Depois de nove meses de céu azul a Primavera chegou com chuva e vento. As flores andam confusas e os humanos também, sem saber sequer o que vestir.
Mas as cigarras não se deixam enganar facilmente e abriram esta noite a temporada musical. Aqui fica o testemunho, antes que chegue Abril.
(Albufeira, Março 2012)
Notícia do Diário de Notícias:
Politécnico da Guarda
Professor cria sistema de localização de pessoas e bens
por Lusa Hoje
Um investigador do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) desenvolveu um sistema de localização de baixo custo, que pode ser aplicado em pessoas, bens e animais, informou o responsável pelo projeto.
"É um sistema de localização para pessoas ou bens, que utiliza o sistema global de posicionamento através de satélite, mais conhecido por GPS", explicou Luís Figueiredo, docente do politécnico da Guarda e coordenador do projeto Magic Traking.
O responsável adiantou que a aplicação pode ser "muito útil" em situações de desaparecimento de idosos, tendo sido criada a pensar "em pessoas que sofrem de Alzheimer, que facilmente perdem o sentido de orientação, deixam de conhecer os locais onde estão e se perdem".
(...)
Muito útil, portanto. É inegável. Deve poder usar-se também em vez da pulseira electrónica dos presos. E dos microchips de cães e gatos. Pode pôr-se também nas crianças pequenas, e nas maiorzinhas, com medo de raptos. Já agora, pode ir ficando ao longo da vida, dá jeito em caso de acidente, ou assim. Sempre localizáveis, sempre seguros.
Muito útil, mas eu quero sair daqui antes que me ponham um.
Graças à informação do valkirio, vi ontem a transmissão directa online da ópera Evgeny Onegin a partir da Bayerische Staatsoper.
É uma encenação que fez furor na estreia em 2007 por enfatizar uma ligação homossexual entre Onegin e Lensky, corporizando os fantasmas de Onegin num bailado com cowboys em tronco nu e transformando o duelo num assassínio. Tem pelo menos o mérito de levantar questões sobre a liberdade dos intérpretes em relação aos autores, ou sobre a necessidade de um choque em vez de uma aproximação mais subtil.
Ontem o melhor cantor em palco pareceu-me ter sido o tenor Pavol Breslik. Aqui fica o seu Lensky de outra produção, registada o ano passado em Viena.
Notícia do Expresso:
Navios prestes a arrancar de Viana para a Venezuela
A construção dos navios asfalteiros para a Venezuela pode arrancar dentro de dois a três meses, segundo a administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).
9:14 Sábado, 24 de março de 2012
A administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) estima que dentro de "dois a três meses" poderá receber o aço necessário para desbloquear o processo de construção dos navios asfalteiros para a Venezuela.
(...)
Em causa está um negócio para a construção de dois asfalteiros para a empresa de petróleos da Venezuela (PDVSA), no valor de 128 milhões de euros e com entrega prevista para fevereiro de 2014.
(...)
Hmmm... Está bem mas, depois deste tempo todo, não será melhor perguntar à empresa venezuelana se ainda está interessada nos navios?
O património vai ser daqui a uns anos a nossa única fonte de rendimento. Portugal foi um país que não atravessou guerras mundiais, não teve guerras civis*. Tem, portanto, um património edificado que é absolutamente notável e se não cuidarmos dele a nossa principal fonte de rendimento pode ir abaixo. De resto, é um objetivo que temos defendido que no próximo Quadro Comunitário de Apoio, o restauro e conservação do património seja considerado um desígnio nacional.
Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura, em entrevista ao Expresso (caderno principal da edição impressa, pg 21)
Ainda bem que ele o diz, que aqui na casa já se tem batido nesta tecla. Esperemos que não aconteça a este desígnio nacional o mesmo que à paixão pela educação de António Guterres.
* Nota: podemos não ter passado pelas guerras mundiais, mas e o terramoto de 1755? E as invasões napoleónicas? E a lei salazarista dos arrendamentos? E sobretudo a associação de malfeitores entre autarcas e empreiteiros?
A oposição anda por aí a clamar que este governo é forte com os fracos e fraco com os fortes. Disse-o Seguro, disse-o Zorrinho, mas há mais quem faça coro. E é verdade? É.
Mas como de costume, não é só o governo: qualquer português a quem se dê um gostinho de poder assume logo a vocação de capataz, passando a funcionar como veículo para que as ordens de cima caiam pesadamente sobre os ombros dos de baixo. Amizades, ideologias, horas de queixume e maldizer à mesa do café, tudo é apagado pela nova condição. O conceito de defender os antigos companheiros e os ideais ou os princípios com que antes todos afirmavam concordar nem lhe passa pela cabeça. É que se não for ele o capataz, outro será, e assim como assim, antes ele.
Julgo que nem sequer são só os portugueses: deve fazer mesmo parte do genoma humano. Por isso não é de estranhar que o governo faça a figura que faz, que nos mande empobrecer para que alguns continuem ricos, e que se desculpe com a troika, ou com o feiticeiro de Oz se for caso disso. Só há uma maneira de fugir ao síndrome do capataz, que é não aceitar posições intermédias de poder, ser única e claramente autocrata ou anarquista.