domingo, 14 de junho de 2009

E son venuta

Don Giovanni é uma das óperas de que gosto há mais tempo, desde que vi a versão filmada por Losey. É difícil estragarem-ma - mas não impossível.

Na penúltima récita da temporada, isso esteve perto de acontecer, principalmente por conta de Katharina von Bülow que foi um verdadeiro desastre como Dona Elvira. A certa altura dei por mim a estremecer em uníssono com Don Giovanni quando ela entrava em cena para desafinar. Juro. Quanto a Carla Caramujo na Dona Anna, não desafina e tem uma voz audível, mas é o melhor que posso dizer dela. Em comparação Chelsey Schill não me pareceu mal na Zerlina, para a qual criou uma sexyness sem sensualidade, que suspeito mais natural que premeditada, mas que é plausível.

Os homens estiveram melhor: Nicola Ulivieri em boa voz foi um Don bastante aceitável, irresponsável, poltrão, talvez demais para ser credível a redenção final - no sentido da coragem e da dignidade com que enfrenta o Commendatore, e não no de um ataque de moralidade.
Kevin Short foi exactamente o que eu esperava depois de o ter visto como Méphisto no Faust: um comparsa gingão e divertido, mas a quem o fôlego chega à justa para a ária do catálogo. Musa Nkuna esteve muito melhor do que como Nerone na Agrippina. Fiquei com a impressão que teve uma boa ajuda do maestro Johannes Stert e da orquestra. Leandro Fischetti, o Masetto, fraquinho, esperemos que melhore porque agora também é cantor residente. Andreas Hörl, pelo contrário, foi um Commendatore devidamente impressionante, e a maravilhosa cena final do jantar, na qual tivemos direito a figurantes com as maminhas à mostra (oh que ousados estamos, praticamente berlinenses), passou-se muito bem.

Cenários a fazer moderno, misturando um Hotel Alfonso XIII com grafitti que diziam Vive la Liberté, figurinos variando entre o razoável e o horrível, com alguma tese mas sem coerência, e na encenação umas excentricidades (as maminhas, o rapaz vestido de marinheiro que andava por ali às vezes com o único propósito aparente de andar por ali às vezes).

Da orquestra gostei, e entretive-me muito a observá-la e a acompanhar a sua articulação com o que se passava no palco. A propósito, encontrei ontem este post sobre a interacção do maestro Stert com a OSP na anterior temporada do S. Carlos.

O restante público gostou. Muito. De tudo. Fartou-se de aplaudir, ária a ária, inclusive a von Bülow. Vá lá, no fim houve alguém com ouvido que a pateou.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Canções da minha vida

Uma das raras ocasiões em que a versão é mais interessante que o original: Summertime, de Ira e George Gershwin, cantada por Janis Joplin.

domingo, 7 de junho de 2009

Osgas

Assustam-se facilmente mas desta vez não se mexeram e deixaram-me fotografá-las. Comem insectos, o que aprovo e aplaudo. Quem tem um jardim só pode desejar ter estas simpáticas auxiliares.

(Albufeira, Junho 2009)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Das acções do sr. Silva

Quando li no Expresso de 30 de Maio que o sr. Silva tinha tido 147 mil euros de lucros em 2003 na venda de acções da Sociedade Lusa de Negócios a 2.40€ cada uma dois anos depois de as ter comprado por 1€ cada, a minha reacção foi E então? O homem não pode ter comprado e vendido acções e ganho com isso?

Hoje, lendo o ...bl-g- -x-st-, vi que, mais uma vez, fui ingénua. O Expresso explicava, eu é que não li com atenção, que a ordem de venda das tais acções da SLN fora dada ao presidente da SLN, e que quem comprara as mesmas acções fora a SLN - e não um anónimo qualquer numa operação de bolsa.

É tão bom ter amigos. É sim.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Grupite

Reparo que há nas organizações, em todos os sectores da sociedade, questões de ego e de poder, que se manifestam às vezes com a criação de novos grupos para que os seus criadores possam ter uma importância que não conseguem adquirir em associações já antigas e com hierarquias estabilizadas.

No Facebook isto nota-se na quantidade de grupos e fans disto e daquilo: em vez de se ser mais um num grupo com 437 membros, faz-se um novo que não passa de cinco elementos, mas do qual se é o chefe, administrador, criador, etc.

Embora o centralismo monopolista não seja desejável, a dispersão excessiva fragiliza. Num mundo ideal os grupos diferentes com objectivos semelhantes existiriam por convicções diferentes quanto aos meios a usar para chegar aos objectivos, e não porque o sr. Manuel não conseguiu, no clube a que inicialmente pertencia, colocar as suas iniciais no quadro de honra.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Advogados

Vi ontem na televisão, aos pedaços, no programa Prós e Contras, ilustres advogados tratarem-se por meu querido amigo e praticamente esfaquearem-se uns aos outros.
Fiquei aliviada: afinal se se tratam assim entre eles, já se percebe melhor como nos tratam a nós.*


*Os advogados amigos, obviamente, não contam para estas estatísticas.