domingo, 27 de dezembro de 2009

Do tempo e da música

Era uma vez um hotel jovem, que para entreter os seus hóspedes contratou uma série de músicos.
Ainda não se falava de hoteis all-inclusive, nem havia animação a toda a hora, mas depois do jantar, no bar, em cada noite da semana havia uma actuação diferente, e nos jantares de Natal e fim-do-ano tocavam os entertainers mais apreciados.

Ao longo dos anos criaram-se relações de fidelidade: entre os hóspedes e o hotel, entre os músicos e o hotel, entre os hóspedes e os músicos.
O hotel renovou-se; os hóspedes e os músicos envelheceram. Mas continuaram fieis entre si.

Já lá vai muito tempo. Alguns dos músicos já só se ouvem com amplificação, outros passaram a tocar sentados. Deveriam talvez reformar-se, mas provavelmente, como independentes, pouco terão descontado para a Segurança Social, e pouco terão poupado. Vão tocando o que sempre tocaram.

E no entanto... No jantar de Natal alguém elogia a acordeonista, outra pessoa pede-lhe que toque um clássico, e ela toca uma coisa que ninguém sabe o que é, mas que a inspira, e improvisa, ornamenta. Os olhares dos hóspedes mostram um respeito renovado, os aplausos reconhecem que há mais para além do Malhão malhão e do Cheira bem cheira a Lisboa.
No fim da noite, a acordeonista pede uma cadeira, senta-se, toca. É aplaudida. Fecha os olhos, embalada pelo respeito e pelo apoio dos presentes. Há quem vá saindo, os empregados começam a levantar as mesas. O pequeno grupo junto da acordeonista fica. A acordeonista toca. É uma jam-session de uma música só a tocar o que lhe vai na alma.

Foi assim mesmo, como fica escrito.

Em três parágrafos

(...) o keynesianismo, nas actuais circunstâncias, é inoperante: o acréscimo da procura produzido pelo aumento da despesa pública não provoca uma oferta nacional equivalente,porque se converte na aquisição de bens estrangeiros.
Mais dinheiro colocado em circulação sairá para o exterior, sem efeitos positivos na expansão económica nacional, enquanto esta própria não se expandir.
Em economia aberta e sem capacidade competitiva do aparelho produtivo nacional - como nos encontramos hoje - «mais» keynesianismo significa mais importações, maiores défices externos e agravado endividamento.


Medina Carreira, Portugal que Futuro?, Carnaxide, 2009, pg. 38

Será muito difícil perceber isto?

sábado, 26 de dezembro de 2009

Feriados

Notícia do Diário de Notícias:

Empresários
Patrões querem menos feriados
por LUSA Hoje
O vice-presidente da Associação Empresarial de Portugal defende que a redução de feriados poderia ter um impacto positivo no PIB. O 1.º de Dezembro deveria ser um dia útil, defende.
A Associação Empresarial de Portugal (AEP) defende a redução do número de feriados como forma de combater a crise e o desemprego, a começar pelo 1.º de Dezembro, que celebra a autonomia do País face a Espanha.
(...)
Os empresários já fizeram as contas e afirmam que Portugal tem mais dois feriados do que a média da União Europeia.
E, "em particular, [comparando] com os últimos países a entrar na União - aqueles com que concorremos mais directamente - temos claramente mais feriados e mais férias", indicou o responsável da AEP.
"Na nossa opinião, justificava--se que Portugal reduzisse o número de feriados e pudéssemos trabalhar mais horas. Teria impacto no Produto Interno Bruto" (PIB), defendeu.
(...)


Isto parece-me uma parvoíce pegada. Depois de perceber, há uns meses, que a produtividade tem muito mais a ver com o que se produz do que com o tempo que se leva a produzi-lo, não vejo como pôr os portugueses a trabalhar mais um dia por ano a fazer as mesmas coisas de fraco valor acrescentado poderá melhorar significativamente o nosso PIB ou fazer crescer mais rapidamente a nossa economia.

Para além disso, as pessoas não são máquinas: precisam de estímulos, de repouso e de rituais compartilhados, que é o que deviam ser os feriados, e são nalguns países onde a sociedade se compraz em alimentar a identidade própria e a auto-estima. Por isso mesmo, se quiserem discutir feriados, vamos ver o que eles significam e o que podem significar para os portugueses, mas por favor deixem o 1º de Dezembro sossegado, até porque para celebrar Portugal deveríamos fazê-lo positivamente, num dia em que recuperámos a independência e não naquele em que perdemos um grande poeta.

Presentes de Natal

O Jr recebeu dois presentes este Natal: uma camisola que fará o sacrifício de vestir nos dias mais frios, e um brinquedo que ele adora destruir à dentada e por isso só lhe é concedido em curtos períodos de recreio.

(Albufeira, Dezembro 2009 e Janeiro 2007)



Se ele tivesse escolha, se calhar devolveria, trocaria ou re-ofereceria a camisola. Para nós, humanos, que raramente admitimos mas detestamos metade das surpresas que nos fazem, o Telegraph tem sugestões úteis sobre o destino a dar aos presentes não desejados.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Boas Festas

Soube pelo 31 da Armada que a TAP resolveu ontem fazer um evento natalício em pleno aeroporto de Alcoch... perdão, da Portela. Já tenho ficado feliz com outras surpresas deste género, porque me parece esta um bocadinho forçada?

Como prefiro outro género de música, aqui deixo antes este video que um amigo me mandou por email e me deixou de lágrimas nos olhos (apesar de algumas vozes femininas):