quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Doçura ou travessura

Notícia do Público:

Açúcar no café? Saúde quer reduzir quantidade dos pacotes para metade
Alexandra Campos
14/01/2016 - 07:16

Esta é a primeira proposta de um lote de medidas idealizadas pela Direcção-Geral da Saúde para reduzir o consumo de açúcar em Portugal. Embalagens individuais vão passar de oito para quatro gramas de açúcar.
(...) e tornar obrigatório que estes pacotes apenas sejam disponibilizados aos clientes se o pedirem expressamente.
(...)


Ora que medida tão inteligente. Só serve para tornar os pacotes de açúcar mais caros para os comerciantes (o dobro do papel para a mesma quantidade de açúcar). As pessoas que usavam um pacote simplesmente pedirão dois, duh.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Ascensão e morte de David Bowie

David Bowie foi um dos ídolos da minha juventude. Primeiro pela imagem: loiro, esguio, andrógino, exótico, decadente. Depois pelas canções, mistura de riffs de rock pesado com teclados dissonantes, saxofone jazzy e na voz as melodias pop envolvendo poemas. Sempre me fascinou o outro lado, negro, insano, dionisíaco, que nunca toquei por na realidade o saber muito menos belo do que o seu espectáculo. Bowie esteve à beira de se perder na cocaína, salvou-se e mudou.

Era o homem das mudanças, desde Ziggy Stardust a Aladdin Sane, à trilogia de Berlim, mas sempre com uma angústia subjacente; no entanto tinha imenso humor e foi, acredito, feliz. Também fez teatro e cinema: vi The Man who fell to Earth num cinema que já não existe e adorei Mr. Christmas Mr. Lawrence.

Tive na parede do meu quarto um enorme poster a preto e branco, com ele vestido de calças largas de pregas e suspensórios.

Em meados dos anos 80, perdi o interesse, talvez com a morte definitiva do Major Tom. Fui vê-lo mais tarde a Alvalade no seu primeiro concerto em Portugal, que não me entusiasmou. Contudo, ainda consigo ouvi-lo com algum prazer.

Não sei se e que parte da sua música ou dos seus poemas será recordada pela posteridade. Mas no dia da sua morte, três dias depois de completar 69 anos e publicar o seu último álbum, celebro-o como um dos grandes performers da sua época.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Gerando monstros

Porque é tão difícil encontrar à noite na televisão um programa de ficção que não tenha que ver com assassínios violentos?
Ontem encontrei num dos canais Fox uma cena em que um homem era torturado até à morte à vista de quem acedia a um determinado site, e quanto mais visitas esse site tivesse mais aumentava automaticamente a intensidade da tortura.
Claro que passei adiante, mas ficou a pergunta: que cérebro anormal é capaz de inventar semelhante selvajaria, ainda que para um filme de televisão?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Tenerife

A última viagem do ano foi uma há muito adiada. As Canárias têm a reputação manchada como destino de turismo de massas, Albufeiras tamanho gigante, plantações de hoteis que são uma das piores invenções dos espanhóis. Mesmo assim, desta vez enchi-me de coragem e aterrei em Tenerife.

Obviamente há esses monstros, desde os mais conhecidos como a Playa de las Americas até outros aparentemente mais remotos:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

Mesmo assim é possível encontrar uma cidadezinha mais discreta com a sua praia artificial

(Alcalá, Novembro 2015)

e até ficar num aparthotel cheio de estilo:

(Alcalá, Novembro 2015)

debruçado sobre a praça onde à segunda-feira se faz o mercado local.

Ainda há pequenas praias civilizadíssimas de areia negra:

(Alcalá, Novembro 2015)

ou piscinas naturais que ao fim de semana são frequentadas também pelos locais, ou tinerfeños:

(Garachico, Novembro 2015)

Uma excursão a fazer, contudo, é a que nos leva a ver baleias:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

e golfinhos:

(Puerto de Santiago, Novembro 2015)

e estas falésias conhecidas como Los Gigantes:

(Alcantillado de Los Gigantes, Novembro 2015)

Inspirados por estas, mas deixando a costa, podemos embrenhar-nos por montes escarpados:

(Santiago del Teide, Novembro 2015)

(Santiago del Teide, Novembro 2015)

É preciso alguma coragem para negociar curvas seguidas em cotovelo em estradas em que só a berma nos salva quando cruzamos um autocarro, e podemos chegar ao destino e não conseguir lugar para estacionar quando nos apetecia uma bebida reconfortante.

(Mazca, Novembro 2015)

Mais fácil, afinal, é a visita ao Teide, o vulcão que domina a ilha, com quase quatro mil metros de altura:

(Teide, Novembro 2015)

(Teide, Novembro 2015)

apesar de no teleférico não aceitarem grávidas, cardíacos ou cães ☹

(Teide, Novembro 2015)

Procurem-se então terrenos mais amigos, mais urbanos:

(La Orotava, Novembro 2015)

onde pontifica o dragoeiro milenar

(Icod de los Vinos, Novembro 2015)

e há túneis com vista

(Icod de los Vinos, Novembro 2015)

igrejas antigas

(La Orotava, Novembro 2015)

(La Orotava, Novembro 2015)

e mesmo recintos arqueológicos
(Güimar, Novembro 2015)

com pirâmides construídas pelos guanches, os habitantes pré-hispânicos:

(Güimar, Novembro 2015)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Tosca em Pompeios

Até este Verão desconhecia a existência de um festival de música em Pompeios, e ainda que não fosse Orange, Taormina ou Verona, entusiasmou-me a ideia de assistir a uma ópera num teatro romano antigo.

Esteve uma noite fantástica, mas o espectáculo não foi extraordinário, e a famosa acústica romana decepcionou-me: talvez porque o teatro já tem muitos restauros em betão, ou porque os meus ouvidos estão habituados à tecnologia dos nossos dias, o som da orquestra não chegava limpo.

Entre os cantores, cujos nomes só foram apresentados no início da récita, havia um já meu conhecido, o tenor Giancarlo Monsalve, que cantou o Don Carlo no S. Carlos há uns anos. Felizmente desta vez não estava constipado, mas ainda assim não foi um Cavaradossi estelar.
A Tosca foi interpretada por Maria Carfora, melhor cantora que actriz, e Scarpia por Carlo Guelfi, que também já cantou em Lisboa, e de que gostei bastante, tanto vocal como cenicamente.

Aqui deixo um bocadinho para amostra.

Memórias de Nápoles

Enquanto chove recordo alguns momentos das férias napolitanas:

a siesta do operário da construção civil

(Procida, Setembro 2015)

O smog sobre a baía

(Vesuvio, Setembro 2015)

A costiera sorrentina à qual se acede por túneis e estradas feíssimas, que ao fim-de-semana engarrafam totalmente.


As casas impossíveis de uma encantadora aldeia em socalcos hoje totalmente comercializada

(Positano, Setembro 2015)

O fogo de artifício todas as noites

(Napoli, Setembro 2015)

O parque arqueológico submerso de Baia, cuja visita falhou por "falta de visibilidade"

(Bacoli, Setembro 2015)

O pequeno, quase desconhecido Museo dei Campi Flegrei

(Miseno, Setembro 2015)

de onde se avista esta praia, onde infelizmente não aceitam cães

(Miseno, Setembro 2015)

A Tosca no Teatro Grande de Pompeios

(Pompei, Setembro 2015)