quarta-feira, 18 de julho de 2012

Incêndio

Nuvem de fumo sobre Faro, hoje às seis da tarde. Com origem na serra, avançava em direcção ao mar e ainda era visível quando cheguei a Albufeira.

(Faro, Julho 2012)

E há bocadinho, depois do jantar, houve aqui um tremor de terra de alguns segundos.

domingo, 15 de julho de 2012

Jogos de treino

Alguém me conseguirá explicar convincentemente qual o gozo que dá a equipas de futebol da Primeira Liga fazer jogos de preparação em que ganham 11-0 contra o Atlético do Cacém, formação do principal escalão da Associação de Futebol de Lisboa, ou mesmo ir ao Luxemburgo bater nos amadores do Hamm?

E o que ganham esses pequenos clubes em ser enxovalhados pelos grandes? Euros, ao menos?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Assim de repente

Olhando para o plano de estudos da licenciatura em Ciências Políticas e Relações Internacionais da Universidade Lusófona, alguém acha normal que quem não obteve equivalência à cadeira de Introdução ao Pensamento Contemporâneo (1º ano) a pudesse obter à de Etologia e Antroposociobiologia (2º ano)?

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Inverno do Leão

Quando estive em Bordéus lembrei-me muito do filme The Lion in Winter, que conta as desavenças familiares por causa da sucessão ao trono de Inglaterra, ambicionada pelos três filhos de Henrique II: Ricardo Coração de Leão, Geoffrey e João Sem Terra. A rainha, peça fundamental desse xadrez sem tabuleiro, era Leonor da Aquitânia, uma mulher extraordinária com uma vida extraordinária, casada em primeiras núpcias com o rei de França, divorciada e re-casada com Henrique de Anjou, que viria a ser rei de Inglaterra. No filme era representada por Katharine Hepburn, uma das minhas actrizes favoritas, e o rei era Peter O'Toole.

Pois Peter O'Toole, aos oitenta anos, depois de mais de cinquenta de actividade, em que foi nomeado oito vezes para os Óscares mas só ganhou o prémio de carreira, perdida há muito a beleza estonteante de Lawrence of Arabia, cujos olhos nem pelos de Mel Gibson foram superados, decidiu reformar-se agora. Segundo disse, sai porque já não tem vontade de fazer filmes nem teatro.

Foto daqui


Eu fiquei cheia de inveja porque, no mundo actual, em que se corta tudo o que conforta quem trabalha (os médicos estão hoje em greve!) e em que no entanto a idade da reforma se afasta por imposição de uns quantos que não obedecem à sua própria regra, gostaria que só aos oitenta anos me passasse a vontade de trabalhar, mas não me parece que aconteça.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Da cópia

Se não me engano foi ontem que ouvi na Antena2 o primeiro andamento do Concerto para Trompete em Mi bemol de Haydn, tocado por Wynton Marsalis, e percebi que conhecia aquilo de qualquer outro lado.
Oiça-se então logo no princípio, ao minuto 0:37, este tema que é aqui tocado pelas cordas e é repetido mais adiante várias vezes, inclusivamente pelo solista (por exemplo em 1:40):


e agora oiça-se esta ária da ópera Fidelio de Beethoven, onde o mesmo se encontra a partir do minuto 6:10:


A Ana Vidal, no seu post de hoje, propõe que estas coisas se passem quando a mente não reconhece o déjà vu (déjà entendu, no caso) e "acredita" estar a criar uma nova sequência musical, quando, afinal, está apenas a reproduzir uma que tem gravada na memória. Uma boa hipótese, claro, embora para os grandes compositores de antigamente se possa também imaginar, como já tem sido dito neste blogue, que tenham ouvido um tema, gostado e resolvido utilizá-lo, sem grandes problemas quanto à respectiva atribuição.
Nesses séculos, suponho, a questão dos direitos de autor não se devia pôr da mesma maneira.