sábado, 15 de novembro de 2008

Allegro ma non troppo

Dito isto, lá fui esta sexta feira à Igreja Matriz de Albufeira e ontem, sábado, à Sé Catedral de Faro, para ouvir respectivamente as sonatas para violino e piano nºs 2, 8 e 9 de Beethoven tocadas por António Rosado e João Pedro Cunha, e várias peças de compositores barrocos tocadas no órgão de tubos por João Vaz.

Os públicos eram bastante diferentes, talvez reflectindo o tipo de população das duas cidades: em Albufeira predominavam os estrangeiros, em Faro os portugueses. A propósito, acho óptimo que se tragam as crianças, mas seria bom os pais explicarem-lhes antes que não devem falar para não incomodar os restantes ouvintes. Infelizmente os próprios pais não parecem ter noção disso.

Nenhum dos concertos me entusiasmou, desde logo pela música. Na sexta-feira os instrumentistas tocaram de costas um para o outro, o que me incomodou: eles lá sabem se se entendem melhor assim, mas o facto é que houve de parte a parte algumas tentativas de indicações visuais que falharam. De qualquer forma J. P. Cunha pareceu-me de início frio e ensimesmado.

(Faro, Sé, Novembro 2008)

Fiquei com dúvidas quanto a certos tempos, pois alguns allegri pareciam mais andanti ou mesmo adagi. A partir do segundo andamento da sonata nº 8 as coisas melhoraram bastante; este e o primeiro da sonata º 9 Kreutzer foram os que mais me agradaram, tanto musicalmente como na interpretação.

No sábado achei interessante aperceber-me dos diversos registos do órgão, que é uma máquina infernal cheia de cavilhas (lembra uma daquelas centrais telefónicas antigas): na primeira peça, de Diogo da Conceição, parecia um pato a grasnar. Tive pena que não houvesse uma explicação no programa sobre os compositores ou as peças: se toda a gente sabe quem foi Beethoven, quem saberá quem foi Pedro de Araújo, ou o que quer dizer Obra de 5º tom?

Espero que o padre de Albufeira, que de resto tem uma igreja muito simpática, um dia destes perceba que se mantiver a pombinha pintada sobre o altar-mor nada o livrará do Inferno.

(Albufeira, Igreja Matriz, Novembro 2008)

Quanto à Sé de Faro, é a maior confusão de estilos que já me foi dado ver.

12 comentários:

Paulo disse...

A pombinha é sinistra, mas se calhar os paroquianos gostam dela assim.

Não conheço o violinista que ouviu; já do António Rosado gosto muito. Será que não ensaiaram suficientemente?

Moura Aveirense disse...

Eu também gosto muito do António Rosado. Ele teve uma ba prestação?

Moura Aveirense disse...

"boa", queria eu dizer ;)

Gi disse...

Do António Rosado gostei; pareceu-me foi que o duo não funcionava bem.

Ana disse...

Nada acontece por acaso... estive tb. no concerto de Albufeira e agora não é que encontro o seu blog???
...”desde logo pela música”. Tenho a certeza de que sabia previamente o compositor que ia ouvir. Então que lá foi fazer? Apenas “criticar”?Quanto a isso não lhe auguro futuro (nem presente)... quanto a mim, mesmo sendo assídua a concertos, digo-lhe, os dois músicos, que eu ainda não tinha ouvido em conjunto, consguiram enlevar-me de tal forma com o seu profundo sentido de diálogo, tão rico nestas sonatas, que até me abstraí das “suas criancinhas” e da sua “pombinha”.
Concluo que o Senhor foi o único ouvinte intelectual não amante de música que esteve naquela igreja. O caloroso aplauso final de um público grato por tão belos momentos de música, faz de si um solitário.
ana fonseca

Gi disse...

Ana, ainda bem que gostou do concerto.

Obrigada pela visita ao meu blog; se tiver paciência para ler mais alguns posts talvez fique a conhecer-me melhor e perceba que:

#1 não sou senhor, sou senhora;
#2 gosto muito de música, gosto muito de Beethoven, mas não conheço todas as obras dele e nem sequer gosto de todas as que conheço;
#3 vou muitas vezes a concertos para conhecer peças diferentes: às vezes gosto, outras vezes não;
#4 vou muitas vezes a concertos para conhecer instrumentistas diferentes: às vezes gosto, outras vezes não;
#5 sinto obviamente as coisas de maneira diferente da Ana.

Até uma próxima visita.

Ana disse...

Desculpe ter pensado que seria um homem, pois GI nada identifica. E caí no seu blog por acaso, lendo o seu comentário sem me preocupar em ver os seus dados.
Sem pretender ser erudita, penso que a GI invadiu um terreno que não domina.
Daí a sua necessidade em introduzir “molho” extramusical para poder dar mais realce ao seu “bife”.
Por analogia com a sua resposta também “vou muitas vezes” visitar blogs “para conhecer“ opiniões “diferentes”: “às vezes gosto, outras vezes não”. Do seu não gostei.
Por isso não haverá próxima visita.
Ana

Antonio disse...

Cara Gi,

Também eu estive o concerto Beethoven em Albufeira. E também eu não fiquei entusiasmado. Confesso-lhe que eu sou um Barroco e os clássicos e romanticos não me enchem a alma. E a execução musical não foi brilhante. Foi um tanto ou quanto apagada. Não tenho os teus conhecimentos nem os da intelectual Ana que pelos vistos não aceita opiniões que divergem das dela. Mas tenho o direito à minha opinião até porque para além de ser um ouvinte de musica requento por ano meia duzia de concertos.

Fiquei pois a saber que a Ana era aquela rapariga que no inal do concerto se enconrava à porta a fazer um inquéito pedindo a uma amostra representativa da audiência que numa escala de 0 a 10 desse pontos ao concert. Não sei inclusivé se o inquério foi dirigido apenas à audiência ou também à metade da sala que se enconrava vazia. É verdade que ouve palmas. Mas há dois tipos de palmas. As dos que gostam e as dos que por terem receio de serem tomados por ignorantes por pessoas que não aceitam opiniões diferentes das suas batem malmas enquanto pensam" Uf, ainda bem que esta por.. acabou". Mas as palmas desses ignorantes disfarçados têm um timbre especial aos ouvidos da Ana e estanão se deixa enganar.

Antonio disse...

E para que a musicóloga Ana não me chame ignornte corrijo desde já os meus erros no texto:
Onde se lê leia-se
1ª linha o no
8ª linha requento frequento
11ªlinha inal final
11ªlinha enconrava encontrava
11ªlinha inquéito inquérito
13ªlinha concert concerto
15ªlinha enconrava encontrava
16ªlinha ouve houve
19ªlinha malmas palmas

embora malmas signifique também bater palmas com os seios, sinal de euforia e contentamento

Gi disse...

LOL António, isso deve ser os dedos andarem a correr atrás do pensamento :-)

Moura Aveirense disse...

LOL Agora é que me deparei com esta discussão acesa! Vem em seguimento do que falámos em Agosto, sobre os blogs... É demais ver as pessoas que perdem o seu tempo a insultar os bloggers (dizendo que não percebem nada de música, etc, etc), sem conseguirem respeitar a diversidade de opiniões... só dá vontade de rir.

Beijinho, Moura Aveirense

Gi disse...

Pois é, Moura... Bj.