Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Restos

O que é engraçado em viver na mourama, para além do trânsito mais tolerável e da praia aqui ao pé, são os restos de antigamente.

(Praia Grande, Pêra, Julho 2009)

Sábado, 18 de Julho de 2009

Circular é viver

Se um dia destes um nadador-salvador (conhecido como banheiro quando eu era criança), do alto da sua autoridade ainda imberbe, vier reclamar ao ver passar o meu cão que na praia é proibida a circulação de animais, corre o risco de me ouvir perguntar-lhe o que faz ele então por ali.


(Praia do Lourenço, Julho 2009)

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Constituição 2.0

O Instituto da Democracia Portuguesa lançou a ideia de uma nova constituição para Portugal para a qual o comum dos mortais pudesse contribuir.
A ideia é interessante. Pessoalmente, acho que uma constituição deve ser doutrinária e curta, no género da dos Estados Unidos e não da nossa, que é tão comprida e detalhada que ninguém a conhece. Eu li a versão de 1976 e a partir daí desisti.

Em princípio é possível encontrar na web as constituições de todos os países do mundo: este site pelo menos promete links para todas elas, incluindo a Magna Carta inglesa, precursora das constituições modernas.

Nestes tempos em que toda a gente tem direitos e os deveres parecem esquecidos, incluindo os mais elementares como o respeito pelos outros, talvez valha a pena passar os olhos por alguns desses documentos e procurar que a próxima revisão constitucional não deixe de ser debatida pelos cidadãos.

O projecto Constituição 2.0 deveria servir pelo menos para nos lembrarmos que a lei fundamental se refere a todos nós e não deve ser apenas um calhamaço entre outros nas estantes dos escritórios dos advogados.

Mais uma vez o aborto

Notícia do Público, ontem:

Lei que despenalizou a IVG entrou em vigor há dois anos
Segundo aborto devia ser a pagar, diz director do serviço de ginecologia de Santa Maria
15.07.2009 - 08h52 Natália Faria
As mulheres que fazem mais do que um aborto deviam começar a pagar pela segunda interrupção, preconizou ao PÚBLICO Luís Graça, director do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Santa Maria (HSM).
(...)
No HSM, duas em cada três mulheres não aparecem à consulta de planeamento familiar que, nos termos da lei, deve ocorrer no prazo de um mês após o aborto. "É a negligência pura e simples. Algumas mulheres não fazem anticoncepção e jogam na sorte, o que é muito triste para quem, como eu, se bateu muito por esta lei", lamenta.
Esta posição não é consensual. Admitindo que "algumas mulheres têm repetido o aborto", o director da Maternidade Alfredo da Costa, Jorge Branco, considera que tal não permite concluir que tenha havido negligência ao nível da contracepção. (...) De resto, para Branco, que coordena o Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, limitar o número de abortos empurraria muitas mulheres de volta ao circuito clandestino.
(...)


Já tinha referido aqui o problema dos abortos de repetição com que algumas mulheres suprem a falta de um planeamento familiar responsável, e agora Luís Graça parece dar-me razão. Note-se que ele não fala em limitar o número de abortos legais: apenas o número de abortos grátis. Porque, tal como os almoços, os abortos nunca são grátis.

Urgências Parte II

Notícia do Público:

No Centro de Saúde da praia de Quarteira não há urgências
Médicos uruguaios recrutados para o Algarve e Alentejo
16.07.2009 - 09h01 Idálio Revez
Para responder ao crescente aumento do número de turistas, a Administração Regional de Saúde do Algarve (ARS) pôs em marcha um Plano de Verão, mas debate-se com a falta de médicos, pelo que vai recrutar médicos uruguaios.
(...)


Boa ideia. Médicos uruguaios é que é. Os cubanos se calhar é difícil trazer: vão aproveitar a suspensão parcial do embargo americano e ficam lá pela ilha. Mas os uruguaios, ah que úteis vão ser no combate à gripe A(H1N1) que podem até trazer do país deles.

Urgências

Telefonaram às onze da manhã a dizer que mo iam mandar. São sessenta quilómetros por auto-estrada.
São três da tarde e ainda estou à espera.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Gripe A (H1N1)

Notícia do Observatório do Algarve:

Gripe A (H1N1)
Hospital de Faro entra na rede de unidades de referência
14-07-2009 17:36:00
O Hospital de Faro junta-se quarta-feira à rede de unidades de referência preparadas para receber doentes com Gripe A (H1N1) (...)
O anúncio de que o Hospital de Faro passará a integrar a rede de referência para a Gripe A surge no dia em que o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) acusou a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve de não ter tido ainda a preocupação de afectar o número de enfermeiros necessários para fazer face a uma eventual pandemia (...)


Vamos por partes: pandemia já ela é, segundo a definição de pandemia da Organização Mundial de Saúde: uma epidemia que ocorre em todo o mundo ou numa vasta área atravessando fronteiras internacionais, e afectando um grande número de pessoas.

A preparação que o Hospital de Faro está a fazer para receber doentes com suspeita de gripe A(H1N1) parece ser reservar um dos Serviços de Medicina para os internar, e roubar aos outros Serviços camas para internar os doentes não engripados de Medicina.

Não vão ser precisos mais enfermeiros porque o número de doentes internados será o mesmo (talvez) mas haverá menos cirurgias programadas, sobretudo nas Especialidades como ORL, Oftalmologia, Cirurgia Plástica, que cedem proporcionalmente um maior número de camas.

Não se queixem, pois, se as listas de espera voltarem a aumentar.

Na minha opinião o pior disto tudo é a histeria em volta desta gripe. Não sei se o mesmo se passa noutros países, mas aqui o desgoverno parece apostado em acompanhar a hiperactividade mediática e acabar de destruir a economia nacional mandando internar os suspeitos e os doentes e obrigar à quarentena os familiares e companheiros de trabalho.
Enquanto as medidas gerais individiuais de prevenção deveriam ser publicitadas (protecção das vias aéreas, lavagem frequente das mãos, evitar o contacto próximo com doentes ou, se se está doente, com indivíduos sãos, eventual uso de máscaras cirúrgicas), o uso generalizado da quarentena para indivíduos assintomáticos parece-me que só irá servir para aumentar ainda mais a fragilidade das empresas que hoje em dia já empregam o mínimo indispensável de trabalhadores.

Se a gripe A(H1N1) ficar aí para o Inverno, vai ser bonito. Não pela doença em si, pois temos armas muito melhores para a tratar do que tínhamos no início do século XX, quando as gripes chegavam e arrasavam. O que será terrível será ver fechar escolas, restaurantes, fábricas, escritórios, centros comerciais, hoteis, salas de espectáculo. Fechar e falir.

Isto é deprimente. Ide lavar as mãos, ide.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Gratulatio

Júlio César nasceu há dois mil cento e nove anos. Esta estátua está em Nyon, Suíça, que na altura se chamava Nouiodunum e onde ele fundou a Colonia Iulia Equestris, provavelmente para instalar os veteranos desmobilizados da décima legião.

(Nyon, Setembro 2007)

A origem da humanidade

Personally I think [man's forefathers] go back to the water's edge. If mankind had first managed to find safety in the trees, they would never have come down to earth again voluntarily. All the wild animals were already in place on the ground. (...) If we had come to life on a branch in the trees we would have remained there (...) rather than expose ourselves to everything that ran and jumped on the ground, with horns and talons and sharp teeth.
(...)
The table was set at the water's edge and waited for the fingers of the walking ape; shells and shellfish of all sorts, cleverly hidden behind lids and locked doors and in endless amounts.


Thor Heyerdahl, In the Footsteps of Adam, Londres, 2001, pg 327

(Fisketorget, Bergen, Junho 2009)

Criação

(...) civilised people see nothing but roofs and walls and indoor television screens and outdoor traffic jams. How can we believe that anyone created us when all we see around us are things we have created ourselves?

Thor Heyerdahl, In the Footsteps of Adam, Londres, 2001, pg 325

Não que eu acredite na criação, mas o argumento faz pensar.