domingo, 2 de dezembro de 2012

La Clemenza di Tito

Apesar de a temporada de transmissões do Met (porque lhe chamamos o Met se o nome oficial é a casa, por isso feminino? Adiante) para a Fundação Gulbenkian já ir em velocidade de cruzeiro, só ontem nela embarquei, com a última de Mozart, La Clemenza di Tito, na encenação de Jean-Pierre Ponnelle, ambientada na época em que a obra foi criada em vez daquela em que decorre a acção.
Este detalhe àparte, nada de especial a assinalar numa encenação com quase trinta anos, que segue fielmente o libretto e se preocupa com a movimentação dos cantores. Cenários e figurinos são de modelo apropriado mas não os achei bonitos.

O maestro Harry Bicket, que é director da orquestra barroca The English Concert, diz que à Orquestra do Met não se deve pedir um som diferente do que ela tem; depois daqueles solos sublimes dos sopros, eu certamente não peço.

Os cantores: as duas mezzos, Elina Garanča e Kate Lindsey, nos papéis de Sesto e Annio, têm vozes muito bonitas e expressivas; a soprano Barbara Frittoli, graças a um grande domínio técnico, aguentou-se nas difíceis árias de Vitellia, e particularmente em Non più di fiori, foi mesmo aplaudida pela orquestra; pelo contrário, Giuseppe Filianoti viu-se aflito com a coloratura. Gostei dos agudos cristalinos de Lucy Crowe como Servilia e o baixo Oren Gradus, como Publio, também esteve bem. O coro cumpriu mas não me emocionou.


Para a semana há mais. E na sexta-feira, para quem tiver o canal Arte na televisão, há a transmissão directa da abertura da temporada do Teatro alla Scala, com o Lohengrin de sonho para o qual não consegui bilhetes nas récitas "normais". Agradeço ao Paulo esta informação.

4 comentários:

Mário disse...

Nunca vi a Clemenza, grave lacuna.

Obrigado, Gi.

Fanático_Um disse...

Não tive oportunidade de assistir. Mas para a semana lá estarei.

Gi disse...

Mário, não sei se é uma grave lacuna, mas se tiver a oportunidade, veja. Há um ou dois meses passou no mezzo.

Gi disse...

Fanático_Um, então até sábado.