segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Animais em segurança

Notícia do Telegraph:

Cats given kiss of life by firemen
Six pet cats were given the kiss of life by firemen after being overcome by smoke when fire broke out at a house.
Last Updated: 3:00PM GMT 29 Dec 2008
The crews used breathing apparatus adaptors usually reserved for babies, to revive the animals who were found lying unconscious in the smoke-logged building.
(...)
"We were told about the cats and ran around the house in the thick smoke trying to locate them all" (...)


A propósito disto lembei-me de um cartaz proposto por uma organização americana de protecção aos animais, a seguir à destruição de New Orleans em consequência do furacão Katrina, e que serviria para alertar os bombeiros ou outros socorristas para a existência de animais domésticos numa casa.
Faz sentido, embora como outros cuidados acabe por se pôr numa balança entre segurança e privacidade - sendo que esta também é uma forma de segurança.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Pré-aviso

Por falar em preços de saldos, comprou-se em Bruxelas uma versão em DVD da Agrippina de Händel para se ir conhecendo melhor a única ópera barroca prevista para esta temporada no S. Carlos.

A produção de Michael Hampe, ambientada num cenário napoleónico, é possivelmente a mesma que veremos, mas os papéis de Nerone, Ottone e Narciso foram transcritos para vozes masculinas, e os cantores, com a excepção de Barbara Daniels na personagem principal, são muito fraquinhos (um Claudio Nicolai assustador, um Eberhard Katz, coitado, que já devia estar reformado há muito tempo).

Considerando o que normalmente vemos no S. Carlos, pareceu-me uma introdução apropriada. Entretanto, acabo de descobrir no Youtube (where else?) o contra-tenor Manuel Brás da Costa que vai cantar o Narciso. Andate a veder, andate.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Talvez por ser Natal?


Hoje, na área de serviço (vulgo, bomba de gasolina) de Grândola, entre CDs de Tony Carreira e Marco Paulo a dezoito euros, vendiam-se os Concertos para dois violinos de Vivaldi em DVD por sete e setenta.

Haja deus

Notícia do Expresso:

Apesar das 122 queixas apresentadas contra um sketch
ERC dá razão a 'Gato Fedorento'
A Reguladora para a Comunicação Social defende que não foram ultrapassado os limites da liberdade criativa na rábula "Louvado seja, ó Magalhães" onde se comparava o computador-maravilha a uma eucarística. O humor e a sátira têm "uma dimensão subversiva", diz a ERC.

Rosa Pedroso Lima
18:37 Terça-feira, 23 de Dez de 2008

(...)
A resposta da ERC é clara: a lei não foi posta em causa, nem tão pouco existiu "atentado contra direitos fundamentais dos cidadãos, nomeadamente o repeito pelas suas convicções religiosas".
(...) Assim, prossegue a ERC, o humor e a crítica dos "Gato Fedorento" é "dirigida ao Governo e não a qualquer instituição da Igreja".Mais ainda, "a religião, incluindo a fé católica ou qualquer outra, não é um campo vedado à sátira humorística num Estado de Direito democrático, que reconhece as liberdades de expressão e de criação artísticas".


Às vezes o bom senso numa entidade oficial até surpreende.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal Parte III

Segundo a revista diapason, a melhor interpretação da 7ª sinfonia de Beethoven é a de Carlos Kleiber, e como é a minha preferida*, aqui deixo o segundo andamento da versão de 1983 em Amsterdam com os violinos em pizzicato no final. Boas Festas!


* A sinfonia - ainda não me pus a escolher interpretações.

Natal Parte II

Hoje estou assim, cheia de pensamentos positivos. Será por não ter dado importância às notícias do dia.


Boas Festas!

Natal Parte I

Ia eu de manhã a pensar nas pessoas maravilhosas que trabalham em organizações de solidariedade social, e a sentir-me culpada por não pertencer a nenhuma, quando devagarinho nasceu e se definiu este pensamento natalício:

Se conseguirmos perceber em que é que o nosso trabalho pode ser útil para os outros e o encararmos como tal, isso só pode aumentar a nossa auto-estima e o cuidado que pomos nesse mesmo trabalho.

domingo, 21 de dezembro de 2008

4711

Tinha ideia de ter visto fotografias de Colónia logo a seguir à segunda guerra mundial, com a catedral solitariamente de pé no meio da destruição total. Uma pesquisa dessas fotos levou-me aqui, e aqui - impressionante, não?

Hoje em dia, a catedral é esmagadora, uma imensa construção gótica que nos agarra logo à saída da estação de comboio, e que é difícil de fotografar desse ângulo. Do outro lado, contudo, há uma praça mais espaçosa, nesta altura do ano preenchida com um dos numerosos mercados de Natal onde se vende artesanato, cerveja e comida rápida.

(Köln, Dezembro 2008)

Não resisti a meio hot-dog... mas mais tarde almocei lindamente num restaurante tranquilo junto do rio, depois de correr as montras das ruas pedonais e comprar para oferecer frasquinhos de... água de Colónia :-)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Endereços temporários

De quando em quando encontram-se coisas giras na web, como este GuerrillaMail que permite a criação de caixas de email temporárias para quando se quer fazer um download e o site respectivo, com óbvios intuitos de nos enviar spam, nos pede o endereço.
Uma vez criada a caixa, tem-se quinze minutos para a utilizar.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Outras artes

Pode fazer-se muita coisa em Bruxelas em poucos dias, e uma que me faltava fazer era visitar o Centre Belge de la Bande Dessinée, espécie de peregrinação para quem leu avidamente todas as histórias em quadradinhos que apanhou desde o Tintin e o Lucky Luke até ao Zorro e ao Major Alvega, comprou semanalmente a revista Tintin portuguesa e tem a colecção completa do Astérix.


No CBBD o Jr pôde entrar e até se sentiu herói de uma prancha do Alix.


(Centre Belge de la Bande Dessinée, Bruxelles, Dezembro 2008)

Bartoli nas Bozar

Sábado à noite fui ao Théatre des Beaux-Arts assistir ao recital de Cecilia Bartoli. Como de costume, tínhamos decidido tarde, os bilhetes estavam praticamente esgotados e ficámos ao fundo da sala.

(Théatre des Beaux-Arts, Bruxelles, Dezembro 2008)

O concerto incluía canções de Rossini, Bellini e Donizetti gravadas em CDs antigos (Live in Italy, An Italian Songbook, Rossini Recital). Todas juntas e em sequência soam, para meu gosto, quase todas muito semelhantes, uma espécie de canções de embalar, sem rasgo nem risco, nada que me entusiasme, mostrando a doçura da voz e os trinados característicos da diva mas não a sua extensão vocal ou o seu lado força da natureza que me fascina.

La Bartoli arrisca na verdade de vários modos, um dos quais é desde há muitos anos pesquisar e cantar peças mais obscuras: se por um lado tenho que lhe agradecer dar-me a conhecer obras e compositores que antes ignorava, por outro acho que pelo menos em alguns casos não se perdia muito se ficassem ignoradas/os. Yo que soy contrabandista e Rataplan, com que terminou o programa anunciado, pessoalmente acho insuportáveis.
Não era neste repertório que gostaria de a ouvir, mas era o que havia, e não quis perder a oportunidade.

Imagem © AlloCiné

O público apreciou e aplaudiu com entusiasmo, sendo generosamente recompensado com quatro encores, terminando com uma repetição de La Danza.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Viciada em semifusas?

Comprei, como não podia deixar de fazer, La Sonnambula na versão Bartoli, e gosto... com reticências. Não é uma ópera que tenha ouvido muito, talvez por isso ser cantada por um mezzo-soprano não me incomode.

Juan Diego Florez é igual a si mesmo, uma voz radiante e que parece pairar sem esforço, a soprano Gemma Bertagnoli em Lisa tem um timbre muito agradável, e é sempre um prazer ouvir (melhor seria ver) o gato Ildebrando D'Arcangelo, de quem não me lembrava que tivesse um registo tão grave.

O que me inquieta é o vibrato quase omnipresente na voz de Cecilia Bartoli, que não é o problema de quem não aguenta as notas altas mas sim, se calhar, o de quem se prendeu demasiado à técnica vocal do barroco. Receio também que tenha andado a apostar muito nos agudos e tenha deixado pelo caminho a riqueza dos graves, o que já se adivinhava no CD anterior, e é evidente se compararmos por exemplo com a gravação Rossini Arias (que, convenhamos, já tem vinte anos: é de esperar que as vozes mudem).

A Moura Aveirense dizia que faltava qualquer coisa entre a Bartoli e Florez: eu fico com a impressão de que são duas escolas diferentes.

Mas espero, se tudo correr bem, ouvi-la em recital muito em breve, e tirar as dúvidas ;-)

A perigosidade da estupidez

A Xantipa levou-me ontem à livraria Pátio de Letras, e naquele espaço pequeníssimo dei logo de caras com vários livros interessantes.

(Como à Moura Aveirense que os descobriu noutro blog, os dois volumes de Toda a música que eu conheço de António Victorino d'Almeida abriram-me o apetite)

No entanto o que achei divertido foi um livro pequenito chamado Allegro ma non troppo, seguido de as Leis fundamentais da estupidez Humana, de Carlo A. Cipolla. Não será novo (Cipolla morreu em 2000), mas eu não conhecia.

Segundo Cipolla, são cinco as tais leis fundamentais:

#1. Sempre e inevitavelmente, cada um de nós subestima a quantidade de estúpidos em circulação;
#2. A probabilidade de uma pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa pessoa;
#3. Uma pessoa estúpida é aquela que causa danos a outra pessoa ou a um grupo de pessoas sem que daí obtenha algum beneficio, podendo mesmo sair prejudicada;
#4. As pessoas não-estúpidas subestimam sistematicamente o potencial nocivo das pessoas estúpidas;
#5. O estúpido é a pessoa mais perigosa que existe


Carlo M. Cipolla foi professor de história económica na Universidade da Califórnia em Berkeley e escreveu sobre numerosos assuntos. Imagino-o a assistir ao desvario actual e abanar a cabeça, como quem diz, I told you so.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Grande oportunidade

Notícia de Al Jazeera:

UPDATED ON:
Sunday, December 07, 2008
04:54 Mecca time, 01:54 GMT

News Americas
Obama plans US infrastructure boost

Barack Obama, the US president-elect, has pledged to make the largest investment in the country's infrastructure since the 1950s, as part of an effort to rescue the stagnant US economy.
(...)
Obama also said his administration would work to increase the accessibility of broadband internet connections across the United States.
(...)
"Here, in the country that invented the internet, every child should have the chance to get online, and they'll get that chance when I'm president - because that's how we'll strengthen America's competitiveness in the world."


Agora é que é: a grande oportunidade para o sr. Sousa vender Magalhães para os Estados Unidos da América.

sábado, 6 de dezembro de 2008

De pequenino...

... é que se torce o pepino.

Pergunto-me se quem pôs estas cadeiras na sala de espera da Urgência de Pediatria do Hospital de Faro pretenderia criar bons sportinguistas ou, pelo contrário, afastar do Alvaláxia para sempre as crianças que ali se sentassem.

(Faro, Dezembro 2008)


(Lisboa, Outubro 2007)

Praia

Poucas coisas divertem o Jr mais do que uma corrida na praia.



A nossa curiosidade pelas rochas é diferente: eu gostaria de saber se esta acumulação de conchas é natural ou não; ele informa-se sobre a possível passagem recente de algum cão.


(Praia da Galé, Dezembro 2008)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Homeostase e o preço do petróleo

No estado de saúde o corpo faz a sua própria homeostase, isto é, mantém-se em equilíbrio ao não deixar que os processos fisiológicos vão demasiado longe.

Tem-se hoje a impressão que muitos dos sintomas do estado de doença são devidos a uma desregulação. Exemplo: a constipação vulgar, em que a resposta a uma agressão ambiental é desproporcionada, levando a uma fragilidade dos tecidos que é aproveitada por agentes virais ou bacterianos para se instalarem.
Para resolver o problema é então preciso ajuda: antibióticos ou antivirais contra os agentes infecciosos, e anti-histamínicos ou outros anti-inflamatórios para controlar a reacção do próprio corpo.

É claro que em certos casos a situação é mais séria, quer pela fragilidade do corpo quer pela agressividade do ataque, e no limite não há nada a fazer senão controlar a reacção do corpo para níveis confortáveis.

Pergunto-me se em relação à economia se pode estabelecer um paralelismo. É que há poucos meses viu-se o preço do petróleo subir vertiginosamente, e pensou-se que pudesse chegar ao fim de 2008 pelos 200 dólares o barril. Só que isso (e mais outros factores, claro, estou a simplificar) abanou de tal modo as empresas e as pessoas que o edifício económico-financeiro começou a desmoronar-se, a procura do petróleo baixou catastroficamente e o preço já vai abaixo dos 45 dólares, com previsões de que possa chegar aos 25 dólares durante o próximo ano se a recessão atingir gravemente a China.

Parece-me a mim que se o petróleo desce isso ajudará as empresas a recuperar, aliviará os bolsos e poderá inverter o processo - o que levará a uma subida do preço do petróleo. É de esperar que este movimento pendular o leve a um estado de equilíbrio.

Não quer isto dizer que no decorrer da doença não haja muito sofrimento (desemprego); também não tenho nada a certeza que as ajudas que os governos estão a dar sejam as mais apropriadas. Mas é uma chamazinha de esperança. Veremos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Atlas

Notícia do Telegraph:

Bizarre new atlas comes to the Great Land of the Tattooed
A fascinating new atlas, featuring cities that are renamed to reflect their etymological origins, is now on sale.
By Oliver Smith
Last Updated: 3:00PM GMT 04 Dec 2008

Etymologists and wordsmiths will take particular interest in a new set of maps going on sale in time for Christmas.
The traditional names for the world's cities, countries, rivers and mountains have been altered on an atlas to reflect their origins and literal meaning.
Chicago, for example, is renamed Stink Onion and Cameroon is called the Land of Shrimps.
(...)


Acho uma delícia. Pode comprar-se aqui.

A última tourada em Viana

Notícia do Diário de Notícias (recebida por e-mail):

Lisboa 01.12.08
Fim das touradas provoca polémica
PAULO JULIÃO, Viana do Castelo
Viana de Castelo. Aficcionados das corridas de touros criticam Câmara
Crítico tauromáquico diz ser "crime de lesa-pátria" destruir a praça da cidade
A compra da Praça de Touros pela Câmara Municipal de Viana do Castelo está a gerar opiniões controversas, depois do autarca Defensor Moura anunciar o fim das touradas na cidade.(...)
Durante mais de um século, a tradicional tourada esteve ligada a Viana do Castelo, o que agora deverá acabar com a compra pela Câmara da actual Praça de Touros com o objectivo de o transformar num Museu de Ciência Viva. (...)
"Estamos no século XXI e o sacrifício de animais, se se pode justificar eventualmente em locais em que é uma tradição enraizada, em Viana do Castelo não tem justificação. Não temos toureiros, forcados, touros ou cavalos", comentou Defensor Moura, para quem "ter um equipamento para fazer um sacrifício de oito animais por ano não se justifica".


Parabéns a Defensor Moura pela sua iniciativa. Custa-me tolerar a manutenção de tradições como a tourada, e mais ainda a sua criação artificial em cidades como Albufeira, por exemplo, para turista ver.
A organização Animal está a promover o envio de cartas de agradecimento ao presidente da Câmara de Viana do Castelo por esta sua atitude.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Sofisma

Notícia do Público:

Com baixas da taxa de juro, preço dos combustíveis e inflação
José Sócrates: "famílias podem esperar melhor rendimento em 2009"

03.12.2008 - 18h14 Lusa, PÚBLICO
"As famílias portuguesas podem esperar ter um melhor rendimento disponível em 2009". O optimismo foi manifestado hoje pelo primeiro-ministro, José Sócrates, e tem como base as baixas que se esperam nas taxas de juro dos créditos à habitação, nos preços dos combustíveis e na inflação.

Os comentários dos leitores do Público parecem indicar que perceberam o mesmo que eu: se as famílias portuguesas vierem a ter um melhor rendimento disponível em 2009, isso não será graças ao desgoverno do Sr. Sousa mas a factores fora do seu controle.

Admirado

Notícia do Público:

Nobel alerta para distorções nas respostas à crise financeira e à crise climática
03.12.2008
AFP, PÚBLICO

O presidente do Painel Intergovermental para as Alterações Climáticas (IPCC) e Nobel da Paz em 2007, Rajendra Pachauri, diz-se admirado com as distorções nas respostas a alguns dos maiores problemas internacionais, nomeadamente com o facto de se investirem milhões de dólares para salvar um sistema bancário em crise, quando a luta contra a pobreza ou contra as alterações climáticas não conseguem mobilizar fundos.


Se nem ele entende, que direi eu?

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Illa potuit, ego non potero?*

Notícia do Público:

Mundo: Condoleezza Rice toca piano para a rainha Isabel II
02.12.2008
Fonte: Reuters

A secretária de Estado norte-americana, Condoleeza Rice, despediu-se da sua viagem oficial ao Reino Unido com um recital de piano em honra da rainha Isabel II. Rice tocou no Palácio de Buckingham acompanhada ao violino por Louise Miliband, mulher do ministro britânico dos Negócios Estrangeiros e de três membros da Orquestra Sinfónica de Londres.

Foto retirada do video do Público

Parece que a senhora Rice toca mesmo bem. Confesso que fico sempre contente quando descubro um outro lado neste tipo de pessoas.
Mas aqui o que me interessa é que a Rainha levou um dos seus cães ao concerto.
Alguma razão para eu não levar o meu, se ele se portar bem?


*No original: Sulla potuit, ego non potero? (Sulla pôde, não poderei eu?)
Gnaeus Pompeius, segundo Cicero (Ad Attico, IX,9.2)

domingo, 30 de novembro de 2008

Pop-up or not pop-up

Hoje fiz uma pequena modificação ao blog: a caixa de comentários não aparece como pop-up mas sim abaixo do post a que se refere.
Da mesma forma, quando se quer ler os comentários, estes não aparecem como pop-up mas abaixo do post.

Isto parece ter vantagens (não é preciso configurar o bloqueador de pop-ups) e inconvenientes (a janela principal deixa de mostrar a página principal do blog para apresentar só o post comentado).

Parece haver alguma diferença (mas será substancial?) no processo de assinatura dos comentários.

Não sei o que é preferível. O que acham os meus amigos e visitantes?

Gordura é formosura

Notícia do Público:

Decisão do Supremo Tribunal do Canadá
Obesos têm direito a dois lugares nos aviões
27.11.2008 - 02h37 Reuters, PUBLICO.PT
A intenção de várias companhias de aviação cobrarem dois bilhetes por viagem a pessoas com obesidade clinicamente severa sofreu um derrota, na semana passada, quando o Supremo Tribunal do Canadá rejeitou avaliar um recurso das empresas Air Canada, Air Canada Jazz e WestJet contra uma decisão da Agência Canadiana de Transportes.
Este organismo decidiu que pessoas “funcionalmente desabilitadas por obesidade” têm direito a dois lugares só com o custo de uma passagem. As companhias recorreram para o Tribunal Federal, em Maio, mas perderam. Tentaram então um recurso no Supremo, mas a decisão desta instância judicial mantém em vigor, no Canadá, a regra de cobrar apenas o preço de uma passagem por cada passageiro.


Há anos havia uma campanha publicitária no Brasil com cartazes que diziam Gordinha também é filha de Deus. Sou certamente politicamente incorrecta, mas que tal comparar esta política pró-gordura com a anti-altura que foi publicada outro dia?
É caso para se dizer que Deus tem filhos e enteados.

sábado, 29 de novembro de 2008

Velas sem vento

Soube pelo blog Opera Chic que morreu hoje aos noventa anos o arquitecto dinamarquês Jørn Utzon que desenhou o belíssimo edifício da ópera de Sydney.
Para os curiosos como eu, uma biografia de Utzon e fotos de obras suas.

Foto por Enoch Lau

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O que fazer com os piratas?

A propósito da pirataria ao largo da Somália, um dos episódios de que mais gosto na vida de Júlio César é o da sua captura por piratas a caminho de Rhodes onde planeava estudar retórica.

Nessa altura ele ainda não tinha trinta anos e ainda não tinha feito nada que o notabilizasse especialmente aos olhos do mundo. Era apenas um Romano pelo qual os piratas pediram um resgate de cinquenta talentos* (Plutarco diz que foi o próprio César que aumentou o pedido inicial de vinte talentos).

Enquanto os seus acompanhantes procuravam obter um empréstimo nas cidades da Ásia Menor, César instalou-se o mais confortavelmente que pôde, apenas com um médico e dois criados, na aldeia que servia de quartel-general aos piratas, e ficou à espera, entretendo-se a escrever discursos e poemas que seguidamente declamava: uma espécie de treino para as lições que esperava ter em Rhodes. Chamava burros e ignorantes aos piratas quando não apreciavam as suas obras, e ameaçava em tom jocoso crucificá-los a todos quando ficasse livre. Eles riam-se.

Ao fim de quarenta dias os amigos e escravos voltaram com os cinquenta talentos; César foi libertado perto de Mitilene e imediatamente recrutou uma pequena força militar com a qual perseguiu os piratas, os capturou e, conforme prometera, executou.

Suetónio nota que César, que não era cruel por natureza, antes de os crucificar os mandou estrangular.

(Rhodes, Rhodes, Setembro 2005)

* 1 talento = 100 libras romanas (de ouro ou de prata)

Sem meias medidas

Notícia do Telegraph:

Gay penguins steal eggs from straight couples
A couple of gay penguins are attempting to steal eggs from straight birds in an effort to become "fathers", it has been reported.
Last Updated: 2:06PM GMT 27 Nov 2008
The two penguins have started placing stones at the feet of parents before waddling away with their eggs, in a bid to hide their theft.
But the deception has been noticed by other penguins at the zoo, who have ostracised the gay couple from their group.(...)
A keeper at Polar Land in Harbin, north east China explained that the gay couple had the natural urge to become fathers, despite their sexuality.
(...)


Ah se isto vira moda na Califórnia! ;-)

Se é S, S é. Esse é.

Eu bem digo que se descobrem coisas interessantes ao copiar as letras que o blogger usa como filtro anti-spam.

Hoje, ao deixar um comentário no Amor e Outros Desastres, deparei-me com sessese. Lixo? Nem pensar! Uma pesquisa Google leva-nos à tradução turca de Point Counter Point de Aldous Huxley, Ses Sese Karşı.

Huxley, huh? É uma ideia.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Onde é que já ouvi isto?

Notícia do Público (e do Expresso):

Programa vale 1,5 por cento do PIB da União Europeia
Comissão Europeia propõe estímulos fiscais de 200 mil milhões de euros
26.11.2008 - 12h19
Por Reuters

O programa de estímulo fiscal apoia o sector automóvel em cinco mil milhões de euros
A Comissão Europeia aprovou hoje uma proposta de estímulos fiscais, avaliada em 200 mil milhões de euros, para reanimar as economias da União Europeia, que na sua maioria estarão em recessão no próximo ano.
(...)
Tal como já fez o Reino Unido, o presidente da Comissão Europeia sugeriu a baixa temporária do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e de incentivos fiscais dirigidos aos consumidores e a sectores económicos mais vulneráveis ao actual período de recessão económica.
(...)
Para Durão Barroso, o pacote de medidas hoje proposto "é a melhor forma de devolver a confiança aos cidadãos" e "protegê-los", recolocando a Europa "no trilho do crescimento e emprego".



Não foi este homem que em 2002 prometia em campanha eleitoral baixar os impostos sobre quem vive do seu salário e sobre as empresas que investem porque [s]ó assim Portugal poderá ganhar a batalha da competitividade?

E não foi este homem que meses depois, ao ganhar as eleições, subiu o IVA de 17 para 19% (um aumento de quase 12%)?

Tenhamos medo. Tenhamos muito medo.


NB: A proposta da Comissão Barroso está aqui. O sr. Sousa apoia e aplaude! Mas parece só ter lido o que lhe convinha (surprise, surprise!)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Giulio Cesare in Ispagna

Sevilla está a duas horas de distância, sem portagens, o Teatro de la Maestranza estreou anteontem o Giulio Cesare in Egitto de Haendel com Lawrence Zazzo e Elena de la Merced, e o simpático Hotel Inglaterra aceita cães.

A encenação foi criada em 2001 para o Teatro del Liceo em Barcelona e agora reposta, e tem achados muito bons (o tecto que vai descendo sobre Cornelia e Sesto na cena final do primeiro acto, a acentuar o desespero deles) e outros de gosto duvidoso (a cabeça de Pompeu que anda de mão em mão durante toda a ópera). Do crocodilo (um extraordinário bailarino que se movia como um verdadeiro réptil) achei que era um surpreendente e benvindo interesse cómico que não teria se calhar ofendido Haendel. Bjorn Jensen, responsável pela reposição, explica no entanto que é mais do que isso: simboliza o choque entre duas culturas e como actuamos frente a alguém totalmente diferente.

Também não teriam provavelmente ofendido Haendel alguns cortes feitos (no segundo acto cena e meia até à revelação de Lídia de que realmente é Cleópatra) nem algumas árias repescadas a outras óperas, embora hoje sejam opções discutíveis.

Quanto aos cantores: gostei muitíssimo de Elena de la Merced (Cleopatra), com uma voz muito bonita, doce e ágil, assim como do contra-tenor Lawrence Zazzo (Cesare), expressivo tanto do ponto de vista vocal como teatral - excelente em Aure deh per pietà. Marina Rodríguez-Cusí (Cornelia) e David Sagastume (Nireno) muito bem; Lola Casariego (Sesto, em substituição de Tuva Semmigsen) nem tanto: o personagem pede (e oferece) muito mais.

Parece que está na moda os barítonos despirem-se em cena, e assim tivemos um momento de exposição para José Julián Frontal (Achilla) que se pôs em cuecas. Infelizmente, para barihunk falta-lhe corpo e voz ;-)

Gostei do som da Orquestra Barroca de Sevilha e notei o solo de oboé (?) a introduzir a ária de Cleopatra Se pietà di me non senti, um dos pontos fortes da noite, repetida da capo com ornamentações distintas durante todo o tempo que foi preciso para mudar de cenário.


O público, que enchia praticamente a sala no início, debandou ao segundo intervalo e depois, durante os aplausos, foi saindo, o que sempre me parece desagradável para os intérpretes. Vi gente bem arranjada - os espanhóis cuidam-se! - e alguns sapatos espantosos...

domingo, 23 de novembro de 2008

Desabafo

Na minha humilde opinião, tanto Haendel como Wagner bem podiam ter encurtado as suas óperas para uma duração decente, tipo Verdi.

Perdia-se boa música? Claro que não: os pedaços cortados podiam ser usados na criação de mais algumas óperas :-)

Rosas em Janeiro?

vimos que sim. Mas papoilas em Novembro?




(Ontem, em Albufeira. Juro.)

Ilusionismo Parte II

Notícia do Jornal de Notícias:

CGD já injectou mais de 800 milhões de euros no BPN desde Setembro
2008-11-14
A CGD já injectou mais de 800 milhões euros desde Setembro no BPN revelou o presidente do banco público português.

(Nota: a edição impressa do Expresso desta semana refere mil milhões)

Notícia do Portugal Diário:

21-11-2008 - 08:14h
CGD pede garantia ao Estado de dois mil milhões
(...)
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) pediu uma garantia ao Estado para obter um financiamento, através da emissão de obrigações, no valor de dois mil milhões de euros.


Parece haver quem julgue que a Caixa Geral de Depósitos é uma espécie de cartola de ilusionista da qual se podem ir tirando coelhos. Não é.

Imagem daqui

sábado, 22 de novembro de 2008

Mentiroso

If he said the sky was blue I'd look up to check
Mark Moore, sobre Gordon Brown, nos comentários a este post

Podia estar a referir-se a outro primeiro ministro.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Doença das casas loucas?

Há arquitectos que se preocupam em harmonizar os seus projectos com a paisagem rural ou urbana que os envolve. Há arquitectos que gostam de deixar a sua marca.

Quase todos os que desenharam estas casas pertenciam obviamente à segunda fornada (via Samizdata).

(NB: Até acho graça a algumas hehe)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Seis meses sem democracia

Os antigos Romanos acabaram com a monarquia por não suportarem atitudes tirânicas dos seus últimos reis, e criaram uma série de cargos executivos eleitos por um ano para evitar novas tiranias.

No entanto, quando havia uma situação excepcionalmente grave, podia-se nomear um ditador que estaria no cargo por seis meses durante os quais tomaria as decisões que entendesse, não sujeitas a veto, e pelas quais não responderia criminalmente após o fim do mandato, ao contrário do funcionamente normal da república.

Andará Manuela Ferreira Leite a estudar história da antiguidade?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Andaram na mesma escola?

Notícia do Expresso (e do Público):

Manuela Ferreira Leite questiona
"Não é bom seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem"?
Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Manuela Ferreira Leite declarou: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...".
16:56 Terça-feira, 18 de Nov de 2008

(...)
"Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida a presidente do PSD, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".


O Álvaro escandalizou-se no Desmitos e vaticinou a iminente morte política de M. F. Leite. Eu, por mim, fazia um pacotinho com ela e George W e mandava-os para o Alasca...

Ilusionismo

Notícia do Sol (via O país do Burro):

3a-feira, 18 Novembro 2008
Educação
Sócrates entregou Magalhães só para a fotografia

Por Margarida Davim
José Sócrates esteve na Escola do Freixo, em Ponte de Lima, a entregar computadores aos alunos do 1.º ciclo. Mas, depois de o primeiro-ministro ir embora, as crianças tiveram de devolver os Magalhães
A Escola do Freixo, em Ponte de Lima, foi o palco escolhido por José Sócrates, na passada quarta-feira, para mais uma acção de promoção dos computadores da JP Sá Couto para o 1.º ciclo. Sócrates chamou os jornalistas e distribuiu os Magalhães pelas crianças. Mas, terminada a cerimónia oficial, os portáteis tiveram de ser devolvidos.
Contactado pelo SOL, o conselho executivo da Escola do Freixo explicou que as crianças não puderam ficar com os computadores, «porque há questões administrativas a tratar».
(...)
Antes da entrega real dos equipamentos, a escola vai ter de «preencher toda a papelada e os pais que não estiverem abrangidos pelo 1.º escalão da acção social escolar vão ter de fazer o pagamento do computador». (...)


Mas para este género de ilusões prefiro o David Copperfield.

Da economia como religião

Cinco da manhã, uma insónia e mau feitio: boa altura para resumir a minha ideia da crise internacional. Se antigamente de médico e de louco todos tínhamos um pouco, se depois passámos todos a ser treinadores de bancada, agora somos todos economistas amadores. Eu também, sobretudo a esta hora.

Voilà: o sistema financeiro transformou-se num monstro incontrolável desde que as operações financeiras deixaram de se referir a dinheiro concreto e passaram a ser feitas de intenções. Quando peço um empréstimo de cem mil euros, o banco diz que me põe cem mil euros à disposição, e eu digo aos meus fornecedores que lhes pago dez mil euros a um, cinco mil a outro, e por aí adiante, e eles dizem que os receberam (os bancos afiançam que sim), e todas estas transferências são feitas sem que alguma vez se veja a cor desse dinheiro.
De repente entraram no circuito cem mil euros que não existem na realidade.
No entanto eu tenho que pagar o empréstimo: do meu ordenado que o meu empregador diz que me paga o banco diz que tira uma quantia mensal para reaver os cem mil euros e respectivos juros.

Um amigo americano, republicano e conservador, diz-me que o banco federal continua a imprimir dólares sem qualquer controle, mas eu não sei se isso é verdade. Não é necessário imprimir dólares, só cartões Visa ou American Express.

Do mesmo modo os governos têm dito que garantem as operações dos bancos, e os depósitos dos clientes, e que disponibilizam milhões de dólares para tal. Não é necessário que tenham essses milhões de notas: mais uma vez lidamos com intenções. Se há algum nome que o sistema mereça é o de fiduciário, porque andamos todos a viver da confiança nas promessas uns dos outros.

Neste momento, contudo, o monstro já é tão grande que já não basta ter confiança, é preciso fé para acreditar que tudo isto vai dar certo.

A crise chegou à economia. Na verdade a crise teve origem na economia, enquanto governos e bancos assobiavam para o lado, mas agora que alguém gritou que o rei ia nu já toda a gente faz coro. A economia mundial vive do consumo, e quando o consumo abranda a economia treme. Quando o consumo pára as empresas abrem falência e despedem trabalhadores.

A indústria automóvel está em crise e pede ajuda aos governos. Que ajuda pode o governo dar? Dinheiro? Para quê? Para pagar ordenados? Para pagar fornecedores de peças? Para continuar a produzir carros que não se vendem?
O que a indústria automóvel quer é ser nacionalizada, passar a responsabilidade de pagar ao governo, passar a ser função pública. Os russos devem estar a rir: afinal o Estado é que está a dar.

Os bail-outs não resolvem nada. As injecções de dinheiro são tratamentos paliativos enquanto a doença avança. Enganam as dores, disfarçam a febre, mas o paciente vai morrer.

Às seis e meia da manhã, o prognóstico é reservado. Este sistema não resulta. As empresas têm de falir e as pessoas vão sofrer. É preciso inventar um mundo novo, porque a fé já não nos salva.

domingo, 16 de novembro de 2008

O casamento gay

Já se sabem os resultados da votação da Proposta nº8 na Califórnia, que visava revogar a lei que permitia o casamento entre pessoas do mesmo sexo naquele Estado. A maioria votou sim. Pode parecer estranho, mas não esqueçamos que se há Estado cheio de contradições é a Califórnia, cujo governador é o Republicano conservador Arnold Schwarzenegger.

Os apoiantes da Proposta nº8 tinham a mesma visão do casamento de Manuela Ferreira Leite: é um compromisso entre um homem e uma mulher para a produção de filhos. E mais nada.

Ora mesmo se historicamente essa definição tem sido usada, o casamento está longe de ser só isso, ou mesmo de ser isso: quantos homens e mulheres se casam sem intenção, ou sem possibilidade, de ter filhos? Alguém já se lembrou de proibir o casamento entre pessoas de mais de cinquenta anos?
E, já agora, que impede, a não ser eventualmente a lei, um casal gay de ter filhos, próprios ou adoptados? E para os que se arrepiam com a ideia: não será muito melhor para uma criança viver numa família estável e afectuosa com dois pais ou duas mães do que numa família disfuncional ou numa instituição de acolhimento?

Quanto à possibilidade de uma criança educada por um casal gay se tornar também gay, isso é grave? Além de que seria interessante que os tais que se arrepiam explicassem, nessa perspectiva, como se tornam gay as crianças educadas por casais hetero.

Na verdade, o casamento talvez devesse definir-se como um contrato reconhecido por um grupo social ou religioso que envolve duas pessoas que prometem partilhar experiências de vida, incluindo normalmente afecto e sexo, e pretendem proteger determinados direitos sociais ou económicos.
Isto, julgo eu, incluiria os casamentos por amor, as alianças familiares, os casamentos por puro interesse material, quer entre pessoas do mesmo sexo quer não.

E se me disserem que estamos a quebrar uma tradição histórica, respondo: e porque não? A luta contra a desigualdade é relativamente recente, e a nossa noção do que constitui desigualdade tem mudado desde que os Founding Fathers redigiram a Declaração de Independência, sem lhes passar pela cabeça o paradoxo de a igualdade que lhes parecia evidente não se aplicar aos seus escravos.

sábado, 15 de novembro de 2008

Allegro ma non troppo

Dito isto, lá fui esta sexta feira à Igreja Matriz de Albufeira e ontem, sábado, à Sé Catedral de Faro, para ouvir respectivamente as sonatas para violino e piano nºs 2, 8 e 9 de Beethoven tocadas por António Rosado e João Pedro Cunha, e várias peças de compositores barrocos tocadas no órgão de tubos por João Vaz.

Os públicos eram bastante diferentes, talvez reflectindo o tipo de população das duas cidades: em Albufeira predominavam os estrangeiros, em Faro os portugueses. A propósito, acho óptimo que se tragam as crianças, mas seria bom os pais explicarem-lhes antes que não devem falar para não incomodar os restantes ouvintes. Infelizmente os próprios pais não parecem ter noção disso.

Nenhum dos concertos me entusiasmou, desde logo pela música. Na sexta-feira os instrumentistas tocaram de costas um para o outro, o que me incomodou: eles lá sabem se se entendem melhor assim, mas o facto é que houve de parte a parte algumas tentativas de indicações visuais que falharam. De qualquer forma J. P. Cunha pareceu-me de início frio e ensimesmado.

(Faro, Sé, Novembro 2008)

Fiquei com dúvidas quanto a certos tempos, pois alguns allegri pareciam mais andanti ou mesmo adagi. A partir do segundo andamento da sonata nº 8 as coisas melhoraram bastante; este e o primeiro da sonata º 9 Kreutzer foram os que mais me agradaram, tanto musicalmente como na interpretação.

No sábado achei interessante aperceber-me dos diversos registos do órgão, que é uma máquina infernal cheia de cavilhas (lembra uma daquelas centrais telefónicas antigas): na primeira peça, de Diogo da Conceição, parecia um pato a grasnar. Tive pena que não houvesse uma explicação no programa sobre os compositores ou as peças: se toda a gente sabe quem foi Beethoven, quem saberá quem foi Pedro de Araújo, ou o que quer dizer Obra de 5º tom?

Espero que o padre de Albufeira, que de resto tem uma igreja muito simpática, um dia destes perceba que se mantiver a pombinha pintada sobre o altar-mor nada o livrará do Inferno.

(Albufeira, Igreja Matriz, Novembro 2008)

Quanto à Sé de Faro, é a maior confusão de estilos que já me foi dado ver.

O império da luz Parte II

ῥοδοδάκτυλος Ἠώς

a madrugada de róseos dedos

Homero, Odisseia, 2.1.1

(Albufeira, Novembro 2008)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O império da luz

Estes dias de Outono no Algarve têm sido lindos de morrer. Ontem a lua nasceu cheia por volta das cinco e meia da tarde: estava enorme logo acima do horizonte.
Hoje não sei por onde andava, mas o pôr-do-sol era um espectáculo de cor, a fazer lembrar L'Empire des Lumières de Magritte, com as casas a destacarem-se quase negras sobre o vermelho-chama e o céu ainda azul.

(Albufeira, Novembro 2008)


A partir da próxima Primavera haverá todo um museu dedicado a Magritte em Bruxelas.

Rafeiro como ele

Notícia da CNN (via Jornal de Notícias e email):

November 7, 2008
Obama: New dog could be 'mutt like me'

Posted: 03:33 PM ET
From CNN Assignment Editor Lauren Kornreich

(CNN) – In his first press conference since winning the race to the White House, President-elect Barack Obama addressed a pressing question: who is going to be the first dog?
Obama told a group of reporters in Chicago on Friday that since his 10-year-old daughter, Malia, is allergic, the Obama family is looking for a hypoallergenic breed. But Obama also said the family wants to adopt one from a shelter.
“There are a number of breeds that are hypoallergenic, but on the other hand our preference is to get a shelter dog, but obviously, a lot of the shelter dogs are mutts like me,” Obama said. “So, whether we are going to be able to balance those two things I think is a pressing issue on the Obama household.”


É bonito. Infelizmente na América também há muitos animais de raça abandonados nos canis. Ficamos à espera de ver que espécie de cão vai entrar na Casa Branca. Não esperemos, no entanto, que Obama dê muita atenção aos problemas dos animais.

Afinal, ele é só um rafeiro como nós.

Sem nada para vestir

Agora que a primeira loja inteiramente dedicada à Barbie abriu em Buenos Aires, reparei que a minha Barbie ainda está com roupa de Verão e não me lembro de onde guardei a roupa de Inverno dela!

Ainda por cima é um modelo já considerado vintage (#1070 de 1965): a minha mãe trouxe-ma de Paris quando em Portugal não se sonhava que existia. Da roupa que também trouxe já só existe a camisola cor-de-rosa, e como entretanto mudaram as medidas para outras mais politicamente correctas (!) a roupa nova não lhe assenta bem. E para complicar o caso, hoje em dia é raro haver à venda roupa sem a boneca.
(Hoje, no meu jardim)

Que seca!

PS 5 horas mais tarde: Já encontrei a roupinha.

The age of consent

Notícia do Expresso:

Britânica quer morrer "com dignidade"
Adolescente conquista direito à eutanásia

Hannah Jones, 13 anos, conseguiu que a sua vontade fosse aceite: recusa submeter-se a um transplante de coração, a única hipótese para continuar a viver. A história está a comover a Inglaterra.
Maria Luiza Rolim
22:10 Terça-feira, 11 de Nov de 2008

(...)
No início, o Herefordshire Primary Care Trust quis obrigar a menina britânica a submeter-se à cirurgia e em Fevereiro levou o caso para o Supremo Tribunal de Justiça do Reino Unido.
Hanna ganhou o direito de morrer depois de ter sido entrevistada por um assistente social, que confirmou que a menina estava mesmo segura na sua decisão de morrer com dignidade".
Os pais de Hannah apoiam-na. (...) Entrevistados pelo jornal 'Daily Telegraph', dizem que é óbvio que desejaria ter a filha com eles por muito mais tempo, mas entendem que devem respeitar a sua vontade.


Isto é muito complicado. Não tenho ideia do que faria se fosse mãe desta criança ou médica dela, ou juíza do Supremo. Parece que a garota é capaz para decidir morrer, que é uma coisa que muito poucos adultos são capazes de decidir. No entanto se a mesma garota tivesse relações sexuais (sei lá, para experimentar antes de morrer?) com um adulto, este seria condenado por pedofilia e ela definida como menor e incapaz.

Onde está, afinal, o patamar do consentimento?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Sleep like a baby

Jay Leno: It's been a week since the election; how're you doing?
John McCain: I've been sleeping like a baby: sleep two hours, wake up and cry, sleep two hours, wake up and cry.


Às vezes as pessoas dizem coisas que é suposto terem graça mas que a mim, pelo menos, deixam siderada.

A entrevista aqui.

Equaino

Para deixar um comentário no blog Travel Journal tive de copiar as letras que compõem o título deste post.

(Não sei porquê, há blogs que pedem quase-palavras mais engraçadas que outros)

O que é um equaino? É um cavalo madeirense. Basta dizê-lo assim mesmo em voz alta.

Liberdade para os melões

Notícia do Público:

Documento já foi votado pelos Estados-membros da UE
Propostas da Comissão sobre legumes e frutas entrarão em vigor em Julho
12.11.2008 - 13h59
Por PÚBLICO

A proposta da Comissão Europeia que deixa cair a obrigação de calibragem de 26 frutas e legumes, passando a ser autorizada a venda de produtos “deformados”, foi votada hoje pelos Estados-membros da União Europeia e deverá entrar em vigor a 1 de Julho de 2009.
(...)
A eliminação das normas de comercialização para 26 produtos hortofrutícolas, relativamente ao tamanho e forma, pretende simplificar as regras da União Europeia e reduzir a burocracia. Dizem, então, respeito a damascos, alcachofras, espargos, beringelas, abacates, feijões, couves-de-bruxelas, cenouras, couves flores, cerejas, aboborinhas (courgettes), pepinos, cogumelos de cultura, alhos, avelãs com casca, couves-repolhos, alhos franceses, melões, cebolas, ervilhas, ameixas, aipo de folhas, espinafres, nozes comuns com casca, melões e chicórias whitloof.
No entanto, vão manter-se as normas relativas a dez tipos de hortofrutícolas: maçãs, citrinos, kiwis, alfaces, pêssegos e nectarinas, peras, morangos, pimentos doces, uvas de mesa e tomates. Mas os Estados-membros poderão comerciar aqueles que não cumprirem as regras desde que sejam rotulados como forma de os distinguir.
(...)


Ainda bem que por uma vez se acaba com regulamentação excessiva. Mas poderá alguém explicar-me quais os critérios pelos quais os damascos e as ameixas têm tratamento diferente das maçãs e dos pêssegos?

domingo, 9 de novembro de 2008

À vela

O Algarve tem paisagens que os "agostinhos" não sonham. Velejar na ria de Faro e observar as mudanças de luz de uma tarde de Outono é uma experiência inebriante.



(Faro, Novembro 2008)

À pesca

Esta manhã muitas dezenas de gaivotas chamavam a atenção na praia de Armação de Pêra.

video


Chegavam os pescadores e, depois de rebocados os barcos pelo tractor até acima da linha da maré, depois de escolhido o peixe e arrumadas as redes, devolviam ao mar ouriços, estrelas-do-mar e as cavalas que tinham usado como isco.


As gaivotas são uma espécie de hienas penudas e estavam à espera do festim.

(Armação de Pêra, Novembro 2008)

sábado, 8 de novembro de 2008

O preço das pernas

Notícia do Telegraph:

Passengers to be charged for extra legroom
Tall airline passengers who ask for extra legroom when flying in economy class will be charged £40 for the privilege.
By Peter Allen
Last Updated: 7:56AM GMT 08 Nov 2008

Air France has become the first airline to introduce a supplement for the seats next to emergency exits or at the front of rows.
These are the ones without other seats immediately in front, meaning long legs can be stretched out.
Until now, experienced passengers have often been able to reserve the seats through nothing more than a polite request at check in.
Now, however, they will be sold, with surcharges payable online or in phone bookings.
(...)
The idea is likely to be copied by many other airlines, as their industry struggles in the harsh economic climate.


Em tempos li a história duma rapariga que queria por força ser modelo e para isso convenceu um cirurgião a fracturar-lhe as pernas e colocar aparelhos para as tornar mais compridas (sim, é possível, mas bastante arriscado e eu não o faria por motivo tão idiota).
Agora o pessoal vai passar a pedir pernas mais curtas?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Not gay


Voltei hoje a ver Mamma mia. Claro que não é um grande filme mas é divertido.

Colin Firth, de quem gosto imenso, faz contudo o homossexual menos convincente que vi em toda a minha vida, na tela ou fora dela.

Foto daqui

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Tango Quattro em Lagos

Confesso que falho muitos dos meus projectos de ir aqui ou ali ouvir música ou ver um espectáculo.

Às vezes por preguiça minha, outras por falta de coragem de pedir companhia a quem chega à noite exausto.

Mas para quem gostar de tango e puder, há amanhã e depois no Centro Cultural de Lagos o agrupamento Tango Quattro com os bailarinos veteranos Jorge e Nélida, que vi dançar em tempos no Teatro da Trindade.


(Tango, ou Jorge e Nélida pintados por mim há nove anos)

A mudança chegou à América

Barack Obama venceu as eleições norte-americanas. Pelo que isto significa, uma América menos preconceituosa, mais aberta à mudança e talvez mesmo ao mundo exterior, este resultado é bom e fico contente.

Do ponto de vista prático, vamos a ver. Do fundo do coração faço votos para um futuro feliz para a América.

domingo, 2 de novembro de 2008

Momento de promoção

Notícia do Público:

Sócrates: Magalhães «é o primeiro grande computador ibero-americano»
31.10.2008
Fonte: Público

O primeiro-ministro, José Sócrates, fez da sua primeira intervenção na Cimeira Ibero-Americana um momento de promoção do computador Magalhães (...)


Nem sei o que dizer: que o sr. Sousa tem emprego assegurado na JP Sácouto? Talvez mesmo na Intel? Que pode sonhar com um contrato para substituir Bryn Terfel como Dulcamara?

De qualquer forma, depois de afirmar que foi pensado para as crianças e que todos os seus assessores usam diariamente o Magalhães para o seu trabalho, muita coisa ficou explicada.


terça-feira, 28 de outubro de 2008

Frio

Ainda outro dia troquei a roupa de Inverno pela de Verão e já estou a fazer a operação inversa :-(


(Praia Grande, Fevereiro 2008)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

domingo, 26 de outubro de 2008

TomTom

Ganhei de presente um TomTom Go 930 e tenho estado ocupadíssima a descobrir-lhe os encantos: além de ser uma ajuda à navegação terrestre*, com mapas da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá, serve de sistema de mãos livres para o telemóvel e de leitor de mp3 e/ou de ligação do iPod ao rádio do carro. E ainda de álbum de fotografias. Que mais se lhe pode pedir?

Que funcione de maneira simples, acho eu. Vou testá-lo amanhã.

Foto GPSmagazine


*e marítima? Tenho de perguntar aos meus amigos marinheiros.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Se o mundo votasse

Três amigos islandeses criaram este site onde cheguei via Teatro Anatómico, para estimar quem seria o próximo presidente dos EUA se os cidadãos de outros países pudessem votar.

Talvez tão interessante como as percentagens obtidas por vencedor e vencido seja ver quais os países que forneceram mais votos.

Como dizem os autores, isto é só uma brincadeira, por isso até eu votei.

Arte na rua

Engraçadas certas coincidências. Ontem reparei com mais atenção num graffito na parede de uma ruína à saída de Faro, e hoje fotografei-o na intenção de o pôr no blog. E a Io, de forma independente, fez um post sobre o mesmo tema.

Great minds think alike?



(Faro, Outubro 2008)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A porta aberta

Notícia do Expresso:

Teixeira dos Santos anuncia
Regime especial para saída será aberto a todos os funcionários públicos
Mesmo que os seus serviços não estejam a ser reestruturados, os trabalhadores vão poder optar por sair da Função Pública através do regime de mobilidade especial, anunciou hoje o ministro Teixeira dos Santos.
14:42 Quinta-feira, 23 de Out de 2008
Os trabalhadores da Função Pública vão passar a poder aceder ao regime de mobilidade especial de forma voluntária (...)
(...) Teixeira dos Santos assegurou que "não há qualquer intuito de impedir o acesso à mobilidade", reconhecendo, no entanto, existir a "preocupação" da parte do Governo em "preservar a colaboração de funcionários altamente qualificados".
(...)
A mobilidade especial funciona em três fases, que implicam a perda gradual de remuneração, mas não de direitos (antiguidade, protecção na doença, subsídio de férias e de Natal) nem de deveres.
A primeira fase (de transição) tem a duração de dois meses e o trabalhador recebe a remuneração base por inteiro.
A segunda fase (de requalificação) dura 10 meses e o funcionário recebe cinco sextos da sua remuneração base.
A terceira fase (de compensação) segue-se ao primeiro ano de inactividade e o trabalhador passa a receber quatro sextos da remuneração base mas pode ter outra actividade fora da função pública.


Se a outra actividade funcionar em tempo de crise económica, é fazer as contas e ver se vale a pena.

Batem leve, levezinho

Notícia do Expresso:

Liedson faz história e anuncia naturalização
O avançado tornou-se o melhor marcador de sempre do Sporting nas competições europeias e brevemente poderá ser opção para Carlos Queiroz.
10:44 Quinta-feira, 23 de Out de 2008

(...) Após marcar o golo que valeu os três pontos ao Sporting na deslocação a Donetsk, o jogador anunciou que se vai naturalizar português.


Parece-me bem, a não ser que seja para fugir já a seguir como o Deco. O Sporting que cuide bem dele.

Produto estruturado

Notícia do Público:

Viagens familiares nas despesas do Alaska
O guarda-roupa de Sarah Palin e da família já custou 150 mil dólares aos republicanos

22.10.2008 - 18h56 Sofia Cerqueira
Segundo registos da campanha eleitoral, o comité nacional republicano gastou mais de 150 mil dólares (mais de 113 mil euros) em roupas e acessórios para a candidata à vice-presidência Sarah Palin e respectiva família, desde que se soube que a governadora do Alaska seria a escolha de John McCain, no fim de Agosto. Ao mesmo tempo, foram também revelados relatórios oficiais do estado do Alaska que declaram o débito de despesas familiares da governadora nas contas do estado.


Faz-me lembrar as tais obrigações de dívida colateralizadas que foram, parece, a causa do desmoronamento de bancos e seguradoras, e em que se embrulha(va)m hipotecas de risco com outros activos de maneira a mascarar o conteúdo.

À primeira vista pelo menos, os gastos da campanha republicana com a imagem da sua candidata à vice-presidência são uma opção daquela, e ninguém tem que se queixar.

As despesas de viagens das filhas da governadora Palin serem debitadas nas contas oficiais do estado é que não parece bem. Lembro-me, obviamente, do escândalo das viagens dos deputados portugueses (que suponho não passou do escândalo, ou passou?)

Mas há dois pontos a relevar na história dos gastos em roupa e cabeleireiro, e um deles está bem escondido: o primeiro é que quem doou dinheiro à campanha McCain pode não gostar da forma como estes 150,000 dólares foram gastos. E o segundo, o tal escondido, é que McCain beneficiou de financiamento federal: por conseguinte, a roupa e o cabeleireiro foram em parte pagos por todos os contribuintes americanos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Criar dívidas

Com que então há uma crise financeira? Há crédito mal parado? As famílias estão sobre-endividadas? Os bancos pedem ajuda aos governos? As acções estão em queda nas bolsas?

Pelo menos o Millenium continua a impingir linhas de crédito pré-aprovado ao consumo. Os nossos impostos servem para que tudo continue na mesma.

Não é que já não soubéssemos.

(recebido hoje pelo correio: clicar para aumentar)

As Cidades e os Campos

Notícia de El País (via Hoje há Conquilhas, Amanhã não sabemos):

China lanza una gran reforma agraria
Los campesinos podrán vender, arrendar o hipotecar el derecho de uso de la tierra - El Gobierno apuesta por reactivar la economía rural e impulsar el consumo interno
JOSE REINOSO - Pekín - 10/10/2008
China se dispone a emprender una importante reforma del sistema de gestión de la tierra, que tendrá importantes consecuencias en el desarrollo del país. Pekín va a permitir a los campesinos vender, alquilar o hipotecar el derecho de uso de sus tierras, que, no obstante, seguirán siendo propiedad de las colectividades locales. (...)
"La medida acelerará el proceso de urbanización, ya que favorecerá la emigración de los habitantes del campo a las ciudades y promoverá la creación de grandes propiedades modernas en las zonas rurales" (...)


Não tem nada que ver com liberdade pessoal ou de movimentos. A ideia, parece, é que os camponeses não consomem tanto como os habitantes das cidades, por isso vá de empurrar os primeiros para elas.

Isto deixa-me estupefacta. Estes políticos não vêem nada à sua volta? Não sabem o que se tem passado no México, ou em Mumbai, ou em qualquer grande cidade onde afluam aos milhares os camponeses em busca de um sonho? Não sabem que de pobres se transformam em miseráveis, e que a sua acumulação torna as cidades insustentáveis?

Esta gente tem filhos e netos! Não percebem que a procura do lucro imediato dá cabo do futuro?