quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Os "agostinhos" Parte II

O João Quaresma teve a gentileza de responder ao meu post com outro, e eu vou continuar aqui a conversa.

Ele acha que para quem passa o ano rodeado de betão, saberia bem chegar a uma costa que estivesse preservada e eu discordo: saberia bem a ele, a mim e outras pessoas como nós, mas eu ainda não me esqueci de, há muitos anos, ter descoberto uma espécie de parque de campismo espontâneo sobre a praia de Carcavelos onde os campistas tinham arrumado as suas tendas e caravanas em ruas a que tinham dado nomes e tudo!
O povo gosta de viver em tribo. É natural, não tem mal nenhum, mas isso hoje traduz-se no transporte do peso urbano habitual para onde quer que se instale o dito povo. Ou seja: se vive todo o ano no Cacém, ou na Amadora, em Agosto vai para Armação de Pêra ou para Quarteira. De pombal para pombal, é igual.

Os portugueses que passam férias em Espanha, no Brasil, Caraíbas e Cabo Verde não vão lá pelas paisagens preservadas: vão porque os outros vão, ficam nos mesmos resorts, bebem as mesmas bebidas e pagam barato. Porquê? Porque nesses países o trabalho é barato - e em relação à Espanha, cujos salários são europeus, fica aqui ao lado, poupa-se o avião, e lá os preços também estão esmagados pelo excesso de oferta - veja-se o que se passa em Maiorca ou nas Canárias.


Playa del Inglés, Gran Canaria, foto hotels4u

A propósito de preços o João está um bocadinho desactualizado (aliás muito do que ele diz, não sendo hoje correcto, já o foi): comprar uma semana de férias no Algarve é tão barato em Lisboa como em Londres, basta fazê-lo pela Internet, que não descrimina a origem do comprador.

Outro aspecto em que também está desactualizado é quando diz que muito frequentemente o português é mal-vindo e tratado como turista de 2ª ou 3ª, e precisamente porque está certo quando diz que quem dá mais dinheiro são os portugueses. Em grande parte dos casos isto é verdade: longe vão os tempos em que os turistas ingleses traziam dinheiro, e os hoteis e restaurantes desabafam que hoje nem uma água bebem às refeições, enquanto os portugueses comem e bebem sem contar os cêntimos. Dito isto, é sempre melhor, no Algarve como no Estoril, "auditar" a conta antes de a pagar...

E subscrevo integralmente a conclusão do João, que transcrevo com a devida vénia: Não se pense que eu não gosto do Algarve ou dos algarvios: gosto e muito. E por isso tenho imensa pena pelo muito que tem sido estragado. Se tivesse havido bom senso e bom gosto, seria a Califórnia da Europa, com 1/10 dos turistas e o dobro do rendimento.

8 comentários:

Paulo disse...

Quanto aos agostinhos um e dois, pois.

Gi disse...

E que quer isso dizer, pois?
:-)

Paulo disse...

Quer dizer que de momento não tenho nada a acrescentar ao que a Gi já disse.

Fevereiro disse...

Gi,
Parece-me um bocadinho forte. Afinal, quem já não foi passar férias ao Algarve ? Eu já e vou lá voltar este ano. E Deus querendo, hei-de ir muitas vezes mais. E vou em Agosto. E vou e gosto de ir, em Agosto. Por acaso não vou da Amadora para Armação de Pera, vou de Cascais para Vilamoura, mas, isso não interessa, pois não, porque não faz diferença de onde são as pessoas e para onde vão(?) As pessoas são pessoas e vivem e passam férias onde muito bem entenderem. Sim, o Algarve podia estar melhor, em muitas coisas, e se houvesse mais ordenamento territorial, mas não há. Nem no Algarve e na maioria dos casos, nem no resto de Portugal.
Beijinho.

Gi disse...

Paulo, :-)

Fevereiro, nem todas as pessoas que vêm passar férias ao Algarve são como as que descrevi :-)
Por outro lado, de onde são as pessoas e para onde vão faz diferença, sim senhora, vai-se percebendo isso cada vez mais ao longo da vida. Os humanos são tribais: sou até capaz de escrever um post sobre isso.

Fevereiro disse...

GiGi,
Se escreveres sobre as tribos, eu leio!
Beijinho.

Joao Quaresma disse...

Gi: peço desculpa pela demora em responder.

Comprando pela Internet, é sem dúvida mais barato mas à maior parte dos portugueses não ocorre fazer isso. Uma semana de férias no Algarve comprada em Dublin, com vôo incluído pode custar apenas 250€. E isto num país onde um taxista ganha em média 3500€ mensais. Há coisas que são difíceis de entender.

Gi disse...

É verdade, JQ, e é por isso que recebemos os turistas que recebemos. Para eles é muito barato, no Inverno é mais barato do que ficar em casa! e mesmo assim os operadores turísticos não deixam de tentar obter preços ainda mais baixos.