sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A via da floresta

O Miguel Castelo Branco, no seu blog Combustões, que leio sempre com interesse e prazer embora nem sempre concordando, afirma gostar do major-general Chamlong Srimuang, que descreve assim:

De origem social modestíssima, veterano da guerra do Vietname e Laos, homem profundamente religioso, ascético, vegetariano, abstémio e com voto de castidade, (...) só consome uma refeição por dia - frutos, vegetais e leite - dorme em esteira e faz meditação em severos retiros espirituais.

(Chakri Maha Prasat, Grand Palace, Bangkok, Outubro 2008)

A minha primeira reacção foi perguntar-me se este tipo de homem, que exige tanto de si próprio e se afasta tanto da natureza humana, não merecerá mais temor que admiração. Se não ficaremos melhor servidos com homens como nós, que comem peixe e carne e gostam de sexo.
Mas depois lembrei-me de alguns homens como nós, de Hitler e Mao a Berlusconi, Sarkozy e Gordon Brown - e lembrei-me de Gandhi, e se calhar ficamos melhor servidos com quem exige o melhor de si. Porque se calhar é do melhor que precisamos.

2 comentários:

Antonio disse...

Os leaders deveriam ser sempre gente de caracter excepcional e julgo que a primeira condição para se ser um bom leader é ser-se altamente exigente consigo próprio.

Mas o excessivo rigor e alguma excentricidade podem não ser um bom presságio. Podem revelar algum desiquilibrio.


Existe uma qualidade fundamental que se deve somar a todas as outras para avaliar um bom leader e que é o espirito de tolerância e o respeito pelos que pensam de uma forma diferente.

Em qual dos grupos se encontrará este major-general?

Por isso Gandhi é alguem profundamente respeitado e Hitler, Mao ou Staline tingiram por mkilhoes de vezes as suas mãos de samgue.

Gi disse...

Entre o que os leaders deviam ser e o que são, António, como sabemos, vai um mundo de diferença...
Mas os leaders são eleitos por nós - ou pela maioria de nós - ou pela maioria de "nós" que vota - e reflecte a nossa natureza,