completamente e tomarem duche para se descontaminarem (inevitáveis as lembranças de outros duches colectivos),


antes de vestirem fatos de treino que não mais seriam lavados nem despidos, até aos beliches básicos de metal e rede que ocupariam quase todo o espaço disponível, sobrepostos quatro a quatro (esqueci-me de perguntar como subiam e desciam os inquilinos de cima) na quase escuridão


às duas cozinhas tamanho caseiro e aos alimentos enlatados


às quatro casas de banho colectivas e aos dois rolos de papel higiénico atribuídos a cada pessoa, aos dezasseis supervisores encarregados de preservar a ordem e cuidar da manutenção, ao posto médico rudimentar onde eventuais médicos presentes entre os refugiados tentariam tratar diarreias, feridas, desidratações e o mais que aparecesse

(Berlin, Março 2015)

ao que aconteceria quando os filtros deixassem de funcionar e fosse necessário sair pela mesma sala por onde tinham entrado (e onde entretanto teriam ficado empilhadas as roupas contaminadas de três mil e seiscentas pessoas?) só posso ficar ainda mais feliz por nunca ter sido preciso usá-lo e desejar ainda mais ardentemente que nunca seja preciso.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Memórias da Grande Guerra


O ano passado marcou o centenário do início da Primeira Guerra Mundial, conhecida como a Grande Guerra até ao advento da Segunda.
O meu passeio de Novembro levou-me à região de Verdun e às memórias dessa guerra. Ali se estende este cemitério onde jazem quinze mil militares franceses:



aos pés do Ossuário erguido para albergar mais cento e trinta mil combatentes não identificados, tanto franceses como alemães:


(Douaumont, Novembro 2014)

Quinze mil, cento e trinta mil... Alguns dos muitos milhões de rapazes e homens que se alistaram a partir do Verão de 1914, cheios de ilusões e vontade de vencer. Em Reims, diante da catedral envolta em nevoeiro, encontrei uma exposição fotográfica extraordinária chamada Merci! 100 photos pour un Centenaire.




Com estas fotos de seres humanos que deram as suas vidas na maior carnificina da história, o curador da exposição, Jean Claude Narcy, pretende evitar que morram uma segunda vez pelo esquecimento.

A reconciliação oficial entre a França e a Alemanha teve lugar na Catedral de Reims (considerada cidade mártir da Grande Guerra)


Será sido isso que inspirou este anjo, uma das figuras do portal norte da fachada principal, a sorrir assim?

(Reims, Novembro 2014)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Papa não é Charlie

O Papa Francisco acha que matar em nome da religião é uma aberração mas que não se pode troçar* da fé das outras pessoas.
Este "mas" é perfeitamente assassino. É um "mas" que indica eles estavam a pedi-las.

E diz também que se alguém insultar a mãe dele
deve estar preparado para levar um soco.

O Papa está, no mínimo, a deixar-se enredar nos raciocínios dos fanáticos, ele que parece um bocadinho menos fanático. Nas leis contemporâneas existem referências ao que devia ser uma questão de bom-senso, que é a força proporcional da resposta. Se responder a uma ofensa verbal com um soco pode ser normal**, como diz o Papa, responder a uma ofensa escrita com um assassínio em massa também será? Antigamente, pelo menos, havia duelos, que eram uma espécie de reparação formal e frontal. Hoje há processos em tribunal. Entrar por um jornal dentro e matar a redacção, por muita troça que esta tenha feito da religião - ou do partido político, ou do clube de futebol - não é certamente uma resposta proporcional. Nem sequer uma resposta, vamos lá.

* prendere in giro foi a expressão utilizada.

** Já agora, onde foi parar a oferta cristã da outra face?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Charlie, nós e eles

Diz o sheik Munir que o choca o ataque terrorista ao Charlie Hebdo porque o Islão é uma religião pacífica. Não é verdade: o Islão ortodoxo, fundamentalista, é tão pouco pacífico como foi o cristianismo durante séculos, ou o judaísmo na sua origem. Felizmente uma grande parte da Humanidade percebe, ou simplesmente sente, que acima dos preceitos mesquinhos apregoados pelos pregadores, das abstenções e das proibições, acima de tudo isso está o desejo de viver em paz, cada um consigo mesmo e com os vizinhos.
Outra parte da Humanidade, no entanto, tem prazer em causar sofrimento, e são esses sociopatas que, em nome de deuses ou de causas, de direitos ou deveres, matam, mutilam, violam, humilham, sequestram e torturam. Há-os de todas as cores e de todas as ideologias; desde o 11 de Setembro de 2001 os mais visíveis têm sido muçulmanos.

O ataque ao Charlie Hebdo é o mais recente ataque terrorista islâmico: recente e mediático, acontece depois de tantos outros mas chama a atenção para o que nos inquieta: "eles" estão no meio de nós. Não se trata de uns selvagens decapitadores na Argélia, nem do ISIL no Iraque, dos Boko Haram escravizadores de raparigas na Nigéria ou dos talibãs assassinos de adolescentes no Paquistão. "Eles" já chegaram cá, e podem de um momento para outro entrar aos tiros em qualquer sítio onde estejamos.

Não interessa que o assassino de Oslo não fosse muçulmano, nem que até há pouco tempo fossem cristãos os que armadilhavam carros de polícias no país basco ou na Irlanda do Norte: o inimigo agora usa turbante e barba aos caracóis. Presa fácil para os grupos que até há pouco agrediam homossexuais ou negros. E corremos o risco de não nos indignarmos quando houver agressões a muçulmanos. Et pourtant: os alemães, que ao contrário do que se diz têm bem vivo o seu passado (nie wieder!), desfilam visivelmente nas ruas pela aceitação e pela integração, lembrando a todos o perigo dos pogroms.

Talvez o mais importante seja o que eu espero e desejo: que os muçulmanos que vivem connosco pacificamente se manifestem também contra o terrorismo, que mostrem e digam e insistam que são "nós" e não "eles".