terça-feira, 12 de abril de 2011

Não há almoços grátis

Alguém devia explicar muito bem explicadinho que o FMI, não sendo o diabo em pessoa(s), também não é a fada madrinha, e que eufemismos como resgate ou bail-out significam apenas que, quando já ninguém nos queria emprestar dinheiro e quem no-lo tinha emprestado estava a tentar desfazer-se dos papéis em que tínhamos assinado promessas de pagamento passando-os a outros otários, vamos afinal receber mais dinheiro emprestado para pagar o que devemos, a troco de gastarmos muito menos, e que como já ninguém acredita nas nossas promessas andarão por cá uns figurões a verificar se é verdade que gastamos muito menos, até que consigamos pagar não só os empréstimos antigos como estes novos que nos vão conceder.

Bom mesmo seria que alguém explicasse muito bem explicadinho como é que vamos pagar tudo isso, já que não produzimos praticamente nada e importamos praticamente tudo o que consumimos.

E finalmente poderia explicar muito bem explicadinho que aqueles de nós que se julgam a salvo por viverem dentro das suas possibilidades vivem na realidade acima das possibilidades de quem lhes paga os ordenados ou as pensões ao fim do mês.

4 comentários:

Mário disse...

Não tenha ilusões, Gi, ninguém vai explicar isso. Pelo menos, ninguém melhor do que o Medina Carreira fez durante anos.

Dois dedos de lógica bastam para perceber que quem paga, essencialmente, é

1) o contribuinte.
2) o assalariado do Estado

São os únicos que não podem escapar. De resto, vão aumentar as contas na Suíça e nos offshores, claro, em detrimento da Caixa. Esses são os que se põem a salvo.

Os salários ALTOS do Estado vão ser um pouco beliscados, mas esses têm todos boas reservas e outros "biscates".

Vamos ficar um país mais pobre, tipo Ucrânia ou Macedónia, e o drama verdadeiro não é ganhar menos ou as coisas estarem mais caras; isso até pode ser terapêutico para o excesso disparatado de consumo. O drama é a imensa multidão que não ganha nada, os desempregados, que podem chegar ao milhão e serem causa de um imenso desespero que pode dar em revolta.

Paulo disse...

vuuuuuragem

João Afonso Machado disse...

Muito bem explicado!
Vê-se logo que não é filiada em partidos. Senão a explicação vinha mais às curvas.

Gi disse...

Mário, e as formas de apresentação desse desespero e dessa revolta são capazes de ser bastante violentas, se as pessoas acharem que não têm nada a perder.

Paulo, subtil, esse desenho do Bandeira.

João Afonso, obrigada :-)