quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Um conto de fadas de crise

Os principais problemas de Portugal podem ser a corrupção e a desinformação, e esta entra nas nossas cabeças diária e sorrateiramente.

Entre o que se lê e o que se fala tem-se a impressão que a Alemanha (ou a Merkel) é a madrasta que está a transformar Portugal e a Grécia nas novas Gatas Borralheiras, sendo o FMI, a UE e o FEEF as irmãs malvadas.

Esquece-se, voluntariamente ou não, a responsabilidade do pai da rapariga, que casou com a madrasta e lhe deixa a orientação da casa: o pai, penso eu, são/têm sido os sucessivos desgovernos de Portugal e da Grécia.

Continuando a ficção, a Gata Borralheira portuguesa (não vou especular sobre os sentimentos da grega) sonha com o príncipe encantado que a há-de salvar, e frequenta os bailes que pode à procura dele, enquanto cada janota da cidade se imagina ser o tal príncipe, D. Sebastião ou Salazar do século XXI, qualidade a que aspirarão alguns sinistros financeiros e financeiros sinistros.

Duvido que a Merkel seja a madrasta, mas certamente a Lagarde não é a fada madrinha que transforma a abóbora em limusine. Por isso as abóboras que cultivarmos, sejam para nosso consumo ou para vender no mercado, sejam as melhores que pudermos, sabendo que não passarão de abóboras.

Hão-de salvar-se os ratos, suponho, como habitualmente.

domingo, 4 de novembro de 2012

Se fue FOM

Tinha de acontecer um dia, não é? Fernando Ortiz-Monasterio foi um dos grandes cirurgiões plásticos com quem tive o privilégio de trabalhar. Estagiei com ele na Cidade do México, atraída pelos trabalhos que dele conhecera em congressos, sobretudo na remodelação dos ossos da face e crânio e na cirurgia da fenda labial, na qual obtinha resultados superiores a quaisquer outros: Eccelente!, dizia, contemplando-os com satisfação merecida.

(Mexico DF, Setembro 1992)

Elegante, desportista (jogava ténis e fazia vela), feio, sorridente, educado, dizia-se descendente de espanhóis e jaguares e apreciador de mulheres bonitas. Jantei em sua casa, eu e toda a equipa, que incluía vários estrangeiros, vindos tanto de Cuba como de Espanha.
Era importante para ele criar escola. Punha-nos generosamente à disposição a gigantesca colecção de diapositivos para que os copiássemos e usássemos, e para meu desgosto assisti a apresentações cujos autores se esqueceram de lhe dar o devido crédito.
Não que isso o diminuísse. Era um senhor. Morreu no passado dia 31 de Outubro, aos 89 anos.

Para quem quiser recordar o seu trabalho, aqui fica um link, com o aviso de que tem imagens possivelmente chocantes para quem não está habituado a ver estas malformações.

Gracias, maestro, y hasta siempre.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Mal gasto

Notícia do Diário de Notícias:

Japão: Tsunami
Um quarto do dinheiro para reconstrução foi mal gasto
por Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral Ontem
Cerca de um quarto dos 113 mil milhões de euros destinados à reconstrução no Japão, depois do maremoto de 2011 e subsequente desastre nuclear, foram gastos em projetos sem qualquer ligação com aquele objetivo, segundo uma auditoria.
Uma auditoria governamental detetou aplicações questionáveis, como subsídios para uma fábrica de lentes de contacto ou investigação na caça à baleia, noticia hoje a agência AFP.
Mais de metade do orçamento ainda não foi aplicada, devido à indecisão e à burocracia, enquanto cerca de 340 mil pessoas retiradas da zona de desastre continuam sem saber se, quando e como serão alguma vez realojadas.
Muitos dos projetos sem qualquer relação com a reconstrução incluídos no orçamento de 11,7 biliões [milhão de milhões] de ienes (113 mil milhões de euros) foram incluídos com o pretexto de que poderiam contribuir para a recuperação económica japonesa (...)


É triste perceber que mesmo no Japão, país com tradições de honra tão valorizadas, estas coisas podem acontecer.
Gostava de perceber o que é uma auditoria governamental: mandada fazer pelo próprio governo? É que em certos outros países que conhecemos têm de ser os jornalistas, a oposição ou mesmo competidores das empresas beneficiadas a descobrir as maroscas.

Retirado

Notícia de The Portugal News:

Anti-fat cream withdrawn from market
by TPN/ Lusa, in General · 25-10-2012 09:52:00

Portugal’s medical sector regulator Infarmed has ordered the full withdrawal of ‘Creme gel Drenante Anticell,’ produced by Bottega Verde, with immediate effect as from Tuesday.
The regulator found that the cream “presents deceiving allegations in relation to its efficiency, especially regarding the treatment of resistant cellulite.” Infarmed added that all stocks held by stores should be immediately withdrawn.


Acho lindamente, e espero que o Infarmed mande retirar do mercado todos os pseudo-medicamentos que proclamam remover a celulite, as rugas, os quilos e os anos sem esforço, dieta ou cirurgia. Vai ter uma trabalheira.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A vida dos Romanos em Sevilha

Sevilha tem património histórico para todos os gostos. Desta vez já comecei a farejar o que resta da antiguidade romana, com uma visita ao Palácio da Condessa de Lebrija, onde se encontram muitos dos mosaicos encontrados nas escavações da vizinha cidade de Italica.


(Sevilha, Outubro 2012)

A própria Italica e o museu arqueológico esperam ainda outra visita, assim como o antiquarium no subsolo da Encarnación, uma praça onde nascem hoje em dia uns cogumelos muito peculiares.


(Sevilha, Outubro 2012)

Na Plaza de S. Francisco, logo atrás da catedral, visitei uma simpática exposição temporária (só lá fica até ao fim de Outubro e segue para Mérida) intitulada Romanorum Vita. É uma apresentação sumária, apelativa e bastante correcta da vida quotidiana dos romanos, que está mais desenvolvida no respectivo site.

A guia, contudo, não deixou de fazer uma daquelas afirmações que resultam sempre bem junto de um público ignorante: tendo informado que os romanos usavam latrinas colectivas, o que é verdade, e que nelas havia canalizações para escoar os resíduos e as águas de lavagem, o que também está certo, contou que ali se encontrava um balde com uma esponja amarrada a um pau e cuja utilidade seria... "Pensem no pior e acertam. Isso mesmo, servia para as pessoas se limparem, porque não havia papel higiénico."





Houvesse ou não papel, é curioso como ninguém pôs em dúvida que os romanos achassem normal limpar o rabiosque à mesma esponja do vizinho. Assim vai a credulidade humana, que não reconhece um piaçaba quando o tem diante dos olhos.

(Ephesus, Setembro 2004)