segunda-feira, 23 de junho de 2014

La Traviata de Paris: aviso

Aviso à navegação: o canal Mezzo vai transmitir a Traviata de que falei (não a récita a que assisti mas a seguinte, de terça-feira 17) depois de amanhã, quarta-feira 25 de Junho, julgo que às 19h30 hora de Lisboa.

domingo, 22 de junho de 2014

Côtes de Beaune, o vinho que cura

A Borgonha é conhecida pelos seus vinhos, e entre eles pelo que é possivelmente o menos interessante, o Beaujolais.
Mesmo este tem diversas variedades, mas há muitos outros. Nós, portugueses, gostamos de elogiar os nossos vinhos como se os franceses não tivessem mais de dois mil anos de experiência com os deles.

As encostas de Beaune produzem tintos e brancos; uma porção desses terrenos vitícolas pertence aos hospitais de Beaune e estes são em parte financiados pelas receitas da venda dos seus vinhos.
Outra fonte de receita é o turismo, através das visitas ao Hôtel-Dieu, o hospital medieval fundado e construído para abrigar e tratar os pobres - no fim da guerra dos cem anos, eles não faltavam na região - e que se manteve em funcionamento até quase ao fim do século XX.

Os telhados multicoloridos são típicos na região:

Na enfermaria principal as camas alinham-se em direcção à capela:


Nesta, o altar apresenta um trabalho riquíssimo:

E o acervo contém numerosas obras de arte, incluindo pinturas e tapeçarias.

(Beaune, Junho 2014)

Passear em Dijon

A melhor maneira de conhecer Dijon é fazer o parcours de la chouette, ou seja, seguir as placas de cobre gravadas com a figura de uma coruja e cravadas no chão

que nos levam a todos os lugares relevantes, desde o palácio dos Duques da Borgonha, onde está actualmente instalado o Musée des Beaux Arts

por casas com fachadas de barrotes de madeira

até ao Grand Théatre, à catedral ou ao mercado

rodeado de restaurantes, à rua das lojas

e à igreja de Notre Dame

que exibe uma extraordinária colecção de gárgulas como eu nunca tinha visto.

(Dijon, Junho 2014)

sábado, 21 de junho de 2014

Paris: apontamentos

Vivement les filles!


O jardim da Place des Vosges é um dos muitos em que surpreendentemente não são permitidos cães. Já das arcadas não há nada a dizer.


Desta vez a Notre Dame só avistei de longe.


Vida alternativa:

(Paris, Junho 2014)

La Traviata em Paris

A Opéra de Paris tem um sistema muito simpático de revenda de bilhetes, e foi nessa bolsa que consegui dois lugares ao fundo da plateia na Opéra Bastille para ver esta nova produção do cineasta Benoît Jacquot.

A sala, cujo aspecto mais impressiante é os balcões em consola sem apoio aparente, é muito profunda, e talvez em parte por isso o som não é muito envolvente.

(Paris, Junho 2014)

Ainda assim, gostei muito. Gostei da encenação, que é de época e serve o libretto e a música, e gostei dos cenários, que são simples, eficazes, e muito bonitos. A grande cama de dossel de Violetta tem, no primeiro acto, na cabeceira a Olympia de Manet; no terceiro acto o quadro foi retirado e virado ao contrário. No primeiro quadro do segundo acto uma árvore muito bonita exprime o bucolismo da nova vida dos dois apaixonados.

A orquestra, dirigida por Francesco Ivan Ciampa, esteve bem; o coro foi talvez para mim o ponto mais fraco, pesado, compacto e escuro, mas foi como o encenador o quis no palco, por isso talvez vocalmente também fosse essa a intenção. Adorei o oboé no diálogo com Violetta no terceiro acto. Delicioso o bailado em casa de Flora, com os bailarinos transvestidos em honra ao Carnaval.

Quanto aos protagonistas: a soprano Diana Damrau foi Violetta, o tenor Francesco Demuro foi Alfredo e o barítono Ludovic Tézier o pai Germont. A melhor voz, para meu gosto, foi a de Tézier, grande, melodiosa, segura; infelizmente acho-o sempre muito parado. Damrau, a Traviata do momento, domina muito bem a coloratura, tem uma grande intensidade dramática e no Addio, bel passato, chegou a comover-me. Demuro, se não me encantou no brinde, foi melhorando em todos os aspectos durante o espectáculo.

Fica aqui o Sempre libera que encontrei no Youtube:

terça-feira, 3 de junho de 2014

Barcelona a fingir

Ou: como transformar as empenas sem graça dos prédios que rodeiam o pátio traseiro de um hotel no centro da cidade.

(Barcelona, Março 2014)