segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Tosca em Pompeios

Até este Verão desconhecia a existência de um festival de música em Pompeios, e ainda que não fosse Orange, Taormina ou Verona, entusiasmou-me a ideia de assistir a uma ópera num teatro romano antigo.

Esteve uma noite fantástica, mas o espectáculo não foi extraordinário, e a famosa acústica romana decepcionou-me: talvez porque o teatro já tem muitos restauros em betão, ou porque os meus ouvidos estão habituados à tecnologia dos nossos dias, o som da orquestra não chegava limpo.

Entre os cantores, cujos nomes só foram apresentados no início da récita, havia um já meu conhecido, o tenor Giancarlo Monsalve, que cantou o Don Carlo no S. Carlos há uns anos. Felizmente desta vez não estava constipado, mas ainda assim não foi um Cavaradossi estelar.
A Tosca foi interpretada por Maria Carfora, melhor cantora que actriz, e Scarpia por Carlo Guelfi, que também já cantou em Lisboa, e de que gostei bastante, tanto vocal como cenicamente.

Aqui deixo um bocadinho para amostra.

Memórias de Nápoles

Enquanto chove recordo alguns momentos das férias napolitanas:

a siesta do operário da construção civil

(Procida, Setembro 2015)

O smog sobre a baía

(Vesuvio, Setembro 2015)

A costiera sorrentina à qual se acede por túneis e estradas feíssimas, que ao fim-de-semana engarrafam totalmente.


As casas impossíveis de uma encantadora aldeia em socalcos hoje totalmente comercializada

(Positano, Setembro 2015)

O fogo de artifício todas as noites

(Napoli, Setembro 2015)

O parque arqueológico submerso de Baia, cuja visita falhou por "falta de visibilidade"

(Bacoli, Setembro 2015)

O pequeno, quase desconhecido Museo dei Campi Flegrei

(Miseno, Setembro 2015)

de onde se avista esta praia, onde infelizmente não aceitam cães

(Miseno, Setembro 2015)

A Tosca no Teatro Grande de Pompeios

(Pompei, Setembro 2015)

Dia de todos os santos

Cheguei de comboio a Albufeira à hora do almoço e encontrei o dilúvio.



Em breve se concluiu que não havia passagem e resolveu-se subir um passeio e esperar.



O problema foi a água continuar a subir e chegar ao sistema elétrico... Só se saiu dali a reboque para um local mais seco mas, mesmo depois de a chuva parar, a rotunda das Ferreiras só se cruzava a nado!


Valeram-nos todos os santos, a maré vazante, os bombeiros e algumas boas pessoas, e ao fim da tarde lá se conseguiu chegar a casa.

(Albufeira, Novembro 2015)

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Refugiados e migrantes

Sobre a actual "crise migratória " talvez fosse bom que se dissesse meia dúzia de coisas que não tenho ouvido se não raramente em todo este festival mediático:

1. As dezenas de milhar de pessoas que vão chegando às nossas costas e às nossas fronteiras são apenas a vanguarda: há muitas mais desesperadas em países destroçados ou arruinados.

2. Todas estas pessoas vêm na esperança de uma vida melhor: quer sejam refugiados de guerra quer não, procuram paz, estabilidade e, na maioria dos casos, imagino, emprego. Não querem certamente ser "acolhidas" em acampamentos nem viver de rações.

3. Há quem sugira o contrário: que querem viver de subsídios. É provavelmente uma redução do que acredito seja a verdade: que queiram os benefícios e direitos que sabem ou sonham existir na Europa.

4. A chanceler Merkel quer fazer a distinção entre as pessoas que têm o direito de ser recebidas e as que não têm. Essa distinção tem a ver com a proveniência ou não de países em guerra. Mas isso relaciona-se com a história e os fantasmas da Europa e não com as necessidades dessas pessoas.

5. Enquanto não chegarem ao seu destino, serão como disse Cameron, uma praga. Com falta de higiene e deixando atrás lixo que outros apanharão.

6. O presidente húngaro afirmou que este não é um problema europeu mas sim alemão. O certo é que estas pessoas querem ir para a Alemanha que, ouviram certamente dizer, é a maior economia da Europa, e da qual esperam melhores condições para viverem; não são gado para ser dividido em quotas e levado para a Eslováquia ou para Portugal independentemente da sua vontade.

7. Portugal, um pequeno país de dez milhões de pessoas, conseguiu integrar cerca de meio milhão de "retornados" quando fez a descolonização. Isso faz-nos esperar que a Europa consiga integrar uns milhões de sírios e africanos. No entanto, os valores culturais destes estão muito mais longe dos europeus do que os dos nossos "retornados" estavam. E não devemos esquecer quão longo foi o processo. Pergunto-me se a Alemanha já integrou a sua metade oriental.

8. Fala-se do contributo que estas pessoas e as suas crianças darão à força de trabalho europeia e à sua demografia envelhecida. Como se entre os nossos principais problemas não estivessem a carência de emprego para os que já cá viviam e a deslocação da produção para o Extremo Oriente.

Omissão

Os jornalistas portugueses prosseguem a narrativa angustiante da guerra entre os partidos de esquerda e de direita.
Omitem a outra guerra que está a ter lugar entre a Opus Dei e a Maçonaria, e que é transversal à anterior.