sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Homeostase e o preço do petróleo

No estado de saúde o corpo faz a sua própria homeostase, isto é, mantém-se em equilíbrio ao não deixar que os processos fisiológicos vão demasiado longe.

Tem-se hoje a impressão que muitos dos sintomas do estado de doença são devidos a uma desregulação. Exemplo: a constipação vulgar, em que a resposta a uma agressão ambiental é desproporcionada, levando a uma fragilidade dos tecidos que é aproveitada por agentes virais ou bacterianos para se instalarem.
Para resolver o problema é então preciso ajuda: antibióticos ou antivirais contra os agentes infecciosos, e anti-histamínicos ou outros anti-inflamatórios para controlar a reacção do próprio corpo.

É claro que em certos casos a situação é mais séria, quer pela fragilidade do corpo quer pela agressividade do ataque, e no limite não há nada a fazer senão controlar a reacção do corpo para níveis confortáveis.

Pergunto-me se em relação à economia se pode estabelecer um paralelismo. É que há poucos meses viu-se o preço do petróleo subir vertiginosamente, e pensou-se que pudesse chegar ao fim de 2008 pelos 200 dólares o barril. Só que isso (e mais outros factores, claro, estou a simplificar) abanou de tal modo as empresas e as pessoas que o edifício económico-financeiro começou a desmoronar-se, a procura do petróleo baixou catastroficamente e o preço já vai abaixo dos 45 dólares, com previsões de que possa chegar aos 25 dólares durante o próximo ano se a recessão atingir gravemente a China.

Parece-me a mim que se o petróleo desce isso ajudará as empresas a recuperar, aliviará os bolsos e poderá inverter o processo - o que levará a uma subida do preço do petróleo. É de esperar que este movimento pendular o leve a um estado de equilíbrio.

Não quer isto dizer que no decorrer da doença não haja muito sofrimento (desemprego); também não tenho nada a certeza que as ajudas que os governos estão a dar sejam as mais apropriadas. Mas é uma chamazinha de esperança. Veremos.

1 comentário:

Carlota disse...

Gi,
À procura desse equilibrio por vezes as medidas são drásticas. Pena é que quando se atinge o equilibrio, algo despoleta de novo o desequilibrio: se o poder de compra e confiança existe, toca a subir juros para , por outro lado, baixar inflação; a inflação que sobe porque os preços sobem e há poder de compra; então, baixa confiança porque sobem preços..., toca a baixar juros e preços para motivar nova confiança. A esperança é, como dizes, que sejamos "medicados" correctamente e na medida certa da doença que nos aflige, e que nos mantenham assim "regulados".
Bjs.