quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Dúvidas fiscais

Ouvi no jornal da SIC que os portugueses são os piores pagadores de impostos da União Europeia, que em conjunto devem ao fisco cerca de quatorze mil milhões de euros, e que cada um tem em média trinta e oito processos de execução fiscal.

Ora vejamos então:
  1. 14 mil milhões a dividir por 10 milhões de portugueses dá uma dívida de 1400€ por pessoa (incluindo bebés);
  2. 1400€ a dividir por 38 processos dá mais ou menos um processo para 37€;
  3. parece-me que os processos devem custar mais do que a dívida que pretendem cobrar;
  4. se se fizerem as contas para contribuintes e não pessoas (que alívio para os bebés) então as dívidas por cabeça serão maiores, mas mesmo assim não sei se compensarão os processos;
  5. considerando que eu não tenho dívidas nem processos fiscais, que a minha família mais próxima e os meus amigos, tanto quanto sei, também não, deve haver muita gente com muitos mais processos.

Conclusão: ou a Direcção-Geral de Contribuições e Impostos anda a contribuir para o défice das contas públicas, ou a SIC passou-se.

Imagem da DGCI, claro


De qualquer forma esta notícia não é inocente: a um mês de termos de entregar as declarações do IRS, é melhor irmo-nos preparando para mais um assalto ao mealheiro.

Eu já desconfiava

Dá-se uma pessoa ao trabalho de separar as embalagens, etc, para reciclar, e chega a empregada, mistura tudo e deita no contentor do lixo.

Imagem daqui

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Da importância do número

Pensei que já tinha escrito isto neste blog:

Um animal com mais de quatro patas ou menos de duas não é normal.

Inverno

Eu sei que é Inverno mas, pelos deuses, estou tão farta de chuva e vento e frio que até já estou a considerar, eu que nem gosto muito de paraísos tropicais, emigrar para um deles.

Internado

A Mad, que não conheço mas é amiga do Paulo, chama a atenção para o blog Caixa de Costura, onde o André Frazão conta o que se está a passar com ele durante o internamento no Hospital de Santa Marta.

É hilariante. Estou a ler do presente para o passado, e mesmo antes do internamento ele já não era muito certo.
Bem haja.

Imagem por Ltljltlj

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Norma na Gulbenkian

Ouvidos diversos ouvem o mesmo diversamente...

Eu gostei da Norma da Gulbenkian, mesmo em versão de concerto, ou seja, sem cenário, com orquestra, coros e solistas amontoados no palco, sem a ajuda, ou a distracção, da componente teatral. Felizmente Silvana Dussmann, que sabia o papel de cor (ao contrário de Heidi Brunner), não cedeu neste aspecto, e arrastou os companheiros à interacção possível.

Não creio que haja uma cantora que diante dos primeiros compassos da Casta Diva não trema e não pense, Perdoar-me-á este público não ser a Callas? Dussmann não é a Callas, de facto, mas tem uma bonita voz, os agudos no lugar, e sentido dramático bastante.

Heidi Brunner andou aflita entre a partitura e os colegas que lhe exigiam contacto visual, e embora tenha uma voz muito agradável falhou na coloratura, o que é estranho para quem tem a sua experiência de Mozart e Rossini. Joana Seara, na Clotilde, aguentou-se lindamente.

Johann Botha tem uma voz bonita e potente, foi sedutor no dueto com Adalgisa no primeiro acto, mas no segundo, diante das ameaças de Norma, parecia pouco afectado... Io fremo, disse, como quem diz, despacha-te que tenho o churrasco à espera (e tinha, claro).

O Oroveso de Arutjun Kotchinian passou à tangente, o Flavio de Marcos Santos não. Quanto à direcção de Lawrence Foster, achei-a precisa, mas um tanto pesada.

Em todo o caso, tomara o S. Carlos...