quinta-feira, 24 de março de 2011

Numa de Professor Marcelo

O sr. José Sousa tem muitos defeitos mas não é burro. A não apresentação do PEC IV ao presidente da República e ao presidente do PSD antes de ser tornado público não foi distracção, displicência ou arrogância: foi feita com o propósito único de os irritar e de levar ao chumbo do projecto.

O sr. José Sousa queria pois demitir-se? Queria. Está cansado? Jamais. Quer recandidatar-se e vencer com uma votação superior à actual. Se possível, superior à do PR.
E como planeia ele obter tal votação? Fácil: chamando o FMI.

Vamos lá ver: este país não tem solução. Não temos dinheiro, não vamos ter dinheiro, e daqui para a frente, a continuarmos esta estratégia, vamos viver muito pior. Para mudarmos de estratégia tínhamos de mudar de perspectiva. Não são os políticos que temos que têm capacidade para isso. Nem os economistas, que alinham todos pela mesma cartilha mas falam como se tivessem individualmente descoberto a pólvora - agora.

E quanto a nós, leigos, podemos protestar e esbracejar o que quisermos, mas também não fazemos ideia de como sair daqui. Não é com certeza com as propostas do BE ou do PCP, embora às vezes me apeteça acreditar que eles têm razão. Mas também às vezes me apetece acreditar que há vida depois da morte e vou reencontrar o meu pai e os meus cães.

Anyway, voltando ao assunto: o sr. Sousa vai chamar o FMI porque não tem outra hipótese - não porque o FMI tenha soluções - mas vai poder clamar que é contra vontade, que a culpa é da oposição, que tudo o que acontecer de horrível - e vai acontecer - é da responsabilidade dessa oposição irresponsável.

E pode ser que ganhe outra vez as eleições.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Elizabeth Taylor

Soube esta tarde no IMDb: morreu Elizabeth Taylor, a lenda, a diva, inesquecível em todos os papéis que desempenhou, dentro e fora do cinema.

Desde as suas paixões incontroláveis às suas amizades fiéis, dos excessos de álcool ao activismo contra a SIDA, das jóias aos problemas de saúde, foi sempre maior do que ela própria.

Entre os seus filmes lembro particularmente Suddenly, last Summer, Butterfield 8, Who's afraid of Virginia Woolf e Cleopatra. Parafraseando Pascal: se a rainha do Egipto tivesse aquele nariz e aqueles olhos ninguém lhe teria resistido.

Imagem © Twentieth Century Fox, retirada daqui

segunda-feira, 21 de março de 2011

Lucia di Lammermoor

No sábado a transmissão da Lucia di Lammermoor da Metropolitan Opera House recebeu aplausos e críticas praticamente unânimes.
Depois de ler os posts do Paulo, do FanáticoUm, do Joaquim, do Alberto ou da Io, não me resta muito que comentar. Ainda assim, aqui ficam algumas impressões:

Esta nunca foi obra que me interessasse muito, mas a verdade é que uma boa encenação com bons cantores/actores pode dar uma dimensão extra a estes personagens enredados numa história tipo romeu-e-julieta sobre fundo de rivalidade política entre clãs escoceses.

Ora como cantora/actriz Natalie Dessay é estupenda, e foi nesta produção de Mary Zimmerman que chamou tanto a atenção há uns três ou quatro anos. Dizem-me que a voz não é a que era, que falha nos agudos (falhou audivelmente no 1º acto, antes do dueto com Edgardo), mas é expressiva, empenhada e agradável. A ovação após a cena da loucura, tanto no Met como na Gulbenkian, foi longa e merecida.


Joseph Calleja é um gato maltês de trinta e poucos anos que já tinha visto referido como um dos três ou quatro melhores tenores líricos da actualidade, o que me aguçara a curiosidade. Tem realmente uma belíssima voz e uma belíssima presença no palco e encantou toda a gente com quem falei.

O barítono Ludovic Tézier deixou-me ambivalente: gostei da voz mas achei-o fraco do ponto de vista cénico. A ira que deveria inflamar o personagem não se sente, o que é pena, porque a concepção que o próprio Tézier faz de um Enrico doente é interessante. Ainda por cima as câmaras revelam o olhar sempre a fugir, suponho que para o maestro, o que é desconcertante.

Nada a apontar ao restante elenco excepto o tenor Philip Webb (Normanno) que pareceu fraquinho, embora a amplificação possa trair os cantores tanto como afirmá-los.

A orquestra não deixa de me maravilhar quando penso no calendário que tem que cumprir, já que numa qualquer mesma semana o Met põe em cena diversas óperas e ainda ensaia mais uma ou duas.

Monstros

Ouvido hoje numa entrevista sobre o Monstra, transmitida no noticiário (que odeio) da Antena2 às oito da manhã:

A arte é a génese da sobrevivência do homem para além da sua existência.

Comentário do meu amigo L. A.:

Essa é tão profunda que só se lá vai c'um escafandro!

domingo, 20 de março de 2011

Informação e ignorância

Notícia do Expresso, edição em papel, caderno principal, página 2:

CARLOS E PARKER_BOWLES
Primavera começa em Portugal

O Príncipe de Gales e a Duquesa da Cornualha começam a 28, em Lisboa, o 'tour de primavera', que terá continuidade em Espanha e Marrocos.(...)

Confesso que me irrita que os jornalistas (não só os do Expresso, também outros como os do Diário de Notícias ou de revistas cor-de-rosa) continuem a tratar a duquesa pelo apelido do ex-marido mesmo depois do segundo casamento. Mas como esperar outra coisa de quem confunde campos de golfe com automóveis?

quarta-feira, 16 de março de 2011

Telemarketing

Ele: Boa tarde, estou a ligar-lhe da parte do Millennium bcp, é oportuno falar agora com a senhora?
Eu: Faça o favor de dizer.
Ele: Por motivos de segurança, para lhe enviarmos o cartão Prestige Security, pode confirmar a sua data de nascimento?
Eu: Mas eu não quero o cartão Prestige Security. A minha conta não é Prestige e não preciso de um cartão Prestige.
Ele: A sua conta não ser Prestige não impede que tenha um cartão Prestige. Pode confirmar a sua data de nascimento?
Eu: Mas eu não quero o cartão Prestige.
Ele: O cartão Prestige Security é um cartão de crédito com numerosas vantagens, seguros, descontos em lojas e hotéis, e pode ser utilizado como cartão de débito.
Eu: Obrigada, mas não estou interessada.
Ele: Mas nós já lho enviámos. Não recebeu?
Eu: Não.
Ele: E o código PIN, recebeu?
Eu: Não.
Ele: O que podemos fazer é enviar-lhe novamente o código.
Eu: Mas eu não quero o código nem o cartão.
Ele: O cartão Prestige Security está à sua disposição. Para qualquer dúvida, queira contactar os nossos serviços ou o Millennium bcp online.

Estou mesmo a vê-los mandarem-me um cartão que não pedi, não quero e não usarei, e a tentarem debitar-me a respectiva anuidade, que é (fui agora ver) oitenta e tal euros.
Não sei se roubar é uma arte que se aprende ou uma doença contagiosa.