quarta-feira, 15 de abril de 2015

Praga de Primavera

A minha horta já está plantada para a nova estação: para as saladas, alfaces


rúcula


e tomateiros


Para o caldo-verde, couve


Do ano passado para este transitaram os morangueiros


A pitangueira tem algumas flores, embora eu duvide que já dê fruto este época


Não faltam as aromáticas, algumas das quais vou tentar controlar mantendo-as em vasos: coentros


manjericão


já que o tomilho teve de ser podado para não ir além dos limites designados


Já estou a imaginar umas tisanas com a camomila


e a verbena


e até plantei amores-perfeitos, entendidos como flores comestíveis


Problemas, para já, estou a ter com o feijoeiro-verde, que os caracóis elegeram como petisco: fiz-lhe uma defesa tipo Alésia, com sal e veneno específico

(Albufeira, Abril 2015)

mas após as primeiras mortes os bandidos passaram palavra e agora a única solução tem sido uma espécie de preservativo nocturno feito de um saco de plástico invertido sobre a planta. A ver vamos se a pobre sobrevive ao cerco.

sábado, 4 de abril de 2015

Na cúpula do Reichstag*

No único dia de chuva que apanhei em Berlim fui visitar a cúpula do Parlamento alemão. É preciso marcar com antecedência, o que pode ser feito facilmente online; a visita é gratuita, dura cerca de meia-hora e há áudio-guia em português: um luxo. Enquanto se sobe a rampa em espiral


vamos sendo informados sobre o Parlamento e sobre os edifícios que dali se avistam:


Ao chegar ao topo descobre-se a enorme abertura central que explica o frio sentido durante a subida:


É o momento de olhar com superioridade legítima ;-) a sala onde os deputados federais decidem o futuro da Europa!

(Berlin, Março 2015)

* O Reichstag é o edifício, o Bundestag a instituição.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O Muro de Berlim

Fui à procura do Muro com que os comunistas dividiram Berlim debaixo do olhar inerte dos restantes "Aliados".
Os berlinenses guardam da sua extensão uma memória discreta no empedrado das ruas e, em certos lugares, memoriais mais visíveis: um deles fica na Bernauer Strasse, que é um local especial porque as casas mesmas faziam parte da barreira, de maneira que nos primeiros tempos depois de Agosto de 1961 as pessoas fugiam pelas janelas, até que estas foram emparedadas e, finalmente, os residentes foram forçados a abandonar as suas casas.
Estas fotos de um folheto do Gedenkstätte Berliner Mauer, tiradas por Alex Waidmann, são muito claras:


A rua onde os bombeiros tentam apanhar os fugitivos fazia parte da cidade ocidental, enquanto os prédios ficavam na porção oriental.

Hoje restam ali 220 metros de muro e fortificações originais


a Janela da Memória preserva a identidade de cada um dos que morreram ao tentar a fuga


e o trajecto está marcado ao longo de quase quilómetro e meio


Dias depois encontrei, quase à porta do meu hotel junto do rio Spree, mais este bocadinho de muro


(Berlin, Março 2015

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Explosão em Sesimbra

Notícia do Observador:
MARGEM SUL
Explosão violenta, apesar de
“controlada”, numa pedreira
em Sesimbra

1/4/2015, 23:14
A explosão foi enorme, conta quem a sentiu. O presidente da Câmara de
Sesimbra diz que foi uma queima de cordão detonante que correu mal.


Curioso, curioso, é o presidente da Câmara de Sesimbra chamar-se Augusto... Pólvora ☺

terça-feira, 31 de março de 2015

Berlim revisitada

Fui à procura de alguns dos meus lugares favoritos em Berlim: a loja de cultura Dussmann e o seu jardim vertical


o Brandenburger Tor, símbolo da reunificação alemã


os oito pátios Arte Nova interligados, conhecidos como Hackesche Höfe, que já tinha mencionado aqui



a cobertura do centro Sony onde tem lugar o festival de cinema Berlinale


(a propósito, a Potsdamer Platz já não está em obras!)

a Gemäldegallerie onde, entre obras-primas de Rubens, de Rembrandt, de Vermeer, de Botticelli, encontrei este gordo extraordinário de um para mim até agora desconhecido Charles Mellin, nascido em Nancy no fim do século XVI mas romano de carreira

(Berlin, Março 2015)

Não é de uma modernidade surpreendente?

domingo, 29 de março de 2015

A História de Berlim

Escondido num centro comercial na Ku'Damm fica uma espécie de museu chamado The Story of Berlin, que conta a evolução da cidade desde as origens medievais até à reunificação de 1989.

É uma proposta ambiciosa realizada com relativamente poucos recursos, e cujo ponto alto é a visita guiada a um bunker anti-atómico subterrâneo, construído nos anos 70 do século XX, em plena Guerra Fria, (mal) pensado para abrigar até três mil e seiscentas pessoas (as primeiras que conseguissem chegar, de qualquer sexo e idade) durante duas semanas, após a eventual queda de uma bomba atómica perto da cidade.

Desde a entrada, uma sala nua em que era suposto as pessoas despirem-se completamente e tomarem duche para se descontaminarem (inevitáveis as lembranças de outros duches colectivos),


antes de vestirem fatos de treino que não mais seriam lavados nem despidos, até aos beliches básicos de metal e rede que ocupariam quase todo o espaço disponível, sobrepostos quatro a quatro (esqueci-me de perguntar como subiam e desciam os inquilinos de cima) na quase escuridão


às duas cozinhas tamanho caseiro e aos alimentos enlatados


às quatro casas de banho colectivas e aos dois rolos de papel higiénico atribuídos a cada pessoa, aos dezasseis supervisores encarregados de preservar a ordem e cuidar da manutenção, ao posto médico rudimentar onde eventuais médicos presentes entre os refugiados tentariam tratar diarreias, feridas, desidratações e o mais que aparecesse

(Berlin, Março 2015)

ao que aconteceria quando os filtros deixassem de funcionar e fosse necessário sair pela mesma sala por onde tinham entrado (e onde entretanto teriam ficado empilhadas as roupas contaminadas de três mil e seiscentas pessoas?) só posso ficar ainda mais feliz por nunca ter sido preciso usá-lo e desejar ainda mais ardentemente que nunca seja preciso.