domingo, 24 de abril de 2011

Reestruturando a dívida

aqui e aqui contei a história das dívidas da cidade de Salamina ao nobre Brutus, como exemplo de uma dívida incobrável devido aos juros exageradíssimos (48% ao ano).

Quando chegou à província para que fora nomeado governador, Cícero encontrou muitas comunidades nessa situação: sem poderem pagar as dívidas ao juro que tinham contratado com os publicanos.

Que fez Cícero? Publicou um édito em que proibia a contratação de juros superiores a 12% ao ano, e promoveu a reestruturação das dívidas existentes exigindo o pronto pagamento do capital numa data por ele fixada, acrescido de juros de 12% independentemente do valor previamente acordado. Se no entanto o pagamento não fosse efectuado na data definida, o juro a pagar seria o do contrato.

Na maior parte dos casos, segundo conta, (Ad Atticum, VI, I, 16), todas as partes ficaram contentes e agradecidas. O sócio de Brutus, parece (Ad Atticum, VI, II, 7), foi uma excepção, tendo-se recusado a ser reembolsado nessas condições, mas Salamina ficou gratíssima.

Já pensei mandar esta história de Cícero para os rapazes do FMI e companhia, mas receio que me respondam algo como Vocês ainda não chegaram aos 12% ou Enquanto tiverem fins de semana de quatro dias (e meio) não se podem queixar.

3 comentários:

Mário disse...

Como uma grande amiga minha costuma dizer, os séculos passam e os homens são os mesmos. Descascados da carapaça de "progresso", das tecnologias, das convenções sociais, do que é superficial, temporário e acessório, mantemos os mesmos impulsos, carências, traumas, aflições, vícios, e é surpreendente descobrir a identidade de comportamentos entre um nova-iorquino e um antigo romano...

mfc disse...

Não vale a pena sonhar muito...!

Gi disse...

É verdade, Mário, eu acho os Romanos do fim da República extraordinariamente modernos.

Mfc, a dívida tem de ser reestruturada porque se não o for não a conseguiremos pagar.
E mesmo assim...