quinta-feira, 4 de março de 2021

Nascer numa ilha

Nascer numa ilha é diferente
É ter nas veias para sempre o mar
O mar que nos liberta
que nos prende
nos assusta e nos fascina
que é móvel e mais fixo do que a estrela polar

Nascer numa ilha é ter respeito
pelo que nos sustenta
A terra, a floresta,
a água doce escassa
o tempo que passa alheio e indolente

Quem nasce numa ilha deixa abertas
as portas da casa e do coração
Não conta o dinheiro
E sem saber se lho merece ou não
entrega-se a quem ama por inteiro.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Insanidade

Portugal é um país esquizofrénico, em que coexiste uma mentalidade de esquerda comunista com práticas de capitalismo selvagem.

terça-feira, 9 de abril de 2019

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Para a minha Avó

Para a minha Avó, que partiu com o Ano Velho, uma canção de Charles Aznavour, que também nos deixou no mesmo ano:

e outra da maravilhosa Montserrat Caballé, que também se foi:

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Manifesto ateu

Se eu acreditasse num deus único, seria o príncipe do mal, um que tivesse criado um mundo imperfeito, aí tivesse largado criaturas com sensibilidade e raciocínio, e estivesse agora refastelado a assistir ao espectáculo do seu sofrimento.

Nesse mundo mal acabado haveria tempestades e terramotos, vulcões, inundações e secas. Plantas e sobretudo animais teriam como principal objectivo a própria sobrevivência e para tal desenvolveriam competências como a crueldade e a indiferença. No limite, maltratar o outro evoluiria de necessidade a prazer.

Para alguns, como último refinamento, criaria os conceitos de bondade e de justiça para que, na ausência destas à sua volta, sentissem ainda maior a miséria.

Nesse contexto, a melhor hipótese de felicidade seria, provavelmente, manter o mais baixo perfil possível.

A esse deus eu votaria o maior ódio e desprezo. Felizmente para a minha sanidade mental, não acredito nele. Shit happens, é tudo.