quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Os lucros do lixo

Aprendo no Euronews que o lixo napolitano é um negócio que rende seis mil milhões de euros por ano e lembro-me das discussões passadas sobre a co-icineração e outros meios de dispôr do lixo português.
Gostava de saber como é que o lixo rende tanto dinheiro, e, em Portugal, a quem.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Imigração

A propósito do comentário do Filipe Tourais a este post, estive mais uma vez a pensar no problema da imigração - legal e ilegal.

O problema é este: se damos a estas pessoas autorização de residência, temos obrigação de lhes dar emprego - ou vamos mantê-las em acampamentos e alimentá-las com rações? Não foi para isso que deixaram patria, amici, parenti.

E que empregos temos para elas? Aqueles que, com os tiques das sociedades afluentes que pretendemos ser, não queremos para nós: pedreiros, canalizadores, cabeleireiros, mulheres de limpeza, empregados de mesa, lojistas: no fundo as actividades que sustentam a economia. Os portugueses agora têm que se qualificar, licenciar-se mesmo que na Universidade Independente, e viver do subsídio de desemprego enquanto os marroquinos, os senegaleses, os ucranianos ou os moldavos trabalham para eles.

Dizem que se deve encorajar a imigração legal porque os descontos destes trabalhadores para a Segurança Social permitem mantê-la a funcionar. Mas estes descontos servem é para pagar o subsídio dos portugueses que ficam no desemprego. Dizem que os filhos deles aumentam as estatísticas de natalidade e vão mais tarde contribuir para a mesma Segurança Social. Mas esses filhos também já não estão dispostos a fazer o trabalho dos pais, e vão qualificar-se e engrossar as fileiras dos subsídio-dependentes.

Devemos então devolvê-los aos seus países e às suas vidas miseráveis? Eu não sei qual é a solução. Suspeito que deve ser outra, deve ser investir nesses países - não para os explorar
mas para os desenvolver. Só que mesmo que isso seja feito, ou seja que se ensine o homem a pescar, enquanto aprende e não aprende, se não se lhe der um peixe pode morrer de fome.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O cavalo do poder

Francisco Balsemão no Expresso de sábado passado:

Vencer o conservadorismo
0:01 Sábado, 5 de Jan de 2008
Mal-grado a globalização, a Web, a clonagem, a liberalização do aborto ou o casamento dos homossexuais, as coisas não mexem, no plano político e social, porque os detentores do poder querem conservá-lo, querem manter-se no poder.

Quem estuda um bocadinho de história sabe que isto é verdade. Não há nada de novo sequer nesta frase, mas se calhar é bom recordá-la de vez em quando.

domingo, 6 de janeiro de 2008

A Praia dos Tomates

Diz o Kaos, e muito bem, que nesta história do cancelamento do rally Lisboa-Dakar o vencedor é o terrorismo.

Pouco depois do ataque às torres gémeas do WTC alguém, já não me lembro quem, disse que a melhor maneira de enfrentar o terrorismo seria continuarmos a viver e a fazer o que nos dá prazer (é possível que esta última parte tenha sido acrescentada por mim).
Lembro-me também de a senhora Thatcher, quando primeira-ministra, recusar negociar com terroristas e raptores.
Julgo que ainda haverá educadores a afirmar que quando se cede a uma criança birrenta se está a programar um futuro com mais birras.

Hoje, porém, a atitude geral parece ser diferente. Talvez tenha sido o politicamente correcto que nos levou a isto? Ou o politicamente correcto já era uma expressão do medo?

Seria respeito pelos pretos ou outra coisa qualquer que levou os americanos a chamarem-lhes afro-americanos, como se os brancos nascidos em África não fossem africanos, ou se os pretos nascidos noutro continente tivessem sempre de ser made in outro lado?
Seria respeito pelos judeus ou outra coisa qualquer que levou ingleses e americanos a implantar o estado de Israel na Palestina, onde havia comunidades muçulmanas que passaram a ser descriminadas quando não expulsas?
Será respeito pelos muçulmanos ou outra coisa qualquer que nos faz censurar cartoons, proibir o uso de cruzes ao pescoço, aceitar burkas nas nossas comunidades?
Será acto de humanidade ou outra coisa qualquer o que leva o Bloco de Esquerda a pedir a
concessão de autorização de residência aos 23 imigrantes ilegais apanhados no Algarve, como se tivéssemos capacidade de dar uma boa qualidade de vida a esses e aos próximos candidatos?
Será preocupação com a segurança do Rally o que levou o presidente francês a pressionar a organização do rally para o cancelar, ou antes com a dos interesses franceses no norte de África e no Médio Oriente?

Teremos perdido os tomates na praia*? Quando? Todos? Definitivamente?

*
A Praia dos Tomates chamava-se originalmente Praia dos Tomates da Inglesa, porque ali ficava uma espécie de horta onde a proprietária os cultivava. Foram-se os tomates, ficou o nome. O simbolismo parece-me apropriado.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Cavalos mongóis em Chernobyl

O marido e a filha de Mary Beard (mais conhecida pelos seus 2 volumes sobre religiões romanas, entre outros estudos clássicos, e autora do blog A don's life) visitaram Chernobyl no mês passado.

foto © Tim Mousseau

A explosão do reactor nuclear já foi há quase vinte e dois anos! E, para além das vítimas dos primeiros tempos, parece que a região tem recuperado muito bem e se tornou numa espécie de
santuário de vida selvagem em que prosperam muitas espécies consideradas em vias de extinção.

No entanto, enquanto há seis anos o articulista afirmava que não existiam aberrações genéticas nessas espécies, parece que isso
não é bem assim. De qualquer forma é extraordinário e levou-me a procurar saber como está Hiroshima actualmente. Florescente e cheia de flores! E com um milhão de habitantes dos quais a terceira geração não parece ter herdado problemas relacionados com a explosão da bomba atómica.

Obviamente, há que ter precauções, mas talvez seja uma boa ideia revermos os nossos medos em relação à energia nuclear.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Bhutto, verdade e consequência

Vale a pena ler esta entrevista com Benazir Bhutto (via Portugal for Ron Paul).

Também é muito interessante este
artigo do Washington Post, apontado pelo mesmo blog. Mais uma vez percebo que da missa nem sei metade.

Detesto o terrorismo, que defino simplesmente como a violência exercida sobre alvos não militares com a intenção de obter publicidade para uma causa ou um grupo. Detesto a violência em geral, que tem como consequência mais violência em retaliação, ou pelo contrário a submissão por medo.
Detesto a falta de memória colectiva e a martirização dos mortos com o apagamento dos seus defeitos. Também detesto o excesso contrário, a diabolização de quem já não se pode defender (a princesa Diana deu origem a ambos os processos).

Benazir Bhutto, parece, não era flor que se cheirasse. Mas condeno em absoluto o seu assassínio.

Quanto ao filho de 19 anos, estudante em Inglaterra, nomeado agora seu herdeiro político, fez-me de repente lembrar o "primeiro imperador"* de Roma, Augusto, adoptado por testamento de Gaio Júlio César. Veremos se tem razão de ser a analogia.

*Esta designação é incorrecta, mas isso é outra história.