terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Bairro Alto

O Estado dá-me cabo da cabeça e da bolsa e o estado das ruas de Lisboa deu-me cabo dos pés. O Bairro Alto ao sábado de manhã é... diferente, com as funcionárias da Câmara a varrer os milhares de copos de plástico que o pessoal da noite bebeu na sexta-feira e atirou para o chão (a rua na foto tem poucos bares).


Grande parte daqueles prédios não tem obras há décadas, e provavelmente senhorios e inquilinos reagiram de maneira diferente à nova lei do arrendamento de que se falou no princípio do ano.


Princípio? Ainda mal passou uma semana e já se fala em mais austeridade e desvios orçamentais...

(Lisboa, Janeiro 2012)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Artur Pizarro na Gulbenkian

Sexta-feira passada estive na Gulbenkian para o recital de Artur Pizarro com a Orquestra Gulbenkian dirigida por Lawrence Foster.

Um alinhamento um tanto estranho: a orquestra começou sozinha com o piano escondido atrás e acabou da mesma forma. Não achei a primeira peça (Orpheus) particularmente interessante e não fiquei para os Prelúdios finais. A orquestra portou-se muito bem, com destaque para o oboé, os violoncelos e contrabaixos, mas o que me interessava era Pizarro a tocar Liszt.

Liszt, que conheço mal, e começou a vida como intérprete virtuoso, foi um compositor notável e, nas suas obras tardias, um inovador, anunciando o impressionismo e para além dele. Os dois concertos para piano têm uma construção muito firme e interessante, o Concerto nº 2 em lá maior em particular - apesar de, como ouvi comentar, a música ser talvez mais difícil do que bonita. Certo é que qualquer das peças para piano tocadas na Gulbenkian permite ao solista brilhar, ou deverei antes dizer, exige que ele brilhe.

A transcrição da abertura do Tannhäuser pareceu-me muito fiel, embora não seja obviamente possível pôr num só piano a majestade de uma grande orquestra wagneriana; no entanto as cascatas de som de violinos e violoncelos traduzem-se nas escalas cristalinas sobre as quais voam as mãos do pianista. Houve notas falhadas no início, mas deixaram de ter importância perante o resto da execução. A ária Oh du mein holder Abendstern no início da segunda parte não teve escolhos, e em ambos os concertos para piano Pizarro emocionou e empolgou. Já o vi tocar várias vezes e acho sempre extraordinária a sensação que transmite de facilidade, leveza e alegria. Merece mil vezes os aplausos que recebe.

Infelizmente não encontrei na rede nenhuma destas peças tocada por ele, mas deixo a sua Rapsódia Húngara nº15.

Obediências

Estou farta de ouvir gente próxima da Opus Dei escandalizar-se com os ritos, os segredos e as influências da maçonaria.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Os políticos

Os políticos podem bem não ser capazes de resolver os problemas do nosso mundo mas, como temos visto, podem agravá-los de um modo muito significativo.

Manuel Maria Carrilho, hoje, no Diário de Notícias.

Não posso estar mais de acordo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O preço certo

Notícia do Expresso:

Barão capitalista britânico dá prémio a quem inventar "saída ordeira" do euro
Simon Wolfson, dono da Next, cadeia retalhista de moda, vai atribuir um prémio de 290 mil euros ao economista que apresentar até 31 de janeiro a melhor proposta de como um ou vários membros da zona euro poderão "sair ordeiramente" da moeda única.
Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
9:05 Quarta feira, 4 de janeiro de 2012

(...)
Simon Wolfson, de 43 anos, que é filho do fundador da Next,(...) tem as inscrições abertas para o Prémio até 31 de janeiro. Os interessados poderão consultar as regras no link seguinte: http://www.policyexchange.org.uk/pages/wolfsoneconomicsprize.cgi
(...)


Duzentos e noventa mil euros? Deve estar a brincar. Como dizem os americanos, esta é a pergunta para um milhão de dólares. Pelo menos.

Céu azul e sol radioso

Onde andam os agricultores em Portugal, que ninguém se queixa da seca?



* Eu também não me queixo, era o que faltava.