quarta-feira, 4 de março de 2009

Orlando Villazon

Terá Rolando Villazón encontrado a sua própria voz?
Sempre gostei deste tenor mexicano, mas inicialmente porque tinha um timbre muito semelhante ao de Plácido Domingo - possivelmente forçado e talvez por isso em grande parte responsável pelos problemas vocais que Villazón sofreu nos últimos dois anos.

Numa altura complicada da sua carreira, com falhas na Lucia do Met e cancelamentos para Paris e Baden-Baden (via Opera Chic) parece querer enveredar pela música barroca e o novo disco, Handel, tem lançamento mundial a meados deste mês. Podem ouvir-se excertos aqui, por cortesia da editora, e também alguns clips no Youtube.

A voz está completamente diferente. A emoção continua, o esforço foi-se. Já não soa a Don Plácido. Numa primeira audição, gosto.

Trancas à porta

Notícia do Observatório do Algarve:

Ladrão fica preso dentro de carro roubado
03-03-2009 18:35:00
Um ladrão que tentava assaltar um carro, na Austrália, teve azar. Ficou trancado dentro do automóvel. Depois, foi só esperar pela polícia.
(...)
"O indivíduo, ao entrar no carro, trancou-se sem querer lá dentro e não conseguia sair", afirmou à agência Reuters fonte da polícia sul-australiana.


Qual chip de matrícula, qual cartracking do ACP. Um carro destes é que era.

terça-feira, 3 de março de 2009

Milk

Comecemos pelo princípio: Milk é um filme político, interessante, com uma excelente interpretação de Sean Penn no protagonista. Passa-se em S. Francisco nos anos setenta do século passado, antes do aparecimento do HIV e da explosão da SIDA na comunidade gay daquela cidade.

Imagem Wikimedia Commons

Talvez a localização e a datação precisas contribuam para nos arriscarmos a reagir com um Felizmente estas coisas já não acontecem. Mas não é verdade: basta lembrarmo-nos da aprovação há poucos meses da Proposition 8 que cancelou o direito ao casamento gay na Califórnia.

Se pensarmos que em Portugal não se matam homossexuais, nós que temos amigos ou colegas homossexuais tenderemos a negar a existência de homofobia. Mas não é verdade: basta lembrarmo-nos de que na recente discussão sobre o casamento gay houve quem argumentasse comparando a homossexualidade à bestialidade, à poligamia ou ao incesto.

E se pensarmos nisso, quando é que um candidato a um cargo público neste país ousou assumir-se como homossexual?

segunda-feira, 2 de março de 2009

Baixotes

Artigo no Expresso:

ACTUALIDADE
Ser baixo não tira Poder

De Napoleão a Medvedev, a História está repleta de líderes baixos. Há casos em que a altura se torna assunto de Estado.
Isabel Lopes
20:20 Domingo, 1 de Mar de 2009

(...)
Portugal tem também os seus "baixinhos", "baixotes", "rodinhas baixas".
(...)
"Ministro da Defesa não tem que ser Schwarzenegger" era o apelativo título de uma entrevista publicada há 13 anos pelo Expresso com António Vitorino (...) Não deixa, porém, de sugerir o nome de Marques Mendes: "Tem a proeza de ter menos um centímetro do que eu."
(...)
A conversa com Luís Marques Mendes já estava agendada. O antigo líder do PSD manifestou uma única dúvida quanto a fazer declarações para este texto: "Se a minha estatura nunca me incomodou nem prejudicou, o que dizer sobre o tema?" Que nunca ganhou ou perdeu eleições por ter 1,61 metros de altura (...)


Ao contrário da jornalista, eu acho que tamanho tem importância: como em relação aos cães, que quanto mais pequenos mais têm que ladrar para se fazerem notar.

Mas o que me interessa aqui é outra coisa: um artigo tão comprido para nos tentarem convencer que Marques Mendes e António Vitorino medem mais de um metro e meio de altura?
Tenham dó.

Notícia de capa n'A Bola (via Expresso):

RUI COSTA CONFIANTE
DÁ A CARA PELA EQUIPA
ANTES DA RECTA FINAL DA ÉPOCA

"ACREDITO NO BENFICA CAMPEÃO


Desculpem: isto é notícia?
Notícia seria Rui Costa dizer que acredita no Sporting campeão. Não me lixem.

domingo, 1 de março de 2009

Slumdog Millionaire

Duas idas ao cinema numa semana é obra. No multiplex local encontram-se os filmes que ganharam os principais prémios da Academia, e fui então ver Slumdog Millionaire e Milk.

Gostei de ambos. Andei pela Índia em turismo em 2006 e fiquei fascinada por aquele mundo diferente de tudo o que conheci antes ou depois. Adorei, mas percebi que me limitara a tocar a superfície, e que abaixo da espuma das ondas havia correntes e recifes.
Paradigmático é o trânsito nas cidades: para um ocidental, é o caos absoluto. Fica-se logo desorientado pela condução pela esquerda, e depois pelo volume e variedade de veículos e peões. No entanto, se se estiver atento, percebe-se que há regras: não necessariamente as nossas, mas há-as.

Slumdog Millionaire aborda alguns aspectos sob a superfície turística, nomeadamente a violência que organiza, explora e perpetua a pobreza. Seria interessante saber como foi feito este filme, que é uma criação ocidental mas usa actores, temas e linguagem colhidos nas produções de Bollywood. E que bons são os pequenos actores! A Índia adora o cinema, e aposto que estes miúdos sonham vir a ser os novos Amitabh Bachchan e Aishwarya Rai.

Mas este (como Milk, mas a esse já lá irei num post separado) é um filme político, e as suas consequências serão políticas. Já se diz que algumas das crianças irão deixar as suas barracas nos bairros de lata para morarem em casas. Isto, é claro, significa desenraizá-las. Será bom? Transformar-se-ão em estrelas de cinema, em profissionais competentes, ou voltarão aos subúrbios como marginais e criminosos?

Que estes meus comentários não distraiam do principal: Slumdog Millionaire é um filme que vale a pena ver: é bem feito, com uma boa história, bem representado, e do qual se sai bem disposto.

(Mumbai, Dezembro 2006)