Herculaneum, circa 40 BCE. At the villa Pisonis the Epicurean School of Philodemus of Gadara is an informal gathering place for those who enjoy discussing philosophy, literature, general politics, the nature of things and how to live better.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
O cão, a criança e um blogger que morde
Não pensava escrever sobre a história do cão cruzado de pitbull que matou uma criança com quem convivia habitualmente, e cujo abate friamente encarado pelo dono e pela veterinária municipal desencadeou uma onda de protestos e uma petição pública. Parece-me que deve haver atitudes diferentes perante um cão que é habitualmente agressivo e um que não o é. Mas não conheço este cão e a história parece mal contada.
Eu tive um cão indubitavelmente manso que por três vezes na vida, sem razão aparente, mordeu ou tentou morder pessoas. Como era um yorkie (não o Jr), não aconteceu nada de grave, mas demonstrou-me que os motivos e as situações que podem levar os cães a morder não são sempre evidentes para os humanos.
Em toda esta polémica o que também me chocou foi o texto de Daniel Oliveira sobre o assunto. Argumentando a favor do abate por motivos de segurança (Um animal doméstico, se se revelar perigoso para os humanos, não pode conviver com eles), o que me parece legítimo, resvala para a demagogia (as crianças não podem correr risco de vida, sejam lá qual forem os motivos) e conclui:
Resumo assim: a vida do humano mais asqueroso vale mais do que a vida do animal doméstico de que mais gostamos. Sempre.
Um resumo tonto, já que ninguém estava a discutir o valor relativo da vida de humanos e de animais. Ninguém estava a pesar as vidas do pequeno Dinis e do cão Zico, até porque matar o Zico não traz o Dinis de volta. O único a fazer essas comparações foi o próprio Daniel Oliveira, e para chegar a uma conclusão insustentável: numa escolha entre, por exemplo, o assassino de Oslo e o Zico, não me parece evidente que o humano asqueroso ganhasse.
Eu tive um cão indubitavelmente manso que por três vezes na vida, sem razão aparente, mordeu ou tentou morder pessoas. Como era um yorkie (não o Jr), não aconteceu nada de grave, mas demonstrou-me que os motivos e as situações que podem levar os cães a morder não são sempre evidentes para os humanos.
Em toda esta polémica o que também me chocou foi o texto de Daniel Oliveira sobre o assunto. Argumentando a favor do abate por motivos de segurança (Um animal doméstico, se se revelar perigoso para os humanos, não pode conviver com eles), o que me parece legítimo, resvala para a demagogia (as crianças não podem correr risco de vida, sejam lá qual forem os motivos) e conclui:
Resumo assim: a vida do humano mais asqueroso vale mais do que a vida do animal doméstico de que mais gostamos. Sempre.
Um resumo tonto, já que ninguém estava a discutir o valor relativo da vida de humanos e de animais. Ninguém estava a pesar as vidas do pequeno Dinis e do cão Zico, até porque matar o Zico não traz o Dinis de volta. O único a fazer essas comparações foi o próprio Daniel Oliveira, e para chegar a uma conclusão insustentável: numa escolha entre, por exemplo, o assassino de Oslo e o Zico, não me parece evidente que o humano asqueroso ganhasse.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
A horta no inverno
A minha horta continua a dar-me muita alegria. A couve-flor revelou-se finalmente, enorme e apetitosa, e foi colhida hoje:
Os bróculos forneceram uma segunda dose, que provavelmente estará no prato amanhã, e as favas já estão em flor:
As novas plantações de inverno são principalmente temperos: salsa, manjericão (o que havia deu-se mal com o frio), alho e tomilho. Este não sei bem para que serve, mas tem um perfume alimonado delicioso.
Os bróculos forneceram uma segunda dose, que provavelmente estará no prato amanhã, e as favas já estão em flor:
As novas plantações de inverno são principalmente temperos: salsa, manjericão (o que havia deu-se mal com o frio), alho e tomilho. Este não sei bem para que serve, mas tem um perfume alimonado delicioso.
(Albufeira, Janeiro 2013)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Sporting
Portugal pode estar numa espiral recessiva; o Sporting está certamente numa espiral depressiva. Felicidades, Jesualdo Ferreira, espero que tenha algum truque na manga para pôr ordem neste clube. Amen.
Bem grelhados
Ouvi há bocado na RTP a apresentação de uma nova grelha que aposta na informação, na ficção e no humor. Achei-a tão indigente como a anterior. Não vi qualquer referência a teatro, ópera, concertos, cinema. A própria RTP diz que são os mesmos nomes a outras horas.
Se é para isto, podem privatizar, entregar aos mwangolés ou a quem quiserem.
Se é para isto, podem privatizar, entregar aos mwangolés ou a quem quiserem.
Discurso de ano novo
Uma das minhas resoluções de fim de Verão, o ano passado, foi voltar a estudar alemão, e foi nesse contexto que me entretive a ouvir, ler e traduzir o discurso de ano novo da chanceler Angela Merkel. Esperava da mulher que manda na Europa e é doutorada em Física algumas considerações luminosas, por isso qual não foi o meu espanto, qual a minha decepção, ao ouvir historinhas como estas:
(...)Também há hoje no nosso país muita gente corajosa e útil. Um jovem participante nos meus diálogos cívicos em Heidelberg contou-me que um jogador da sua equipa de futebol queria abandonar a escola. Por isso ele foi ter com o treinador e pediu-lhe que reunisse toda a equipa, para que cada um contasse porque é bom ir à escola. Fizeram isso no treino seguinte e resultou. O companheiro de jogo não deixou a escola.(...)
(...) conheci há pouco tempo um rapaz de 10 anos que nasceu quase surdo. Recebeu um implante ultra-moderno e hoje pode ouvir música e ir à escola sem problema. Também encontrei uma rapariga que vive há três anos com uma prótese valvular cardíaca que cresce com ela, e com a qual pode fazer desporto e levar uma vida normal. Estas são pequenas maravilhas médicas. São o sucesso dos nossos investigadores.(...)
Desculpem, mas estas historinhas edificantes num discurso de ano novo não parecem mesmo saídas da boca (e do neurónio) dum outro doutor de Boliqueime?
(...)Também há hoje no nosso país muita gente corajosa e útil. Um jovem participante nos meus diálogos cívicos em Heidelberg contou-me que um jogador da sua equipa de futebol queria abandonar a escola. Por isso ele foi ter com o treinador e pediu-lhe que reunisse toda a equipa, para que cada um contasse porque é bom ir à escola. Fizeram isso no treino seguinte e resultou. O companheiro de jogo não deixou a escola.(...)
(...) conheci há pouco tempo um rapaz de 10 anos que nasceu quase surdo. Recebeu um implante ultra-moderno e hoje pode ouvir música e ir à escola sem problema. Também encontrei uma rapariga que vive há três anos com uma prótese valvular cardíaca que cresce com ela, e com a qual pode fazer desporto e levar uma vida normal. Estas são pequenas maravilhas médicas. São o sucesso dos nossos investigadores.(...)
Desculpem, mas estas historinhas edificantes num discurso de ano novo não parecem mesmo saídas da boca (e do neurónio) dum outro doutor de Boliqueime?
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