quarta-feira, 11 de julho de 2007

5 Livros 5 Blogs

José Teófilo Duarte, do BlogOperatório, teve a gentileza de me incluir na cadeia 5 Livros 5 Blogs.
Como estão à vista os dois livros que estou a ler, e já comentei
aqui, aqui e aqui os três que li mais recentemente, tive de ir à estante ver quais os que ainda estavam por arrumar e que valeu a pena ler.
Ei-los:

Caesar's Legacy - Civil War and the emergence of the Roman Empire, por Josiah Osgood, um estudo sobre o período entre o assassinato de César e o advento de Augusto, com acento nas proscrições e na emergência de novas classes sociais;


Underdog, por Laurie Berenson, um policial de uma série ambientada no mundo das exposições caninas, com uma heroína que é mãe divorciada de um garoto de quatro anos e cujo namorado se parece com o Mel Gibson (aaaaahhh...);

The curious incident of the dog in the night-time, por Mark Haddon, a história muito bem contada de um adolescente autista, inteligente e corajoso, a partir do momento em que decide descobrir quem matou o cão da vizinha;

Holy Cow! por Sarah MacDonald, uma perspectiva da vida na Índia por uma expatriada australiana;

A mais alta solidão, por João Garcia, um relato da aventura que levou o autor ao cume do Everest. Por casualidade, li primeiro o segundo livro dele, Mais além - Depois do Evereste. Gostei de ambos ainda que não sonhe nem de longe chegar àquelas alturas, e embora um colega meu diga que "o problema com este pessoal que vai ao fim do mundo é que quando alguma coisa corre mal é preciso ir mais alguém ao fim do mundo buscá-los..."

E agora passo o testemunho
ao José Botelho Leal d'
A Voz da Abita;
à Carolina do
Ambiguitas Patens;
ao Rafael Lima do
Na Cara do Gol;
ao Zé (do Beco) d' A Rua do Beco;
ao
Luís Filipe Menezes ... ? !

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Novas 7 Maravilhas do Mundo

Porque é que não se diz que esta votação, como outras, "vale o que vale"? Afinal, votou quem votou, e ganhou quem ganhou. Os responsáveis pelo turismo local estão contentes, a UNESCO preocupada, o povo teve o pagode.

Brasileiros, peruanos e indianos votaram aos milhões e tiveram o seu sucesso. Os europeus, inventores do conceito e habituados a terem mais maravilhas por quilómetro quadrado do que qualquer outro continente, encolheram os ombros e devem até ter ficado espantados por ver o Coliseu na lista final.

Cada um terá com certeza a sua lista pessoal. A minha, pelo menos hoje, seria assim:



Disparates

Mais um sinistro abriu a boca para juntar um disparate à lista que já vai longa. Já foi na semana passada que o Público noticiou:

Pescadores contra redução das quotas de pesca
Ministro da Agricultura e comissário das Pescas vaiados na lota de Matosinhos
03-07-2007 10h26 - Por Lusa

O ministro da Agricultura, Jaime Silva, e o comissário europeu das Pescas, Joe Borg, foram hoje recebidos na lota de Matosinhos com protestos dos pescadores locais.
No início da visita, o presidente do Sindicato de Pescadores do Norte, António Macedo, confrontou Jaime Silva com a redução das quotas de pesca e com a sucessiva perda de competitividade do sector, bem como com o futuro da Docapesca de Matosinhos.Em resposta, o ministro disse que está em curso um estudo encomendado pelo Ministério da Agricultura para definir a solução a dar à Docapesca. Contudo, Jaime Silva adiantou que o Governo preconiza a privatização ou a constituição de uma organização de pescadores.O assunto será ainda discutido entre os sindicatos e o Governo, referiu o ministro. Ambas as soluções foram contestadas pelo sindicato, numa troca acesa de palavras entre os pescadores e Jaime Silva.No final desta interpelação feita ao ministro, um pescador reclamou, sobretudo, contra a política das pescas, ao que o ministro respondeu: "Se quiser, peça para sair da União Europeia".

E toma.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Against the Ropes

Ontem vi um filme na televisão (coisa rara), com a Meg Ryan a fazer a agente de um boxeur.
Mais uma vez me deparei com o que me é completamente incompreensível, o prazer na violência... dos outros.
Os boxeurs são os gladiadores do pós-1900. As armas são diferentes, mas a ideia é a mesma, e o treino provavelmente semelhante. De igual modo são o lumpen e de igual modo têm fãs de todas as classes sociais, sobretudo na América, penso eu, onde o box é muito mais apreciado que noutros lados do mundo. Pode-se sem dúvida estar atento e admirar a técnica dos lutadores, e eles são, ao contrário dos touros, dos cães e doutros intervenientes em combates violentos, humanos com consciência do que estão ali a fazer.
Por esse motivo, antes um combate de box do que uma tourada ou uma luta de cães ou galos.
Mas o que me faz confusão e me faz sentir que eu e os fãs do box pertencemos a subespécies diferentes da humanidade é o prazer e a naturalidade com que as pessoas sentadas na assistência aplaudem, encorajam ou apupam as duas pessoas que no ringue se destroem mutuamente ao ponto de acabarem de cara inchada, nariz partido, olhos fechados, lábios feridos, incapazes de se levantarem.
Como é possível ser agente de um boxeur? Como é possível ser amigo de um boxeur?

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Assur ledaber lashon harah

A Internet tem esta coisa: quando se começa a procurar, acaba por se encontrar. Eu já passei muito tempo em sites onde encontrei pequenas tribos com os mesmos interesses. Nas últimas semanas tenho andado a [navegar? surfar?] passear pelos blogs lusitanos e tenho sido levada a paragens de que não suspeitava mas que vêm ao encontro das minhas questões.

Do blog O Cachimbo de Magritte passei para Keren Malki, um site e uma fundação criados em memória duma jovem israelita, Malka Chana Roth, que morreu aos quinze anos num atentado bombista que vitimou mais quatorze pessoas e feriu 130 num restaurante em Jerusalém em Agosto de 2001.

O que me tocou foi a frase que Malki escrevera no seu telemóvel: em hebreu, o correspondente a "Não se deve falar mal dos outros". O que me aborreceu foi que, depois de ler vários textos no site e ver várias fotos, cheguei à questão crucial: o que a Fundação acha que podemos fazer de construtivo.

"Um acto de chesed", ou seja, de caridade, de generosidade desinteressada. Ou não. Porque "O que se compadece dos pobre empresta o seu dinheiro ao Senhor, e este lhe tornará com juros o que ele lhe tiver emprestado" (Provérbios, 19:17). Por isso, que tal uma doaçãozinha dedutível nos impostos?

Tudo bem. Eu volto aos blogs lusitanos. E encontro, no Arrastão (um blog descaradamente bloquista), o seguinte

Está bem. Sejamos modestos. Fiquemos em casa.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Eats Shoots and Leaves



Pode um livro sobre pontuação ser divertido?

Pode pois. O título de Lynne Truss dá o mote, com a explicação na contra-capa.


Panda. Large black-and-white bear-like mammal, native to China. Eats, shoots and leaves.


Esta vírgula intrometida faz toda a diferença entre um animal pacato e vegetariano e um assassino potencial.
Ao longo de pouco mais de duzentas páginas, o uso de apóstrofes, parênteses, hífens e outros pontos-e-vírgulas é dissecado, com exemplos de textos literários e de comezinhos SMS, e apresentado com muito humor. A autora oferece um kit de correcção de pontuação - pontos e vírgulas a colar nos textos onde fazem falta, e pequenos pandas para tapar a pontuação excessiva.

Truss diz que em geral a pontuação se tem vindo a perder, e mais ainda desde a vulgarização da Internet e dos telefones móveis; mas não só ela: os espaços entre as palavras parecem igualmente estar em vias de extinção. Haverá talvez um retorno ao passado e aos scripta continua Romanos (e não só) em que as palavras e até as abreviações se encostavam em frases de tirar a respiração.

E, pergunto eu, com os écrans e a função scroll não estaremos a deixar também os códices e a voltar aos rolos de papiro?