quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Música em Londres

Que tal este programa: Christoph Eschenbach no Royal Festival Hall a dirigir a London Philarmonic Orchestra na abertura do Tanhäuser e na sexta sinfonia de Bruckner (que eu não conhecia) e, entre as duas peças, a acompanhar a mezzo-soprano Petra Lang a cantar as Wesendonck Lieder?

A mim pareceu-me lindamente, e lá fui. O serão começou da melhor maneira, se calhar porque não tendo conseguido ir ao S. Carlos para o Crepúsculo dos Deuses me andava mesmo a apetecer um cheirinho de Wagner. Petra Lang tem uma voz bonita e expressiva, e só lhe aponto a dureza das consoantes finais das palavras, um corte na intimidade da música. Eschenbach dirigiu de memória, e em resposta a orquestra percebia-se clara, concentrada e envolvida, lidando na segunda parte admiravelmente com os contrastes de Bruckner, que são no entanto, para mim, mais repetitivos que empolgantes.

A sala tem uma excelente acústica, embora me continue a parecer estranha a ideia de pôr cadeiras do outro lado do palco, atrás dos músicos. Ainda assim havia elementos do público a dormir. O cansaço e a idade não perdoam...

Fica aqui uma versão só áudio da primeira parte do segundo andamento (Adagio) da 6ª de Bruckner.


3 comentários:

Mário disse...

Gosto muito dos Wesendonk, também lá tinha ido se pudesse, à partida prometia ser um bom serão.

Bruckner é difícil, acho eu. Já tentei penetrar naqueles andamentos monumentais, mas é como betão para o meu gosto. Ainda não desesperei, contudo.

Quanto aos assentos de coro, também os há na Casa da Música. Resultam em pequenas orquestras (barrocas, câmara) ou solistas, mas o som fica mais difuso e empastelado em concerto sinfónico. E estão de costas para os cantores...

Paulo disse...

Eu não sou de invejas, como bem sabes. Mas também lá teria ido.

Paulo disse...

E gosto muito deste bocadinho do Bruckner.