sexta-feira, 9 de abril de 2010

A chula do Minho

Por falar em cabeças tontas, anda aí um folclore com as bandeiras espanholas desfraldadas em Valença do Minho, numa suposta afronta ao sinistério que mandou fechar mais uma urgência nocturna (Ha! Julgavam que era só no tempo de Correia de Campos?) e agradecimento ao alcalde de Tui, que generosamente abriu as portas do centro de saúde daquela cidade aos vizinhos do sul.

Imagem daqui

O que ninguém parece ter lido é a reacção dos médicos do centro de saúde em causa, que vem explicadinha n'El País:

"Las declaraciones del alcalde fueron poco afortunadas. Tendría que venir por aquí. Dos médicos y un enfermero cubrimos una población de 34.000 habitantes. Estamos al límite. Si ahora se nos añaden los 15.000 habitantes de Valença, no sé qué pasará".

Pues nada. Os políticos continuam a fazer as suas jogadas, e o pessoal é que paga.
A propósito, e como já perguntei não me lembro onde: quem pensam que vai pagar as consultas e os tratamentos dos portugueses em Tui?

5 comentários:

Nádia Jururu disse...

Gosto do título.

Fernando Vasconcelos disse...

Gi: Os SAP não são urgências. As pessoas entendem-nos assim mas esses serviços de atendimento permanente são "apenas" isso. Consultas de urgência permanentes. Não têm, nem nunca tiveram meios para serem urgências e não podem ser concebidos como tal, nem isso seria possível. Lá está Valença protesta mas para o país como um todo a decisão de encerramento está muito provavelmente tecnicamente correcta. Está a ver? Aqui está mais um caso em que pedimos um aumento da despesa ... Quanto à pergunta é fácil, pagamos todos. Como aliás também pagamos todos se se mantivesse aberto o centro em Valença do Minho ... Estas decisões são sempre "politicas" e a politica é exactamente isso: Decidir onde atribuir uma verba limitada que resulta da taxação a todos. Podemos discutir a validade e a bondade das escolhas mas obviamente estas têm fatalmente de ser feitas. Por outras palavras se não se encerrasse em Valença teríamos de encerrar em outro local ... Não sei, não faço a mínima ideia se tecnicamente a decisão está correcta. Conheço no entanto os princípios básicos que determinaram o planeamento e esses parecem fazer sentido.

Gi disse...

Nádia: foi uma inspiração momentânea :-)

Fernando: eu sei a diferença entre um SAP e uma urgência hospitalar, mas de facto, e o Fernando aponta-o, são ambos serviços de atendimento para situações (entendidas pelos doentes como) urgentes.

Também não sei se manter aberto o SAP de Valença à noite se justifica ou não. O que eu quis focar neste , e se calhar não fui clara, foi:
#1 o banzé em volta de mais uma decisão do governo central;
#2 a generosidade do alcalde de Tui, baseada no aumento do trabalho de outros que se calhar não conseguem corresponder;
#3 continuamos a ser todos nós a suportar os custos, como o Fernando aliás percebeu.

Kruzes Kanhoto disse...

Pagam os do costume. Os mesmos que pagam os partos de muitas alentejanas em Badajoz.

Quanto à viabilidade económica dos SAP's, se quiserem por as coisas nesses termos, então o melhor é fechar o interior do país. E já agora matar os velhotes porque não apresentam qualquer rentabilidade face ao alto custo que o país tem com eles...

Gi disse...

Kruzes Kanhoto, tem razão: não se pode gerir um país como uma empresa mas talvez como um grupo de empresas, em que umas dêem lucro para subsidiar as outras.