domingo, 8 de maio de 2011

A violência dos impotentes

A fúria homicida dos que habitualmente não têm poder recai sobre os mais fracos: as mulheres, as crianças, os velhos.

Mulheres jornalistas que trabalham em cenários de convulsão social ou militar correm riscos tremendos. A revolução egípcia desta primavera poderá ter sido muito bonita, mas teve os seus momentos negros, e a jornalista americana Lara Logan contou ao programa 60 minutes o que lhe aconteceu.

A mim vieram-me as lágrimas aos olhos diversas vezes durante a entrevista. Não só por ela, embora também, e muito, por ela que sofreu e veio contar, mas igualmente pelas outras mulheres que sofrem todos os dias e não contam. A quem ninguém vale. Pelos séculos dos séculos, até quando?

7 comentários:

-pirata-vermelho- disse...

Os actos de guerra assumem por vezes os contornos da 'região' em que ocorrem.
Esta senhora parece ser uma grande profissional.
Viveu para se desenvolver e sobreviveu para contar

-pirata-vermelho- disse...

Eu diria, "Jornalistas que trabalham em cenários de convulsão social ou militar correm riscos tremendos" e acrescentaria, 'inerentes ao esforço de manutenção de uma ordem que interessa aos seus patrões remotos e animados de uma convicção ou de um espírito de missão insidiosamente inculcados'.
(eventualmente muito bem comprados)

mfc disse...

Há tanto ainda a fazer nesse capítulo!
É uma tarefa nunca concluída.

Gi disse...

-pirata-vermelho-, não percebo muito bem a relação entre as convicções e os riscos: não serão iguais para jornalistas de todos os quadrantes?

Mfc, há que ir teimando e denunciando.

-pirata-vermelho- disse...

Nem mais, macho ou fêmea, apesar de algumas especificidades.

Gi disse...

-pirata-vermelho-, talvez seja por eu ser mulher, mas parece-me que as especificidades das mulheres lhes acarretam riscos acrescidos...

camalees disse...

O vídeo é de uma coragem impressionante. Há muitas mulheres jornalistas( e nao jornalistas)que passaram por experiências similares e mantem o silêncio, torturando-se por dentro.

Em Díli entrevistei uma timorense que tinha sido torturada e violada sistematicamente.Um horror inimaginável. Até hoje me lembro dos olhos dessa mulher.