quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Canções da minha vida

Esta canção marcou-me: o texto é todo ele lindíssimo, e o conceito de que viver bem é a melhor vingança não me deixou mais.

Às voltas no quarto

Há gajos muito malucos. Já não bastava o hotel de gelo, agora em França existe* um hotel para quem gosta de viver como um hamster.
Com roda para exercício e tudo.


* via Telegraph

O discurso

Quando se diz que o rei reina, e o governo governa, não nos lembramos do que deve ser a ira da Rainha de Inglaterra cada vez que abre oficialmente o ano parlamentar e tem de ler o chamado Discurso da Rainha, que é no fundo o programa do Governo, por este escrito e aprovado.

Às vezes deve ter vontade de mandar prender toda a gente na Torre.

Foto Wikimedia Commons

Dar a volta

Notícia do i:

Crédito ao consumo cai quase 23%, afectado pela venda de automóveis
por Tiago Guerreiro da Silva, Publicado em 17 de Novembro de 2009
Os portugueses estão a consumir menos crédito. A concessão de empréstimos voltou a cair no trimestre
(...)
A redução da venda de automóveis e uma maior restrição do consumo, por parte dos portugueses, são apontadas como as principais razões para a queda. "Com a diminuição de quase 40% da venda de automóveis", o recurso ao crédito também caiu, explicou Susana Albuquerque, secretária-geral da ASFAC, ao i.
(...)
"Por outro lado, a diminuição da procura de móveis, bem como do consumo de viagens e produtos de estética" também contribuiu para uma menor procura de crédito, adiantou a responsável da ASFAC. O crédito para a aquisição de artigos para o lar caiu 27%, enquanto o crédito pessoal diminuiu 55%.
(...)

Curioso como se dá a volta aos factos. Não creio que seja porque os portugueses compram menos que recorrem menos ao crédito: conhecendo os seus hábitos de consumo, parece evidente que é porque o crédito lhes é negado (e é, porque as instituições de crédito têm hoje regras mais apertadas) que compram menos.

Este tipo de raciocínio ao contrário é o que levou à alta indignação quanto às "escutas ao primeiro-ministro": não era ele que estava a ser escutado, mas pondo as coisas neste pé vai-se conseguir inutilizar as ditas escutas e ilibar o seu alvo, o amigo Vara.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Os banhos romanos de Bath

Alguns historiadores contemporâneos* têm sugerido que o hábito dos antigos romanos tomarem banho em piscinas comuns seria, ao contrário do que parece natural e os próprios romanos acreditavam, uma terrível falta de higiene e a melhor maneira de se propagarem doenças. Isto porque acham que a água não era tratada nem renovada e que, não tendo os antigos conhecimento científico da causa das doenças e do processo de contágio, sãos e doentes se banhavam na mesma água. Conhecendo a sofisticação daquela cultura, confesso que duvido que as coisas se passassem assim.


Pelo menos nos banhos de Aquae Sulis a água era renovada: há na grande piscina pontos de entrada e de saída para a água que jorra da fonte termal. E se agora não podemos lá tomar banho, podemos apreciar a qualidade da construção, a serenidade e a beleza do local, e até a oportunidade de partilhar impressões com um simpático peregrino.

(Roman Baths, Bath, Novembro 2009)



* Garrett G. Fagan, Bathing in Public in the Roman World, Michigan, 2002; Mary Beard, Pompeii, Londres, 2009

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Duas perguntas

Porque raio se entrevista na SIC Notícias o sinistro da Defesa a respeito das escutas aos telefonemas do sr. Armando Vara?

Este tipo é para levar a sério (e é assustador) ou é para rir?

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Bath

A propósito de crescentes georgianos, Bath é um exemplo de arquitectura georgiana e de uma cidade planeada para ser harmoniosa, até ao ponto de ainda hoje todas as casas serem construídas no mesmo tipo de pedra.

Eu sei que no Algarve se tentou conseguir essa harmonia pintando as casas todas de branco, apesar de não ser essa a tradição local. Mas em Bath não há prédios de doze andares, nem colunazinhas e frontõezinhos pirosos, e até a cor das portas pode ser motivo de discussão camarária.

(The Circus, Bath, Novembro 2009)


(Royal Crescent, Bath, Novembro 2009)


(Victoria Park, Bath, Novembro 2009)


(Theatre Royal, Bath, Novembro 2009)


(Pulteney Bridge sobre o Avon, Bath, Novembro 2009)


quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Censura

Às vezes parece que os objectos têm personalidade. O meu iPod não aceita o CD Händel de Rolando Villazón.
Calculo que pelo menos a Moura Aveirense esteja a pensar que não se perde nada (eu sei, eu sei, a voz não é barroca, a coloratura é deficiente e falta-lhe criatividade nos da capo), mas eu gosto de ouvir o moço e irrita-me que um instrumento electrónico, por muito giro que seja, censure o que posso ou não posso ouvir.

Violência

Notícia de The Portugal News:

Eastern European gangs terrorise Algarve
7/11/2009
PJ police are said to be on the trail of a violent gang of Eastern Europeans who last weekend viciously assaulted an elderly Swiss couple at their €3 million villa in Almancil, Loulé, the third violent crime of its genre to take place in the central area of the Algarve in less than one month.
During the assault the 80-year-old man was beaten around his head and tied up with phone wire while his 77-year-old wife was taken into another room and raped.
(...)
Meanwhile it has emerged that two other violent incidents occurred in the Loulé/Faro area of the Algarve and may have been carried out by the same foursome.
Reportedly, three weeks ago a 60-year-old woman was attacked by four hooded Eastern Europeans who had broken into her home in Goncinha, Loulé.
She was sellotaped to a chair and forced to tell the men where all her valuables and money were kept. The men threatened to cut off her fingers with pliers if she failed to do so.
Fifteen days later a second similar incident was reported by a 50-year-old British woman who was also attacked in the same way by four Eastern Europeans in her home in Telheiros, Bordeira, Faro.
(...)


Isto é assustador. Que gente é esta que viola mulheres de 77 anos e é capaz, não duvido, de arrancar dedos a alicate? Por muito dura que seja a realidade económico-social, não explica esta selvajaria, nem a dos gangs que, dizem-me, batem e esfaqueiam - foi internado recentemente em Faro um homem a quem destruiram o baço, um rim e parte do intestino - para pontuar, como se a violência na vida real não passasse de uma extensão dos jogos da Playstation.

Música em Londres

Que tal este programa: Christoph Eschenbach no Royal Festival Hall a dirigir a London Philarmonic Orchestra na abertura do Tanhäuser e na sexta sinfonia de Bruckner (que eu não conhecia) e, entre as duas peças, a acompanhar a mezzo-soprano Petra Lang a cantar as Wesendonck Lieder?

A mim pareceu-me lindamente, e lá fui. O serão começou da melhor maneira, se calhar porque não tendo conseguido ir ao S. Carlos para o Crepúsculo dos Deuses me andava mesmo a apetecer um cheirinho de Wagner. Petra Lang tem uma voz bonita e expressiva, e só lhe aponto a insistência em enfatizar as consoantes finais das palavras, um corte na intimidade da música. Eschenbach dirigiu de memória, e em resposta a orquestra percebia-se clara, concentrada e envolvida, lidando na segunda parte admiravelmente com os contrastes de Bruckner, que são no entanto, para mim, mais repetitivos que empolgantes.

A sala tem uma excelente acústica, embora me continue a parecer estranha a ideia de pôr cadeiras do outro lado do palco, atrás dos músicos. Ainda assim havia elementos do público a dormir. O cansaço e a idade não perdoam...

Fica aqui uma versão só áudio da primeira parte do segundo andamento (Adagio) da 6ª de Bruckner.