quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Hibisco

Este hibisco sempre teve flores de um rosa desmaiado. Não sei o que lhe deu para hoje corar assim. Algum passarinho?

(Hoje, no meu jardim)

sábado, 12 de janeiro de 2013

O cão, a criança e um blogger que morde

Não pensava escrever sobre a história do cão cruzado de pitbull que matou uma criança com quem convivia habitualmente, e cujo abate friamente encarado pelo dono e pela veterinária municipal desencadeou uma onda de protestos e uma petição pública. Parece-me que deve haver atitudes diferentes perante um cão que é habitualmente agressivo e um que não o é. Mas não conheço este cão e a história parece mal contada.
Eu tive um cão indubitavelmente manso que por três vezes na vida, sem razão aparente, mordeu ou tentou morder pessoas. Como era um yorkie (não o Jr), não aconteceu nada de grave, mas demonstrou-me que os motivos e as situações que podem levar os cães a morder não são sempre evidentes para os humanos.

Em toda esta polémica o que também me chocou foi o texto de Daniel Oliveira sobre o assunto. Argumentando a favor do abate por motivos de segurança (Um animal doméstico, se se revelar perigoso para os humanos, não pode conviver com eles), o que me parece legítimo, resvala para a demagogia (as crianças não podem correr risco de vida, sejam lá qual forem os motivos) e conclui:

Resumo assim: a vida do humano mais asqueroso vale mais do que a vida do animal doméstico de que mais gostamos. Sempre.

Um resumo tonto, já que ninguém estava a discutir o valor relativo da vida de humanos e de animais. Ninguém estava a pesar as vidas do pequeno Dinis e do cão Zico, até porque matar o Zico não traz o Dinis de volta. O único a fazer essas comparações foi o próprio Daniel Oliveira, e para chegar a uma conclusão insustentável: numa escolha entre, por exemplo, o assassino de Oslo e o Zico, não me parece evidente que o humano asqueroso ganhasse.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A horta no inverno

A minha horta continua a dar-me muita alegria. A couve-flor revelou-se finalmente, enorme e apetitosa, e foi colhida hoje:


Os bróculos forneceram uma segunda dose, que provavelmente estará no prato amanhã, e as favas já estão em flor:


As novas plantações de inverno são principalmente temperos: salsa, manjericão (o que havia deu-se mal com o frio), alho e tomilho. Este não sei bem para que serve, mas tem um perfume alimonado delicioso.

(Albufeira, Janeiro 2013)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sporting

Portugal pode estar numa espiral recessiva; o Sporting está certamente numa espiral depressiva. Felicidades, Jesualdo Ferreira, espero que tenha algum truque na manga para pôr ordem neste clube. Amen.

Bem grelhados

Ouvi há bocado na RTP a apresentação de uma nova grelha que aposta na informação, na ficção e no humor. Achei-a tão indigente como a anterior. Não vi qualquer referência a teatro, ópera, concertos, cinema. A própria RTP diz que são os mesmos nomes a outras horas.

Se é para isto, podem privatizar, entregar aos mwangolés ou a quem quiserem.

Discurso de ano novo

Uma das minhas resoluções de fim de Verão, o ano passado, foi voltar a estudar alemão, e foi nesse contexto que me entretive a ouvir, ler e traduzir o discurso de ano novo da chanceler Angela Merkel. Esperava da mulher que manda na Europa e é doutorada em Física algumas considerações luminosas, por isso qual não foi o meu espanto, qual a minha decepção, ao ouvir historinhas como estas:

(...)Também há hoje no nosso país muita gente corajosa e útil. Um jovem participante nos meus diálogos cívicos em Heidelberg contou-me que um jogador da sua equipa de futebol queria abandonar a escola. Por isso ele foi ter com o treinador e pediu-lhe que reunisse toda a equipa, para que cada um contasse porque é bom ir à escola. Fizeram isso no treino seguinte e resultou. O companheiro de jogo não deixou a escola.(...)

(...) conheci há pouco tempo um rapaz de 10 anos que nasceu quase surdo. Recebeu um implante ultra-moderno e hoje pode ouvir música e ir à escola sem problema. Também encontrei uma rapariga que vive há três anos com uma prótese valvular cardíaca que cresce com ela, e com a qual pode fazer desporto e levar uma vida normal. Estas são pequenas maravilhas médicas. São o sucesso dos nossos investigadores.(...)


Desculpem, mas estas historinhas edificantes num discurso de ano novo não parecem mesmo saídas da boca (e do neurónio) dum outro doutor de Boliqueime?