quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Amar o próprio corpo

Amar o próprio corpo é uma proposta mais complicada do que parece: é não querermos ser outra ou diferente, mas querermos ser o melhor que podemos ser. É preocuparmo-nos com a alimentação e o exercício físico sem nos deixarmos iludir pelas imagens das modelos que são miúdas novíssimas e magríssimas e ainda asssim alteradas pelo Photoshop. É não termos objectivos irrealistas quando procuramos a cirurgia plástica para melhorar a nossa imagem, porque não vamos ficar iguais à nossa actriz favorita. Aliás ninguém é igual à nossa actriz favorita, nem sequer ela quando tem a cara lavada. É vestirmos o que nos fica bem, no tamanho que nos serve, e não o que ficaria bem a um ideal que não somos, e nesse sentido saber dizer "isto não é para o meu corpo" sem agonizarmos por causa disso, porque há tantos corpos diferentes e a mesma peça de roupa não pode servir a todos.

Poster de Lisa Champ para a NOW Foundation

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Começar bem o dia

Encontrar assim a saída do metro só pode pôr uma pessoa com mais vontade de enfrentar o dia. Agradeço ao L. A. que me mandou isto por e-mail :-)


sábado, 17 de outubro de 2009

Falando de comida

Notícia d'El País:

REPORTAJE
Cuba ya no puede repartir comida

El Gobierno pretende acabar con la distribución subsidiada de alimentos - Los bajos salarios y la precariedad dificultan la aplicación de la medida
MAURICIO VICENT - La Habana - 17/10/2009
Más del 70% de los cubanos han vivido bajo el sistema de racionamiento desde que nacieron. (...) No es mucho, pero durante casi medio siglo esta minicesta básica subvencionada -todos estos productos cuestan menos de un euro, al cambio- fue símbolo del igualitarismo de la revolución.
(...)
Desde que asumió formalmente el poder, el 24 de febrero de 2008, Raúl Castro ha expresado que la libreta de racionamiento, al igual que otras "gratuidades y millonarios subsidios", resultan "irracionales e insostenibles".(...)
Por lo dicho hasta ahora entre líneas parece clara cuál será la estrategia: subvencionar a las personas que más lo necesitan y eliminar el racionamiento para el resto.(...)


Quando o director do jornal oficial Granma escreve que "la justicia social no es el igualitarismo, es la igualdad de derechos y oportunidades", parece que vamos por bom caminho para um dia se acabar com mais um regime opressivo.

Enquanto isso, Le Monde leva-nos ao site do chef Pierre Gagnaire, que com o seu amigo, o físico Hervé This, se entretém a entender e experimentar a nova cozinha molecular, ou seja, nas palavras deste último, uma moda culinária que faz uso de resultados da ciência, e introduz ingredientes, métodos e utensílios "novos".

Cada vez mais alguns de nós vão tornando real a ficção científica da minha juventude.

Imagem FreeFever.com

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Carros

Neste país em que as crises conjunturais e estruturais se enroscam umas nas outras como trepadeiras sôfregas, ouvi algumas queixas de vendedores de automóveis, um sector sugado pelos impostos, incluindo o célebre e ilegal IVA sobre o ISV, minado pelo preço quase sempre ascendente dos combustíveis (mesmo quando o euro sobe) e mantido apenas pela ineficiência, ou mesmo deficiência, dos transportes públicos que, diria qualquer amador das teorias da conspiração, assim permanecem para que o Estado continue a arrecadar os tais impostos.

A propósito, os vendedores de automóveis mudaram de estilo: já não põem gel no cabelo, usam camisas Ralph Lauren sem casaco nem gravata, moram em bairros decentes, queixam-se do desgoverno e da injustiça, falam-nos de motores atmosféricos e dos vários tipos de injecção, deixam-nos ir para casa meditar e quando lhes telefonamos a dizer que escolhemos outro carro agradecem-nos e desejam-nos as maiores felicidades.

Assim até apetece trocar de carro, e se calhar é por isso que tantos o fazem sem poder, acabando os carros, ao que me dizem, apreendidos e parqueados até ao dia em que a Justiça, tão ineficiente ou deficiente como os transportes públicos, despache os processos para que se possam tentar re-vender.

Nota: vale a pena ver os vários clips relacionados.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Manifesto pela monarquia

Conforme prometi à Io, explico: sou monárquica porque prefiro, para representar o meu país, uma pessoa que tenha sido educada para o fazer, que sinta essa situação especial não como um trabalho nem um emprego temporário mas como algo que a define, que se identifique connosco e fale por nós, que não dependa de partidos políticos e possa assim ter e exprimir as suas opiniões considerando apenas o que pensa ser a melhor solução, sem calculismos eleitoralistas.

Por outro lado, como não sou religiosa (ao contrário do que parece, pode-se ser monárquica sem se ser católica e sem se gostar de caça nem de touradas, nem defender privilégios para a nobreza hereditária), prefiro um rei/uma rainha que o seja pela graça do povo, isto é, cuja nomeação seja confirmada por voto popular directo ou indirecto, e que reine conforme uma Constituição.

Se não puder ter uma monarquia, então prefiro uma república como a dos Estados Unidos da América, em que o presidente é eleito para formar um governo segundo um programa partidário, ou seja, é realmente um primeiro-ministro, e não anda por aí a fazer crer que é o presidente de todos os portugueses quando toda a gente sabe que ainda na véspera trocava insultos com perto de metade dos eleitores.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Outubro

Depois de dois dias de chuva e trovoada, voltou o céu azul. O mês de Outubro é lindo aqui no sul, e talvez o fim-de-semana passado não tenha sido a despedida da praia.

(Praia Grande, Outubro 2009)