sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Os responsáveis

Em véspera do que se espera seja a maior manifestação de protesto vista em Portugal nos últimos anos, sob o lema Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas, seria bom levarmos a sério o que o representante da missão da Comissão Europeia, Jürgen Kröger, disse no princípio de Setembro: que o programa de ajustamento financeiro não é da troika, mas do Governo.

Quem leu o memorando e ainda não tem a memória tão curta como o primeiro-ministro gostaria, só pode confirmar: praticamente tudo o que lá está constava das propostas que PSD e CDS tinham avançado como soluções na altura em que eram oposição ao desgoverno do Sr. Sousa.

E nem podia deixar de ser assim, ou alguém acredita que foi da cabeça iluminada de três fulanos caídos de pára-quedas num país que desconheciam, que saíram propostas para reduzir o número de autarquias, alterar as leis dos arrendamentos ou controlar a assiduidade dos médicos?

Haja bom-senso. A troika exigiu que se controlassem as contas públicas; quanto à forma de o fazer, foram os partidos e parceiros sociais, que com ela reuniram, que propuseram medidas e com elas se comprometeram.

Alguém está a dar cabo das nossas vidas, mas sabemos bem quem é, quem tem sido e quem será. Não inventemos bodes expiatórios.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Diferente

As palavras são do A., mas eu não diria melhor:

Desta vez vai ser diferente. Na minha próxima viagem que farei brevemente, não irei viajar com um cão. Para além do meu, levarei mais 4 cães. São cães abandonados no Algarve e recolhidos por estrangeiros neste país de selvagens, e que entregarei na Alemanha a uma organização que recolhe os animais abandonados em Portugal, para serem adoptados por famílias alemãs.


(Albufeira, Setembro 2012)

E isto acontece depois de neste fim de semana passado ter tentado almoçar numa das esplanadas do paredão do Tamariz, no Estoril. Em nenhuma da 3 esplanados existentes no paredão, completamente ao ar livre e sobre a praia, me deixaram sentar pois estava acompanhado do meu cão. De facto, neste país de mouros, ter um cão continua a ser um crime e uma tarefa impossivel.

Férias!

Heil dir, Sonne!
Heil dir, Licht!
Heil dir, leuchtender Tag!
Lang war mein Schlaf;
ich bin erwacht.


O resto da letra e respectiva tradução pode ser encontrado aqui e aqui, assim como algumas excelentes interpretações, mas a música mesmo antes das primeiras palavras de Brünnhilde é igualmente gloriosa.

domingo, 2 de setembro de 2012

Empreender


Leio que este ano há mais cinco mil professores no desemprego por não terem conseguido colocação no ensino público, e acho que o verdadeiro problema não é o Estado não dar emprego a essas pessoas mas sim os entraves que coloca a que se juntem, se organizem e criem as suas próprias escolas - cooperativas ou não.

Enquanto os ministros apelam ao empreendorismo e o chefe do governo aconselha os portugueses a serem menos piegas, vão crescendo as pilhas de leis e normas que castram as iniciativas. Não é hoje possível fazer uma escola numa casa qualquer com salas de aula e casas-de-banho. Da mesma forma, não posso, como às vezes sonho, ter um consultório onde faça umas pequenas cirurgias, com uma autoclave para esterilizar os instrumentos: tenho de ter áreas de limpos e de sujos, casas-de-banho para homens, mulheres e deficientes, desinfectantes e produtos de limpeza em arrumações separadas, registos e licenças, pessoal e segurança social, seguros, rendas, empréstimos e garantias. Calculo que para uma escola seja parecido, e que tenha de haver zona de recreio e refeitório, vigilantes e magalhães.

Por isso o investimento em Portugal diminuiu 40% nos últimos dez anos e há-de continuar a diminuir, afastando-nos cada vez mais das metas que nos dizem ser as nossas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ao telefone

Então é assim: a Liliana e o Bruno estão a separar-se e a história toda desde a descoberta da gaija, com as zaragatas, os conselhos, a sogra aos gritos, a guerra sobre o carro afinal comprado pelo sogro, corre não só entre os amigos de ambos (a Fátima, o Filipe, a prima Cláudia, o Nuno, a Mónica, entre outros) como entre todos os passageiros da primeira carruagem do Alfa Pendular entre o Algarve e o Porto, que não pudemos deixar de a ouvir contada ao telefone, com sotaque e vocabulário nortenho não censurado e tudo a que tivemos direito.

Lição centenária

Uma conversa com o A. abriu-me uma nova perspectiva sobre Manoel de Oliveira, um homem cuja produção desde há mais de um século é dirigida a um pequeníssimo nicho de mercado, dá sempre prejuízo mas continua a receber subsídios e mesmo assim, em tempo de troika, em vez de cortes, leva prémios.

Aprendam, que ele talvez não dure sempre.