segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Centro(s) da Europa: breve introdução

As minhas férias "grandes" (duas semanas) este ano foram em Novembro. Com base em Bruxelas, de comboio ou de carro andei a passear naquela zona da Europa onde tudo fica perto de tudo.
Os centros históricos das cidades vêem-se em poucas horas: há habitualmente uma praça central cheia de cafés e restaurantes onde se pode comer qualquer coisa a meio do dia, uma ou duas catedrais góticas imperdíveis, um traçado de ruas cheias de arquitectura interessante, e eventualmente canais que apetece cruzar.
Se se quiser ver museus, aí é preciso contar com mais tempo, mesmo que, como eu, se esteja habituado a passar por obras-primas em passo acelerado porque a companhia e o cão estão à espera lá fora...
Se tivermos sorte, haverá qualquer coisa especial que nos fará mais tarde recordar em particular uma cidade ou outra; se não, toda aquela beleza se confundirá numa Europa amável e sedutora.

Em breve, os primeiros episódios.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Filosofando Astérix


Do país da banda desenhada, que voltei a visitar em Novembro passado, trouxe (eu, que há anos não leio banda desenhada franco-belga) o número especial de Philosophie magazine dedicado a Astérix, no qual uma trintena de intelectuais europeus foi convidada a desencriptar o génio do pequeno gaulês.

Em pequenos textos, estes comentadores abordam perspectivas como o uso dos lugares-comuns, a visão do feminino, o significado da resistência ou o latim como língua morta.

Alguns parágrafos que mexeram mais comigo:


On le sait: un des idéaux de la bande dessinée franco-belge de l'Âge d'Or aura été de donner une image du mouvement incessant, mais en faisant abstraction des effets dévastateurs du temps.

Tristan Garcia, Pourvu que ça dure, pg 20

(...) l'Empire incarne la figure du progrès (les immeubles du Domaine des dieux, par exemple). Or le progrès, on ne l'arrête pas. Rome, dont on sait par avance qu'elle est destinée à l'emporter (et à être vaincue à son tour), c'est l'Histoire en marche. Le petit village défend au contraire l'idéal de la stase historique, qui essaie de se maintenir, rien de moins, rien de plus. Ne pas s'étendre, ne pas se rétracter, rester ce que l'on est: voilà toute la morale d'Astérix.

idem, pg 21

Il semble que la diversité des cultures soit rarement apparue aux hommes par ce qu'elle est: un phénomène naturel, résultant des rapports directs ou indirects entre sociétés; ils y ont plutôt vu une sorte de monstrosité ou de scandale [...].

Claude Lèvy-Strauss, Race et Histoire, 1952, citado pg 46


Le soupçon que l'idéal culturel directeur de la compréhension bienveillante de l'étranger pourrait n'être qu'un prolongement du colonialisme sous des prémisses cachées, n'a cessé d'être exprimé après Nietzsche par Michel Foucault, Edward Saïd, mais aussi, d'une autre manière, par Emmanuel Levinas. Il n'existe en effet, tel est le noyau commun de leur critique, ni sur le plan théorique, ni sur le plan pratique, aucune méthode plus efficace pour nier et éliminer l'altérité fondamentale de l'autre que de le comprendre pleinement et totalement!

Wollfram Eilenberger, Sus au consensus!, pg 50

Les premiers albums d'Astérix sont composés au début des années 1960. Soit à l'issue d'une décennie qui aura vu la brutale et massive modernisation du pays. En une dizaine d'années, «la France, qui était encore un pays catholique foncièrement rural et impérialiste, se mua en un pays urbanisé, pleinement industrialisé et privé de ses colonies», écrit l'historienne américaine Kristin Ross dans son stimulant Aller plus vite, laver plus blanc. Ce que la france se met à perdre essentiellement dans ce processus, c'est la mémoire de soi: de ses chants populaires, de ses traditions vernaculaires, de ses rituels villageois.

Philippe Nassif, La victoire en déchantant, pg 59

[La France] hérite d'une histoire falsifiée. Déjà profondément mutilée par le carnage absurde de la Première Guerre mondiale, la France se réconcilie à l'issue de la Seconde Guerre mondiale autour d'une «victoire» fictive sur le III Reich et du mythe de la Résistance porté par le général... de Gaulle.

idem, ibidem

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Portas


Um apontamento só de uma breve ida ao Funchal no princípio de Outubro. Encontrei, como noutras cidades portuguesas, uma mistura de progresso e degradação. Há prédios em ruínas e novos cafés com esplanadas apetitosas; lojas com ar decrépito vendem coisas a preços extravagantes; miúdos com excelente aspecto passam vestidos com uniformes de colégio; as obras do aterro pós-inundações já parecem perto do fim...
De um jantar na zona velha, outrora mal afamada e agora transformada numa concentração de restaurantes para turistas, não guardarei memória, mas sim das portas pintadas, de que já me tinham falado:




(Funchal, Outubro 2014)

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Projecto Gato de Rua

Novidades no Carvoeiro: esta casinha que pretende servir de abrigo aos gatos vadios, com uns comedouros à frente para as pessoas porem comida.


(Carvoeiro, Novembro 2014)

Bastante civilizado, e pela amostra junta parece que os gatos são capazes de aderir.

A gaiola do Ébola

Desde sexta-feira há uma nova área de triagem na Urgência do hospital de Faro: este bonito contentor com uma divisória interior de vidro. Por uma porta, do lado embelezado com dois vasinhos de plantas, hão-de entrar as possíveis vítimas da doença de Ébola. Pela outra, se couberem, os profissionais de saúde vestidos de astronautas.




(Faro, Outubro 2014)

Tudo bem. Só não entendi ainda como é ventilada aquela coisa, e imagino que os doentes terão de lá ficar algum tempo, pelo menos à espera dos resultados de análises, não?

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A thousand and one dreams

I dream of you who are not here
I dream of you and bring you near
I dream of you and you are well
I dream I’m still under your spell

I dream I’m waiting for your call
I dream that you don’t call at all
I dream that you have gone away
I dream I have so much to say

I dream that I still run to you
I dream that you still want me to
I dream the sweetness of your smile
I dream that it was all worthwhile

My dream tonight was of goodbye
I was with you and saw you die
I never dreamed of this before
I fear I’ll dream of you no more


Não sei porquê, inspirado por esta versão para dois pianos da Scheherazade de Rimsky-Korsakov, por Artur Pizarro e Vita Panomariovaite, ouvida na Antena2.
A propósito, é impressão minha ou raramente se ouve Artur Pizarro na Antena2?